quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Capítulo 41: “Quem ama, cuida e preocupa-se.”


Rita queria chorar mas as lágrimas não lhe caiam pelo rosto, nem as palavras eram expulsas pela sua boca, ela queria poder responder mas não conseguia dizer nada nem reagir, mas Fábio pelo contrário, depois de uns segundos de choque, finalmente conseguiu reagir.

-Rita. - Tiago afastou-se e deixou Fábio aproximar-se.
-Nem tentes. - Virou costas e começou a caminhar para sair dali rapidamente. A dor estava presente, não só na sua cara, como também no seu coração, e essa era uma dor que tão cedo não iria sarar e demoraria muito mais a curar que a dor na sua face.
-Amor. - Ele correu até junto dela.
-Desaparece daqui! - Gritou aos berros.
-Deixa-me pelo menos levar-te para casa.
-Não quero saber de nada do que tenha a ver contigo.
-Estás a ser injusta!
-Estou? - As lágrimas caíram pela cara e a revolta e a dor eram óbvias na sua expressão mas também no olhar carregado de uma série de sentimentos que Fábio nunca tinha visto nos seus olhos. - Porque a mim parece-me que até estou a ser simpática contigo!
-Eu não queria bater-te! - Respondeu também ele revoltado.
-Fábio, esquece, acabou! - De repente, Fábio parou e olhou para Rita diretamente nos olhos, como que pedindo esperança. -Acabou esta conversa, desaparece! - Nunca Fábio tinha ficado tão feliz com uma resposta tão fria de Rita. A rapariga correu dali para fora sem destino certo mas mergulhada numa dor imensa e com as lágrimas a correrem-lhe pela face e a molhar os olhos, e quase provocando um atropelamento, porque ela atravessou-se na passadeira e não viu o carro a pouca distância. Correu até ao pequeno areal que não existe longe e deitou-se em cima da área e deixou-se chorar durante minutos a fio. Era mais que um simples estalo, era muito mais que isso... Já lhe tinha mostrado que o amava com imensas provas de amor, gestos, palavras e atitudes, mas ele parecia ainda duvidar desse amor e daquela relação, era óbvio pela sua reação com Tiago, pela insegurança que Fábio tinha em relação a ele. Tinha-lhe dado o privilégio de ser padrinho da sua afilhada e sobrinha, tinha vivido com eles experiências únicas e apresentar-lhe logo os pais e em especial particularidade o irmão, tinha-lhe aberto o coração e tinha-lhe dado tudo o que pertencia e amava-o como nunca tinha sequer ousado amar Tiago mas parecia nunca ser suficiente! Do que adiantava dizer que a amava e confiava nela se com atitudes comprovava o contrário?

105 is the number that comes to my head (105 é o número que me vem à cabeça)
When I think of all the years (Quando penso nos anos)
I wanna be with you (Que quero estar contigo)
Wake up every morning with you in my bed (Acordar contigo todos os dias na minha cama)
That's precisely what I plan to do (É exatamente o que planeio fazer)

And you know one of these days (E sei que um dia destes)
When I get my money right (Quando receber o meu dinheiro direito)
Buy you everything (Vou comprar-te tudo)
And show you all the finer things in life (E mostrar-te todas as “coisas finas” da vida)
Will forever be enough (O “para sempre” nunca será suficiente)
So there ain't no need to rush (Não é preciso apressar-nos)
But one day, I won't be able to ask you loud enough (Mas 1 dia, eu não serei capaz de pedir-te alto o suficiente)

I'll say will you marry me (Eu vou dizer-te queres casar comigo)
I swear that I will mean it (Eu juro que vou dizer-te)
I'll say will you marry me (Eu vou dizer-te queres casar comigo)
Singing oohh, ooh, ooh (A cantar, oohh, ooh, ooh)
Oh yeah (Oh sim)

How many girls in the world (Quantas raparigas no mundo)
Can make me feel like this? (Conseguem fazer-me sentir assim)
Baby I don't ever plan to find out (Bebé, eu planeio nunca descobrir)
The more I look, the more I find the reasons why (Quanto mais olho para ti, mais encontro razões porque)
You're the love of my life (És o amor da minha vida)

(…)

And if I lost everything (E se perder tudo)
In my heart it means nothing (No meu coração, nada significa)
'Cause I have you, girl I have you (Porque te tenho, rapariga, porque eu te tenho)

O telemóvel de Rita tocara com aquela música e ela demorou alguns segundos a atender, lembrara-se da vez em que Fábio lhe cantara aquela música e da forma apaixonada e sentida com que o fizer, e do que aquela música significara... Ele era um mulherengo antes de a conhecer e mudara tanto por causa dela e por causa da relação que os unia, do que ambos sentiam. Limpou as lágrimas e olhou para o ecrã, ao contrário do que esperava, não era Fábio, mas sim Pedro! Mas afinal porque lhe ligara? Tinha que o atender.

-Sim? - Tentou recuperar a voz normal, de quem não tinha chorado durante imenso tempo.
-Estás onde? - Rita percebeu exatamente que Pedro sabia tudo e começou a chorar novamente.
-Eu quero estar sozinha.
-Rita, tu não estás bem, tu precisas de alguém para estar contigo.
-Preciso de uma pessoa que me ame, sem medo e que não me agrida apenas porque tem ciúmes.
-Rita, estás a ser injusta, ele não te queria agredir porque estava com ciúmes, ele não quis agredir ninguém!
-Tu a defendê-lo? Pedro, isto não tem defesa possível!
-Rita, eu não quero saber de quem tem razão ou não, eu quero dar-te um abraço forte e chorares no meu peito, depois quando te acalmares podes falar comigo ou não, depende do que te apetecer fazer.
-Estou no areal junto aos barcos.

Rita limpou as lágrimas e respirou fundo mais de duas mãos cheias de vezes até se sentir mais calma, depois começou a pensar em toda a sua vida, desde antes de conhecer Fábio, desde o momento em que soubera da separação dos pais e que descobrira a traição de Tiago, e nunca pensara que doera mais um estalo do seu atual namorado do que aquela traição. Mas os seus pensamentos rapidamente foram interrompidos por uma voz que tão bem conhecia mas não esperava, de todo, naquele momento.

