terça-feira, 19 de abril de 2016

Capítulo 37: “Quantas vezes preciso de te dizer que tu, e só tu, és o meu presente?”


Fábio tinha de reagir... Sabia bem que tinha de o fazer, não se tratava de controlar os seus ciúmes ou de afastar o único rapaz que o fazia sentir-se inseguro quanto à sua namorada, desta vez não se tratava dele, tratava-se apenas e só de Rita.
Tiago iria magoá-la, iria desiludi-la, iria destruir o que Fábio tanto tentara reconstruir. Não, ele não podia chegar ali e mudar tudo! Respirou fundo e aproximou-se do ex-casal mas apenas com intuito de proteger a sua amada, ela já havia sofrido o suficiente.

-Precisas de ajuda, meu amor?
Pela primeira vez, Rita reagiu. Fábio estava ali para protegê-la e isso dava-lhe segurança.
-O Tiago quer falar comigo, e como eu e o Fábio não temos segredos... Fala Tiago.
-Por favor Rita, eu quero falar só contigo, mais tarde podes contar-lhe mas peço-te, por favor, para sermos só os dois.
-Ainda não entendeste o que ela disse ou queres um desenho? - Rita nunca tinha visto o seu namorado tão irritado mas conseguia compreender o porquê dele estar assim e sabia que tinha de tomar uma atitude para não descambar aquela conversa.

-Fábio vai andando para casa, já lá vou ter contigo, mais tarde conto-te tudo.
-Tens a certeza?
-Sim, vai almoçar e eu também vou almoçar com ele mas não demoro.
-Rita...
-Confia em mim. - Fábio assentiu com a cabeça e lançou um último olhar furioso a Tiago na tentativa de o intimidar.

-Amo-te pequena.
-Também te amo, boneco.

Fábio assentiu com a cabeça e foi-se embora, respeitando o pedido de Rita mas nunca descansado, confiava nela mas tinha medo do que ele pudesse fazer... Ou tentar.

-Podes falar.
-Em primeiro lugar, desculpa.
-Tiago, acabou tudo entre nós, superei-te e sou feliz agora.
-Eu sei que terminou. - Baixou a cabeça demonstrando mágoa. - E sei que fui eu que fiz porcaria e a culpa foi única e exclusivamente minha e que não estás ainda comigo porque eu te perdi. - Rita começou a sentir o peso abalar o coração, o seu grande coração era também um ponto fraco e ele sabia-o. - Mas também sei que não o merecias o que te fiz passar e que podia ter evitado tudo isto, e por isso, mesmo que te peça desculpa não vou apagar a merda que fiz e ter-te de volta.
-Acredita que não me vais recuperar Tiago, assim como tens a Adriana, eu tenho o Fábio.
-Já não estou com a Adriana.
-Pois bem me parecia que esta conversa não era em vão.
-Não sejas assim, não tenho qualquer tipo de segunda intenção contigo.
-Não foi isso que pareceu e também não quero saber, já disseste o que tinhas a dizer e eu também, portanto dá-me licença.

Rita deixou Tiago para trás e caminho em direção a casa, mas não aguentou as lágrimas e deixou-as cair sobre o rosto. Caminhou rapidamente quase a correr até casa e era mais que óbvio que Fábio estava em casa dela, e assim foi, abriu a porta e correu até à sala onde Fábio estava e pousou a cabeça no seu peito, ainda com lágrimas a cairem-lhe pela cara e com o coração apertado.

-Eu vou atrás daquele atrasado mental, juro que vou, se o apanhar até o desfaço!
-Por favor Fábio, fica aqui comigo, preciso de ti!
-E eu de ti, e vou sempre precisar. - Abraçou-a e deu-lhe um beijo na testa.
-Acalma-te e explica-me o que se passou, por favor.

Rita encostou a sua cabeça nas pernas de Fábio que lhe passava os dedos pelos fios de cabelo e assim continuou até ela se sentir mais calma e pronta para falar sobre o que se havia passado.

-O Tiago veio ter comigo e queria pedir-me desculpa, desculpa por tudo o que me fez passar e pelo que sofri por ele. Mas também me disse que já não está com a Adriana.. E eu percebi logo as intenções dele, Fábio. Ele quer-me a mim. De volta. Ele diz que não, mas eu percebi. E vim-me embora, eu não quero perder-te e muito menos trocar-te por ele. - Ela sentou-se ao lado dele e olhou-o nos olhos. - Sabes no fundo, só queria mostrar-lhe que estou realmente feliz contigo, ele teve uma oportunidade e desperdiçou-a, e tu... Eu dificultei-te a vida e tu não desististe.
-Acho que me deixei encantar por ti no primeiro olhar e um anjinho no ombro me gritou para não te desperdiçar!
-Preciso de falar contigo sobre hoje... Sobre o Tiago.

A postura de Fábio mudou, tornou as expressões mais duras e endireitou-se no sofá, deixando de tocar na namorada.

-Que foi? - Respondeu rudemente.
-Não precisas de ser rude e bruto, Fábio Rafael! - Rita não guardava para si alguns comentários. - Quantas vezes preciso de te dizer que tu e só tu, és o meu presente?
-Sabes os terríveis ciúmes que nutres pelas minhas amigas? É a mesma resposta! - Rita não aguentou ouvir aqueles argumentos.
-Fábio, põe-te nas Cátias, por amor de Deus! - Dito isto, e ainda revoltada, foi para o quarto onde fechou a porta e encostou-se a ela.
-Rita? - Bateu à porta do quarto da amada.
-Vai-te embora, deixa-me em paz, por favor!

Rita fazia um esforço para não chorar mas sabia que ele iria ser mais forte que ela.

-Põe-te nas Cátias? A sério, Rita? Explica-me esse insulto ou o que quer que tenha sido!

Ela riu-se e ele percebeu e riu-se também.

-Já te passou o amuo ou já me podes abrir a porta?
-Não te vou abrir a porta, preciso de espaço!
-Achas que uma porta a separar-nos é espaço suficiente!
-Estou a tentar ficar chateada contigo e tu só me fazes rir.
-Só quero fazer com que cedas, abras a porta para falarmos.
-Já estamos a falar. - Que teimosia, pensou Fábio.
-Não é este tipo de conversa, Maria Rita
-Cortamos relações! - Disse divertida. - Que me queres?
-Não tínhamos cortado relações?
-E cortamos, eu tenho o meu lado da relação, as calças deste lado e tu tens a saia desse! - Ambos se riram.
-Logo agora que tinha uma canção para te cantar!
-Não faças isso! - Pediu brincando com a situação. Ele ignorou o pedido dela.

