sexta-feira, 13 de maio de 2016

Capítulo 38 "Eu amo-te da única forma que um homem pode amar-te"


Rita e Fábio foram até ao carro e seguiram viagem até Lisboa onde queriam aproveitar para namorar e passear pela cidade, apesar de estarem juntos bastantes vezes, ainda existia o sentimento de magia, de felicidade no seu estado mais puro, apenas eles a viver una vida... Juntos. Eram jovens, tinham uma vida pela frente mas queriam aproveitar todo e qualquer momento, porque apesar de alguns parecerem simples aos olhos de outras pessoas, eles sentiam como se fosse mágico. Ao atravessarem a ponte, Rita olhava perdida para Fábio e para o fundo azul ao seu lado, o barulho específico dos ferros que estavam sobre o chão de uma via não a incomodavam, apenas ele captava toda a sua doce atenção e a música que se fazia ouvir no carro, e que ele cantava.
-Em que estás a pensar? - Fábio interrompeu-lhe os pensamentos, apanhando-a no meio dos seus pensamentos. Será que lhe devia dizer a verdade ou dizer algo diferente, mas sem mentir? Não lhe conseguiria mentir, nem se tentasse.
-Se dissesse não acreditarias.
-Experimenta.
-Estava a admirar-te. - Disse genuinamente fazendo-o sorrir de felicidade e de surpresa.
-É incrível como nos conhecemos à já algum tempo e continuamos a sentir nas nuvens apenas pelo simples facto de estarmos juntos.
-É de estarmos completamente apaixonados e por nos amarmos tanto.
-Mas tenho medo que este brilho um dia termine.
-Só depende de nós.
-Fábio, sei que não se mede o amor em quantidades como as embalagens mas quero que saibas que eu amo-te. Amo-te mesmo. Mais do que amei o Tiago. Sabes porquê? Porque é a ti que amo e limitei-me a apenas gostar dele.
-E eu amo-te da única forma que um homem pode amar-te. - O coração de Rita aumentou drasticamente o ritmo em que batia e ela sorriu, corou e quis beijá-lo mas sabia que não podia. - E vou amar sempre Rita, mesmo que um dia por alguma razão a vida nos separe, este coração. - Colocou a mão direita sobre o seu peito, na zona onde estaria o coração. - Será apenas e só teu.

A felicidade de ambos, o sentimento e a relação não era apenas temporária, era definitiva e para sempre, Rita queria acreditar nisso, Fábio sentia-o e sentiam também que nada os poderia abalar. - Acho que está na altura de te tornar pública.

-Queres dizer a altura em que passo a ser a pessoa mais odiada da Margem Sul? A altura em que me identificas nas tuas fotos e as minhas orelhas ficam quentes todo o Inverno?
-Tinha de trazer algo de bom não é verdade?
-Ao menos continuo com os pés frios para alguém aquecer...
-É impossível os teus pés serem mais frios sabes disso? Tu estás com meias, mal as tiras ficas com os pés parece gelo, será possível?
-Pelos vistos até os meus pés gostam dos teus pés de ogre... Vou avisar o Bernardo que ele tinha razão quanto aos teus pés!
-Não foi o Bruno que te disse isso?
-Não me lembro, mas tenho ciúmes deles, cá para mim querem comer-te! - Fábio riu-se, nada o faria sorrir tanto como aquela rapariga e nada o deixava tão feliz quanto ela o deixava.

-Claro que sim, não haja dúvida!
-E já tens decidido alguma foto para publicares ou ainda estás à espera para tirarmos uma?
-Qualquer foto onde estejas é simplesmente fantástica sabias?
-É impressão minha ou esta conversa tem mais perguntas que respostas?
-Quem saberá?!
-Simplesmente quero ter a certeza que publicas uma foto onde esteja bem, apesar de tu dizeres que estou bem em todas!
-E não estás?
-Não, longe de mim! Eu acho que fico mal em todas as fotos, tu é que vês um ângulo bom nas minhas fotos que eu não vejo!
-Isso é porque não viste bem!
-Amor, quero que as raparigas me vejam e pensem que sou linda para ti, nem mais feia, nem menos feia, à altura percebes?
-Eu não quero saber do que elas acham ou não babe, só quero saber do que eu acho de ti e eu amo-te, isso chega-me. - Colocou a mão na perna dela que a fez corar e tremer por completo, apesar de já se terem envolvido, ela continuava a ter pontos fracos, muito suscetíveis e ele conhecia-os bem e ela decidiu captar o momento.





-Tu importaste de tirar a mão da minha perna e pôr nas mudanças se faz favor? Para a próxima vimos mas é de mota e eu venho a conduzir!
-Nem penses nisso, as motas são muito inseguras e eu não vou pôr as nossas vidas em risco!
-Com a velocidade a que vais, podes querer que as nossas vidas estão em perigo, já viste isto? Estás a 150!
-Amor, sou um ótimo condutor e o carro é seguro, descontrai!
-Bebé, a minha mota é muito segura e eu sou uma condutora excelente!
-Estou a reduzir. - Respondeu e Rita sorriu, sabia usar os argumentos certos e ele sabia-o, rendia-se por completo.
-Mas está descansado que sou mesmo boa condutora e antes de mais vamos primeiro a Belém, quero ir ao CCB e aos pastéis e mostrar-te a vista fantástica do estádio do Restelo!
-Achas que eu não conheço a vista do estádio?
-E gostas dos pastéis?
-Dizem que são bons...
-Nunca provaste?
-Nem por isso, vejo que a fila tem tanta gente que acabo por desistir.
-Vamos provar então.
Passado alguns minutos, Fábio chegou ao Restelo e deixou o carro um pouco mais acima do bonito estádio do Belenenses e deram as mãos e aproximaram-se até não puderem mais.