-Rita? - Ela virou-se rapidamente e levantou-se.
-O que fazes aqui?
-Quero falar contigo.
-Desaparece!
-Tem calma, precisamos de falar.
-Eu não quero falar contigo!
-Dá-me um beijo para eu sentir pelo menos que ainda me amas.
-Os sentimentos não mudam do dia para a noite, devias saber isso, acima de tudo, devias senti-lo.
-Eu sei disso, mas o medo de te perder é irracional.
-Eu chamo isso a insegurança que tens em mim.
-Não, acredita que não é. - Ele mudou o tom... Estava calmo e parecia falar diretamente do coração, de uma forma completamente diferente das que tinha feito anteriormente, ela não o conhecia daquela forma. - É a insegurança que tenho de mim mesmo. O medo terrível de perder-te por um erro estúpido qualquer que eu sei que ia cometer.
-E porque não falaste comigo antes?
-Porque tive medo de me revelar contigo e te desiludir e de quereres terminar comigo.
-Eu não quero terminar nada, simplesmente é muito para digerir e eu quero pensar... - Rita tinha tanta vontade de chorar mas não podia, ela ia fazer-se de forte para bem de si mesma.
-Respeito isso. Queres dar um tempo?
-Não. Eu não quero fazer isso. - Disse sem hesitar. - Simplesmente preciso de uns dias para pensar em tudo.
-E eu vou dar-te todo o tempo que precisares Rita. Acredita que se me deres uma nova oportunidade vou mudar.
-Não precisas de uma nova oportunidade porque nada acabou, simplesmente quero algum espaço pessoal e isso é algo que só posso fazer sozinha, sim?
-Eu vou deixar-te sozinha. - Ela sentou-se na areia, sentia já não ter forças nas pernas para estar em pé. - Só quero pedir-te desculpa mais uma vez e dizer que te amo.
-Eu também te amo. - Fábio estava prestes a ir-se embora mas foi interrompido o caminho pela voz de Rita que o parou. -Podes dar-me um beijo?
-Pensei roubar-to mas decidi não o fazer.
-Não é roubado quando é pedido e dado. - Ela inclinou a cabeça para trás e ele deu-lhe um beijo na testa. - Eu falei de um beijo, não de um beijinho. - Fábio sorriu e decidiu dar-lhe um beijo sentido e com saudades nos lábios, de seguida foi-se embora sem ambos dizerem nada mais e sem trocarem mais um único olhar. Ela precisava de escrever, precisava de desabafar sobre o que sentia, sobre tudo o que tinha vivido nos últimos meses, mas também sabia que não o conseguia fazer, não enquanto estivesse tudo demasiado a quente na sua cabeça e no coração, mas talvez falar em voz alta a ajudasse a aclarar os seus pensamentos.

-Fábio, eu só quero que entendas que o que mais me doeu, não foi o estalo. A dor física passou, mas as palavras que tu me disseste magoaram mais que tu possas imaginar... - Suspirou e limpou mais lágrimas que não paravam de cair mas embora em menos quantidade. - É a tua insegurança. Eu sei que dizes que tens medo de me perder, por algo que faças ou tenhas, mas eu sei e sinto que tens medo é de mim. Medo que me vá embora... Medo que não te ame o suficiente. E é isso que me magoa mais. - Limpou as lágrimas e decidiu ir almoçar, afinal quem conseguia pensar direito com o estômago vazio?
Foi até à paragem de autocarro mais próxima e apanhou um autocarro mas até esse sítio lhe trazia memórias... Memórias de Fábio e de Tiago.

(Lembrança)

-Apesar de nos conhecermos há pouco tempo, já sei algumas coisas sobre ti 
pequenina. – Talvez fosse um termo carinhoso que Fábio lhe tinha dado para 
demonstrar a sua amizade, ou fosse apenas o modo de lhe relembrar que era pequena 
ao seu lado. – E fica sabendo que só chamo amigos quando existe mesmo confiança. 
Mas sabes ultimamente tenho andado a adorar falar com estranhos, desabafar 
com eles. É como senão te criticassem. E não te julgassem.
-Os estranhos parece que nos ouvem melhor que os amigos. Quando soube que os 
meus pais se iam separar, a primeira coisa que fiz foi apanhar um autocarro e 
falar com estranhos, senti essa necessidade. Podes chamar-me maluca mas foi o 
que quis fazer. Mas nunca, nem por um segundo, deixar o meu irmão para trás. 
Ele foi comigo.”
(Fim de Lembrança)

Rapidamente chegou a casa e foi a pé o curto caminho que a separava de sua casa, e subiu... Mas o instinto levou-a até casa de Fábio, foi a meter a chave na porta que percebeu que estava no local errado. Tinha de ir para sua casa. Respirou fundo e foi até sua casa, mas foi surpreendida por um excelente cheiro que pairava pela casa. Nem a mãe, nem o pai lhe tinham dito que iam almoçar a casa e ela sinceramente não queria partilhar espaço com ninguém, queria comer calmamente e sair novamente para destino incerto. Foi até à cozinha e deparou-se com Fábio de avental e a cozinhar, noutra altura teria comentado que era o sonho de qualquer rapariga mas naquele momento não teria qualquer interesse em apreciar um dos lados mais atrativos do seu namorado.

-Que fazes aqui? - Perguntou com rudeza.
-Apesar de estares chateada comigo, eu não deixo de me preocupar e vim preparar o almoço para ti, apesar de não saber se vinhas almoçar ou não, mas não te preocupes mal acabe, eu saiu.
-Obrigada por te preocupares.
-Quem ama, cuida e preocupa-se.
-Quem ama, confia. - Respondeu friamente.
-Bem, vou embora. - Rita agarrou-o no braço, impedindo-o de se ir embora.
-Por favor, fica.
-Não te entendo, sabes?
-Alguma vez intendestes? Sou mulher, dá-me um desconto. - Ambos sorriram.
-E eu estou apaixonado pela primeira vez, dá-me também a mim.
-As relações são complexas! - Concluiu ela. - Mas devem ser viciantes, porque não consigo pensar sequer na ideia de estar sem ti.
-Então porque não esquecemos tudo o que se passou hoje e recomeçamos?
-Não abuses. - Disse novamente fria e Fábio sabia que estava a pisar terreno incerto e que precisava de ter cuidado, nunca tinha visto a namorada assim mas tinha demasiadas memórias dela e conhecia-a demasiado para decifrar algumas pequenas partes dela que talvez a ajudassem.
-Sabes do que me lembrei?
-Não. Ainda não existe nenhuma máquina que leia mentes.
-Da primeira vez em que dormimos juntos.
-Mas tu até nestas horas és perverso?
-Nada disso, princesa. Escuta-me.

(Lembrança)
Fábio ficou surpreendido pelo estranho pedido de Rita, mas sorriu. Fora inocente o pedido e explicara as suas razões mas a mente do jovem trucidara-o, queria levá-lo para caminhos que ela não queria e ele tentava afastar aqueles pensamentos ao máximo. Queria desfrutar de uma amizade sem segundas intenções. Perguntou:

-Tens a certeza? Não quero outras interpretações nossas ou mesmo do teu pai. –Respondeu nervoso, lembrando-se do que dissera ao pai da sua amiga. Sabia que Rita o conhecia, que reconhecia o seu estilo. Ele não era homem de se apaixonar e de ter relações sérias e ela sabia melhor que ninguém, já conversaram mais que uma vez sobre esse assunto. Ele tinha medo do rumo que aqueles mimos pudesse levar, mesmo que inocentes. Queria que ela permanece-se na sua vida, como amiga.

-Não entendi essa do meu pai, mas adiante. – A jovem não fazia ideia de que Fábio prometera ao seu pai tomar conta dela, enquanto amigos e nada mais. – Já somos crescidinhos o suficiente para distinguirmos a amizade do amor. Além do mais não há segundas intenções. Pelo menos da minha parte. – Disse frisando bem a sua posição.