It's too hard to sleep (É tão difícil dormir)
I got these sheets on the floor (Os lençóis estão no chão)
Nothing on me (Não tenho nada vestido)
And I can't take it no more (E não consigo aguentar mais)
It's a hundred degrees (Estão 100º graus)

I got one foot out the door (Tenho um pé fora da porta)
Where are my keys (Onde estão as minhas chaves?)
'Cause I gotta leave, yeah (Porque quero sair, yeah)

In the back of the cab (Na parte de trás do táxi)
I tip the driver ahead of time (Paguei a gorjeta ao taxista antecipadamente)
Get me there fast (Leve-me lá rápido)
I got your body on my mind (Tenho o teu corpo na minha mente)
I want it bad (Quero-o tanto)

Oh just the thought of you (Só de pensar em ti)
Gets me so high (Já me deixa louco)
So high (Todo louco)

Girl, you're the one (Mulher, tu és a única)
I want to want me (Que eu quero que me queira)
And if you want, then girl you got me (E se me quiseres, tu tens-me)
There's nothing I, no I wouldn't do (Não há nada que não farei)
(I wouldn't do) (Que não farei)
Just to get up next to you (Apenas para acordar do teu lado)

Girl, you're the one (Mulher, tu és a única)
I want to want me (Que eu quero que me queira)
And if you want, then girl you got me (E se me quiseres, tu tens-me)
There's nothing I, no I wouldn't do (Não há nada que não farei)
(I wouldn't do) (Que não farei)
Just to get up next to you (Apenas para acordar do teu lado)
Just to get up next to you (Apenas para acordar do teu lado)

You open the door (Tu abres a porta)
Wearing nothing but a smile (Com nada menos que um sorriso)
Fell to the floor (Vamos ao chão)
And your whisper in my ear (E sussurrares ao meu ouvido)
Baby I'm yours” (Bebé, sou teu)
Oh, just the thought of you gets me so high (Oh, apenas de pensar que me queres deixa-me tão louco)
So high (so high) (Tão louco (Tão louco)

Rita não resistiu, abriu a porta e sorriu-lhe, mas não disse o que ele esperava.

-Já paraste de cantar para bem da minha saúde mental e para bem da saúde dos meus ouvidos? - Ele sorriu e aproximou-se dela. - Não sou fácil, Fábio.
-Apaixonei-me pelo teu lado respondão e teimoso, sabias?
-Estou a tentar ter um desentendimento sério contigo, importaste?
-Força! - Ele olhou para ela desafiando-a mas ela não conseguiu.
-Não consigo pensar em nada, ouvir-te cantar deu cabo do meu raciocínio!
-Mas eu ainda consigo pensar e lembro-me que quero um beijo teu.
Ele aproximou-se dela e estava pronto para roubar-lhe um beijo, mas ela antecipou-se e afastou-se.
-Com que então tu queres que eu te queira?
-Era o que a música dizia... - Respondeu. - Mas não é no sentido perverso... Quero que me desejes, quero que me queiras na tua vida, quero que me queiras chamar-me de teu namorado, quero que sintas o amor louco que eu sinto por ti, quero que tu me queiras. - Ela não resistiu, chegou ao pé dele e beijou-o.
-Amo-te parvo.
-Amo-te difícil.
-Fábio. - Disse ela tentando ganhar coragem para o que ia dizer. - Sabes o que dizem da perfeição?
-Que não existe... Ou melhor, que sou eu! - Sorriu provocando-a.
-Que a prática leva à perfeição. - Disse dando-lhe um beijo no pescoço... E outro... E outro... -E sabes que livro gostaria de ter na minha mesinha de cabeceira?
-Rita... - A conversa estava animada e Fábio já tremia sabendo bem o que ela queria e ele desejava.
-E want you to want me. - Sussurrou em formato de música ao seu ouvido. - But in my bath, I want to try again in my jacuzzi bath.
-Oh go!
-Please make me stop or god please continue?
-I don't have words to say, my love, I want to try with you and only you.
-Podes continuar tu que eu vou passear por Lisboa, beijo. - Deu-lhe um beijo na testa e fugiu de onde estava deixando-o claramente de “cabeça levantada”, e Fábio apesar disso sorriu, era incrível a sua forma de ser e a maneira como o fazia feliz mesmo com coisas simples, sabia-o provocar e apesar de terem passado algumas raparigas pela sua vida, nenhuma lhe tinha dado o que Rita dera e sabia provocá-lo como ela. Estava ainda mais apaixonado por ela desde o primeiro dia e tinha a certeza que se iria apaixonar ainda mais, cada dia mais. Pegou na chave de sua casa e foi até ela onde tinha de tomar um banho de água fria... Para ver se passava o “pequeno problema”: Tentou não demorar até porque não sabia para onde Rita tinha fugido mas foi ela que o surpreendeu.