-A minha cidade é sensacional.
-Mas tu não és de Coimbra?
-Sou sim, mas sempre vivi cá... E o meu irmão já cá nasceu, no fundo também sou um bocado alfacinha.
-Cada vez te conheço melhor e cada vez me apaixono mais por ti. - Disse dando a mão a Rita e fazendo-a deliciar-se por completo, não apenas porque se havia declarado (mais uma vez) a ela mas sim pelo lado mais genuíno que ele demonstrara e pelo facto de não ter sido propositado, ele sentiu e pensou no momento e desabafou-o e isso fê-la sorrir e acima de tudo, fê-la feliz. - Já nem imagino a minha vida sem ti sabes? Já não me imagino a acordar de manhã sem o teu sorriso e sem a tua boa-disposição e energia, já não imagino o que é dormir sem ser agarrado a ti, a beijar-te quando me apetecesse e fazer-te uma serenata. A provar os teus deliciosos cozinhados. No fundo, eu já não viveria sem ti, meu amor. Tu misturas um lado tão ingénuo, tão infantil e um lado tão confiante mas tão calmo, e eu não poderia pedir melhor para mim. Somos tão novos e eu precisava de alguém que entendesse o meu lado mais infantil e puxasse pelo lado mais maturo e acima de tudo que o entendesse. O teu sorriso é tão genuíno Rita, posso confessar às vezes como o de uma criança, basta apenas um beijo ou um sorriso e faço-te corar, e eu já perdi a conta às vezes que te fiz corar e tu nem dás por isso! É incrível como tens sempre resposta na ponta da língua, como as crianças, e dizes o que te vai na alma, sem pensares nas consequências, pensas mais com o coração que com a cabeça e os adultos simplesmente já não conseguem ser assim. Tu quando amas, amas, lutas e não desistes, quando não gostas, simplesmente não te conseguem conquistar por nada... Mas também tens um lado tão maturo, um lado tão sério, quando assumes e pões na cabeça algo, pode ter-se garantido que não desistes facilmente, e se erras, tu assumes o erro e sofres pelas consequência disso até ao último momento. Não suportas faltas de profissionalismo, nem pessoas com a mania que são algo mais, és humilde e garanto-te que és das pessoas mais simpáticas que conheço. És insegura por vezes e tão segura noutras alturas e eu começo a desvendar-te, começo a saber os teus pontos fracos e fortes como tu sabes os meus, porque tu és uma mulher simplesmente incrível.

Quando Fábio acabou, Rita já não conseguia controlar as lágrimas que lhe caiam dos olhos, ele amava-a, de verdade, como ele nunca pensara amar na vida. Até então duvidara que o amor algum dia viesse ter consigo e por isso preferia ter relações sem compromisso, mas desde que a rapariga chegara à sua vida que mudara tudo, mesmo antes do 1º olhar trocado, ele já sentia uma ligação a ela, por isso tinha-lhe enviado aquela mensagem no Facebook.

(Passado uma semana)
Desde que as férias de Natal da escola começaram que Rita viajara com o irmão, para Coimbra, para junto do seu avô. O que significara que não via Fábio há quase uma semana e embora falasse com ele todos os dias, por vezes, até durante horas a fio, as saudades começavam a apertar cada vez mais, tinha saudades dos seus beijos, do seu abraço... E do seu toque. O seu coração apertava sempre que se lembrava de tudo isso. Queria fazer-lhe uma surpresa mas sabia que não era fácil e não queria deixar o seu avô sozinho com o seu irmão. E até porque era véspera de Natal, os seus pais chegaram no dia anterior e iriam ficar durante uns dias, e hoje era o aniversário do seu progenitor... Iriam passar o dia juntos e depois do jantar iriam abrir as prendas e ela estava mais que ansiosa por abrir as prendas que Fábio lhe dera. Era apenas duas e ambas pequenas, mas estava ansiosa, sabia que ele a iria surpreender de todo, só ele a conseguia surpreender de uma forma que ela nunca esperaria.

-Rita, está na altura de te dar a prenda de aniversário do Fábio.
-Mas não era só para abrir depois do jantar? Mas porque vais buscar? Ele deu-me duas e estão debaixo da árvore.
-Não filha, ele deu-te 3, uma é que não dava para embrulhar e então pediu-me a mim e ao teu pai para guardarmos e te trazermos.
-Eu não acredito! - Disse surpreendida. - Ele não está à minha espera pois não?
-Não, está descansada que ele está em Águeda com os teus sogrinhos. Vou buscar a tua prenda aos vizinhos que logo não posso ir lá buscar que eles devem estar a celebrar o dia.
Rita já não conseguia aguentar a ansiedade de não saber que prenda poderia ser, e naqueles minutos que a mãe demorara até chegar novamente a casa, a curiosidade matara-a e ela pressionara o irmão, o pai e o avô mas nenhum deles lhe dizia. Assim que a mãe entrou na sala com um pequenino cão nos seus braços.



-Apresento-te o teu filho adotivo. - Realçou a última palavra. - E do Fábio, pelo menos enquanto não começa a prática e não têm um biológico. - Rita engoliu em seco, a prática já começara, mas ainda não tivera coragem de contar à mãe, não sabia como abordar o tema. Levantou-se do sofá e foi pegar no pequenino cão e enchê-lo de mimos.
-Gostas? Que nome lhe queres dar?
-Christian. - Deu-lhe um beijo e fez-lhe uma festa. Pousou-o no chão e seguiu-o até captar uma boa fotografia do cachorrinho.
Ficou completamente vidrada naquele pequenino cão, ora o pousava no chão para o ver descobrir a casa, ora o pegava ao colo para lhe dar pequenos mimos, até que ouviu o telemóvel apitar, era Fábio:

Tenho uma surpresa para ti”
Qual?”
Primeiro, diz-me uma coisa”
Diz-me”
Tens saudades minhas?”
MUITAS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!”
De certeza?”
Sim, absoluta!!”
Então anda dar-me um beijo. Estou aqui fora, à porta”

Rita pousou o cão no chão, e correu até à porta de casa, abriu-a e saltou para os braços de Fábio.
-Amo-te, amo-te, amo-te! - Encheu-lhe a face de beijos e apertou-o fortemente nos braços.
-Eu também te amo minha princesa! - Deram um beijo sentido nos lábios.
Rita foi para o chão e deu-lhe a mão e entraram dentro de casa.
-Anda ver o Christian.
-Christian? Quem é o Christian?
-O nosso filho adotivo como lhe chamou a minha mãe! Que achas do nome?
-Adoro!! - Deu-lhe um beijo na testa.
Entraram dentro de casa e Rita apresentou-o ao avô, de seguida, foram cumprimentar a restante família.
-A tua irmã?
-Hoje foram passar o dia a casa da família do Rúben, amanhã passam o dia connosco.
-Depois manda-me uma foto da nossa afilhada com a prenda que lhe demos.
-Sim, pai!
Fábio distribuiu as prendas que havia trazido para toda a família, até para Rita, porque até lhe tinha comprado mais duas prendas.
-Mãe?
-Sim, filha?
-Não te importas de irmos dar uma volta pela cidade? Gostava que o Fábio conhecesse a cidade onde nasci, mas com a minha companhia.
-Não demorem! Levam o Christian?
-Sim, mãe!
-Muito gosto em ver-te, Fábio e obrigada pelas prendas!
-De nada sogrinha, o gosto foi todo meu em ver-vos!
Rita e Fábio pegaram em Christian e foram passear de carro pela cidade.
-Sabes do que sentia mesmo saudades? - Rita pousou as mãos em cima das pernas de Fábio e começou a aproximá-las, provocando-o.