-Da minha parte igual. – A amizade entre eles estava mais forte não só a cada dia que passavam juntos mas como a cada olhar trocado, a cada palavra dita e a cada atitude, mesmo que involuntária. Começavam a moldar o seu feitio de forma a conseguirem manter uma amizade e á forma de ser e estar com a vida. Fábio vi-a como amiga, sem intenção de vir a ser mais uma conquista na sua (longa) lista, e Rita começara a abrir o coração para Fábio e vi-a nele um amigo, em quem podia apoiar-se e recuperar de tudo o que lhe acontecera. – Chega-te mais para junto de mim, minha doentinha.– A rapariga aproximou-se dele e Fábio encostou os ombros à parede e deixou as costas num ângulo de 75º e com este gesto ficou com os pés fora da cama e ambos soltaram um sorriso.

-Quem te manda seres enorme? – Perguntou ela sorrindo deparando-se aquele particular momento.

-Quem te manda seres pequena? – Respondeu ele também de pergunta.

-A mulher é como a sardinha só se quer é pequenina! – Rita deixou-se deslumbrar durante uns segundos pelo sorriso de Fábio. Não podia negar a si mesma que ele era bastante atraente e bonito e o sorriso levava-o ao extremo da sua beleza. – Posso encostar-me ao teu ombro? –Perguntou depois de afastar aqueles pensamentos que ela não queria ter, não estava interessada em ter relações sem ser de amizade com qualquer outro rapaz, nem sérias, nem menos sérias e não com um rapaz que era, de momento, o seu único amigo.

-Encosta! – Colocou a palma da mão sobre o fundo das costas de Rita e fez uma ligeira pressão para ela se aproximar dele e ela obedeceu-lhe. Encostou a cabeça entre o seu peito e o seu ombro e deixou-se ficar. Era bom sentir-se protegida, sentir que gostavam dela e a apoiavam. E Fábio, o seu único amigo, apoiava-a e estava ao lado dela quando precisasse, já dera provas disso. Pela primeira vez Rita sentiu de perto, o perfume de de Fábio e gostou. Era um bom cheiro, não era exagerado e era viciante, quanto mais cheirava, mais queria cheirar. Ouvia o seu coração a palpitar não muito feroz e acalmava-a.
Ele colocou a sua mão na cabeça de Rita, entre os cabelos e começou a massajá-los. Queria mimá-la e fazer com que ela não se sentisse sozinha, iria satisfazer o pedido de Rita mas também a pensar na promessa que fizera a Luís. Desligou a televisão e ela sussurrou:

-Amo que me mexam no cabelo! – Disse a jovem doente com os olhos fechados e a sorrir, mas ele apenas consegui-a ver o sorriso da amiga.

-E eu amo mexer nos cabelos dos outros! – Ela sentia-se protegida e ele sentia que estava a cuidar da amiga, era um gesto de amizade e de carinho. – Agora fecha os olhos e deixa-me mimar-te que bem precisas de miminho! – Afirmou inocentemente.
-Mas com juízinho menino. – Sorriram e ele deixou-se ficar deitado e a fazer leves cócegas na cabeça de Rita e ouvia-a a respiração dela. Durante alguns minutos, ele continuou a massajar a cabeça de Rita e a sentir os fios de cabelo dela tocarem na sua pele, a respiração de Rita tornou-se mais pesada e Fábio olhou para ela, tinha adormecido. Estava a dormir carinhosamente e pacificamente.

Os lábios dela pareciam mais carnudos e atraentes enquanto dormia e o desejo dele era de tomá-los como seus mas deixou o seu desejo acalmar e fez uma leve festinha sobre a bochecha dela e admirou-a durante segundos. “Como conseguia ser uma pessoa tão forte depois de tudo o que lhe acontecerá?”, “Porque tentava demonstrar que estava sempre tudo bem quando sentia o seu mundo a desabar?”, “Porque Rita se tinha afastado de tudo e de todos, inclusivé mãe, família e amigos?”, “Será que ela o considerava mesmo seu amigo?”, “Porque Rita o admirava tanto ao ponto de teres fotos suas no seu quarto?”. Tantos pensamentos invadiram a sua cabeça e ele queria saber todas as resposta mas acabou também por adormecer. Os corpos de ambos tombaram sobre as mantas e os pés de Fábio ficaram ainda mais fora da cama.”

(Fim de Lembrança)

-Isso foi pouco depois de nos conhecermos não foi? - Sabia bem quando tinha acontecido mas fingira não saber para não dar parte fraca e Fábio ficou dececionado.
-Sim. Quando andavas com aqueles enjoos e tudo, tinha-te obrigado a fazer um teste de gravidez, sendo tu virgem.
-Eu sabia que não estava grávida, mas tu mesmo assim forçaste-me, como sempre sem confiar em mim.
-Sabes, Rita? - Levantou-se da mesa onde já almoçavam claramente chateado. - Eu estou a tentar mas tu simplesmente estás a dificultar-me demasiado, chegas ao ponto de ser rude!
-Vais desistir de mim? - Perguntou desiludida.
-Nunca vou desistir de ti, acredita. - Mas Fábio até chateado, era romântico, perguntava interiormente Rita. - Estou a desistir deste almoço dos dois. - Fábio levantou-se da mesa com rumo a sua casa, mas foi travado por Rita, que o agarrou no braço. - Por favor, não vás.
-O que vai mudar, Rita? A tua forma de rudeza? Ou a tua capacidade de me dizeres que errei mais que uma vez na nossa história?
-Preciso de ti.
-Para quê? - Rita aproximou-se dele e colocou os braços sobre os ombros dele e ficaram frente a frente, enquanto ele colocava as mãos no fundo das suas costas, abraçando o seu corpo com os seus braços.
-Para me amar. - Dito isto beijou-o e o que começou com um beijo inocente rapidamente acabou com as roupas no chão e dois corpos nus em cima de uma cama. Depois do momento, nenhum sabia como reagir ou o que dizer, mas foi ele que tomou a iniciativa:

-E agora? Fica tudo bem? - Com aquelas palavras, Rita despertou do “transe” em que estava a sua cabeça e começou a procurar a roupa e a vestir-se.
-Isto não foi nada. - Para Fábio todo o mundo desabara, ou pelo menos o seu coração parecia cair. - Foi sexo de compaixão, não sexo de retorno.
-Como tens coragem? Como consegues?
-Não tenho sentimentos... É isso! - Respondeu Rita sorrindo.
-Não conhecia este teu lado...
-Insensível! - Disse ela.
-Bruto e rude! Mas sei que não és assim, e não é isto que me vai fazer desistir de ti, nem nada!
-Vou-me embora! - Pegou na sua mala e foi-se embora sem dizer mais nada, deixando-o completamente despido de qualquer roupa e numa confusão imensa de sentimentos e dúvidas.