-Amor? - Disse ela entrando na casa de banho onde o viu despido e tapou os olhos. - Eu sei que já te vi despido e já fizemos amor algumas vezes mas continua a ser constrangedor ver-te despido.
-Mas no entanto sabes-me provocar e bem!
-Não sabia que conseguia pôr-te a cabeça em pé com tão pouco!
-Tu pões-me as cabeças em pé!
-Que parvo! E tu puseste a minha em pé por não saber de ti, deixei-te na minha casa e de repente já estás aqui, na tua casa, a tomar banho e eu a falar de olhos fechados contigo!
-Já podes abrir!
- Ela abriu ligeiramente os olhos e pode ver que ele já escondera o que ainda lhe era difícil ver mas tinha apenas uma toalha a cobrir-lhe a cintura, ficando com o corpo à mostra.
-E eu é que provoco!
-Cá se fazem cá se pagam! - Deu-lhe um beijo na testa.
-Não vês que assim me molhas a roupa toda, Fábio?
-Já te disse que gosto de ver-te sem ela?
-Tu gostas é de me picar!
-Adoro. - Confessou. -E porque razão a menina quer ir passear por Lisboa?
-Porque adoro a cidade e nunca passei por lá contigo!
-Quem diria que um natural de Águeda, Aveiro e uma natural de Coimbra se iriam conhecer por Lisboa e se apaixonarem?
-Não nos conhecemos em Lisboa, que eu saiba o Seixal até é distrito de Setúbal!
-Era uma forma de parecer mais romântico, amor!
-Eu perdoou-te a falta de boa geografia se me levares a Lisboa, no teu fantástico carro e se me pagares uns pastéis de Belém.
-É gomas, é pastéis, já foi Mc'Donalds e pizzas, daqui a bocado é chocolate, diz-me logo que me queres ver mais gordo!
-Os chocolates fazem-me borbulhas, dificilmente me verias a comer!
-Mas não deixam de ser bons, afinal eu também te ponho os cabelos em pé e tu amas-me na mesma.
-E nunca vou deixar de amar, vou ter uma filha com o mesmo nome que tu para ser a fotocópia chapada da mãe!
-E tu conseguias aturar duas pessoas iguais? Eu já sou difícil.
-Aturava, mas a ela nenhum rapaz se ia aproximar, garanto-te, contigo estou descansado, tenho-te só para mim.
-Aposto que és daqueles que pensa que a filha vai virgem para o casamento!
-E irá, senão desfaço o culpado!
-Não te fazia tão antiquado e além do mais, que eu sabia nenhum dos dois vai virgem para o casamento, aliás já vamos com anos de experiência.
-Depende do tempo que nos afastar do casamento. Pode ser daqui a 6 meses como daqui a 10 anos.
-Não me quero casar com 18 anos, Fábio Rafael!
-E com 28?
-Tudo bem... Olha queria fala contigo sobre uma coisa.
-Sim, já sabes que me quero casar e que gostava de ter filho, primeiro rapazes para me ajudar a tomar conta da irmã Rita.
-Queres uma família tipo os Beckham?
-Se quiseres ter mais de quatro..
-Depois rebolo, e sabes eu gostava de ter uma vida profissional, não me vejo a ser a típica mulher de jogador de futebol sentada em casa sem fazer nada.
-Nem eu imaginava que ficasses... Mas pelo menos nos primeiros tempos da vidas dos nossos filhos tens de ficar mais em casa que eu não posso tirar uns dias para a paternidade.
-Eu sei e nessa altura faço uma pausa na minha carreira para me dedicar aos nossos filhos... Mas falando em trabalho, queria falar contigo sobre isso.
-Sobre o meu trabalho? Tenho jogo este fim-de-semana em casa, amor.
-Sim, eu sei, vou falar com o Pedro caso ele queira ir ver, mas é sobre o meu trabalho.
-Estás a pensar voltar para o teu antigo trabalho?
-Não, mas recebi 2 propostas de trabalho, ou melhor convites, depois de andar à procura mas nada de especial.
-E então?
-Num bar perto do Caixa há um café e eles precisam de alguém para aos fins-de-semana e pagam o ordenado mínimo, mas também recebi um convite mas é para fazer uma coisa que nem sabia, nem conhecia bem.
-O quê, meu amor? Tu sempre gostaste de desafio.
-Sabes quais vais aos teatros e existe aquelas pessoas que te veem os bilhetes e te levam aos lugares e assim, chama-se frente de sala.
-Sim, eu sabia e essas pessoas chamam-se assistentes.
-Sim... Eu nunca fiz mas deve ser interessante mas é para Setúbal, para o Teatro Luísa Todi... E não tenho ordenado fixo, recebo por cada dia de trabalho, 25€ e se fizer mais que x horas ganho mais, e queria falar contigo sobre isso.
-O que preferes fazer?
-Sabes que se aceitar algumas delas terei menos tempo para ti, para nós, não sabes?
-Sim, eu sei, mas eu só quero o melhor para ti, nós cá arranjamos uma forma de nos vermos na mesma.
-É por isto que gosto tanto de ti, por acreditares em mim... Em nós.
-Bé, vou sempre acreditar enquanto te amar.
-Que fofinho o meu amor, que rimou e tudo!
-Sou um fofo, tens dúvidas?
-Não, nunca as tive. Mas olha... Qual achas que devo aceitar?
-É uma escolha tua, não de mais ninguém, o que posso fazer é ajudar-te.
-E preciso de ajuda...
-Então vamos lá por partes. Fazer frente de sala é algo diferente... Algo que nunca fizeste.
-E pelo contrário, já trabalhei num bar/restaurante.
-Enquanto um é bastante perto de tua casa e não é longe da tua casa, podes sempre ir a pé.
-O outro é um bocado mais distante e tenho de apanhar transportes.
-Só não te irei buscar senão tiver em estágio e se tiver peço a alguém para te ir buscar.
-Fábio, tu és meu namorado, não és meu taxista, nem motorista, a minha mota está na oficina mas tenho transportes e safava-me bem.
-Amo, só quero tratar-te como mereces. - Rita passou-lhe a mão pela face, acariciando-o.
-Eu sei mas não me deves este tipo de coisas, sempre fui muito independente e lutadora, se me fores buscar sempre, tenho medo de perder a minha capacidade de me desenrascar, entendes?
-Está descansada meu amor, eu conheço-te bem, só que, por exemplo, nos dias de chuva e mau tempo não gostava que andasses de moto, ainda para mais se te posso dar boleia.
-Está descansado que nesses dias, eu aceito a tua boleia ou de um amigo teu, e também deves em quando não tem mal ires-me buscar, é um miminho bom! Mas as minhas colegas iam ficar com uma certa inveja minha, sabias?
-Oh meu bem. - Deram um beijo curto. - Elas até podem ter inveja tua mas eu tenho olhos para ti, sabias?
-Amo-te. - Trocaram mais um beijo. - Vamos partilhar com a cidade de Lisboa o nosso amor e Lisboa partilha connosco o nosso charme?
-Vamos. - Deram as mãos e foram até ao carro.

Como irá correr o passeio?

Que proposta de trabalho irá aceitar Rita? Como será o futuro desta relação com o impacto do trabalho dela?

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Capítulo 36: “Porque razão haveria de dizer que te amo se realmente não o sentisse?”


Rita sabia que tudo o que aquelas diziam tinha um fundo de verdade e era o que realmente a magoava, tocaram nos seus medos e receios mais profundos, talvez ele nunca tivesse realmente mudado, talvez ele só a tivesse usado. Era demasiado perturbador pensar que o fizesse tinham já vivido tanto juntos, apesar de se conhecerem à tão pouco tempo... Entregara-lhe a sua primeira vez... E a segunda. Tinha vivido ao seu lado a morte do irmão e era ele o futuro padrinho de batismo de Diana, de quem era madrinha, apesar de ainda não ter decorrido a missa, já tinha data prevista e iriam sê-lo, mesmo que se separassem até lá, não tinha coragem de pedi-lo para não sê-lo e era um ato de egoísmo até pela afilhada que tanto gostava dele. Mas também sabia que ele podia falar e “dar conversa” a outras raparigas, por mais que gostasse de si, e isso magoava-a, porque muitas gostavam dele porque era bonito e fácil, mas ela via o seu interior, via o seu verdadeiro valor, acima de qualquer dinheiro, estatuto social ou dinheiro.

-Deixa estar mana. - Fingiu ter lidado bem com o que ouvira. - Acho que estas raparigas queriam só causar distúrbio e tentar fazer-me ninho atrás da orelha, porque de certeza que tentaram ter algo com o meu namoro e ele não quis.

Ana e Rita saíram de perto das raparigas e foram para as cadeiras e para próximo da família.

-Estás bem?
-Não, não estou. - Desabafou. - Mas isto passa.
-Tudo o que elas te disseram é mentira, sabes bem que o Fábio mudou muito por tua causa.
-E se não for mentira o que elas disseram? E se ele só me usar e não gostar realmente de mim?
-Rita queres maior prova de amor do que as que ele já te deu?
-Tenho medo mana, muito medo. Estamos juntos à tão pouco tempo.
-Mas como tu me ensinaste e bem, ninguém tem nada a ver convosco, vocês é que sabem a que ritmo e velocidade fazem as coisas. E estás a deixar que aquelas raparigas se apoderem de um sentimento lindo e de uma relação fantástica que estão a viver, e tu não podes deixar, tens de ser mais forte que isso.
-Eu sei que tenho de ser mais forte que tudo isso e não posso deixar que ninguém se meta na nossa relação, nem toda a gente quer o nosso melhor, mas não consigo confiar em pleno nele, o medo de me magoar supera a confiança.
-Mas tu entregaste-te a ele de uma forma tão brutal e estavas tão certa...
-Estas raparigas deixaram-me a pensar e logo hoje que é o jantar da equipa dele lá em casa...
-Vais ser apresentada formalmente aos colegas de equipa?
-Não me deixes ainda mais nervosa por favor. - Pediu com medo só de pensar.
-Quer dizer eu também já os conheço da vez em que vim com eles no autocarro desde Braga mas só agora e que sou mesmo namorada...
-Vai correr tudo bem, mas nem ligues às parvoíces deles e assim, lembra-te que os rapazes são sempre assim...
-Eu sei, não têm emenda possível, eu sei. - Sorriram. - Quando tiver um filho lembra-me disso, por favor.
-Por sorte calhou-me uma menina, mas o teu cunhado queria um rapaz...
-Podem sempre tentar tê-lo agora...
-Daqui a uns tempos mana. A Di ainda é pequena.
-Tentar não custa. - Sorriu Rita.