-Tu adoras provocar-me! Achas bem com o nosso filho adotivo no carro?
-Não estás com saudades?
-Sabes bem que sim...
-Para o carro.
-Aqui?
-Sim, não passa por aqui muita gente.
-Por isso é que me estavas a dar indicações para virmos para aqui...
-Podemos praticar os nossos filhos biológicos.
-Força nisso, meu amor, mostra-me do que és capaz. Pediu e Rita fez-lhe a vontade. Primeiro deixou Christian no banco de trás, enquanto Fábio puxava o seu banco para trás, de seguida, a rapariga sentou-se de frente no colo dele, e apesar de não ter sido confortável para nenhum dos dois, foi a melhor forma de matarem saudades.
Depois decidiram voltar para casa, Fábio ainda tinha de viajar até Águeda e ela ainda tinha de tomar banho e rezar para ninguém estranhar a sua ausência tão prolongada, e lhe perguntar onde tinham ido passear, porque sabia que não tinha o que responder e não queria ter de mentir. Despediu-se do namorado e foi até casa, com o pequeno Christian ao colo e cumprimentou toda a família, mais uma vez, até ir à cozinha onde a mãe tratava dos últimos pormenores.

-Posso dar-te uma palavrinha, filha?
-Claro. - O irmão e o pai deixaram a cozinha e ficaram sozinhas mãe e filha.
-Tu e o Fábio... Já chegaram a vias de facto?

O que irá responder Rita?
Será que vai optar por mentir ou dizer a verdade? Como irá reagir a mãe?

terça-feira, 19 de abril de 2016

Capítulo 37: “Quantas vezes preciso de te dizer que tu, e só tu, és o meu presente?”


Fábio tinha de reagir... Sabia bem que tinha de o fazer, não se tratava de controlar os seus ciúmes ou de afastar o único rapaz que o fazia sentir-se inseguro quanto à sua namorada, desta vez não se tratava dele, tratava-se apenas e só de Rita.
Tiago iria magoá-la, iria desiludi-la, iria destruir o que Fábio tanto tentara reconstruir. Não, ele não podia chegar ali e mudar tudo! Respirou fundo e aproximou-se do ex-casal mas apenas com intuito de proteger a sua amada, ela já havia sofrido o suficiente.

-Precisas de ajuda, meu amor?
Pela primeira vez, Rita reagiu. Fábio estava ali para protegê-la e isso dava-lhe segurança.
-O Tiago quer falar comigo, e como eu e o Fábio não temos segredos... Fala Tiago.
-Por favor Rita, eu quero falar só contigo, mais tarde podes contar-lhe mas peço-te, por favor, para sermos só os dois.
-Ainda não entendeste o que ela disse ou queres um desenho? - Rita nunca tinha visto o seu namorado tão irritado mas conseguia compreender o porquê dele estar assim e sabia que tinha de tomar uma atitude para não descambar aquela conversa.

-Fábio vai andando para casa, já lá vou ter contigo, mais tarde conto-te tudo.
-Tens a certeza?
-Sim, vai almoçar e eu também vou almoçar com ele mas não demoro.
-Rita...
-Confia em mim. - Fábio assentiu com a cabeça e lançou um último olhar furioso a Tiago na tentativa de o intimidar.

-Amo-te pequena.
-Também te amo, boneco.

Fábio assentiu com a cabeça e foi-se embora, respeitando o pedido de Rita mas nunca descansado, confiava nela mas tinha medo do que ele pudesse fazer... Ou tentar.

-Podes falar.
-Em primeiro lugar, desculpa.
-Tiago, acabou tudo entre nós, superei-te e sou feliz agora.
-Eu sei que terminou. - Baixou a cabeça demonstrando mágoa. - E sei que fui eu que fiz porcaria e a culpa foi única e exclusivamente minha e que não estás ainda comigo porque eu te perdi. - Rita começou a sentir o peso abalar o coração, o seu grande coração era também um ponto fraco e ele sabia-o. - Mas também sei que não o merecias o que te fiz passar e que podia ter evitado tudo isto, e por isso, mesmo que te peça desculpa não vou apagar a merda que fiz e ter-te de volta.
-Acredita que não me vais recuperar Tiago, assim como tens a Adriana, eu tenho o Fábio.
-Já não estou com a Adriana.
-Pois bem me parecia que esta conversa não era em vão.
-Não sejas assim, não tenho qualquer tipo de segunda intenção contigo.
-Não foi isso que pareceu e também não quero saber, já disseste o que tinhas a dizer e eu também, portanto dá-me licença.

Rita deixou Tiago para trás e caminho em direção a casa, mas não aguentou as lágrimas e deixou-as cair sobre o rosto. Caminhou rapidamente quase a correr até casa e era mais que óbvio que Fábio estava em casa dela, e assim foi, abriu a porta e correu até à sala onde Fábio estava e pousou a cabeça no seu peito, ainda com lágrimas a cairem-lhe pela cara e com o coração apertado.

-Eu vou atrás daquele atrasado mental, juro que vou, se o apanhar até o desfaço!
-Por favor Fábio, fica aqui comigo, preciso de ti!
-E eu de ti, e vou sempre precisar. - Abraçou-a e deu-lhe um beijo na testa.
-Acalma-te e explica-me o que se passou, por favor.

Rita encostou a sua cabeça nas pernas de Fábio que lhe passava os dedos pelos fios de cabelo e assim continuou até ela se sentir mais calma e pronta para falar sobre o que se havia passado.

-O Tiago veio ter comigo e queria pedir-me desculpa, desculpa por tudo o que me fez passar e pelo que sofri por ele. Mas também me disse que já não está com a Adriana.. E eu percebi logo as intenções dele, Fábio. Ele quer-me a mim. De volta. Ele diz que não, mas eu percebi. E vim-me embora, eu não quero perder-te e muito menos trocar-te por ele. - Ela sentou-se ao lado dele e olhou-o nos olhos. - Sabes no fundo, só queria mostrar-lhe que estou realmente feliz contigo, ele teve uma oportunidade e desperdiçou-a, e tu... Eu dificultei-te a vida e tu não desististe.
-Acho que me deixei encantar por ti no primeiro olhar e um anjinho no ombro me gritou para não te desperdiçar!
-Preciso de falar contigo sobre hoje... Sobre o Tiago.

