domingo, 5 de junho de 2016

Capítulo 39: “Eu sabia que tinham essa química... Mais física”


Rita respirou fundo, bem fundo, sabia que aquele dia iria chegar, mas não esperava que fosse tão cedo e que ela fosse apanhada completamente de surpresa e sem sequer lhe dar tempo de pensar numa resposta. Sabia que não podia, e nem devia mentir, mas como dizia à sua mãe que não era virgem? Queria ter sido ela a abordar o assunto, queria ter sido ela a dizer-lhe, sem a mãe lhe perguntar nada, mas era demasiado tarde para tudo e ela tinha de responder-lhe.

-Sim. - Respondeu baixando a cabeça, envergonhada.
-Foi por isso que começaste a tomar a pílula?
-Sou alérgica aos preservativos com látex.
Rita imaginou a mãe a gelar com a sua afirmação.
-Há quanto tempo começaram a fazê-lo?
-Umas semanas...
-E porque não me disseste?
-Estava à procura da altura certa e das palavras certas.
-Isso poderia nunca acontecer.
-O Fábio já me tinha pedido para ter esta conversa contigo, mas eu não sabia como o fazer... Estava à espera que um dia falássemos os três e ele te dissesse, ele é mais desenvergonhado quanto a este assunto.
-Ele é meu genro, tu é que és minha filha.
-Sim, mas foi com ele... Oh mãe não podemos mudar de assunto?
-Não, agora vamos acabar a conversa. E como foi a vossa primeira vez?
-Mãe, a sério? Não achas que já é demasiado embaraçoso?
-Confesso que é muito engraçado, ver-te toda envergonhada quanto a este assunto. Mas vá, podes e deves falar. Tens alguma dúvida quanto a alguma coisa que queiras perguntar à mãe? - Rita baixou a cabeça, envergonhada. - Não te eduquei para seres tão pudica, Maria Rita!
-Tenho uma irmã mais velha, não achas que estes assuntos devia ser falado com ela?
-E tens coragem para falar com ela?
-Mãe, todas as dúvidas que tive, falei com ela. Desculpa mas é estranho falar contigo sobre isto.
-É algo natural da vida, não percebo o teu incómodo, filha. Tanto eu como o teu pai sabíamos que tu e o Fábio tinham essa química... Mais física. E que poderia acontecer a qualquer momento, e que apesar de namorarem há pouco que iria acontecer.
-Tu e o pai sempre me deixaram à vontade quanto a este assunto mas para mim é demasiado esquisito, desculpa mãe. Além disso, eu sou tão inexperiente que é estranho ainda falar com alguém que não seja o Fábio ou a mana.
-E o Fábio tem-te deixado à vontade? E não te tem pressionado?
-Acho que quem pressiona mais até sou eu. - Riu-se ao pensar nas vezes que o tinha provocado a este nível. - Mas ele está à vontade e tem-me deixado à vontade também e eu tenho correspondido, tenho-me soltado mais.
-E como foi a vossa primeira vez?
-Muito engraçada. - Respondeu divertida. - Saltando os pormenores. Eu tive de lhe pedir para parar porque estava com dores infernais, e ele dizia que era normal, mas eu sabia que não era. Passado algum tempo percebi que algo não estava bem e fomos para o hospital de emergência onde o médico nos disse o que já sabes.
-Custou alguma coisa contares-me?
-Não. Mãe, não é por não confiar em ti ou por não querer dizer-te, simplesmente é um assunto delicado que eu não sabia abordar e era demasiado embaraçoso tentar explicar-te. Eu sei que é algo natural mas não sabia mesmo como fazê-lo, desculpa.
-Está tudo bem filha. - Deu-lhe um beijo na testa. - Agora vai descansar um pouco e tomar um banhinho que aposto que queres.
-E não precisas de ajuda na cozinha?
-Está descansada.
Rita levantou-se da mesa da cozinha e deu alguns passos.
-Achas que o Fábio vai gostar do gatinho?
-Acho que vai adorar. De repente a vossa pequena aumentou de dois para quatro.
-É verdade... E logo, um cão e uma gatinha, a nossa pequena Bia.
-Porque escolheste o nome Bia?
-Tenho uma amiga minha lindíssima chamada Beatriz e achei que era uma forma de lhe dizer, embora indiretamente, que ela é mesmo uma gata.
-Realmente só tu, filha! - Sorriu-lhe. - E tu e o Fábio têm-se protegido? De certeza que é fiável? E que tens tomado sempre a pílula?
-O médico disse que a probabilidade de engravidar a tomar a pílula era muito reduzida.
-Só quero ficar descansada, apenas isso.
-Está descansada. - Sorriu-lhe e foi tomar um banho, mas não sem antes fazer uma pequena festa na cabeça de Christian.

Rita sentia-se feliz e satisfeita com o que a vida lhe dera nos últimos meses, tinha passado um inferno mas estava a ter a recompensa por isso, estava também a aprender a dar um novo valor à vida e a desfrutá-la ao máximo. Como cantara a sua cantora preferida: Y un día después de la tormenta; Cuando menos piensas sale el sol”, e nunca Rita lhe dera tanta razão como agora. Fábio não era o principal “culpado” por isto, mas era um potente motor. Como era possível estar tão apaixonada por ele? Querê-lo tanto? 

Tinha passado tanto tempo com Tiago mas só Fábio lhe dera o prazer de sentir o que ela tanto sentia e vivia à flor da pele. Ela tinha descoberto o prazer, o desejo de uma forma tão abrupta mas tão bonita, tinha gostado de Tiago sim, mas era a Fábio que ela amava e havia sido com ele que tinha aprendido o que significava aquela palavra. Agora tinha apenas um medo: não o fazer feliz, não lhe dar o melhor e o que ele merecia. Se Fábio quisesse ir para qualquer lado do mundo fazer o que amava com uma bola nos pés, ela iria, sem pensar duas vezes, porque o melhor para si, era ele e não duvidara disso, nunca. Rita estava certa que era junto daquele homem que iria realizar o seu maior sonho, ter a sua própria família e ambos queriam uma família grande!
Quando saiu do banho, pegou no telemóvel e iria mandar mensagem a Fábio, não tivesse recebido já outra...

Como não pude desejar-te pessoalmente, venho por este meio desejar-te um feliz e fantástico Natal e um ótimo ano, para ti e para a tua família, em especial um abraço e um beijo grande para o Pedrito!”