Foram interrompidas pela voz do speaker que disse o 11 inicial do qual Fábio fazia parte, toda a família aplaudiu e ficou orgulhosa do elemento “mais recente” poder demonstrar ao mundo o seu talento.

Rita olhou para o telemóvel e mandou uma mensagem ao seu mais que tudo:

Quero que saibas que estamos todos a torcer por ti, não só hoje como sempre, mostra o que vales e o quanto és apoiado! Amo-te!
PS: E despacha-te a saíres do balneário que a tua afilhada tem saudades tuas e eu também, e ainda temos muito para fazer hoje! Beijinhos:) ”

Decidiu não dizer-lhe que precisavam de falar porque naquele momento ele precisava de concentração ao máximo no jogo e não queria de todo distraí-lo depois abriu a mensagem que ele lhe mandara:

Está descansada que hoje para o jantar só vão alguns... Às 20:30 em minha casa já combinei com eles! Vai o Cancelo, o Teixeira, o Bernardo, o Varela, o Ivan e o Hélder... Mas vais ser apresentada como namorada senão te importares e aceitares este passo. Beijos e amo-te! Se marcar vais ter uma surpresa :) ”

Rita respirou fundo e sorriu mas no fundo sentia o mundo ruir mesmo debaixo dos seus pés. Não poderia simplesmente afastar-se dele, já o amava e a distância não iria mudá-lo, mas também como dizer ao homem que tanto fizera por ela que estava com dúvidas? Não seria fácil mas o medo de perdê-lo também a assombrava… Queria que ele fosse feliz acima de tudo, mas e se ele realmente não fosse feliz com ela?

A pequena Diana, talvez com um instinto infantil que acaba por dissipar-se com a idade, captou a desatenção da madrinha e consequentemente os seus pensamentos que estavam demasiado distantes e esticou-lhe os braços e a madrinha pegou nela ao colo e começaram a brincar, a pequena brincou com ela até a animar… Ou pelo menos até ao final do jogo. A bebé de vez em quando tomava atenção ao jogo e sempre muito atenta quando ouvia na bancada o nome do padrinho ou ele a dar indicações ao resto da equipa, e de vez em quando para observar o jogo, mas quando não estava, a madrinha tratava dela, mesmo que um olho fosse pela afilhada e outro pelo padrinho da afilhada. Quando o jogo terminou, com uma vitória para a equipa de encarnado, saíram da bancada e foram até à saída da equipa, e alguns minutos aparece um senhor junto a Rita e à pequena Diana.

-Rita Madeira?
-Sim?
-O Fábio pediu para a chamar. – Rita pegou na afilhada ao colo e decidiu seguir o senhor.
-Lamento, mas a pequena tem de ficar aqui.
-Mas é nossa afilhada.
-Lamento mas terá de ser.

Rita deu um beijo na afilhada e deixou-a no colo da irmã e seguiu o senhor até ao carro do seu namorado, onde ele a esperava encostado à porta do condutor no seu carro, aproximou-se mas não o beijou.

-Pedi-te para chamar porque quero que saibam que és minha e só minha e tenho muito orgulho em ti e no que estamos a construir, mas já percebi que algo não está bem, que se passa?
-Umas raparigas vieram ter comigo e perguntaram-me se era tua namorada, eu disse que sim, e disseram-me que tinhas fama de mulherengo, e que as pessoas não mudam, acabam por se revelar, e que um delas, ou uma amiga delas chegou a falar algum tempo contigo há uns tempos… E que era fácil dar-te a volta.

Fábio aproximou-se dela e deu-lhe um beijo na testa, e pousou a mão no fundo das suas costas.

-É verdade que antes de te conhecer falava há uns tempos com uma rapariga, mas quando comecei a perceber o que sentia por ti, deixei de lhe responder e expliquei-lhe, e ela entendeu perfeitamente, e além disso, deixei de falar com toda e qualquer rapariga que tivesse segundas intenções, só tive aquele caso com aquela rapariga que tu bem sabes mas nessa altura nem sequer sabia o que sentia por ti. E desde que começamos a namorar que deixei de falar com todas as raparigas que tivessem outra intenção além da amizade, só falo mesmo com raparigas que considero verdadeiramente amigas, e são poucas.
-E se essas raparigas tiverem outras intenções que não tenhas percebido?
-Para ti todas as raparigas têm segundas intenções comigo, não podes ser tão insegura de ti, nem de mim e além do mais, porque razão haveria de dizer que te amo se realmente não o sentisse? Explica-me por favor, pequena.
-Não faço ideia, de verdade que não. – Encostou a sua cabeça e as mãos ao peito de Fábio. – Ainda tenho um medo estúpido de te perder e de me magoar.
-Quando tiveres a sentir-se assim, vens ter comigo e falamos, está bem? Não quero que guardes nada para ti, e podes sempre vir falar. Não me vou fartar de te dizer que te amo e que não precisas das tuas inseguranças e acalmá-las.
-Desculpa.

Fábio deu-lhe um beijo na testa e sussurrou:

-Podes sempre contar comigo, somos namorados e amigos, somos padrinhos e companheiros, lembras-te?
-Não me vou esquecer mais. Obrigado meu amor. – Deram um beijo sentido e romântico. – Mas sabes quem vai mexer o rabo e vamos embora? Está toda a família à nossa espera lá fora.
-Vamos.
-Amor, porque é que a Di não pode entrar comigo?
-Porque pedi para te chamarem para matar saudades e pelos vistos encararam isso como uma proibição para a Di, não sei.
-Está bem, então vamos lá embora.
-Mas primeiro, um último beijo.

Fábio aproximou-se de Rita e deu-lhe um beijo de cortar a respiração.

-Uau.
-Foi um beijo para matar as saudades.

Dito isto entraram no carro e seguiram viagem, pelo menos até se cruzarem com a família dela…

-Tanto tempo, princesas? – Perguntou Ana.
-Tivemos a matar saudades. – Responderam Rita e Fábio em coro.
-E onde vão agora os pombinhos? – Desta vez foi Ruben, o cunhado de Rita.
-Vamos fazer umas compras lá para casa que hoje vamos fazer um jantar para alguns colegas de equipa do Fábio, pudemos levar a Di, por favor? Por favor?
-Mas vocês nem têm cadeirinha no carro.
-Ai é que te enganas caríssima cunhada. – Interceptou Fábio. – O banco de trás tem uma cadeirinha para a princesa Di, por de rosa e tudo, podes espreitar.

Aproximaram-se do carro e Ana ficou sem resposta. Rita saiu do carro e foi para o banco traseiro e colocou o cinto na afilhada. – Quando acabarmos as compras, levamo-la a vossa casa, sem problema! Beijos! – Dito isto Fábio arrancou e foram às compras ao centro comercial mais próximo, onde não bastou os alimentos para o jantar mas também foram alguns mimos para a afilhada de ambos… Afinal tinham de a mimar.