Rita saiu de casa e bastou caminhar apenas mais uns minutos para ouvir um piropo no carro:

-Oh gata, podes dar-me o teu número? - A rapariga não olhou mas o carro continuou a prosseguir ao seu lado. - Se tivesses solteira, acredita que não me escapavas. - Noutra circunstância qualquer, Rita teria ignorado e continuado o seu percurso mas simplesmente não estava com paciência e estava farta de rapazes, por isso virou-se para o carro e decidiu responder.
-Ouve lá! - Quando reparou no dono do carro, calou-se. - O que fazes aqui?
-Pensei que talvez não tivesses bem e precisasses de ir jantar fora e passear.
-Sabes que o culpado de estar assim és tu?
-Não, não sou. - Respondeu com um sorriso irónico. - A culpa é do teu namorado que respondeu com um estalo a uma simples conversa.
-Tu nunca foste santo, não me tentes enganar, tu provocaste-o.
-É verdade que provoquei, mas existe desculpa para partir para a violência? - Rita ia responder mas decidiu não o fazer, ela conhecia bem os dois lados da questão. - E também te conheço bem, sei que não estás bem.
-E como sabias que iria estar pela rua?
-Porque conheço-te. Primeiro precisas de espaço e eu dei-te, agora querias mimo e eu vim-te dar.
-Eu tenho o Fábio, ainda somos namorados, caso me lembre.
-Ainda? Isso quer dizer alguma coisa.
-Não quer dizer nada, é uma expressão. É só algo menos bom que se está a passar na nossa vida, vai passar.
-E nós?
-Não existe um nós. Tu acabaste-o quando te envolveste com a Adriana.
-Eu errei.
-É um erro sem perdão. E eu sou feliz com o Fábio, e tu vais encontrar outra pessoa.
-E se eu só te quisesse a ti? E tentasse alguma coisa contigo?
-Se me conhecesses sabes que não é não. Eu tenho o Fábio, e amo-o. Tu és o meu primeiro amor, nunca te vou esquecer, mas o nosso tempo chegou ao fim.
-E se ficássemos apenas amigos? Como nos velhos tempos antes de namorarmos?
-Assim aceitaria jantar contigo.
-Então vamos. - Ele acelerou e acabaram por jantar e depois foram para uma discoteca próxima, onde Rita não aguentou a dor que vivia no peito e decidiu beber muito mais do que o seu corpo aguentava.

(No dia seguinte)
Rita tivera uma noite terrível e não tivera um melhor despertar, tinha bebido demasiado e tinha acabado por ir parar ao hospital... Em coma alcoólico. Não queria acreditar, ela nunca tinha cometido uma loucura típica de adolescente, raramente sai-a à noite e era uma rapariga calma para a idade, mas tinha abusado e ela estava ciente disso, a prova era claro, o local onde estava: numa cama de hospital. Tinham-lhe feito uma lavagem ao estômago, mas o que mais lhe doía era a alma. E o coração. Queria chorar e ir diretamente para os braços de Fábio e chorar por lá até se sentir melhor, mas sabia que tinha sido injusta com ele e não lhe poderia fazer isso. Tinha de suportar a dor sozinha. Até que o médico entrou no seu quarto:

-Como está menina?
-Estou a recuperar doutor.
-Precisamos de falar.
-Eu sei que fiz mal, doutor. Acredite que é a primeira e última vez, prometo.
-Não é isso, Maria. - A rapariga nunca na sua vida iria habituar-se a que lhe chamassem de Maria em inverso de Rita, mas estava mentalizada que era o seu primeiro nome. - Tem de pensar de forma diferente. A sua vida não é a única que está em risco agora.
-O que quer dizer com isso, doutor? - Rita não queria acreditar, talvez tivesse ouvido mal... Talvez ele não quisesse dizer isso. Ela precisava de confirmar o que não queria ouvir.


Como irá reagir Rita?

O que quererá o médico dizer? Ou será um falso alarme?

terça-feira, 12 de julho de 2016

Capítulo 40: “Não foi minha, porque eu simplesmente não quis!”


Fábio sabia que tinha a rapariga certa do seu lado, ela demonstrava-o todos os dias e acima de qualquer sentimento havia ainda a certeza de ser a mulher que o iria acompanhar para o resto da sua vida, não o sentimento típico de um homem apaixonado mas algo mais fazia-o crer naquelas palavras. Eles estavam juntos já há 3 meses e todos os dias ele apaixonava-se mais por ela, cada dia mais e mais, nunca pensou vir a descobrir uma pessoa que o completasse de uma forma tão especial. Ele nunca tinha estado apaixonado antes, mas algo mais intenso lhe dizia que era completamente diferente de qualquer outro romance que lhe pudesse ter aparecido antes. Rita era completamente diferente de todas as raparigas da sua geração e ele sabia-o. E ele sentia-se sortudo por tratá-la por sua namorada, não pelo sentimento de posse mas porque orgulhava-se dela como se fosse a melhor de todas as mulheres. Ela preocupava-se com a aparência mas apenas o essencial, mas apenas porque dizia que não queria parecer feia ao pé dele, embora ele lhe dissesse que era impossível, ela era inteligente e culta, e acima de todas as outras qualidades ela era simplesmente uma mulher genuína. Claro que também existiam outros defeitos e ele conseguia falar deles também, ela era terrivelmente teimosa e ficava extremamente difícil quando tinha fome, e era por isso que ele a amava... Por ser tão humana. Com tantos defeitos e tantas virtudes que a tornavam tão real e apaixonante.

-Fábio Rafael? - Rita estalou os dedos em frente aos olhos do namorado em busca de voltar a chamá-lo à realidade. - Queres assinar ou nem por isso?
-Desculpa, perdi-me em pensamento.
-Eu dei por isso. - Ambos sorriram. - Estavas perdido a olhar para mim mas longe em pensamentos.
-Estava a pensar.
-Que estavas a pensar sei eu. Podias era ter pensado no que está na carta.
-Estava a pensar na sorte que tenho por te ter na minha vida.
-O teu romance veio na altura errada, Fábio, senão sairmos em breve vamos chegar atrasados ao batismo da menina! - Ele sorriu, podia ter qualquer rapariga rendida a seus pés que fizesse tudo o que ele queria e lhe desse tudo o que ele desejava, mas ninguém o faria feliz como ela o fazia, nenhuma iria fazê-lo sentir o que só ele sentia com ela.

-Eu amo-te. - As palavras saíram-lhe de uma forma completamente genuína e intensa e ela arrepiou-se a ouvi-las, ele não tinha pensado dizê-las... Elas simplesmente saíram.
-Eu amo-te mais.
-Eu admiro-te. E isso é um dos melhores elogios que poderás ouvir.
-Tu admiras-me?
-Como tu me admiravas antes de me conhecer!
-Admiro-te mais agora. - Passou-lhe a mão pela bochecha. - Eu só quero que saibas que passe o que passar, tu serás sempre alguém que eu vou falar aos meus filhos.
-Nossos filhos! - Corrigiu sorrindo. - Temos o resto da vida para juras eternas, batizados da nossa afilhada não, por isso levanta o rabinho jeitoso e vamos.
-Tu não te cansas de olhar para o meu rabo, pois não?
-Nunca. - Sorriu ainda mais quando ela se levantou do sofá. - Assim como nunca me cansarei das tuas mamas. Estão maiores, tenho a dizer-te.
-Achas que eu não dei por isso, Fábio Rafael? Tenho de ir comprar soutiens novos que as minhas mamas transbordam nos antigos!
-Obrigada Jesus por teres aumentado o tamanho já considerável das mamas da minha namorada, ámen! - Ela sorriu e perguntou a si mesma porque tinha arranjado um namorado tão “cromo”. - O tamanho do rabo podereis deixar a teu belo dispor, o tamanho já é a meu grado, mas um aumento, não seria mal pensado!
-Tu estás a brincar comigo! - Disse revoltada. - Se eu já estou traumatizada com o tamanho de rabo que tenho, com ele maior não passo nas portas!
-Podereis também fazê-la um pouco menos exagerada, também, mas se a mantiveres assim, também não ficarei triste!
-Nunca ouviste dizer que não se reza em vão?
-Não é em vão, é pelo teu rabo e mamas!
-Senhor, perdoai-o porque não sabe o que diz e o que faz! - Disse divertida. - E por favor deixai as perninhas dele como estão, para poderem ser fortes para aguentar com o peso do meu rabo, depois continuai com a progressão daquele rabinho porque se eu lhe dou um, em meios que grande, tenho de ter recompensa. Ámen! - Ambos desmancharam-se a rir.