Entendia a educação e o respeito de quem lhe mandara a mensagem mas dispensava-os com todo o coração, sem elegância, eloquência ou educação, será que ele ainda não percebera que ela não o queria na sua vida? Que era uma marca do passado e nunca uma marca do presente? Respirou fundo e nem deu resposta, Tiago queria algo que Rita não ia dar. Aliás as tentativas de Tiago de se voltar a aproximar saiam completamente furadas porque ainda a aproximava mais do seu atual companheiro. E decidiu então ligar-lhe para matar saudades, mesmo que ele fosse a conduzir...

-Já com saudades, pequena?
-Estava a pensar em ti enquanto estava a tomar banho.

Fábio pensou duas vezes antes de responder e gaguejou ao fazê-lo:

-Tu adoras provocar-me.
-Mas tu achas que tudo o que faço é uma provocação? Não posso pensar em ti, despida, é isso?
-Rita, eu gostava muito de me concentrar na estrada...
-Eu pensava que era em descobrir as minhas curvas!!
-Diz olá à minha mãe, meu amor, estás em alta voz! - As expressões da sua face mudaram e tornaram-se brancas, não queria que a sua sogra pensasse que ela era assim... Ou melhor, não queria que ela pensasse que tinha este lado mais provocador! - Não acredito que caíste nesta Rita! Eu imagino a tua cara! - Fábio não conseguia parar de rir.

-Quero que a tua mãe fique com a sensação que sou um amor, não uma provocadora tarada!
-Oh amor, mas tu és uma provocadora, e és tarada por mim!
-Só me insultas tu! - Respondeu provocando-o. - Sabes que gosto de provocar mas na altura do ato deixo-te fazer tudo!
-Ainda não estás à vontade, mas com o tempo vai passar-te e vais fazer praticamente tu, tudo sozinha.
-Amor, eu duvido disso mas... Tenho duas coisas para te contar!
-Duas novidades? Mas estivemos junto à menos de uma hora.
-Sim, mas sabes que a minha vida nunca é uma rotina e por isso tem sempre pequenas surpresas!
-Conta-me! Sabes que estou curioso!
-Quando cheguei a casa, a minha mãe quis falar comigo, a sós, e perguntou-me se eu e tu já tínhamos chegado a vias de factos e eu disse que sim, mas senti-me super constrangida, e a minha mãe quis falar mais sobre isso e eu respondi-lhe a medo...
-Sabes que já devias ter tido esta conversa com a tua mãe.
-Eu sei, mas não é fácil chegar ao pé da minha mãe e dizer-lhe que já fui para a cama com o meu namorado!
-Mas os teus pais sempre te deixaram à vontade e além disso, começaste a tomar a pílula e já tínhamos dormido lado a lado e eles sabiam, era muito provável que sim, já tivesse acontecido e a tua mãe gostava de ter ouvido pela tua boca e merecia-o, mas também sei que é difícil para ti falar disto visto que ainda é tudo muito precoce.
-E eu estava à espera do momento certo e da palavras certas para dizer, e da tua doce companhia, é claro! Ias dar-me uma grande ajuda nesse momento.
-Não, acredita que não ia, porque acima de qualquer coisa, é a tua família, é a tua mãe, eu não iria dizer nada, eu ia estar a apoiar-te mas era a ti que competia dizer.
-Obrigada amorzinho! - Respondeu sarcasticamente. - Tu também tiveste essa frontalidade e coragem toda na hora de contares à tua mãe?

-A minha mãe acho que só soube meses mais tarde, porque como sabes, eu não namorava e não sabia como dizer...
-A minha mãe sabe que já dormimos juntos, e conhece-te, mas achas que era fácil para mim dizer-lhe? Põe-te no meu lugar.
-Claro que não, mas tinhas de fazer um esforço.
-E eu fiz. - Ela sabia que não tinha feito o esforço suficiente e que se realmente quisesse teria dito mas não era fácil, talvez no fundo ela preferisse mesmo que a mãe lhe tivesse perguntado em inverso dela ter contado. - Fábio Rafael?
-Maria Rita.
-Tu habilitaste a que qualquer dia te vire as costas ou te desligue a chamada quando me chamares assim!
-Não terias coragem!
-Não duvides das minhas capacidades, meu amor! - Sorriu. - E ia dizer-te que o Tiago mandou-me mensagem a desejar bom Natal para mim, para ti e para a minha família, em particular ao meu irmão.
-Esse rapaz não desiste pois não?
-Sabes que ele quando põe algo na cabeça, simplesmente não desiste e ele quer-me, só vai desistir quando me tiver.
-Escreve o que te digo, enquanto eu estiver bem da minha cabeça, ele não vai sequer ter oportunidade de se aproximar romanticamente de ti!
-Fábio, sabes que a vida dá voltas, não podes dizer nunca, nem dizer desta água não beberei.
-O que queres dizer com isso? Conseguirias voltar para ele? Depois de tudo?
-Não, é contigo que estou, não é? O Tiago traiu-me, eu nunca o perdoarei por tudo o que me fez passar, mas provavelmente senão fosse ele eu também não estaria contigo, simplesmente não o consigo odiar.
-Então porque disseste que a vida dá voltas e não posso dizer nunca?
-Eu também disse que nunca iria ter nada contigo, que eras demasiado playboy para mim e olha... Hoje estaria disposta a abdicar tudo por ti.
-Tu farias isso? Por mim?

-Num abrir e piscar de olhos. - Afirmou convicta e sem hesitar. - Sabes bem que se fosse preciso ir atrás de ti. Se tu quisesses casar comigo, eu casar-me-ia contigo onde e quando tu quisesses. Um filho? Seria assunto para ontem, se bem com a nossa prática, não seria preciso grande problema.
-É por isto que eu tenho a certeza que vou amar-te para sempre como nunca mais amarei, e é por isto que tenho a certeza que és a mulher da minha vida.
-Fábio, a próxima vez que disseres isso eu vejo-me obrigada a chatear-me contigo. A família é do teu sangue é eterno, até podes chatear-te mas nunca vais parar de amar, não vais conseguir tirar do teu sangue, é uma parte de ti, a tua mãe e é sempre será a mulher da tua vida, depois terás a tua filha, que será o teu mundo... E eu? Posso até ter mudado uma fase da tua vida, posso até ter mudado em ti, mas eu posso desaparecer como apareci, eu sou um amor, apenas e isso. Embora eu queira acreditar que estamos destinados e estaremos sempre juntos, eu nunca serei a mulher mais importante da tua vida.
-É por isso que te amo tanto!
-Por te contrariar? E por te ameaçar vir a chatear-me contigo?