A postura de Fábio mudou, tornou as expressões mais duras e endireitou-se no sofá, deixando de tocar na namorada.

-Que foi? - Respondeu rudemente.
-Não precisas de ser rude e bruto, Fábio Rafael! - Rita não guardava para si alguns comentários. - Quantas vezes preciso de te dizer que tu e só tu, és o meu presente?
-Sabes os terríveis ciúmes que nutres pelas minhas amigas? É a mesma resposta! - Rita não aguentou ouvir aqueles argumentos.
-Fábio, põe-te nas Cátias, por amor de Deus! - Dito isto, e ainda revoltada, foi para o quarto onde fechou a porta e encostou-se a ela.
-Rita? - Bateu à porta do quarto da amada.
-Vai-te embora, deixa-me em paz, por favor!

Rita fazia um esforço para não chorar mas sabia que ele iria ser mais forte que ela.

-Põe-te nas Cátias? A sério, Rita? Explica-me esse insulto ou o que quer que tenha sido!

Ela riu-se e ele percebeu e riu-se também.

-Já te passou o amuo ou já me podes abrir a porta?
-Não te vou abrir a porta, preciso de espaço!
-Achas que uma porta a separar-nos é espaço suficiente!
-Estou a tentar ficar chateada contigo e tu só me fazes rir.
-Só quero fazer com que cedas, abras a porta para falarmos.
-Já estamos a falar. - Que teimosia, pensou Fábio.
-Não é este tipo de conversa, Maria Rita
-Cortamos relações! - Disse divertida. - Que me queres?
-Não tínhamos cortado relações?
-E cortamos, eu tenho o meu lado da relação, as calças deste lado e tu tens a saia desse! - Ambos se riram.
-Logo agora que tinha uma canção para te cantar!
-Não faças isso! - Pediu brincando com a situação. Ele ignorou o pedido dela.

It's too hard to sleep (É tão difícil dormir)
I got these sheets on the floor (Os lençóis estão no chão)
Nothing on me (Não tenho nada vestido)
And I can't take it no more (E não consigo aguentar mais)
It's a hundred degrees (Estão 100º graus)

I got one foot out the door (Tenho um pé fora da porta)
Where are my keys (Onde estão as minhas chaves?)
'Cause I gotta leave, yeah (Porque quero sair, yeah)

In the back of the cab (Na parte de trás do táxi)
I tip the driver ahead of time (Paguei a gorjeta ao taxista antecipadamente)
Get me there fast (Leve-me lá rápido)
I got your body on my mind (Tenho o teu corpo na minha mente)
I want it bad (Quero-o tanto)

Oh just the thought of you (Só de pensar em ti)
Gets me so high (Já me deixa louco)
So high (Todo louco)

Girl, you're the one (Mulher, tu és a única)
I want to want me (Que eu quero que me queira)
And if you want, then girl you got me (E se me quiseres, tu tens-me)
There's nothing I, no I wouldn't do (Não há nada que não farei)
(I wouldn't do) (Que não farei)
Just to get up next to you (Apenas para acordar do teu lado)

Girl, you're the one (Mulher, tu és a única)
I want to want me (Que eu quero que me queira)
And if you want, then girl you got me (E se me quiseres, tu tens-me)
There's nothing I, no I wouldn't do (Não há nada que não farei)
(I wouldn't do) (Que não farei)
Just to get up next to you (Apenas para acordar do teu lado)
Just to get up next to you (Apenas para acordar do teu lado)

You open the door (Tu abres a porta)
Wearing nothing but a smile (Com nada menos que um sorriso)
Fell to the floor (Vamos ao chão)
And your whisper in my ear (E sussurrares ao meu ouvido)
Baby I'm yours” (Bebé, sou teu)
Oh, just the thought of you gets me so high (Oh, apenas de pensar que me queres deixa-me tão louco)
So high (so high) (Tão louco (Tão louco)

Rita não resistiu, abriu a porta e sorriu-lhe, mas não disse o que ele esperava.

-Já paraste de cantar para bem da minha saúde mental e para bem da saúde dos meus ouvidos? - Ele sorriu e aproximou-se dela. - Não sou fácil, Fábio.
-Apaixonei-me pelo teu lado respondão e teimoso, sabias?
-Estou a tentar ter um desentendimento sério contigo, importaste?
-Força! - Ele olhou para ela desafiando-a mas ela não conseguiu.
-Não consigo pensar em nada, ouvir-te cantar deu cabo do meu raciocínio!
-Mas eu ainda consigo pensar e lembro-me que quero um beijo teu.
Ele aproximou-se dela e estava pronto para roubar-lhe um beijo, mas ela antecipou-se e afastou-se.
-Com que então tu queres que eu te queira?
-Era o que a música dizia... - Respondeu. - Mas não é no sentido perverso... Quero que me desejes, quero que me queiras na tua vida, quero que me queiras chamar-me de teu namorado, quero que sintas o amor louco que eu sinto por ti, quero que tu me queiras. - Ela não resistiu, chegou ao pé dele e beijou-o.
-Amo-te parvo.
-Amo-te difícil.
-Fábio. - Disse ela tentando ganhar coragem para o que ia dizer. - Sabes o que dizem da perfeição?
-Que não existe... Ou melhor, que sou eu! - Sorriu provocando-a.
-Que a prática leva à perfeição. - Disse dando-lhe um beijo no pescoço... E outro... E outro... -E sabes que livro gostaria de ter na minha mesinha de cabeceira?
-Rita... - A conversa estava animada e Fábio já tremia sabendo bem o que ela queria e ele desejava.
-E want you to want me. - Sussurrou em formato de música ao seu ouvido. - But in my bath, I want to try again in my jacuzzi bath.
-Oh go!
-Please make me stop or god please continue?
-I don't have words to say, my love, I want to try with you and only you.
-Podes continuar tu que eu vou passear por Lisboa, beijo. - Deu-lhe um beijo na testa e fugiu de onde estava deixando-o claramente de “cabeça levantada”, e Fábio apesar disso sorriu, era incrível a sua forma de ser e a maneira como o fazia feliz mesmo com coisas simples, sabia-o provocar e apesar de terem passado algumas raparigas pela sua vida, nenhuma lhe tinha dado o que Rita dera e sabia provocá-lo como ela. Estava ainda mais apaixonado por ela desde o primeiro dia e tinha a certeza que se iria apaixonar ainda mais, cada dia mais. Pegou na chave de sua casa e foi até ela onde tinha de tomar um banho de água fria... Para ver se passava o “pequeno problema”: Tentou não demorar até porque não sabia para onde Rita tinha fugido mas foi ela que o surpreendeu.