-Já acabou a reza, a menina?
-Não, agora tenho de rezar para chegar a tempo ao batismo da nossa afilhada! Onde é que isto já se viu, os padrinhos chegarem atrasados ao batismo da menina, ainda somos substituídos!
-Se me deres a caneta que tens na mão para eu assinar a carta, seria mais rápido irmos! - Rita deu-lhe a caneta e ele assinou a carta, pegaram nos restantes pertences e foram rapidamente até ao carro para não se atrasarem ainda mais para o batismo.
Passado alguns minutos já iam a caminho do batizado quando Rita estava derretida a olhar para Fábio e ele notara mas limitava-se a sorrir e esperava que ela te dissesse a razão de fazer o que fazia.

I love the way you make me feel (Amo a maneira como me fazes sentir)
I love it, I love it (Amo, eu amo)
I love the way you make me feel (Amo a maneira como me fazes sentir)
I love it, I love it (Amo, amo)

Say, I'm thinking 'bout her every second, every hour (Digo, eu penso em ti a todos os segundos, a todas as horas)
Do my singing in the shower (Canto no banho)
Picking petals off of flowers like (Colhendo pétalas de flores como?)
Do she love me? Do she love me not? (Ela ama-me? Ela não me ama?)
I ain't a player, I just (Não sou um “player”, eu apenas)

You give me that kind of something (Dás-me qualquer coisa)
Want it all the time, need it everyday (Quero-o todo o tempo, preciso dele todos os dias)
On a scale of one to ten, I'm at a hundred (Numa escala de um a dez, estou a 100)
Never get enough, I can't stay away (Nunca será suficiente, não consigo afastar-me)

If you want, I got it, I got it everyday (Se queres, tu tens, tens todos os dias)
You can get whatever you need from me (Tu consegues tudo o que quiseres de mim)
Stay by your side, I'll never leave you (Estando a teu lado, nunca te deixarei)
And I ain't going nowhere 'cause you're a keeper (E eu não vou a nenhum lugar porque tu és para manter)

So don't you worry, baby you got me (Então não te preocupes, tu tens-me)
I got a bad boy, I must admit (Eu tenho um rapaz mau, tenho de admitir)
You got my heart, don't know how you did it (Tu tens o meu coração, não sei como o conseguiste)
And I don't care who sees it babe (E não me importo com quem veja, querido)
I don't wanna hide the way I feel (Eu não quero esconder a forma como me sinto)
When you're next to me (Quando estás perto de mim)
I love the way you make me feel (Eu amo a maneira como me fazes sentir)
I love it, I love it (Eu amo, eu amo)
I love the way you make me feel (Eu amo a maneira como me fazes sentir)
I love it, I love it (Eu amo, eu amo)

It's so crazy, you get my heart jumping (É tão louco, tu fizeste o meu coração saltar)
When you put your lips on mine (Quando pões os teus lábios nos meus)
And honey, it ain't a question, quick question (E querido, não é um problema, não é um problema)
'Cause boy I know just what you like (Porque rapaz, eu sei do que gostas)

I make you feel so fine, make you feel so fine (Tu fazes-me sentir tão bem, fazes-me sentir tão bem)
I hope you hit me on my celly (Eu espero que me ligues para o telemóvel)
When I sneak in your mind (Quando eu invadir a tua mente)
You a princess to the public (És uma princesa para o público)
But a freak when it's time (Mas uma louca quando chega a hora)
Said your bed be feeling lonely (Dizes que te sentes sozinha na cama)
So you sleepin' in mine (Então vem dormir à minha)
Come and watch a movie with me (Vem e vê um filme comigo)
"American Beauty" or "Bruce Almighty" that's groovy (“Beleza Americana” ou “Bruce Todo Poderoso” que é ótimo)
Just come and move closer to me (Apenas vem e vem para mais perto de mim)
I got some feelings for you (Tenho uns sentimentos por ti)
I'm not gonna get bored of (Não vou vou ficar aborrecido)
But baby you an adventure so let me come and explore you (Mas, bebé, tu és uma aventura e deixa-me explorar-te)”

-Quando dormimos juntos, e não, não é no sentido perverso, eu percebo que somos feitos um para o outro, tu completas-me e eu completo-te, os nossos corpos falam por nós. Quando eu estou distante a pensar em algo, não preciso de falar, tu já o sabes com uma troca de olhares. Tu completas a minha forma de ser e estar com a vida, temos algumas parecenças e outras tantas diferenças mas tão bonitas por se unirem e completarem. Eu amo-te e não é apenas pelo simples facto de te amar que me faz acreditar que estaremos juntos para sempre.
-Nada nem ninguém, nunca nesta vida, me fará mais feliz que tu, Rita. - Sorriram. - Sinto que me amas e as tuas palavras enchem-me o coração e a alma, mas acima de ouvi-las, é fantástico sentir todas as palavras que tu dizes, vê-lo no teu olhar e perceber pelos teus gestos, mas para a próxima posso pedir-te um favor, amor meu?
-Diz.
-Não cantes por favor, limita-te a pôr a música, tens tanto jeito para as cantorias quanto eu. - Ela sorriu e acabou por concordar, sabia perfeitamente que a sua habilidade para cantar era pouca, mas tinha a certeza que cantava melhor que ele.

(Passado uns dias)
O casal estava cada vez mais apaixonado e a relação embora tivesse já alguns meses, parecia ainda viver uma fase muito precoce porque estavam mais entusiasmados que nunca por estarem juntos. Pareciam cada vez mais apaixonados e cada vez mais cúmplices e gratos por terem recebido alguém na sua vida de uma forma tão especial. A falta de rotina era uma das condições do casal: gostavam de variar o que faziam quando estavam juntos e gostavam de respeitar o espaço um do outro. E naquele dia, embora não tivessem combinado nada, Fábio decidiu fazer uma surpresa à sua namorada. Tinha-lhe comprado um conjunto de batons e uma tablete de chocolate e ia fazer-lhe uma surpresa à porta da faculdade, talvez ela já tivesse combinado algo ou talvez não, iria arriscar. Chegou um pouco antes do final das aulas, não sabia porquê mas estava nervoso e ansioso... Talvez porque o amor e acima de tudo, Rita, fazia-o quase como uma criança, ou como um adolescente apaixonada pela primeira vez, fazia-o tremer quando sabia que ia ter com ela e fazia-o sentir-se entusiasmado e ansioso por voltar a estar com ela, mas assim que estacionou e saiu do carro, como que quase se arrependeu da surpresa que ia fazer... Mas será que ele tencionava nunca deixá-los usufruir por completo daquele amor, sem os chatear? De verdade?
Trancou o carro e foi em direção a Tiago, o seu “ex” da sua namorada, e com rude, frieza e revolta, dirigiu-se a ele com maus modos:

-Porque é que não sais da nossa vida? Deixa-a em paz!
-Mas qual é o teu problema?
- Tiago também não era uma pessoa de ficar calada. - Se tens medo de a perder o problema é teu. Será que é porque provavelmente nunca foi tua!
-Foi minha de muitas formas que nunca foi tua! - Fábio não queria ter dito de tal forma, até porque era um “golpe sujo” mas Tiago rapidamente compreendeu a intenção dele.
-Não foi, porque eu simplesmente não quis! - Fábio cruzou os braços e sorriu, sabendo perfeitamente que era mentira. - Ou queres mesmo acreditar que durante quase 3 anos não houve nada?
-Quero acreditar que tu tens o bom senso de desapareceres da vida da Rita par sempre, senão meu querido, acredita que vais arrepender-te!
-O que vais fazer? Chamar os teus tropas para me bater? Acredita que não tenho medo nem deles, nem de ti, meia leca!

-Achas sinceramente que eu vou fazer alguma coisa por ti? Tu nem o ar que respiras mereces!
-Por isso é que foi a tua namorada que me pediu para vir ter com ela, provavelmente para lhe dar o que tu nunca lhe deste, prazer! - Fábio estava já a tentar virar as costas para se ir embora mas voltou atrás. Não aguentava estar mais um minuto, um segundo sequer a respirar e a partilhar o espaço com aquele... Ser vivo. Na sua cabeça tinha mais sentido partilhar oxigénio com uma vaquinha ou uma formiga do que com aquele... Sujeito. Nunca tinha odiado tanto alguém na sua vida além dele, mas será que ele não percebia a intenção? Não percebia que não fazia falta à vida de ninguém? Respirou fundo e ia agredi-lo, era a melhor forma de lidar com pessoas assim... Mas Rita meteu-se entre eles e acabou por ser ela a vítima de um estalo de Fábio.

Como irá reagir Rita?

Como será o futuro da relação deles? Será que o Tiago disse era verdade?

domingo, 5 de junho de 2016

Capítulo 39: “Eu sabia que tinham essa química... Mais física”


Rita respirou fundo, bem fundo, sabia que aquele dia iria chegar, mas não esperava que fosse tão cedo e que ela fosse apanhada completamente de surpresa e sem sequer lhe dar tempo de pensar numa resposta. Sabia que não podia, e nem devia mentir, mas como dizia à sua mãe que não era virgem? Queria ter sido ela a abordar o assunto, queria ter sido ela a dizer-lhe, sem a mãe lhe perguntar nada, mas era demasiado tarde para tudo e ela tinha de responder-lhe.

-Sim. - Respondeu baixando a cabeça, envergonhada.
-Foi por isso que começaste a tomar a pílula?
-Sou alérgica aos preservativos com látex.
Rita imaginou a mãe a gelar com a sua afirmação.
-Há quanto tempo começaram a fazê-lo?
-Umas semanas...
-E porque não me disseste?
-Estava à procura da altura certa e das palavras certas.
-Isso poderia nunca acontecer.
-O Fábio já me tinha pedido para ter esta conversa contigo, mas eu não sabia como o fazer... Estava à espera que um dia falássemos os três e ele te dissesse, ele é mais desenvergonhado quanto a este assunto.
-Ele é meu genro, tu é que és minha filha.
-Sim, mas foi com ele... Oh mãe não podemos mudar de assunto?
-Não, agora vamos acabar a conversa. E como foi a vossa primeira vez?
-Mãe, a sério? Não achas que já é demasiado embaraçoso?
-Confesso que é muito engraçado, ver-te toda envergonhada quanto a este assunto. Mas vá, podes e deves falar. Tens alguma dúvida quanto a alguma coisa que queiras perguntar à mãe? - Rita baixou a cabeça, envergonhada. - Não te eduquei para seres tão pudica, Maria Rita!
-Tenho uma irmã mais velha, não achas que estes assuntos devia ser falado com ela?
-E tens coragem para falar com ela?
-Mãe, todas as dúvidas que tive, falei com ela. Desculpa mas é estranho falar contigo sobre isto.
-É algo natural da vida, não percebo o teu incómodo, filha. Tanto eu como o teu pai sabíamos que tu e o Fábio tinham essa química... Mais física. E que poderia acontecer a qualquer momento, e que apesar de namorarem há pouco que iria acontecer.
-Tu e o pai sempre me deixaram à vontade quanto a este assunto mas para mim é demasiado esquisito, desculpa mãe. Além disso, eu sou tão inexperiente que é estranho ainda falar com alguém que não seja o Fábio ou a mana.
-E o Fábio tem-te deixado à vontade? E não te tem pressionado?
-Acho que quem pressiona mais até sou eu. - Riu-se ao pensar nas vezes que o tinha provocado a este nível. - Mas ele está à vontade e tem-me deixado à vontade também e eu tenho correspondido, tenho-me soltado mais.
-E como foi a vossa primeira vez?
-Muito engraçada. - Respondeu divertida. - Saltando os pormenores. Eu tive de lhe pedir para parar porque estava com dores infernais, e ele dizia que era normal, mas eu sabia que não era. Passado algum tempo percebi que algo não estava bem e fomos para o hospital de emergência onde o médico nos disse o que já sabes.
-Custou alguma coisa contares-me?
-Não. Mãe, não é por não confiar em ti ou por não querer dizer-te, simplesmente é um assunto delicado que eu não sabia abordar e era demasiado embaraçoso tentar explicar-te. Eu sei que é algo natural mas não sabia mesmo como fazê-lo, desculpa.
-Está tudo bem filha. - Deu-lhe um beijo na testa. - Agora vai descansar um pouco e tomar um banhinho que aposto que queres.
-E não precisas de ajuda na cozinha?
-Está descansada.
Rita levantou-se da mesa da cozinha e deu alguns passos.
-Achas que o Fábio vai gostar do gatinho?
-Acho que vai adorar. De repente a vossa pequena aumentou de dois para quatro.
-É verdade... E logo, um cão e uma gatinha, a nossa pequena Bia.
-Porque escolheste o nome Bia?
-Tenho uma amiga minha lindíssima chamada Beatriz e achei que era uma forma de lhe dizer, embora indiretamente, que ela é mesmo uma gata.
-Realmente só tu, filha! - Sorriu-lhe. - E tu e o Fábio têm-se protegido? De certeza que é fiável? E que tens tomado sempre a pílula?
-O médico disse que a probabilidade de engravidar a tomar a pílula era muito reduzida.
-Só quero ficar descansada, apenas isso.
-Está descansada. - Sorriu-lhe e foi tomar um banho, mas não sem antes fazer uma pequena festa na cabeça de Christian.