-Por seres tão humilde! - Respondeu sorrindo. - Tu não tens noção da diferença que fizeste na minha vida, tanto na minha cabeça como na minha maturidade, das experiências únicas que me fizeste viver sozinho e outras junto a ti, e tu preferes dizer que simplesmente foste uma... Que outras pessoas fizeram mais por mim. E preferes dar o título, por assim dizer, à minha mãe e à nossa futura filha.

(Passado uns dias)
-Mas tu já estás pronto, Fábio Rafael Rodrigues Cardoso?
-Tu gastas-me o nome, princesa do meu castelo!
-Eu dou-te o princesa do meu castelo senão me despachas esse rabo!
-Como se tu conseguisses estar sem este rabo e sem estas pernocas!
-Mais ação e menos conversa, despacha-te!
-Posso acabar de arranjar o cabelo?
-E as sobrancelhas, e os olhos, e os joelhos e tudo isso, despacha-te!
-Calma, ainda estamos mais que a tempo!
-Eu sei que sim, mas quero ir cedo para irmos com calma e ter a certeza que está tudo direitinho!
-Senta-te e respira fundo, eu não demoro!
-Disseste isso há meia hora!
-Isso foste tu! Já sabes o que sinto quando tu dizes que estás quase pronta e ainda demoras, estás a provar do meu veneno, amor!

-Isto é uma vingança, Fábio Rafael?
-Chama-lhe mais um chamamento à razão, minha flor!
-Eu pego na moto e vou-me embora!
-Quero ver-te a experimentar com o cabelo como o tens.
-Tinha-me esquecido desse pormenor. Que malvado que és!
-Amas-me!
-Pois amo, mas tens dúvidas?!
-Claro que não, meu bem!
-Mas despacha-te lá que gostava de ler-te uma carta antes de irmos embora.
-Uma carta? Mas foi alguma coisa que recebeste de especial?
-Não... Fui eu que a escrevi e gostava imenso de ler-ta antes de irmos para a cerimónia.
-Mas uma carta tua para quem? Não estou a perceber, desculpa, amor.
-Eu escrevi uma carta para a nossa princesa ler quando o souber fazer sobre este dia, sobre o dia do batizado dela.
-E não queres ler-me por alto, pois não? Preferes fazê-lo frente a frente.
-Sim, conheces-me bem. - Sorriu. - E se concordares gostava que assinasses.
-Dá-me dois minutos e estou pronto.

Os dois minutos do rapaz tornaram-se em algo mais extenso, algo mais como dez minutos e ela esperou ansiosa e a tremer com a carta nas mãos, será que ele iria concordar, e será que a menina iria gostar dela?

-Queres que leia ou preferes fazê-lo?
-Eu posso ler e depois se quiseres lês novamente.
-Combinado! - Rita tossiu e olhou para a carta, claramente a tremer, ninguém sabia as vezes que ela tinha olhado para a carta que a tinha emendado e remendado e que queria mudar tudo o que ali estava, mas assim que terminara esta última versão, ao fim de várias horas ali depositadas e as madrugadas que o fizera até o sol raiar, decidiu que teria de ser aquela a carta final... Até porque não tinha mais tempo.

Querida Diana,
Este é o dia que podes não te lembrar quando fores mais velha, mas que será eternamente marcante para ti e para todos aqueles que têm o privilégio de fazer parte da tua (ainda curta) vida e acredita que por onde quer que passes deixarás a tua marca e hoje será pela igreja... Hoje serás oficialmente nossa afilhada!
Hoje também comemoras o teu 1º aniversário e acredita quando pensamos que não poderíamos ter mais orgulho em ti, tu surpreendes-nos com algo novo que nos faz amar-te ainda mais, cada dia mais, um amor infindável de padrinhos... De segundos pais. Será possível amar-te mais?! Este é um amor louco de tios, segundos pais, de padrinhos, é um amor louco de ti, acima de qualquer outro nome que lhe possamos chamar e só esperamos que saibas isso desde hoje até sempre.
Sabes princesa? Desde que nasceste que estava decidido que a tua tia Rita seria tua madrinha, além do laço de tia, mas quando surgiu a ideia de ser o Fábio o padrinho, ela hesitou... Eles ainda nem namoravam! Mas ela acabou por aceitar, porque se tu gostavas dela, porque haveria ela de negar-te este direito? E acho que isso os juntou mais e mais, pelo amor louco por ti e de ti. Costuma dizer-se “quem meus filhos beija, meu coração adoça, não é verdade?”, pois bem, não és nossa filha, mas foi o teu amor, que fez derreter o lado que não queria magoar-te e queria dar-te o melhor que fez derreter a Rita.
Mas paremos de falar deles, falemos de ti, minha princesa, aliás, minha rainha! Quando souberes ler, e bem, os teus pais vão entregar-te esta carta e tu vais lê-la e guardá-la com todo o coração, assim como ela foi escrita e lembrar-te que aconteça o que acontecer terás sempre estes dois do teu lado, a proteger-te, a cuidar-te, a amar-te, a aconselhar-te e a querer-te de uma forma que parece estupidamente louca! Nunca nos fartaremos deste amor, é demasiado bom para deixarmos de o fazer. Quero que com esta carta fique também a promessa que se algum de nós por algum motivo falhar, tu vais dizer-nos para melhorarmos, está combinado?
Acredita que pudemos nem sempre dar-te todos os bens que queres, mas acredita que quando soubermos que precisas seremos os primeiros a dar-te, porque amar também significa educar e nós só queremos o teu melhor, para tornares o mundo um pouco melhor e seres a melhor pessoa que este mundo pode encontrar (porque a mais bonita já o és!)
Se por algum motivo, o Fábio e a Rita se separarem, fica aqui a promessa que isso não mudará enquanto padrinhos, apenas seguimos rumos diferentes da vida, mas tu serás sempre algo único a unir, com esse teu amor potente e eterno, fica a promessa, sim, pequena?


Dos teus tios e padrinhos,
Que te amam muito.

Rita Madeira e Fábio Cardoso

Será que ele vai assinar a carta para a afilhada?

Como será o batizado da menina? Será que eles vão ser bons padrinhos?