 
Quando terminaram de fazer as compras para o jantar e dar os últimos mimos em forma de prenda a Di, levaram-na a casa e foram até a um pequeno descampado onde ela iria ter as primeiras aulas de condução... Ou pelo menos umas bases que ele lhe daria para aprender a conduzir um carro.

-Amor, tenho uma coisa para te contar. - Disse quando Fábio parou o carro no descampado perto de casa deles.
-Tomaste a pílula do dia seguinte não tomaste? Ainda tens de completar o secundário e depois a faculdade e só depois é que pensamos nos mini-Madeira Cardoso.
-Está descansado que tomei, e também tomo a pílula, e era isso que te queria contar... E algo mais.
-Diz-me.
-Como comecei a tomar a pílula, não pudemos fazer amor no próximo mês... Ordens do médico. - Fábio olhou para ela surpreso e sem chão. Um mês? Um mês! Ficou branco de surpresa. - A tua reação foi impagável! Devia ter filmado! - Rita não conseguia controlar o riso. -Não acredito que caíste nesta!
-A minha namorada é uma pessoa muito engraçada! - Ficou amuado e cruzou os braços sobre o peito.
-Ainda tinhas dúvidas?
-Não achei piada, sabes?
-Acho que te devia compensar. - Sussurrou-lhe ao ouvido.
-E como me compensarias?

Rita puxou o banco de Fábio para trás e sentou-se sobre o seu colo com uma agilidade que ele não lhe conhecia.

-De uma forma que tão bem conhecias antes de mim.
-É impressão minha ou andas mais atrevida e solta?

Rita mordeu o lábio e ele não lhe resistiu, agarrou e começou a beijá-la nos lábios com desejo e intensidade.

-Não precisas de ficar nervosa.
-Sabes que vou continuar nervosa sempre que o fizermos... Pelo menos nos primeiros tempos.
-Então pudemos simplesmente não o fazer, não quero que te sintas pressionada.
-Fábio, eu quero. - E deu-lhe um beijo na ponta do nariz. - Quero experimentar coisas novas desde o começo.
-Rita, temos de mudar de posições a partir do momento em que o fazemos neste carro, porque nenhum de nós cabe deitado neste carro.
-E não achas que corremos perigo de sermos apanhados a fazer isto? Aqui?
-O perigo excita-me, sabias?
-Eu ainda não sei o que me excita. - Baixou a cabeça envergonhada.
-Com o tempo e a experiência, vamos acabar por descobrir o melhor e o pior de cada um, e vamos fazer tudo com calma para saborearmos tudo.
-Sim, quer dizer... Acho que sim. - Sorriu. - O que achaste da nossa primeira vez, depois daquela primeira vez?
-Queres dizer o que achei da nossa segunda vez? - Deu-lhe um sorriso que a fez corar pelo seu ar infantil e matreiro.
-Sim, mas começa tu. Por favor.
-Bem, primeiro que tudo uau. Eu já tinha feito sexo, mas ontem eu descobri a diferença entre sexo e amor e embora fisicamente sejam a mesma coisa, emocionalmente são completamente diferentes. Quando fazes sexo, é apenas o orgasmo que queres atingir, a partir daí, são duas pessoas, vestem-se sozinhas e tentam nem olhar um para o outro, porque o que queriam está feito, apenas e só. Quando fazes amor é tudo completamente diferente. É quando duas almas se tocam, se juntam, é quando te entregas de uma forma que nunca pensei vir a ser possível, é quando deixam de ser duas pessoas e passam apenas a ser uma. E quando tu sabes que a partir daí a vida nunca mais será a mesma.
Rita deu-lhe um beijo carinhoso nos lábios.
-Obrigada por me aceitares a minha inexperiência.
-Vamos tornar a tua inexperiência em experiência?
-Queres mesmo estrear aqueles estofos não queres?
-Nunca os estreaste?
-Não, mas estou disposto a tal.

Foram juntos até ao banco traseiro e fizeram o que tanto haviam conversado... De seguida foram até casa onde tomaram um banho rápido porque não tardava até chegarem os convidados. O melhor seria encomendar pizzas e foi mesmo o que optaram por fazer. Pouco depois de encomendarem, começaram a chegar os convidados: primeiramente foi João Cancelo que vinha acompanhado de João Teixeira, depois Bernardo Silva, que vinha sozinho e por último vinham os colegas que faltam, Bruno Varela, Ivan Cavaleiro e Hélder Costa. Quando todos se sentaram nos sofás da sala de estar de Fábio

-Meninos espero que não se importem mas encomendamos pizzas.

Nenhum deles prestou atenção ao que ela disse e continuaram concentrados no jogo que jogavam na Play Station e ela sentou-se junto a Fábio que estava a brincar com as “três bolas a seco” que Bernardo levava de Ivan. E assim ficaram durante uns minutos até que se ouviu a campainha tocar, e ela levantou-se para ir abrir. Com certeza era as pizzas. Mas assim que ia pagar, uma mão esticou-se na parte de trás e pagou as dez pizzas familiares. Olhou para trás e era Fábio. Fecharam a porta e pousaram as pizzas na bancada.

-Eu ia pagar a pizza.
-Mas quem convidou fui eu.
-Fábio, eu posso não trabalhar mas ainda tenho algum dinheiro, não quero que pagues tudo, não seria justo.
-Desta vez paguei eu, para a próxima logo se vê, contente?
-Sim. - Sentou-se em cima da bancada junto às pizzas. - Achas que me consegues pegar ao colo?
-Fácil. - Sorriu e pegou nela, ela apertou as pernas e os braços no corpo dele e deram uma volta à cozinha e ele voltou a pousá-la na bancada. - Sabes qual é a coisa mais apetitosa desta bancada?
-As pizzas. - Pegou nelas e fugiu para a sala. - Meninos, jantar!
Rita havia dito que dez pizzas para todos era um verdadeiro abuso... Mas calou-se quando se deparou que eles haviam comido tudo, mas mesmo assim conseguiu tirar 3 fatias de pizza, o que era o que normalmente comia para o jantar, e cada um deles tinha comido pelo menos o dobro! Depois de encerrarem o torneio, com uma vitória de Fábio sobre todos e dedicara-a a Rita, acabaram por se ir embora e deixarem o casal sozinho, onde acabaram por adormecer no sofá, cansados.

(Passado dois dias)
Rita tinha aulas em mais uma segunda-feira e Fábio tinha treino e quando terminasse iria buscá-la e iriam almoçar juntos e aproveitar para fazer umas arrumações em casa. Assim que Fábio estacionou o carro ao pé da escola da namorada não acreditou no que os seus olhos viam... Não, ele simplesmente não poderia estar ali. Ele não poderia simplesmente voltar quando Fábio começava a acalmar os demónios e a tornar as inseguranças de Rita em seguranças, não depois deles estarem juntos há pouco tempo, mas terem vivido tanto e estarem numa fase tão boa. Não. Tiago poderia ir a todos os lados mas não poderia estar ali. Não faria bem a Rita, nem à relação que ela tinha com Fábio. E as inseguranças de Fábio começavam a ganhar voz, tinha medo que ela o deixasse para voltar aquele rapaz que tanto a magoara. Mas talvez fizesse bem a Rita falar com ele, mas e senão fizesse? Será que devia deixá-lo ir falar com Rita ou deveria intervir para o proibir? Saiu do carro mostrando a sua presença, e Tiago viu-o. Assim que Rita saiu da escola, e se deparou com Tiago, que gelou. Não tendo reação possível e Fábio estava pronto para avançar, deu dois passos largos mas Tiago que estava mais próximo da rapariga, aproximou-se dela e disse:
-Precisamos de falar.