-Amor? - Disse ela entrando na casa de banho onde o viu despido e tapou os olhos. - Eu sei que já te vi despido e já fizemos amor algumas vezes mas continua a ser constrangedor ver-te despido.
-Mas no entanto sabes-me provocar e bem!
-Não sabia que conseguia pôr-te a cabeça em pé com tão pouco!
-Tu pões-me as cabeças em pé!
-Que parvo! E tu puseste a minha em pé por não saber de ti, deixei-te na minha casa e de repente já estás aqui, na tua casa, a tomar banho e eu a falar de olhos fechados contigo!
-Já podes abrir!
- Ela abriu ligeiramente os olhos e pode ver que ele já escondera o que ainda lhe era difícil ver mas tinha apenas uma toalha a cobrir-lhe a cintura, ficando com o corpo à mostra.
-E eu é que provoco!
-Cá se fazem cá se pagam! - Deu-lhe um beijo na testa.
-Não vês que assim me molhas a roupa toda, Fábio?
-Já te disse que gosto de ver-te sem ela?
-Tu gostas é de me picar!
-Adoro. - Confessou. -E porque razão a menina quer ir passear por Lisboa?
-Porque adoro a cidade e nunca passei por lá contigo!
-Quem diria que um natural de Águeda, Aveiro e uma natural de Coimbra se iriam conhecer por Lisboa e se apaixonarem?
-Não nos conhecemos em Lisboa, que eu saiba o Seixal até é distrito de Setúbal!
-Era uma forma de parecer mais romântico, amor!
-Eu perdoou-te a falta de boa geografia se me levares a Lisboa, no teu fantástico carro e se me pagares uns pastéis de Belém.
-É gomas, é pastéis, já foi Mc'Donalds e pizzas, daqui a bocado é chocolate, diz-me logo que me queres ver mais gordo!
-Os chocolates fazem-me borbulhas, dificilmente me verias a comer!
-Mas não deixam de ser bons, afinal eu também te ponho os cabelos em pé e tu amas-me na mesma.
-E nunca vou deixar de amar, vou ter uma filha com o mesmo nome que tu para ser a fotocópia chapada da mãe!
-E tu conseguias aturar duas pessoas iguais? Eu já sou difícil.
-Aturava, mas a ela nenhum rapaz se ia aproximar, garanto-te, contigo estou descansado, tenho-te só para mim.
-Aposto que és daqueles que pensa que a filha vai virgem para o casamento!
-E irá, senão desfaço o culpado!
-Não te fazia tão antiquado e além do mais, que eu sabia nenhum dos dois vai virgem para o casamento, aliás já vamos com anos de experiência.
-Depende do tempo que nos afastar do casamento. Pode ser daqui a 6 meses como daqui a 10 anos.
-Não me quero casar com 18 anos, Fábio Rafael!
-E com 28?
-Tudo bem... Olha queria fala contigo sobre uma coisa.
-Sim, já sabes que me quero casar e que gostava de ter filho, primeiro rapazes para me ajudar a tomar conta da irmã Rita.
-Queres uma família tipo os Beckham?
-Se quiseres ter mais de quatro..
-Depois rebolo, e sabes eu gostava de ter uma vida profissional, não me vejo a ser a típica mulher de jogador de futebol sentada em casa sem fazer nada.
-Nem eu imaginava que ficasses... Mas pelo menos nos primeiros tempos da vidas dos nossos filhos tens de ficar mais em casa que eu não posso tirar uns dias para a paternidade.
-Eu sei e nessa altura faço uma pausa na minha carreira para me dedicar aos nossos filhos... Mas falando em trabalho, queria falar contigo sobre isso.
-Sobre o meu trabalho? Tenho jogo este fim-de-semana em casa, amor.
-Sim, eu sei, vou falar com o Pedro caso ele queira ir ver, mas é sobre o meu trabalho.
-Estás a pensar voltar para o teu antigo trabalho?
-Não, mas recebi 2 propostas de trabalho, ou melhor convites, depois de andar à procura mas nada de especial.
-E então?
-Num bar perto do Caixa há um café e eles precisam de alguém para aos fins-de-semana e pagam o ordenado mínimo, mas também recebi um convite mas é para fazer uma coisa que nem sabia, nem conhecia bem.
-O quê, meu amor? Tu sempre gostaste de desafio.
-Sabes quais vais aos teatros e existe aquelas pessoas que te veem os bilhetes e te levam aos lugares e assim, chama-se frente de sala.
-Sim, eu sabia e essas pessoas chamam-se assistentes.
-Sim... Eu nunca fiz mas deve ser interessante mas é para Setúbal, para o Teatro Luísa Todi... E não tenho ordenado fixo, recebo por cada dia de trabalho, 25€ e se fizer mais que x horas ganho mais, e queria falar contigo sobre isso.
-O que preferes fazer?
-Sabes que se aceitar algumas delas terei menos tempo para ti, para nós, não sabes?
-Sim, eu sei, mas eu só quero o melhor para ti, nós cá arranjamos uma forma de nos vermos na mesma.
-É por isto que gosto tanto de ti, por acreditares em mim... Em nós.
-Bé, vou sempre acreditar enquanto te amar.
-Que fofinho o meu amor, que rimou e tudo!
-Sou um fofo, tens dúvidas?
-Não, nunca as tive. Mas olha... Qual achas que devo aceitar?
-É uma escolha tua, não de mais ninguém, o que posso fazer é ajudar-te.
-E preciso de ajuda...
-Então vamos lá por partes. Fazer frente de sala é algo diferente... Algo que nunca fizeste.
-E pelo contrário, já trabalhei num bar/restaurante.
-Enquanto um é bastante perto de tua casa e não é longe da tua casa, podes sempre ir a pé.
-O outro é um bocado mais distante e tenho de apanhar transportes.
-Só não te irei buscar senão tiver em estágio e se tiver peço a alguém para te ir buscar.
-Fábio, tu és meu namorado, não és meu taxista, nem motorista, a minha mota está na oficina mas tenho transportes e safava-me bem.
-Amo, só quero tratar-te como mereces. - Rita passou-lhe a mão pela face, acariciando-o.
-Eu sei mas não me deves este tipo de coisas, sempre fui muito independente e lutadora, se me fores buscar sempre, tenho medo de perder a minha capacidade de me desenrascar, entendes?
-Está descansada meu amor, eu conheço-te bem, só que, por exemplo, nos dias de chuva e mau tempo não gostava que andasses de moto, ainda para mais se te posso dar boleia.
-Está descansado que nesses dias, eu aceito a tua boleia ou de um amigo teu, e também deves em quando não tem mal ires-me buscar, é um miminho bom! Mas as minhas colegas iam ficar com uma certa inveja minha, sabias?
-Oh meu bem. - Deram um beijo curto. - Elas até podem ter inveja tua mas eu tenho olhos para ti, sabias?
-Amo-te. - Trocaram mais um beijo. - Vamos partilhar com a cidade de Lisboa o nosso amor e Lisboa partilha connosco o nosso charme?
-Vamos. - Deram as mãos e foram até ao carro.