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Capítulo 38 "Eu amo-te da única forma que um homem pode amar-te"


Rita e Fábio foram até ao carro e seguiram viagem até Lisboa onde queriam aproveitar para namorar e passear pela cidade, apesar de estarem juntos bastantes vezes, ainda existia o sentimento de magia, de felicidade no seu estado mais puro, apenas eles a viver una vida... Juntos. Eram jovens, tinham uma vida pela frente mas queriam aproveitar todo e qualquer momento, porque apesar de alguns parecerem simples aos olhos de outras pessoas, eles sentiam como se fosse mágico. Ao atravessarem a ponte, Rita olhava perdida para Fábio e para o fundo azul ao seu lado, o barulho específico dos ferros que estavam sobre o chão de uma via não a incomodavam, apenas ele captava toda a sua doce atenção e a música que se fazia ouvir no carro, e que ele cantava.
-Em que estás a pensar? - Fábio interrompeu-lhe os pensamentos, apanhando-a no meio dos seus pensamentos. Será que lhe devia dizer a verdade ou dizer algo diferente, mas sem mentir? Não lhe conseguiria mentir, nem se tentasse.
-Se dissesse não acreditarias.
-Experimenta.
-Estava a admirar-te. - Disse genuinamente fazendo-o sorrir de felicidade e de surpresa.
-É incrível como nos conhecemos à já algum tempo e continuamos a sentir nas nuvens apenas pelo simples facto de estarmos juntos.
-É de estarmos completamente apaixonados e por nos amarmos tanto.
-Mas tenho medo que este brilho um dia termine.
-Só depende de nós.
-Fábio, sei que não se mede o amor em quantidades como as embalagens mas quero que saibas que eu amo-te. Amo-te mesmo. Mais do que amei o Tiago. Sabes porquê? Porque é a ti que amo e limitei-me a apenas gostar dele.
-E eu amo-te da única forma que um homem pode amar-te. - O coração de Rita aumentou drasticamente o ritmo em que batia e ela sorriu, corou e quis beijá-lo mas sabia que não podia. - E vou amar sempre Rita, mesmo que um dia por alguma razão a vida nos separe, este coração. - Colocou a mão direita sobre o seu peito, na zona onde estaria o coração. - Será apenas e só teu.

A felicidade de ambos, o sentimento e a relação não era apenas temporária, era definitiva e para sempre, Rita queria acreditar nisso, Fábio sentia-o e sentiam também que nada os poderia abalar. - Acho que está na altura de te tornar pública.

-Queres dizer a altura em que passo a ser a pessoa mais odiada da Margem Sul? A altura em que me identificas nas tuas fotos e as minhas orelhas ficam quentes todo o Inverno?
-Tinha de trazer algo de bom não é verdade?
-Ao menos continuo com os pés frios para alguém aquecer...
-É impossível os teus pés serem mais frios sabes disso? Tu estás com meias, mal as tiras ficas com os pés parece gelo, será possível?
-Pelos vistos até os meus pés gostam dos teus pés de ogre... Vou avisar o Bernardo que ele tinha razão quanto aos teus pés!
-Não foi o Bruno que te disse isso?
-Não me lembro, mas tenho ciúmes deles, cá para mim querem comer-te! - Fábio riu-se, nada o faria sorrir tanto como aquela rapariga e nada o deixava tão feliz quanto ela o deixava.

-Claro que sim, não haja dúvida!
-E já tens decidido alguma foto para publicares ou ainda estás à espera para tirarmos uma?
-Qualquer foto onde estejas é simplesmente fantástica sabias?
-É impressão minha ou esta conversa tem mais perguntas que respostas?
-Quem saberá?!
-Simplesmente quero ter a certeza que publicas uma foto onde esteja bem, apesar de tu dizeres que estou bem em todas!
-E não estás?
-Não, longe de mim! Eu acho que fico mal em todas as fotos, tu é que vês um ângulo bom nas minhas fotos que eu não vejo!
-Isso é porque não viste bem!
-Amor, quero que as raparigas me vejam e pensem que sou linda para ti, nem mais feia, nem menos feia, à altura percebes?
-Eu não quero saber do que elas acham ou não babe, só quero saber do que eu acho de ti e eu amo-te, isso chega-me. - Colocou a mão na perna dela que a fez corar e tremer por completo, apesar de já se terem envolvido, ela continuava a ter pontos fracos, muito suscetíveis e ele conhecia-os bem e ela decidiu captar o momento.





-Tu importaste de tirar a mão da minha perna e pôr nas mudanças se faz favor? Para a próxima vimos mas é de mota e eu venho a conduzir!
-Nem penses nisso, as motas são muito inseguras e eu não vou pôr as nossas vidas em risco!
-Com a velocidade a que vais, podes querer que as nossas vidas estão em perigo, já viste isto? Estás a 150!
-Amor, sou um ótimo condutor e o carro é seguro, descontrai!
-Bebé, a minha mota é muito segura e eu sou uma condutora excelente!
-Estou a reduzir. - Respondeu e Rita sorriu, sabia usar os argumentos certos e ele sabia-o, rendia-se por completo.
-Mas está descansado que sou mesmo boa condutora e antes de mais vamos primeiro a Belém, quero ir ao CCB e aos pastéis e mostrar-te a vista fantástica do estádio do Restelo!
-Achas que eu não conheço a vista do estádio?
-E gostas dos pastéis?
-Dizem que são bons...
-Nunca provaste?
-Nem por isso, vejo que a fila tem tanta gente que acabo por desistir.
-Vamos provar então.
Passado alguns minutos, Fábio chegou ao Restelo e deixou o carro um pouco mais acima do bonito estádio do Belenenses e deram as mãos e aproximaram-se até não puderem mais.

-A minha cidade é sensacional.
-Mas tu não és de Coimbra?
-Sou sim, mas sempre vivi cá... E o meu irmão já cá nasceu, no fundo também sou um bocado alfacinha.
-Cada vez te conheço melhor e cada vez me apaixono mais por ti. - Disse dando a mão a Rita e fazendo-a deliciar-se por completo, não apenas porque se havia declarado (mais uma vez) a ela mas sim pelo lado mais genuíno que ele demonstrara e pelo facto de não ter sido propositado, ele sentiu e pensou no momento e desabafou-o e isso fê-la sorrir e acima de tudo, fê-la feliz. - Já nem imagino a minha vida sem ti sabes? Já não me imagino a acordar de manhã sem o teu sorriso e sem a tua boa-disposição e energia, já não imagino o que é dormir sem ser agarrado a ti, a beijar-te quando me apetecesse e fazer-te uma serenata. A provar os teus deliciosos cozinhados. No fundo, eu já não viveria sem ti, meu amor. Tu misturas um lado tão ingénuo, tão infantil e um lado tão confiante mas tão calmo, e eu não poderia pedir melhor para mim. Somos tão novos e eu precisava de alguém que entendesse o meu lado mais infantil e puxasse pelo lado mais maturo e acima de tudo que o entendesse. O teu sorriso é tão genuíno Rita, posso confessar às vezes como o de uma criança, basta apenas um beijo ou um sorriso e faço-te corar, e eu já perdi a conta às vezes que te fiz corar e tu nem dás por isso! É incrível como tens sempre resposta na ponta da língua, como as crianças, e dizes o que te vai na alma, sem pensares nas consequências, pensas mais com o coração que com a cabeça e os adultos simplesmente já não conseguem ser assim. Tu quando amas, amas, lutas e não desistes, quando não gostas, simplesmente não te conseguem conquistar por nada... Mas também tens um lado tão maturo, um lado tão sério, quando assumes e pões na cabeça algo, pode ter-se garantido que não desistes facilmente, e se erras, tu assumes o erro e sofres pelas consequência disso até ao último momento. Não suportas faltas de profissionalismo, nem pessoas com a mania que são algo mais, és humilde e garanto-te que és das pessoas mais simpáticas que conheço. És insegura por vezes e tão segura noutras alturas e eu começo a desvendar-te, começo a saber os teus pontos fracos e fortes como tu sabes os meus, porque tu és uma mulher simplesmente incrível.