Será que Fábio vai impedir?

Será que Rita vai aceitar falar? O que terá Tiago para dizer a Rita?

domingo, 27 de dezembro de 2015

Capítulo 35 “Tu não és a namorada do Fábio Cardoso?”


Fábio adormecera a admirar a sua companheira de aventuras e acordara a admirá-la também. Aos seus olhos era simplesmente perfeita, de todas as formas possíveis e imaginárias. Sabia que se falasse com ela enquanto dormia, embora fosse o subconsciente, ela responderia e conseguia ter uma conversa sólida e construída, e por vezes bastava estar apenas deitada ao pé dele, a dormir, que começava a desabafar e a dizer o que realmente a atormentava, e ele já tinha tido a oportunidade de descobrir alguns problemas dela, assim. Sabia que quando demorava a dormir dava imensas voltas na cama, mas quando voltava à posição original e ficava sossegada durante algum tempo era sinal que tinha adormecido. Quando dormia consigo gostava de “dar folga à almofada” e deitar-se sobre o seu peito, a cheirá-lo, a admirá-lo e a pensar na sorte que tinha e somente depois adormecia com um sorriso nos lábios, que adorava adormecer com Fábio a passar-lhe a mão entre os cabelos, nada a fazia adormecer tão rápido. Sabia de cor, qual a posição que ocupava para dormir. Ao contrário de outras raparigas, não se encolhia, esticavas-se o mais que podia e com uma perna à frente e outra para trás, não conseguia dormir de barriga para cima e quando deitava a cabeça na almofada gostava de colocar uma mão sobre e outra sob a almofada. Acordara a meio da noite e conversara com Rita, talvez fosse errado, mas queria falar com o subconsciente dela e entender as reações dela e como se sentia depois de ter perdido a virgindade.

-Amor?
-Sim?
-Amo-te, sabias?- Encostou a cabeça no seu cabelo e pode cheirá-la.
-Também te amo, meu amor.
-Sei que não queres falar sobre isto, que o tens evitado e provavelmente ainda te custa remexer no passado, não porque não o tenhas ultrapassado mas porque te magoou muito, mas talvez se falares sobre ele, te ajude. Sei que não é justo, que estou a aproveitar-me do teu subconsciente mas talvez seja o melhor para os dois.
-O Tiago é passado, não quero falar sobre isso. - Disse e Fábio pensou que mesmo a dormir e apenas com o subconsciente a falar, não deixava a sua teimosia de lado.
-Não feches o teu coração, não, não a mim, por favor, abre-o, eu prometo nunca te magoar. - Rita começou a chorar e apertou-se contra o corpo de Fábio. - Eu não insisto mais, desculpa.
-Não Fábio, talvez eu queira e precise mesmo de te contar, é o melhor para os dois. Eu estava bem, eu estava realmente feliz, mesmo genuinamente, eu pensava que realmente o amava e que íamos ser felizes para sempre, que ia ser com ele que ia construir o meu futuro, eu dei-lhe tudo o que tinha de mim e o que não tinha. Não sou de deixar as coisas pelas metades, ou se faz ou não, e eu deixei que ele rebentasse o meu hímen por capricho dele, não o devia ter permitido, eu ia dar-lhe a minha primeira vez apenas porque ele precisava e ele disse que esperava por mim e o que aconteceu? Foi para a cama com outra! Eu apresentei-lhe a minha família, os meus amigos, a minha vida, e ele deixou-me um buraco no lugar do coração! É como se tivesse levado tudo o que era meu com ele e ficou apenas o meu corpo e o cérebro que mal conseguia pensar. Eu já o perdoei, juro que sim, mas não consigo compreender o porquê. Eu pensava que ele tinha deixado de ser aquele mulherengo, eu jurava a mim mesma que ele tinha mudado, por minha causa e afinal... Afinal ele não mudou nada, enganou-me foi a mim.
-Sabes? Um dia queria que falasses de mim como falavas nele. Não com a mesma mágoa e desilusão, mas com o mesmo ar que lhe deste, com o mesmo carinho e dedicação. Eu sei que ele te magoou e estamos juntos há bem pouco tempo e deste-me coisas que não lhe deste e que me amas...
-Sei que o amor não se compara em tamanhos e medidas, mas tu ocupas um lugar no meu coração que ele nunca ocuparia, eu amo-te realmente, e foi por te amar tanto e por não querer desiludir-te ou magoar-te que reagi assim há pouco...
-Já falamos sobre isso, eu e tu esperávamos mais.
-Deixa-me falar. - Pediu, mesmo o subconsciente era teimoso e mandão. - Eu magoei-te, eu desiludi-te simplesmente porque não aguentei a dor e senti-me a pior pessoa à face da Terra por causa disso, mas quando fui ao hospital e o médico disse que reagi assim porque sou alérgica ao preservativo eu vi alívio em ti, e em simultâneo preocupação. Ficaste aliviado porque não é um problema assim tão grave de saúde, é algo fácil de lidar, quem é que afinal é alérgico ao preservativo? Ou melhor ao látex? Eu nem era alérgica a nada, tinha de ser a isto! Mas também sei que em breve isto vai interferir com as nossas vidas, porque sempre que o fizermos vamos pensar em qual será a melhor forma de prevenirmos um filho nosso no mundo, pelo menos tão cedo. Sei que querias algo inesquecível e foi algo divertido, mas também sei que da próxima vez que o fizermos será bom, genuinamente bom, porque além de confiar em ti, confio na minha sorte e em Deus, o que aconteceu, ficou para trás, tens de pensar em si, para a frente é que é caminho.
-Não imaginas o quanto fico feliz por saber que estás a lidar bem com a situação...
-Eu não estava a lidar nada bem, de verdade, mas depois de falar contigo e pensar bem, acabei por chegar a esta conclusão.
-Tenho tanto orgulho em ti.

-E eu em ti. - Fábio decidiu nada mais dizer, era altura do cérebro e do seu subconsciente descansarem, e ele próprio também precisava de descansar, deu um beijo na testa da rapariga e adormeceu.”
-Para de me tirar as medidas, Fábio Rafael! - Disse Rita fazendo-o assustar-se, estava de olhos fechados, era suposto estar a dormir. - Se estás a gozar comigo, aviso-te já que te gravo a ressonar e partilho para as tuas maravilhosas e histéricas fãs de um raio verem o seu amorzinho a ressonar!
-Isso é tudo ciúmes ou é má disposição de quem acabou de acordar?

Rita pela primeira vez abriu os olhos.

-Ciúmes? Quem precisa disso? Elas gostam de ti pela tua forma de jogar e pela tua beleza, eu gosto de ti pelo que tu realmente és, além do mais, quem te leva para a cama sou eu!
-Tens razão, a minha cama começa a sentir saudades minhas, normalmente é a tua que me recebe, e só me levaste para a cama uma vez ou duas, de resto sou sempre eu a dizer para nos irmos deitar.
-Que boa disposição do meu namorado! Não queres mesmo um babete a olhar para mim, não?
-Era impossível não me babar no que toca a ti, meu bem!