Como irá correr o passeio?

Que proposta de trabalho irá aceitar Rita? Como será o futuro desta relação com o impacto do trabalho dela?

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Capítulo 36: “Porque razão haveria de dizer que te amo se realmente não o sentisse?”


Rita sabia que tudo o que aquelas diziam tinha um fundo de verdade e era o que realmente a magoava, tocaram nos seus medos e receios mais profundos, talvez ele nunca tivesse realmente mudado, talvez ele só a tivesse usado. Era demasiado perturbador pensar que o fizesse tinham já vivido tanto juntos, apesar de se conhecerem à tão pouco tempo... Entregara-lhe a sua primeira vez... E a segunda. Tinha vivido ao seu lado a morte do irmão e era ele o futuro padrinho de batismo de Diana, de quem era madrinha, apesar de ainda não ter decorrido a missa, já tinha data prevista e iriam sê-lo, mesmo que se separassem até lá, não tinha coragem de pedi-lo para não sê-lo e era um ato de egoísmo até pela afilhada que tanto gostava dele. Mas também sabia que ele podia falar e “dar conversa” a outras raparigas, por mais que gostasse de si, e isso magoava-a, porque muitas gostavam dele porque era bonito e fácil, mas ela via o seu interior, via o seu verdadeiro valor, acima de qualquer dinheiro, estatuto social ou dinheiro.

-Deixa estar mana. - Fingiu ter lidado bem com o que ouvira. - Acho que estas raparigas queriam só causar distúrbio e tentar fazer-me ninho atrás da orelha, porque de certeza que tentaram ter algo com o meu namoro e ele não quis.

Ana e Rita saíram de perto das raparigas e foram para as cadeiras e para próximo da família.

-Estás bem?
-Não, não estou. - Desabafou. - Mas isto passa.
-Tudo o que elas te disseram é mentira, sabes bem que o Fábio mudou muito por tua causa.
-E se não for mentira o que elas disseram? E se ele só me usar e não gostar realmente de mim?
-Rita queres maior prova de amor do que as que ele já te deu?
-Tenho medo mana, muito medo. Estamos juntos à tão pouco tempo.
-Mas como tu me ensinaste e bem, ninguém tem nada a ver convosco, vocês é que sabem a que ritmo e velocidade fazem as coisas. E estás a deixar que aquelas raparigas se apoderem de um sentimento lindo e de uma relação fantástica que estão a viver, e tu não podes deixar, tens de ser mais forte que isso.
-Eu sei que tenho de ser mais forte que tudo isso e não posso deixar que ninguém se meta na nossa relação, nem toda a gente quer o nosso melhor, mas não consigo confiar em pleno nele, o medo de me magoar supera a confiança.
-Mas tu entregaste-te a ele de uma forma tão brutal e estavas tão certa...
-Estas raparigas deixaram-me a pensar e logo hoje que é o jantar da equipa dele lá em casa...
-Vais ser apresentada formalmente aos colegas de equipa?
-Não me deixes ainda mais nervosa por favor. - Pediu com medo só de pensar.
-Quer dizer eu também já os conheço da vez em que vim com eles no autocarro desde Braga mas só agora e que sou mesmo namorada...
-Vai correr tudo bem, mas nem ligues às parvoíces deles e assim, lembra-te que os rapazes são sempre assim...
-Eu sei, não têm emenda possível, eu sei. - Sorriram. - Quando tiver um filho lembra-me disso, por favor.
-Por sorte calhou-me uma menina, mas o teu cunhado queria um rapaz...
-Podem sempre tentar tê-lo agora...
-Daqui a uns tempos mana. A Di ainda é pequena.
-Tentar não custa. - Sorriu Rita.

Foram interrompidas pela voz do speaker que disse o 11 inicial do qual Fábio fazia parte, toda a família aplaudiu e ficou orgulhosa do elemento “mais recente” poder demonstrar ao mundo o seu talento.

Rita olhou para o telemóvel e mandou uma mensagem ao seu mais que tudo:

Quero que saibas que estamos todos a torcer por ti, não só hoje como sempre, mostra o que vales e o quanto és apoiado! Amo-te!
PS: E despacha-te a saíres do balneário que a tua afilhada tem saudades tuas e eu também, e ainda temos muito para fazer hoje! Beijinhos:) ”

Decidiu não dizer-lhe que precisavam de falar porque naquele momento ele precisava de concentração ao máximo no jogo e não queria de todo distraí-lo depois abriu a mensagem que ele lhe mandara:

Está descansada que hoje para o jantar só vão alguns... Às 20:30 em minha casa já combinei com eles! Vai o Cancelo, o Teixeira, o Bernardo, o Varela, o Ivan e o Hélder... Mas vais ser apresentada como namorada senão te importares e aceitares este passo. Beijos e amo-te! Se marcar vais ter uma surpresa :) ”

Rita respirou fundo e sorriu mas no fundo sentia o mundo ruir mesmo debaixo dos seus pés. Não poderia simplesmente afastar-se dele, já o amava e a distância não iria mudá-lo, mas também como dizer ao homem que tanto fizera por ela que estava com dúvidas? Não seria fácil mas o medo de perdê-lo também a assombrava… Queria que ele fosse feliz acima de tudo, mas e se ele realmente não fosse feliz com ela?