Quando Fábio acabou, Rita já não conseguia controlar as lágrimas que lhe caiam dos olhos, ele amava-a, de verdade, como ele nunca pensara amar na vida. Até então duvidara que o amor algum dia viesse ter consigo e por isso preferia ter relações sem compromisso, mas desde que a rapariga chegara à sua vida que mudara tudo, mesmo antes do 1º olhar trocado, ele já sentia uma ligação a ela, por isso tinha-lhe enviado aquela mensagem no Facebook.

(Passado uma semana)
Desde que as férias de Natal da escola começaram que Rita viajara com o irmão, para Coimbra, para junto do seu avô. O que significara que não via Fábio há quase uma semana e embora falasse com ele todos os dias, por vezes, até durante horas a fio, as saudades começavam a apertar cada vez mais, tinha saudades dos seus beijos, do seu abraço... E do seu toque. O seu coração apertava sempre que se lembrava de tudo isso. Queria fazer-lhe uma surpresa mas sabia que não era fácil e não queria deixar o seu avô sozinho com o seu irmão. E até porque era véspera de Natal, os seus pais chegaram no dia anterior e iriam ficar durante uns dias, e hoje era o aniversário do seu progenitor... Iriam passar o dia juntos e depois do jantar iriam abrir as prendas e ela estava mais que ansiosa por abrir as prendas que Fábio lhe dera. Era apenas duas e ambas pequenas, mas estava ansiosa, sabia que ele a iria surpreender de todo, só ele a conseguia surpreender de uma forma que ela nunca esperaria.

-Rita, está na altura de te dar a prenda de aniversário do Fábio.
-Mas não era só para abrir depois do jantar? Mas porque vais buscar? Ele deu-me duas e estão debaixo da árvore.
-Não filha, ele deu-te 3, uma é que não dava para embrulhar e então pediu-me a mim e ao teu pai para guardarmos e te trazermos.
-Eu não acredito! - Disse surpreendida. - Ele não está à minha espera pois não?
-Não, está descansada que ele está em Águeda com os teus sogrinhos. Vou buscar a tua prenda aos vizinhos que logo não posso ir lá buscar que eles devem estar a celebrar o dia.
Rita já não conseguia aguentar a ansiedade de não saber que prenda poderia ser, e naqueles minutos que a mãe demorara até chegar novamente a casa, a curiosidade matara-a e ela pressionara o irmão, o pai e o avô mas nenhum deles lhe dizia. Assim que a mãe entrou na sala com um pequenino cão nos seus braços.



-Apresento-te o teu filho adotivo. - Realçou a última palavra. - E do Fábio, pelo menos enquanto não começa a prática e não têm um biológico. - Rita engoliu em seco, a prática já começara, mas ainda não tivera coragem de contar à mãe, não sabia como abordar o tema. Levantou-se do sofá e foi pegar no pequenino cão e enchê-lo de mimos.
-Gostas? Que nome lhe queres dar?
-Christian. - Deu-lhe um beijo e fez-lhe uma festa. Pousou-o no chão e seguiu-o até captar uma boa fotografia do cachorrinho.
Ficou completamente vidrada naquele pequenino cão, ora o pousava no chão para o ver descobrir a casa, ora o pegava ao colo para lhe dar pequenos mimos, até que ouviu o telemóvel apitar, era Fábio:

Tenho uma surpresa para ti”
Qual?”
Primeiro, diz-me uma coisa”
Diz-me”
Tens saudades minhas?”
MUITAS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!”
De certeza?”
Sim, absoluta!!”
Então anda dar-me um beijo. Estou aqui fora, à porta”

Rita pousou o cão no chão, e correu até à porta de casa, abriu-a e saltou para os braços de Fábio.
-Amo-te, amo-te, amo-te! - Encheu-lhe a face de beijos e apertou-o fortemente nos braços.
-Eu também te amo minha princesa! - Deram um beijo sentido nos lábios.
Rita foi para o chão e deu-lhe a mão e entraram dentro de casa.
-Anda ver o Christian.
-Christian? Quem é o Christian?
-O nosso filho adotivo como lhe chamou a minha mãe! Que achas do nome?
-Adoro!! - Deu-lhe um beijo na testa.
Entraram dentro de casa e Rita apresentou-o ao avô, de seguida, foram cumprimentar a restante família.
-A tua irmã?
-Hoje foram passar o dia a casa da família do Rúben, amanhã passam o dia connosco.
-Depois manda-me uma foto da nossa afilhada com a prenda que lhe demos.
-Sim, pai!
Fábio distribuiu as prendas que havia trazido para toda a família, até para Rita, porque até lhe tinha comprado mais duas prendas.
-Mãe?
-Sim, filha?
-Não te importas de irmos dar uma volta pela cidade? Gostava que o Fábio conhecesse a cidade onde nasci, mas com a minha companhia.
-Não demorem! Levam o Christian?
-Sim, mãe!
-Muito gosto em ver-te, Fábio e obrigada pelas prendas!
-De nada sogrinha, o gosto foi todo meu em ver-vos!
Rita e Fábio pegaram em Christian e foram passear de carro pela cidade.
-Sabes do que sentia mesmo saudades? - Rita pousou as mãos em cima das pernas de Fábio e começou a aproximá-las, provocando-o.