Rita sentia-se feliz e satisfeita com o que a vida lhe dera nos últimos meses, tinha passado um inferno mas estava a ter a recompensa por isso, estava também a aprender a dar um novo valor à vida e a desfrutá-la ao máximo. Como cantara a sua cantora preferida: Y un día después de la tormenta; Cuando menos piensas sale el sol”, e nunca Rita lhe dera tanta razão como agora. Fábio não era o principal “culpado” por isto, mas era um potente motor. Como era possível estar tão apaixonada por ele? Querê-lo tanto? 

Tinha passado tanto tempo com Tiago mas só Fábio lhe dera o prazer de sentir o que ela tanto sentia e vivia à flor da pele. Ela tinha descoberto o prazer, o desejo de uma forma tão abrupta mas tão bonita, tinha gostado de Tiago sim, mas era a Fábio que ela amava e havia sido com ele que tinha aprendido o que significava aquela palavra. Agora tinha apenas um medo: não o fazer feliz, não lhe dar o melhor e o que ele merecia. Se Fábio quisesse ir para qualquer lado do mundo fazer o que amava com uma bola nos pés, ela iria, sem pensar duas vezes, porque o melhor para si, era ele e não duvidara disso, nunca. Rita estava certa que era junto daquele homem que iria realizar o seu maior sonho, ter a sua própria família e ambos queriam uma família grande!
Quando saiu do banho, pegou no telemóvel e iria mandar mensagem a Fábio, não tivesse recebido já outra...

Como não pude desejar-te pessoalmente, venho por este meio desejar-te um feliz e fantástico Natal e um ótimo ano, para ti e para a tua família, em especial um abraço e um beijo grande para o Pedrito!”

Entendia a educação e o respeito de quem lhe mandara a mensagem mas dispensava-os com todo o coração, sem elegância, eloquência ou educação, será que ele ainda não percebera que ela não o queria na sua vida? Que era uma marca do passado e nunca uma marca do presente? Respirou fundo e nem deu resposta, Tiago queria algo que Rita não ia dar. Aliás as tentativas de Tiago de se voltar a aproximar saiam completamente furadas porque ainda a aproximava mais do seu atual companheiro. E decidiu então ligar-lhe para matar saudades, mesmo que ele fosse a conduzir...

-Já com saudades, pequena?
-Estava a pensar em ti enquanto estava a tomar banho.

Fábio pensou duas vezes antes de responder e gaguejou ao fazê-lo:

-Tu adoras provocar-me.
-Mas tu achas que tudo o que faço é uma provocação? Não posso pensar em ti, despida, é isso?
-Rita, eu gostava muito de me concentrar na estrada...
-Eu pensava que era em descobrir as minhas curvas!!
-Diz olá à minha mãe, meu amor, estás em alta voz! - As expressões da sua face mudaram e tornaram-se brancas, não queria que a sua sogra pensasse que ela era assim... Ou melhor, não queria que ela pensasse que tinha este lado mais provocador! - Não acredito que caíste nesta Rita! Eu imagino a tua cara! - Fábio não conseguia parar de rir.

-Quero que a tua mãe fique com a sensação que sou um amor, não uma provocadora tarada!
-Oh amor, mas tu és uma provocadora, e és tarada por mim!
-Só me insultas tu! - Respondeu provocando-o. - Sabes que gosto de provocar mas na altura do ato deixo-te fazer tudo!
-Ainda não estás à vontade, mas com o tempo vai passar-te e vais fazer praticamente tu, tudo sozinha.
-Amor, eu duvido disso mas... Tenho duas coisas para te contar!
-Duas novidades? Mas estivemos junto à menos de uma hora.
-Sim, mas sabes que a minha vida nunca é uma rotina e por isso tem sempre pequenas surpresas!
-Conta-me! Sabes que estou curioso!
-Quando cheguei a casa, a minha mãe quis falar comigo, a sós, e perguntou-me se eu e tu já tínhamos chegado a vias de factos e eu disse que sim, mas senti-me super constrangida, e a minha mãe quis falar mais sobre isso e eu respondi-lhe a medo...
-Sabes que já devias ter tido esta conversa com a tua mãe.
-Eu sei, mas não é fácil chegar ao pé da minha mãe e dizer-lhe que já fui para a cama com o meu namorado!
-Mas os teus pais sempre te deixaram à vontade e além disso, começaste a tomar a pílula e já tínhamos dormido lado a lado e eles sabiam, era muito provável que sim, já tivesse acontecido e a tua mãe gostava de ter ouvido pela tua boca e merecia-o, mas também sei que é difícil para ti falar disto visto que ainda é tudo muito precoce.
-E eu estava à espera do momento certo e da palavras certas para dizer, e da tua doce companhia, é claro! Ias dar-me uma grande ajuda nesse momento.
-Não, acredita que não ia, porque acima de qualquer coisa, é a tua família, é a tua mãe, eu não iria dizer nada, eu ia estar a apoiar-te mas era a ti que competia dizer.
-Obrigada amorzinho! - Respondeu sarcasticamente. - Tu também tiveste essa frontalidade e coragem toda na hora de contares à tua mãe?

-A minha mãe acho que só soube meses mais tarde, porque como sabes, eu não namorava e não sabia como dizer...
-A minha mãe sabe que já dormimos juntos, e conhece-te, mas achas que era fácil para mim dizer-lhe? Põe-te no meu lugar.
-Claro que não, mas tinhas de fazer um esforço.
-E eu fiz. - Ela sabia que não tinha feito o esforço suficiente e que se realmente quisesse teria dito mas não era fácil, talvez no fundo ela preferisse mesmo que a mãe lhe tivesse perguntado em inverso dela ter contado. - Fábio Rafael?
-Maria Rita.
-Tu habilitaste a que qualquer dia te vire as costas ou te desligue a chamada quando me chamares assim!
-Não terias coragem!
-Não duvides das minhas capacidades, meu amor! - Sorriu. - E ia dizer-te que o Tiago mandou-me mensagem a desejar bom Natal para mim, para ti e para a minha família, em particular ao meu irmão.
-Esse rapaz não desiste pois não?
-Sabes que ele quando põe algo na cabeça, simplesmente não desiste e ele quer-me, só vai desistir quando me tiver.
-Escreve o que te digo, enquanto eu estiver bem da minha cabeça, ele não vai sequer ter oportunidade de se aproximar romanticamente de ti!
-Fábio, sabes que a vida dá voltas, não podes dizer nunca, nem dizer desta água não beberei.
-O que queres dizer com isso? Conseguirias voltar para ele? Depois de tudo?
-Não, é contigo que estou, não é? O Tiago traiu-me, eu nunca o perdoarei por tudo o que me fez passar, mas provavelmente senão fosse ele eu também não estaria contigo, simplesmente não o consigo odiar.
-Então porque disseste que a vida dá voltas e não posso dizer nunca?
-Eu também disse que nunca iria ter nada contigo, que eras demasiado playboy para mim e olha... Hoje estaria disposta a abdicar tudo por ti.
-Tu farias isso? Por mim?