Pegou numa madeixa de cabelo de Rita e colocou-a atrás da orelha.

-Para lá com o romance a estas horas da manhã por favor! - Levantou-se da cama e olhou para o telemóvel. - Que bom, esqueci-me de pôr a carregar o telemóvel e estou quase sem bateria, além de que adormecemos, pelo menos eu, cheira-me que vou chegar atrasada às aulas.
-E aposto que estás muito preocupada com isso... Tens aqui um gato na cama e estavas mesmo interessada em ir para as aulas.
-Que eu saiba não adotei nenhum animal de estimação e tu também não, e para que saibas eu sou uma aluna aplicada e estudiosa!
-Não precisa de ser um gato, sou logo um pão, e eu não duvido que o sejas, mas aposto que queres ficar aqui na ronha comigo.
-Claro que sim, tu até és a última bolacha do pacote. - Disse deitando-se na cama. - Esta professora também tem por hábito chegar atrasada e eu não tenho nenhuma falta, portanto...
-Beija-me. - Pediu ele.
-Não penses que sou assim tão fácil. - Disse levantando-se novamente da cama. - Tens de me vir roubar um beijo. - Fábio levantou-se da cama e correu atrás de Rita pela casa, mas ela acabou por esconder-se dentro da banheira, mas ele apanhou-a e acabou por roubar-lhe um beijo, mais um e depois outro... E num ápice a série de beijos começou a desenvolver-se algo mais que um misto de beijos.

-Tens a certeza que queres fazer isto.
-Como nunca a tive. - Dito isto, ele abriu o chuveiro e começou aos poucos a despi-la e a ajudá-la a despi-lo. Sabiam que ela teria mais tarde teria de tomar a pílula do dia seguinte e era prejudicial para a sua saúde, mas era o timing perfeito e o momento indicado e deixaram-se levar. E desta vez nada os interrompeu ou quebrou o momento, era apenas os dois e só os dois, e foi completamente entregues um ao outro que viveram momentos mágicos, juntos. Nada os preocupava, nem o tempo, nem o mundo que os rodeava. Quando terminaram tomaram banho e foram vestir-se, de seguida foram tomar o pequeno-almoço.

-Nunca pensei que fosse tão mágico.
-Nunca pensei que fosse tão... Tão verdadeiro. Tão puro.


Nada mais disseram, limitavam-se a trocar sorrisos e olhares, pareciam dois adolescentes apaixonados pela primeira vez. Depois Fábio foi levar Rita à escola e ele também seguiu para o treino, depois partiria para estágio e só voltaria a ver Rita no jogo. A rapariga assim que chegou à escola, reparou que a professora faltara e decidiu aproximar-se dos colegas, mas não sem antes enviar uma mensagem a Fábio:


Quem diria no dia do nosso primeiro beijo que hoje, passado pouco mais de dois meses que estaríamos como estamos? Amo-te tanto meu bem precioso! Obrigada por tudo e por nada S3”

Passado alguns minutos, provavelmente quando ainda estava no balneário antes de ir para o treino, respondeu-lhe:

Se pudesse voltar atrás, eu não voltaria porque seria tudo como foi.
Amo-te, verdadeiramente, pura e genuinamente. Não tens de agradecer, no amor é tudo dado, tudo partilhado, meu bem mais precioso. S3”

(Nesse mesmo dia à tarde)
Rita precisava de companhia para o que ia fazer, mas a quem iria pedir? Não poderia ir com Fábio que não poderia sair do centro de estágios, e também não queria ir com a irmã porque trabalhava, com os pais estava fora de questão e ainda não tinha confiança suficiente com nenhum colega de turma, por isso só poderia pedir a uma única pessoa, mas teria de lhe contar tudo o que se tinha passado e provavelmente iria dizer-lhe o mesmo que a irmã, mas ela simplesmente não conseguia fazê-lo sozinha, e não podia deixar de o fazer. Tinha de tomar a pílula do dia seguinte, para não correr o risco de engravidar. Sabia que não o deveria fazer, mas não conseguira simplesmente tê-lo parado de manhã, aproveitava e iria também ao médico para saber qual a melhor pílula a tomar, agora mais do que nunca tinha pressa de a tomar. Combinou almoçar com Pedro e explicar-lhe toda a situação. Foram até casa dela e enquanto almoçavam trocavam algumas palavras:

-Já me podes explicar porquê tanto secretismo em relação ao que queres fazer esta tarde?
-Preciso de tomar a pílula do dia seguinte e não quero ir sozinha. - Disse muito diretamente e rapidamente.
-Explica-me devagarinho para ver se entendi direito por favor.
-Eu vou-te explicar tudo, direitinho e devagar, está bem?
-Estou à espera.
-Por onde começar? Bem primeiro que tudo, sou alérgica ao látex do preservativo e só descobri isso ontem durante o momento íntimo, não queres que te explique mais pois não? - Pedro sorriu. - Olha pronto aconteceu, mas eu interrompi porque tinha dores, depois apareceram as comichões e estava com uma cor estranha, fomos para o hospital e recebemos essa notícia, fiquei um pouco chateada claro ainda para mais quando a minha irmã me diz que estamos a ir depressa demais. Viemos para casa e ficamos a falar até que adormeci, e hoje... Hoje fizemo-lo mas não tínhamos como nos prevenir porque não tomo a pílula e como imaginas não tínhamos nenhum preservativo sem látex, e como não queremos ser pais tão cedo, o melhor é ir tomar a pílula do dia seguinte, eu sei que faz mal, e que devia ir com ele, mas ele está em estágio no centro de treinos e eu não consigo ir sozinha, e não consigo não pensar em nenhum método contracetivo senão andava o próximo mês com o coração nas mãos à espera da menstruação.
-Em primeiro lugar, como estás em relação a essa primeira vez... Algo diferente?
-Por incrível que pareça estou a reagir bem. Mesmo bem. Porque esperava algo inesquecível e realmente foi... Mas pelo lado engraçado. E talvez tivesse mesmo de ser assim, tive de mudar o meu ponto de vista para aceitar o que se passou.
-E segundo, não te vou dizer se é cedo ou tarde, vocês é que determinam o vosso ritmo e a velocidade a que vivem as coisas, existem casais juntos à anos que não se amam, e quem namore à dias e se ame realmente, mas fiquei preocupado por ter sido o momento em que se envolveram... Porque era a tua primeira vez, apenas isso. Mas se tu estás feliz, eu também o estou. Terceiro, tenho de te perguntar como estás depois de teres ido ao hospital, tiveste mais dores, comichões ou o que quer que seja?
-Não, só tenho algum incómodo mas isso já está relacionado com o que se passou hoje, não tem a ver com a alergia de ontem. E nós não nos prevenimos hoje porque até o fazermos foi tudo demasiado rápido e bom.
-A tua felicidade é a minha felicidade, apenas e só isso. E claro que vou contigo ao médico para tomares a pílula do dia seguinte, mas tens de ter atenção a isso por favor, senão acabas por engravidar, além do mal que a pílula do dia seguinte faz.
-Eu sei, vou estar atenta para a próxima vez, além do mais pergunto já ao médico qual é a melhor pílula por causa das dores infernais do período, e para prevenir bebés nos próximos tempos.
-Então acaba lá de comer que já lá vamos. E como é que te sentes depois de tudo o que me contaste?
-Extremamente feliz, genuinamente feliz. - Pedro olhou-a nos olhos e ficou feliz por ver a amiga realmente nas nuvens.