-Tu adoras provocar-me! Achas bem com o nosso filho adotivo no carro?
-Não estás com saudades?
-Sabes bem que sim...
-Para o carro.
-Aqui?
-Sim, não passa por aqui muita gente.
-Por isso é que me estavas a dar indicações para virmos para aqui...
-Podemos praticar os nossos filhos biológicos.
-Força nisso, meu amor, mostra-me do que és capaz. Pediu e Rita fez-lhe a vontade. Primeiro deixou Christian no banco de trás, enquanto Fábio puxava o seu banco para trás, de seguida, a rapariga sentou-se de frente no colo dele, e apesar de não ter sido confortável para nenhum dos dois, foi a melhor forma de matarem saudades.
Depois decidiram voltar para casa, Fábio ainda tinha de viajar até Águeda e ela ainda tinha de tomar banho e rezar para ninguém estranhar a sua ausência tão prolongada, e lhe perguntar onde tinham ido passear, porque sabia que não tinha o que responder e não queria ter de mentir. Despediu-se do namorado e foi até casa, com o pequeno Christian ao colo e cumprimentou toda a família, mais uma vez, até ir à cozinha onde a mãe tratava dos últimos pormenores.

-Posso dar-te uma palavrinha, filha?
-Claro. - O irmão e o pai deixaram a cozinha e ficaram sozinhas mãe e filha.
-Tu e o Fábio... Já chegaram a vias de facto?

O que irá responder Rita?
Será que vai optar por mentir ou dizer a verdade? Como irá reagir a mãe?

terça-feira, 19 de abril de 2016

Capítulo 37: “Quantas vezes preciso de te dizer que tu, e só tu, és o meu presente?”


Fábio tinha de reagir... Sabia bem que tinha de o fazer, não se tratava de controlar os seus ciúmes ou de afastar o único rapaz que o fazia sentir-se inseguro quanto à sua namorada, desta vez não se tratava dele, tratava-se apenas e só de Rita.
Tiago iria magoá-la, iria desiludi-la, iria destruir o que Fábio tanto tentara reconstruir. Não, ele não podia chegar ali e mudar tudo! Respirou fundo e aproximou-se do ex-casal mas apenas com intuito de proteger a sua amada, ela já havia sofrido o suficiente.

-Precisas de ajuda, meu amor?
Pela primeira vez, Rita reagiu. Fábio estava ali para protegê-la e isso dava-lhe segurança.
-O Tiago quer falar comigo, e como eu e o Fábio não temos segredos... Fala Tiago.
-Por favor Rita, eu quero falar só contigo, mais tarde podes contar-lhe mas peço-te, por favor, para sermos só os dois.
-Ainda não entendeste o que ela disse ou queres um desenho? - Rita nunca tinha visto o seu namorado tão irritado mas conseguia compreender o porquê dele estar assim e sabia que tinha de tomar uma atitude para não descambar aquela conversa.

-Fábio vai andando para casa, já lá vou ter contigo, mais tarde conto-te tudo.
-Tens a certeza?
-Sim, vai almoçar e eu também vou almoçar com ele mas não demoro.
-Rita...
-Confia em mim. - Fábio assentiu com a cabeça e lançou um último olhar furioso a Tiago na tentativa de o intimidar.

-Amo-te pequena.
-Também te amo, boneco.

Fábio assentiu com a cabeça e foi-se embora, respeitando o pedido de Rita mas nunca descansado, confiava nela mas tinha medo do que ele pudesse fazer... Ou tentar.

-Podes falar.
-Em primeiro lugar, desculpa.
-Tiago, acabou tudo entre nós, superei-te e sou feliz agora.
-Eu sei que terminou. - Baixou a cabeça demonstrando mágoa. - E sei que fui eu que fiz porcaria e a culpa foi única e exclusivamente minha e que não estás ainda comigo porque eu te perdi. - Rita começou a sentir o peso abalar o coração, o seu grande coração era também um ponto fraco e ele sabia-o. - Mas também sei que não o merecias o que te fiz passar e que podia ter evitado tudo isto, e por isso, mesmo que te peça desculpa não vou apagar a merda que fiz e ter-te de volta.
-Acredita que não me vais recuperar Tiago, assim como tens a Adriana, eu tenho o Fábio.
-Já não estou com a Adriana.
-Pois bem me parecia que esta conversa não era em vão.
-Não sejas assim, não tenho qualquer tipo de segunda intenção contigo.
-Não foi isso que pareceu e também não quero saber, já disseste o que tinhas a dizer e eu também, portanto dá-me licença.

Rita deixou Tiago para trás e caminho em direção a casa, mas não aguentou as lágrimas e deixou-as cair sobre o rosto. Caminhou rapidamente quase a correr até casa e era mais que óbvio que Fábio estava em casa dela, e assim foi, abriu a porta e correu até à sala onde Fábio estava e pousou a cabeça no seu peito, ainda com lágrimas a cairem-lhe pela cara e com o coração apertado.

-Eu vou atrás daquele atrasado mental, juro que vou, se o apanhar até o desfaço!
-Por favor Fábio, fica aqui comigo, preciso de ti!
-E eu de ti, e vou sempre precisar. - Abraçou-a e deu-lhe um beijo na testa.
-Acalma-te e explica-me o que se passou, por favor.

Rita encostou a sua cabeça nas pernas de Fábio que lhe passava os dedos pelos fios de cabelo e assim continuou até ela se sentir mais calma e pronta para falar sobre o que se havia passado.

-O Tiago veio ter comigo e queria pedir-me desculpa, desculpa por tudo o que me fez passar e pelo que sofri por ele. Mas também me disse que já não está com a Adriana.. E eu percebi logo as intenções dele, Fábio. Ele quer-me a mim. De volta. Ele diz que não, mas eu percebi. E vim-me embora, eu não quero perder-te e muito menos trocar-te por ele. - Ela sentou-se ao lado dele e olhou-o nos olhos. - Sabes no fundo, só queria mostrar-lhe que estou realmente feliz contigo, ele teve uma oportunidade e desperdiçou-a, e tu... Eu dificultei-te a vida e tu não desististe.
-Acho que me deixei encantar por ti no primeiro olhar e um anjinho no ombro me gritou para não te desperdiçar!
-Preciso de falar contigo sobre hoje... Sobre o Tiago.

A postura de Fábio mudou, tornou as expressões mais duras e endireitou-se no sofá, deixando de tocar na namorada.

-Que foi? - Respondeu rudemente.
-Não precisas de ser rude e bruto, Fábio Rafael! - Rita não guardava para si alguns comentários. - Quantas vezes preciso de te dizer que tu e só tu, és o meu presente?
-Sabes os terríveis ciúmes que nutres pelas minhas amigas? É a mesma resposta! - Rita não aguentou ouvir aqueles argumentos.
-Fábio, põe-te nas Cátias, por amor de Deus! - Dito isto, e ainda revoltada, foi para o quarto onde fechou a porta e encostou-se a ela.
-Rita? - Bateu à porta do quarto da amada.
-Vai-te embora, deixa-me em paz, por favor!