A pequena Diana, talvez com um instinto infantil que acaba por dissipar-se com a idade, captou a desatenção da madrinha e consequentemente os seus pensamentos que estavam demasiado distantes e esticou-lhe os braços e a madrinha pegou nela ao colo e começaram a brincar, a pequena brincou com ela até a animar… Ou pelo menos até ao final do jogo. A bebé de vez em quando tomava atenção ao jogo e sempre muito atenta quando ouvia na bancada o nome do padrinho ou ele a dar indicações ao resto da equipa, e de vez em quando para observar o jogo, mas quando não estava, a madrinha tratava dela, mesmo que um olho fosse pela afilhada e outro pelo padrinho da afilhada. Quando o jogo terminou, com uma vitória para a equipa de encarnado, saíram da bancada e foram até à saída da equipa, e alguns minutos aparece um senhor junto a Rita e à pequena Diana.

-Rita Madeira?
-Sim?
-O Fábio pediu para a chamar. – Rita pegou na afilhada ao colo e decidiu seguir o senhor.
-Lamento, mas a pequena tem de ficar aqui.
-Mas é nossa afilhada.
-Lamento mas terá de ser.

Rita deu um beijo na afilhada e deixou-a no colo da irmã e seguiu o senhor até ao carro do seu namorado, onde ele a esperava encostado à porta do condutor no seu carro, aproximou-se mas não o beijou.

-Pedi-te para chamar porque quero que saibam que és minha e só minha e tenho muito orgulho em ti e no que estamos a construir, mas já percebi que algo não está bem, que se passa?
-Umas raparigas vieram ter comigo e perguntaram-me se era tua namorada, eu disse que sim, e disseram-me que tinhas fama de mulherengo, e que as pessoas não mudam, acabam por se revelar, e que um delas, ou uma amiga delas chegou a falar algum tempo contigo há uns tempos… E que era fácil dar-te a volta.

Fábio aproximou-se dela e deu-lhe um beijo na testa, e pousou a mão no fundo das suas costas.

-É verdade que antes de te conhecer falava há uns tempos com uma rapariga, mas quando comecei a perceber o que sentia por ti, deixei de lhe responder e expliquei-lhe, e ela entendeu perfeitamente, e além disso, deixei de falar com toda e qualquer rapariga que tivesse segundas intenções, só tive aquele caso com aquela rapariga que tu bem sabes mas nessa altura nem sequer sabia o que sentia por ti. E desde que começamos a namorar que deixei de falar com todas as raparigas que tivessem outra intenção além da amizade, só falo mesmo com raparigas que considero verdadeiramente amigas, e são poucas.
-E se essas raparigas tiverem outras intenções que não tenhas percebido?
-Para ti todas as raparigas têm segundas intenções comigo, não podes ser tão insegura de ti, nem de mim e além do mais, porque razão haveria de dizer que te amo se realmente não o sentisse? Explica-me por favor, pequena.
-Não faço ideia, de verdade que não. – Encostou a sua cabeça e as mãos ao peito de Fábio. – Ainda tenho um medo estúpido de te perder e de me magoar.
-Quando tiveres a sentir-se assim, vens ter comigo e falamos, está bem? Não quero que guardes nada para ti, e podes sempre vir falar. Não me vou fartar de te dizer que te amo e que não precisas das tuas inseguranças e acalmá-las.
-Desculpa.

Fábio deu-lhe um beijo na testa e sussurrou:

-Podes sempre contar comigo, somos namorados e amigos, somos padrinhos e companheiros, lembras-te?
-Não me vou esquecer mais. Obrigado meu amor. – Deram um beijo sentido e romântico. – Mas sabes quem vai mexer o rabo e vamos embora? Está toda a família à nossa espera lá fora.
-Vamos.
-Amor, porque é que a Di não pode entrar comigo?
-Porque pedi para te chamarem para matar saudades e pelos vistos encararam isso como uma proibição para a Di, não sei.
-Está bem, então vamos lá embora.
-Mas primeiro, um último beijo.

Fábio aproximou-se de Rita e deu-lhe um beijo de cortar a respiração.

-Uau.
-Foi um beijo para matar as saudades.

Dito isto entraram no carro e seguiram viagem, pelo menos até se cruzarem com a família dela…

-Tanto tempo, princesas? – Perguntou Ana.
-Tivemos a matar saudades. – Responderam Rita e Fábio em coro.
-E onde vão agora os pombinhos? – Desta vez foi Ruben, o cunhado de Rita.
-Vamos fazer umas compras lá para casa que hoje vamos fazer um jantar para alguns colegas de equipa do Fábio, pudemos levar a Di, por favor? Por favor?
-Mas vocês nem têm cadeirinha no carro.
-Ai é que te enganas caríssima cunhada. – Interceptou Fábio. – O banco de trás tem uma cadeirinha para a princesa Di, por de rosa e tudo, podes espreitar.

Aproximaram-se do carro e Ana ficou sem resposta. Rita saiu do carro e foi para o banco traseiro e colocou o cinto na afilhada. – Quando acabarmos as compras, levamo-la a vossa casa, sem problema! Beijos! – Dito isto Fábio arrancou e foram às compras ao centro comercial mais próximo, onde não bastou os alimentos para o jantar mas também foram alguns mimos para a afilhada de ambos… Afinal tinham de a mimar.

 
Quando terminaram de fazer as compras para o jantar e dar os últimos mimos em forma de prenda a Di, levaram-na a casa e foram até a um pequeno descampado onde ela iria ter as primeiras aulas de condução... Ou pelo menos umas bases que ele lhe daria para aprender a conduzir um carro.

-Amor, tenho uma coisa para te contar. - Disse quando Fábio parou o carro no descampado perto de casa deles.
-Tomaste a pílula do dia seguinte não tomaste? Ainda tens de completar o secundário e depois a faculdade e só depois é que pensamos nos mini-Madeira Cardoso.
-Está descansado que tomei, e também tomo a pílula, e era isso que te queria contar... E algo mais.
-Diz-me.
-Como comecei a tomar a pílula, não pudemos fazer amor no próximo mês... Ordens do médico. - Fábio olhou para ela surpreso e sem chão. Um mês? Um mês! Ficou branco de surpresa. - A tua reação foi impagável! Devia ter filmado! - Rita não conseguia controlar o riso. -Não acredito que caíste nesta!
-A minha namorada é uma pessoa muito engraçada! - Ficou amuado e cruzou os braços sobre o peito.
-Ainda tinhas dúvidas?
-Não achei piada, sabes?
-Acho que te devia compensar. - Sussurrou-lhe ao ouvido.
-E como me compensarias?