-Num abrir e piscar de olhos. - Afirmou convicta e sem hesitar. - Sabes bem que se fosse preciso ir atrás de ti. Se tu quisesses casar comigo, eu casar-me-ia contigo onde e quando tu quisesses. Um filho? Seria assunto para ontem, se bem com a nossa prática, não seria preciso grande problema.
-É por isto que eu tenho a certeza que vou amar-te para sempre como nunca mais amarei, e é por isto que tenho a certeza que és a mulher da minha vida.
-Fábio, a próxima vez que disseres isso eu vejo-me obrigada a chatear-me contigo. A família é do teu sangue é eterno, até podes chatear-te mas nunca vais parar de amar, não vais conseguir tirar do teu sangue, é uma parte de ti, a tua mãe e é sempre será a mulher da tua vida, depois terás a tua filha, que será o teu mundo... E eu? Posso até ter mudado uma fase da tua vida, posso até ter mudado em ti, mas eu posso desaparecer como apareci, eu sou um amor, apenas e isso. Embora eu queira acreditar que estamos destinados e estaremos sempre juntos, eu nunca serei a mulher mais importante da tua vida.
-É por isso que te amo tanto!
-Por te contrariar? E por te ameaçar vir a chatear-me contigo?

-Por seres tão humilde! - Respondeu sorrindo. - Tu não tens noção da diferença que fizeste na minha vida, tanto na minha cabeça como na minha maturidade, das experiências únicas que me fizeste viver sozinho e outras junto a ti, e tu preferes dizer que simplesmente foste uma... Que outras pessoas fizeram mais por mim. E preferes dar o título, por assim dizer, à minha mãe e à nossa futura filha.

(Passado uns dias)
-Mas tu já estás pronto, Fábio Rafael Rodrigues Cardoso?
-Tu gastas-me o nome, princesa do meu castelo!
-Eu dou-te o princesa do meu castelo senão me despachas esse rabo!
-Como se tu conseguisses estar sem este rabo e sem estas pernocas!
-Mais ação e menos conversa, despacha-te!
-Posso acabar de arranjar o cabelo?
-E as sobrancelhas, e os olhos, e os joelhos e tudo isso, despacha-te!
-Calma, ainda estamos mais que a tempo!
-Eu sei que sim, mas quero ir cedo para irmos com calma e ter a certeza que está tudo direitinho!
-Senta-te e respira fundo, eu não demoro!
-Disseste isso há meia hora!
-Isso foste tu! Já sabes o que sinto quando tu dizes que estás quase pronta e ainda demoras, estás a provar do meu veneno, amor!

-Isto é uma vingança, Fábio Rafael?
-Chama-lhe mais um chamamento à razão, minha flor!
-Eu pego na moto e vou-me embora!
-Quero ver-te a experimentar com o cabelo como o tens.
-Tinha-me esquecido desse pormenor. Que malvado que és!
-Amas-me!
-Pois amo, mas tens dúvidas?!
-Claro que não, meu bem!
-Mas despacha-te lá que gostava de ler-te uma carta antes de irmos embora.
-Uma carta? Mas foi alguma coisa que recebeste de especial?
-Não... Fui eu que a escrevi e gostava imenso de ler-ta antes de irmos para a cerimónia.
-Mas uma carta tua para quem? Não estou a perceber, desculpa, amor.
-Eu escrevi uma carta para a nossa princesa ler quando o souber fazer sobre este dia, sobre o dia do batizado dela.
-E não queres ler-me por alto, pois não? Preferes fazê-lo frente a frente.
-Sim, conheces-me bem. - Sorriu. - E se concordares gostava que assinasses.
-Dá-me dois minutos e estou pronto.

Os dois minutos do rapaz tornaram-se em algo mais extenso, algo mais como dez minutos e ela esperou ansiosa e a tremer com a carta nas mãos, será que ele iria concordar, e será que a menina iria gostar dela?

-Queres que leia ou preferes fazê-lo?
-Eu posso ler e depois se quiseres lês novamente.
-Combinado! - Rita tossiu e olhou para a carta, claramente a tremer, ninguém sabia as vezes que ela tinha olhado para a carta que a tinha emendado e remendado e que queria mudar tudo o que ali estava, mas assim que terminara esta última versão, ao fim de várias horas ali depositadas e as madrugadas que o fizera até o sol raiar, decidiu que teria de ser aquela a carta final... Até porque não tinha mais tempo.

Querida Diana,
Este é o dia que podes não te lembrar quando fores mais velha, mas que será eternamente marcante para ti e para todos aqueles que têm o privilégio de fazer parte da tua (ainda curta) vida e acredita que por onde quer que passes deixarás a tua marca e hoje será pela igreja... Hoje serás oficialmente nossa afilhada!
Hoje também comemoras o teu 1º aniversário e acredita quando pensamos que não poderíamos ter mais orgulho em ti, tu surpreendes-nos com algo novo que nos faz amar-te ainda mais, cada dia mais, um amor infindável de padrinhos... De segundos pais. Será possível amar-te mais?! Este é um amor louco de tios, segundos pais, de padrinhos, é um amor louco de ti, acima de qualquer outro nome que lhe possamos chamar e só esperamos que saibas isso desde hoje até sempre.
Sabes princesa? Desde que nasceste que estava decidido que a tua tia Rita seria tua madrinha, além do laço de tia, mas quando surgiu a ideia de ser o Fábio o padrinho, ela hesitou... Eles ainda nem namoravam! Mas ela acabou por aceitar, porque se tu gostavas dela, porque haveria ela de negar-te este direito? E acho que isso os juntou mais e mais, pelo amor louco por ti e de ti. Costuma dizer-se “quem meus filhos beija, meu coração adoça, não é verdade?”, pois bem, não és nossa filha, mas foi o teu amor, que fez derreter o lado que não queria magoar-te e queria dar-te o melhor que fez derreter a Rita.
Mas paremos de falar deles, falemos de ti, minha princesa, aliás, minha rainha! Quando souberes ler, e bem, os teus pais vão entregar-te esta carta e tu vais lê-la e guardá-la com todo o coração, assim como ela foi escrita e lembrar-te que aconteça o que acontecer terás sempre estes dois do teu lado, a proteger-te, a cuidar-te, a amar-te, a aconselhar-te e a querer-te de uma forma que parece estupidamente louca! Nunca nos fartaremos deste amor, é demasiado bom para deixarmos de o fazer. Quero que com esta carta fique também a promessa que se algum de nós por algum motivo falhar, tu vais dizer-nos para melhorarmos, está combinado?
Acredita que pudemos nem sempre dar-te todos os bens que queres, mas acredita que quando soubermos que precisas seremos os primeiros a dar-te, porque amar também significa educar e nós só queremos o teu melhor, para tornares o mundo um pouco melhor e seres a melhor pessoa que este mundo pode encontrar (porque a mais bonita já o és!)
Se por algum motivo, o Fábio e a Rita se separarem, fica aqui a promessa que isso não mudará enquanto padrinhos, apenas seguimos rumos diferentes da vida, mas tu serás sempre algo único a unir, com esse teu amor potente e eterno, fica a promessa, sim, pequena?


Dos teus tios e padrinhos,
Que te amam muito.

Rita Madeira e Fábio Cardoso

Será que ele vai assinar a carta para a afilhada?

Como será o batizado da menina? Será que eles vão ser bons padrinhos?