Rita fazia um esforço para não chorar mas sabia que ele iria ser mais forte que ela.

-Põe-te nas Cátias? A sério, Rita? Explica-me esse insulto ou o que quer que tenha sido!

Ela riu-se e ele percebeu e riu-se também.

-Já te passou o amuo ou já me podes abrir a porta?
-Não te vou abrir a porta, preciso de espaço!
-Achas que uma porta a separar-nos é espaço suficiente!
-Estou a tentar ficar chateada contigo e tu só me fazes rir.
-Só quero fazer com que cedas, abras a porta para falarmos.
-Já estamos a falar. - Que teimosia, pensou Fábio.
-Não é este tipo de conversa, Maria Rita
-Cortamos relações! - Disse divertida. - Que me queres?
-Não tínhamos cortado relações?
-E cortamos, eu tenho o meu lado da relação, as calças deste lado e tu tens a saia desse! - Ambos se riram.
-Logo agora que tinha uma canção para te cantar!
-Não faças isso! - Pediu brincando com a situação. Ele ignorou o pedido dela.

It's too hard to sleep (É tão difícil dormir)
I got these sheets on the floor (Os lençóis estão no chão)
Nothing on me (Não tenho nada vestido)
And I can't take it no more (E não consigo aguentar mais)
It's a hundred degrees (Estão 100º graus)

I got one foot out the door (Tenho um pé fora da porta)
Where are my keys (Onde estão as minhas chaves?)
'Cause I gotta leave, yeah (Porque quero sair, yeah)

In the back of the cab (Na parte de trás do táxi)
I tip the driver ahead of time (Paguei a gorjeta ao taxista antecipadamente)
Get me there fast (Leve-me lá rápido)
I got your body on my mind (Tenho o teu corpo na minha mente)
I want it bad (Quero-o tanto)

Oh just the thought of you (Só de pensar em ti)
Gets me so high (Já me deixa louco)
So high (Todo louco)

Girl, you're the one (Mulher, tu és a única)
I want to want me (Que eu quero que me queira)
And if you want, then girl you got me (E se me quiseres, tu tens-me)
There's nothing I, no I wouldn't do (Não há nada que não farei)
(I wouldn't do) (Que não farei)
Just to get up next to you (Apenas para acordar do teu lado)

Girl, you're the one (Mulher, tu és a única)
I want to want me (Que eu quero que me queira)
And if you want, then girl you got me (E se me quiseres, tu tens-me)
There's nothing I, no I wouldn't do (Não há nada que não farei)
(I wouldn't do) (Que não farei)
Just to get up next to you (Apenas para acordar do teu lado)
Just to get up next to you (Apenas para acordar do teu lado)

You open the door (Tu abres a porta)
Wearing nothing but a smile (Com nada menos que um sorriso)
Fell to the floor (Vamos ao chão)
And your whisper in my ear (E sussurrares ao meu ouvido)
Baby I'm yours” (Bebé, sou teu)
Oh, just the thought of you gets me so high (Oh, apenas de pensar que me queres deixa-me tão louco)
So high (so high) (Tão louco (Tão louco)

Rita não resistiu, abriu a porta e sorriu-lhe, mas não disse o que ele esperava.

-Já paraste de cantar para bem da minha saúde mental e para bem da saúde dos meus ouvidos? - Ele sorriu e aproximou-se dela. - Não sou fácil, Fábio.
-Apaixonei-me pelo teu lado respondão e teimoso, sabias?
-Estou a tentar ter um desentendimento sério contigo, importaste?
-Força! - Ele olhou para ela desafiando-a mas ela não conseguiu.
-Não consigo pensar em nada, ouvir-te cantar deu cabo do meu raciocínio!
-Mas eu ainda consigo pensar e lembro-me que quero um beijo teu.
Ele aproximou-se dela e estava pronto para roubar-lhe um beijo, mas ela antecipou-se e afastou-se.
-Com que então tu queres que eu te queira?
-Era o que a música dizia... - Respondeu. - Mas não é no sentido perverso... Quero que me desejes, quero que me queiras na tua vida, quero que me queiras chamar-me de teu namorado, quero que sintas o amor louco que eu sinto por ti, quero que tu me queiras. - Ela não resistiu, chegou ao pé dele e beijou-o.
-Amo-te parvo.
-Amo-te difícil.
-Fábio. - Disse ela tentando ganhar coragem para o que ia dizer. - Sabes o que dizem da perfeição?
-Que não existe... Ou melhor, que sou eu! - Sorriu provocando-a.
-Que a prática leva à perfeição. - Disse dando-lhe um beijo no pescoço... E outro... E outro... -E sabes que livro gostaria de ter na minha mesinha de cabeceira?
-Rita... - A conversa estava animada e Fábio já tremia sabendo bem o que ela queria e ele desejava.
-E want you to want me. - Sussurrou em formato de música ao seu ouvido. - But in my bath, I want to try again in my jacuzzi bath.
-Oh go!
-Please make me stop or god please continue?
-I don't have words to say, my love, I want to try with you and only you.
-Podes continuar tu que eu vou passear por Lisboa, beijo. - Deu-lhe um beijo na testa e fugiu de onde estava deixando-o claramente de “cabeça levantada”, e Fábio apesar disso sorriu, era incrível a sua forma de ser e a maneira como o fazia feliz mesmo com coisas simples, sabia-o provocar e apesar de terem passado algumas raparigas pela sua vida, nenhuma lhe tinha dado o que Rita dera e sabia provocá-lo como ela. Estava ainda mais apaixonado por ela desde o primeiro dia e tinha a certeza que se iria apaixonar ainda mais, cada dia mais. Pegou na chave de sua casa e foi até ela onde tinha de tomar um banho de água fria... Para ver se passava o “pequeno problema”: Tentou não demorar até porque não sabia para onde Rita tinha fugido mas foi ela que o surpreendeu.