Rita puxou o banco de Fábio para trás e sentou-se sobre o seu colo com uma agilidade que ele não lhe conhecia.

-De uma forma que tão bem conhecias antes de mim.
-É impressão minha ou andas mais atrevida e solta?

Rita mordeu o lábio e ele não lhe resistiu, agarrou e começou a beijá-la nos lábios com desejo e intensidade.

-Não precisas de ficar nervosa.
-Sabes que vou continuar nervosa sempre que o fizermos... Pelo menos nos primeiros tempos.
-Então pudemos simplesmente não o fazer, não quero que te sintas pressionada.
-Fábio, eu quero. - E deu-lhe um beijo na ponta do nariz. - Quero experimentar coisas novas desde o começo.
-Rita, temos de mudar de posições a partir do momento em que o fazemos neste carro, porque nenhum de nós cabe deitado neste carro.
-E não achas que corremos perigo de sermos apanhados a fazer isto? Aqui?
-O perigo excita-me, sabias?
-Eu ainda não sei o que me excita. - Baixou a cabeça envergonhada.
-Com o tempo e a experiência, vamos acabar por descobrir o melhor e o pior de cada um, e vamos fazer tudo com calma para saborearmos tudo.
-Sim, quer dizer... Acho que sim. - Sorriu. - O que achaste da nossa primeira vez, depois daquela primeira vez?
-Queres dizer o que achei da nossa segunda vez? - Deu-lhe um sorriso que a fez corar pelo seu ar infantil e matreiro.
-Sim, mas começa tu. Por favor.
-Bem, primeiro que tudo uau. Eu já tinha feito sexo, mas ontem eu descobri a diferença entre sexo e amor e embora fisicamente sejam a mesma coisa, emocionalmente são completamente diferentes. Quando fazes sexo, é apenas o orgasmo que queres atingir, a partir daí, são duas pessoas, vestem-se sozinhas e tentam nem olhar um para o outro, porque o que queriam está feito, apenas e só. Quando fazes amor é tudo completamente diferente. É quando duas almas se tocam, se juntam, é quando te entregas de uma forma que nunca pensei vir a ser possível, é quando deixam de ser duas pessoas e passam apenas a ser uma. E quando tu sabes que a partir daí a vida nunca mais será a mesma.
Rita deu-lhe um beijo carinhoso nos lábios.
-Obrigada por me aceitares a minha inexperiência.
-Vamos tornar a tua inexperiência em experiência?
-Queres mesmo estrear aqueles estofos não queres?
-Nunca os estreaste?
-Não, mas estou disposto a tal.

Foram juntos até ao banco traseiro e fizeram o que tanto haviam conversado... De seguida foram até casa onde tomaram um banho rápido porque não tardava até chegarem os convidados. O melhor seria encomendar pizzas e foi mesmo o que optaram por fazer. Pouco depois de encomendarem, começaram a chegar os convidados: primeiramente foi João Cancelo que vinha acompanhado de João Teixeira, depois Bernardo Silva, que vinha sozinho e por último vinham os colegas que faltam, Bruno Varela, Ivan Cavaleiro e Hélder Costa. Quando todos se sentaram nos sofás da sala de estar de Fábio

-Meninos espero que não se importem mas encomendamos pizzas.

Nenhum deles prestou atenção ao que ela disse e continuaram concentrados no jogo que jogavam na Play Station e ela sentou-se junto a Fábio que estava a brincar com as “três bolas a seco” que Bernardo levava de Ivan. E assim ficaram durante uns minutos até que se ouviu a campainha tocar, e ela levantou-se para ir abrir. Com certeza era as pizzas. Mas assim que ia pagar, uma mão esticou-se na parte de trás e pagou as dez pizzas familiares. Olhou para trás e era Fábio. Fecharam a porta e pousaram as pizzas na bancada.

-Eu ia pagar a pizza.
-Mas quem convidou fui eu.
-Fábio, eu posso não trabalhar mas ainda tenho algum dinheiro, não quero que pagues tudo, não seria justo.
-Desta vez paguei eu, para a próxima logo se vê, contente?
-Sim. - Sentou-se em cima da bancada junto às pizzas. - Achas que me consegues pegar ao colo?
-Fácil. - Sorriu e pegou nela, ela apertou as pernas e os braços no corpo dele e deram uma volta à cozinha e ele voltou a pousá-la na bancada. - Sabes qual é a coisa mais apetitosa desta bancada?
-As pizzas. - Pegou nelas e fugiu para a sala. - Meninos, jantar!
Rita havia dito que dez pizzas para todos era um verdadeiro abuso... Mas calou-se quando se deparou que eles haviam comido tudo, mas mesmo assim conseguiu tirar 3 fatias de pizza, o que era o que normalmente comia para o jantar, e cada um deles tinha comido pelo menos o dobro! Depois de encerrarem o torneio, com uma vitória de Fábio sobre todos e dedicara-a a Rita, acabaram por se ir embora e deixarem o casal sozinho, onde acabaram por adormecer no sofá, cansados.

(Passado dois dias)
Rita tinha aulas em mais uma segunda-feira e Fábio tinha treino e quando terminasse iria buscá-la e iriam almoçar juntos e aproveitar para fazer umas arrumações em casa. Assim que Fábio estacionou o carro ao pé da escola da namorada não acreditou no que os seus olhos viam... Não, ele simplesmente não poderia estar ali. Ele não poderia simplesmente voltar quando Fábio começava a acalmar os demónios e a tornar as inseguranças de Rita em seguranças, não depois deles estarem juntos há pouco tempo, mas terem vivido tanto e estarem numa fase tão boa. Não. Tiago poderia ir a todos os lados mas não poderia estar ali. Não faria bem a Rita, nem à relação que ela tinha com Fábio. E as inseguranças de Fábio começavam a ganhar voz, tinha medo que ela o deixasse para voltar aquele rapaz que tanto a magoara. Mas talvez fizesse bem a Rita falar com ele, mas e senão fizesse? Será que devia deixá-lo ir falar com Rita ou deveria intervir para o proibir? Saiu do carro mostrando a sua presença, e Tiago viu-o. Assim que Rita saiu da escola, e se deparou com Tiago, que gelou. Não tendo reação possível e Fábio estava pronto para avançar, deu dois passos largos mas Tiago que estava mais próximo da rapariga, aproximou-se dela e disse:
-Precisamos de falar.

Será que Fábio vai impedir?

Será que Rita vai aceitar falar? O que terá Tiago para dizer a Rita?