-Amor? - Disse ela entrando na casa de banho onde o viu despido e tapou os olhos. - Eu sei que já te vi despido e já fizemos amor algumas vezes mas continua a ser constrangedor ver-te despido.
-Mas no entanto sabes-me provocar e bem!
-Não sabia que conseguia pôr-te a cabeça em pé com tão pouco!
-Tu pões-me as cabeças em pé!
-Que parvo! E tu puseste a minha em pé por não saber de ti, deixei-te na minha casa e de repente já estás aqui, na tua casa, a tomar banho e eu a falar de olhos fechados contigo!
-Já podes abrir!
- Ela abriu ligeiramente os olhos e pode ver que ele já escondera o que ainda lhe era difícil ver mas tinha apenas uma toalha a cobrir-lhe a cintura, ficando com o corpo à mostra.
-E eu é que provoco!
-Cá se fazem cá se pagam! - Deu-lhe um beijo na testa.
-Não vês que assim me molhas a roupa toda, Fábio?
-Já te disse que gosto de ver-te sem ela?
-Tu gostas é de me picar!
-Adoro. - Confessou. -E porque razão a menina quer ir passear por Lisboa?
-Porque adoro a cidade e nunca passei por lá contigo!
-Quem diria que um natural de Águeda, Aveiro e uma natural de Coimbra se iriam conhecer por Lisboa e se apaixonarem?
-Não nos conhecemos em Lisboa, que eu saiba o Seixal até é distrito de Setúbal!
-Era uma forma de parecer mais romântico, amor!
-Eu perdoou-te a falta de boa geografia se me levares a Lisboa, no teu fantástico carro e se me pagares uns pastéis de Belém.
-É gomas, é pastéis, já foi Mc'Donalds e pizzas, daqui a bocado é chocolate, diz-me logo que me queres ver mais gordo!
-Os chocolates fazem-me borbulhas, dificilmente me verias a comer!
-Mas não deixam de ser bons, afinal eu também te ponho os cabelos em pé e tu amas-me na mesma.
-E nunca vou deixar de amar, vou ter uma filha com o mesmo nome que tu para ser a fotocópia chapada da mãe!
-E tu conseguias aturar duas pessoas iguais? Eu já sou difícil.
-Aturava, mas a ela nenhum rapaz se ia aproximar, garanto-te, contigo estou descansado, tenho-te só para mim.
-Aposto que és daqueles que pensa que a filha vai virgem para o casamento!
-E irá, senão desfaço o culpado!
-Não te fazia tão antiquado e além do mais, que eu sabia nenhum dos dois vai virgem para o casamento, aliás já vamos com anos de experiência.
-Depende do tempo que nos afastar do casamento. Pode ser daqui a 6 meses como daqui a 10 anos.
-Não me quero casar com 18 anos, Fábio Rafael!
-E com 28?
-Tudo bem... Olha queria fala contigo sobre uma coisa.
-Sim, já sabes que me quero casar e que gostava de ter filho, primeiro rapazes para me ajudar a tomar conta da irmã Rita.
-Queres uma família tipo os Beckham?
-Se quiseres ter mais de quatro..
-Depois rebolo, e sabes eu gostava de ter uma vida profissional, não me vejo a ser a típica mulher de jogador de futebol sentada em casa sem fazer nada.
-Nem eu imaginava que ficasses... Mas pelo menos nos primeiros tempos da vidas dos nossos filhos tens de ficar mais em casa que eu não posso tirar uns dias para a paternidade.
-Eu sei e nessa altura faço uma pausa na minha carreira para me dedicar aos nossos filhos... Mas falando em trabalho, queria falar contigo sobre isso.
-Sobre o meu trabalho? Tenho jogo este fim-de-semana em casa, amor.
-Sim, eu sei, vou falar com o Pedro caso ele queira ir ver, mas é sobre o meu trabalho.
-Estás a pensar voltar para o teu antigo trabalho?
-Não, mas recebi 2 propostas de trabalho, ou melhor convites, depois de andar à procura mas nada de especial.
-E então?
-Num bar perto do Caixa há um café e eles precisam de alguém para aos fins-de-semana e pagam o ordenado mínimo, mas também recebi um convite mas é para fazer uma coisa que nem sabia, nem conhecia bem.
-O quê, meu amor? Tu sempre gostaste de desafio.
-Sabes quais vais aos teatros e existe aquelas pessoas que te veem os bilhetes e te levam aos lugares e assim, chama-se frente de sala.
-Sim, eu sabia e essas pessoas chamam-se assistentes.
-Sim... Eu nunca fiz mas deve ser interessante mas é para Setúbal, para o Teatro Luísa Todi... E não tenho ordenado fixo, recebo por cada dia de trabalho, 25€ e se fizer mais que x horas ganho mais, e queria falar contigo sobre isso.
-O que preferes fazer?
-Sabes que se aceitar algumas delas terei menos tempo para ti, para nós, não sabes?
-Sim, eu sei, mas eu só quero o melhor para ti, nós cá arranjamos uma forma de nos vermos na mesma.
-É por isto que gosto tanto de ti, por acreditares em mim... Em nós.
-Bé, vou sempre acreditar enquanto te amar.
-Que fofinho o meu amor, que rimou e tudo!
-Sou um fofo, tens dúvidas?
-Não, nunca as tive. Mas olha... Qual achas que devo aceitar?
-É uma escolha tua, não de mais ninguém, o que posso fazer é ajudar-te.
-E preciso de ajuda...
-Então vamos lá por partes. Fazer frente de sala é algo diferente... Algo que nunca fizeste.
-E pelo contrário, já trabalhei num bar/restaurante.
-Enquanto um é bastante perto de tua casa e não é longe da tua casa, podes sempre ir a pé.
-O outro é um bocado mais distante e tenho de apanhar transportes.
-Só não te irei buscar senão tiver em estágio e se tiver peço a alguém para te ir buscar.
-Fábio, tu és meu namorado, não és meu taxista, nem motorista, a minha mota está na oficina mas tenho transportes e safava-me bem.
-Amo, só quero tratar-te como mereces. - Rita passou-lhe a mão pela face, acariciando-o.
-Eu sei mas não me deves este tipo de coisas, sempre fui muito independente e lutadora, se me fores buscar sempre, tenho medo de perder a minha capacidade de me desenrascar, entendes?
-Está descansada meu amor, eu conheço-te bem, só que, por exemplo, nos dias de chuva e mau tempo não gostava que andasses de moto, ainda para mais se te posso dar boleia.
-Está descansado que nesses dias, eu aceito a tua boleia ou de um amigo teu, e também deves em quando não tem mal ires-me buscar, é um miminho bom! Mas as minhas colegas iam ficar com uma certa inveja minha, sabias?
-Oh meu bem. - Deram um beijo curto. - Elas até podem ter inveja tua mas eu tenho olhos para ti, sabias?
-Amo-te. - Trocaram mais um beijo. - Vamos partilhar com a cidade de Lisboa o nosso amor e Lisboa partilha connosco o nosso charme?
-Vamos. - Deram as mãos e foram até ao carro.

Como irá correr o passeio?

Que proposta de trabalho irá aceitar Rita? Como será o futuro desta relação com o impacto do trabalho dela?