Depois de comerem, foram até ao centro de saúde, onde ouviram atentamente o médico.

-Meus queridos, a pílula do dia seguinte nunca deve usada como método contracetivo, porque injeta uma sobrecarga hormonal no corpo de uma mulher, ainda por cima, nas jovens o efeito é ainda maior porque o corpo está em mudança e já existe um excesso de hormonas, mas desde que foi comercializada que ainda não houve nenhum caso de doenças graves ou problemas graves causados pela mesma, mas tem pequenos efeitos colaterais que os vou pronunciar para não te assustares quando aparecer algum, mas é pouco provável que aconteça. Pode haver algum sangramento inesperado fora do período menstrual, e normalmente a menstruação ocorre uma semana antes do período regular, mas também podes sentir algumas náuseas e vómitos, mas não se preocupem, simplesmente não quero voltar a ver-vos cá por estes motivos, sim meninos?
-Sim, senhor doutor. - Responderam em coro.
-Não vos vou dizer o nome do medicamento nem nada disso, é linguagem farmacêutica e duvido que estejam interessados. - Preparou tudo para Rita tomar a pílula do dia seguinte, e ela de mão dada com Pedro assim o tomou.
-Pode-me dizer a eficácia deste contracetivo, por favor, senhor doutor?
-Ronda os 99%, por isso se tudo correr bem e não forem demasiado azarados não haverá bebé nos próximos nove meses.
-E diga-me doutor, qual é a melhor pílula para eu tomar?

O médico acabou por pesá-la, oscultá-la e por dar-lhe todas as informações que precisava para começar a tomar a pílula, quando terminaram, saíram do consultório e depois do centro de saúde.

-Obrigada por estares do meu lado.
-Amizades não se agradecem. - Rita deu-lhe um abraço forte e sentido.
-Acho que os nossos amores devem estar preocupados de não terem notícias nossas, portanto acho que devíamos mandar mensagem aos nossos amores.
-Parece-me uma excelente ideia!

Rita pegou no telemóvel e enviou uma mensagem a Fábio:

Não te ligo porque estás em estágio, não quero chatear-te enquanto estás aí! Já fui ao centro de saúde com o Pedro e está tudo tratado e bem! Sabes quem vai amanhã ver o jogo e tem muito orgulho em ti? A tua namorada, a tua afilhada e o teu cunhado, beijo, amo-te <3”

Podes-me ligar sempre que quiseres, só não atendo mesmo durante os treinos e jogos. E como correu? Tenho pena de não ter ido contigo, mas não pude mesmo... Mas para a próxima lá estarei ;) Sei que também tenho muito orgulho em vocês, especialmente em ti, amo-te <3”

(Nesse mesmo dia à noite)
Era mais um jantar de família em casa dos patriarcas da família Madeira que decidiram juntar-se para festejar apenas o facto de estarem juntos e unidos à mesa, embora não estivessem todos, Fábio estaria nos seus corações e Rita sabia bem que a afilhada iria estranhar a ausência do padrinho e para de alguma forma compensar a pequena, decidiu ir buscá-la ao ATL e depois irem passear até à hora de jantar, mas acabou por ter uma ideia assim que a foi buscar a afilhada, iriam surpreender Fábio. Iriam até à porta do centro de treinos, ela ligaria ao namorado e ele viria apenas dar um mimo... A cada uma delas. Mas pelo caminho decidiu comprar um pequeno mimo para o seu namorado, ele não poderia comer muitos doces enquanto estivesse em estágio, mas ela levaria um pacote de gomas pequenino... Ele merecia e além do mais não seria ela a dar, era a Di! Assim que chegou à porta do centro de treinos enviou uma mensagem:

Podes chegar à porta por favor?”

Qual porta? Não estou a entender nada, meu amor!”

Á porta do centro de treinos! Temos uma surpresa para ti!”

Como assim temos?!”

Se mexeres esse rabo e chegares aqui logo vês ;) ”

Dá-me dois minutos e levo companhia que é para ter uma desculpa válida para me ausentar!”

NÃO QUERO SABER DE MAIS NADA, DESPACHA-TE!”

Passado alguns minutos, Fábio chegou à entrada do centro de treinos com o seu colega de equipa e amigo, João Cancelo, assim que os viu, a pequena Di foi direta para as pernas do padrinho:

-Minha princesa! - Disse Fábio pegando na afilhada ao colo. - Que tens aí na mão?
-A dinha disse qu'pa ti! - Disse a menina dando-lhe para a mão.
-Espero que tenhas gostado das surpresas, e antes que alguém reclame que eu só te engordo, foi a tua afilhada!
-Que grande madrinha que me saíste a culpar a própria afilhada! - Disse agarrando-a pela anca e dando-lhe um beijo na testa.
-E tu um distraído que nem me apresentas a tua companhia! - Respondeu-lhe.
-João é a Rita, a minha namorada. Rita, é o meu colega de equipa e amigo, Cancelo, ou melhor, o Lelo da equipa.
-Não achei piada oh Cardoso. - Reclamou João e aproximou-se das duas raparigas. Cumprimentou Rita com dois beijos e brincou com a pequena.
-Já alguém te disse que és linda, pequena? - A pequena Di escondeu a cara no ombro da madrinha.
-O João está a falar contigo, meu amor.
-Eu chei mas tenh' vegona.
-Mas faz lá um esforço e responde.

A menina tirou a cabeça do ombro da madrinha e olhou para João e sorriu-lhe.

-Tabem éx bonito. - Respondeu.
-Como te chamas pequena?
-Diana Feieia, max xamam Di. - Disse a pequena e olhando para o amigo do padrinho.
-Não te importas de brincar um pouquinho com o João enquanto os padrinhos ficam a namorar um bocadinho?
-Não, dinho. - Respondeu a pequena ao seu tio e padrinho e saindo do colo dele e agarrando-se às pernas de João. Rita e Fábio afastaram-se ligeiramente mas não muito.
-Obrigada pela vossa surpresa. - Disse sorrindo-lhe. - Obrigado mesmo, do coração!
-Não sejas tonto, era apenas para dormires bem e amanhã fazeres um jogo ainda mais inspirado, acho que por isso merecia um beijo! -Dito isto, Fábio agarrou-a no fundo das costas e deu-lhe um beijo sentido e carregado de romance. - Acho que só por este beijo valeu a pena! Convida os teus colegas e organizo um jantar lá por tua casa para todos!
-É preciso lata, organizas um jantar em minha casa, e nem me consultas? - Fingiu-se chocado.
-E tu muito chateado, deste-me a chave porque razão?
-Porque tu gostas de arrumar e eu gosto de ter a casa arrumada.
-Tu és a pessoa mais desarrumada que conheço, Fábio Rafael!
-E tu também não gostas propriamente de arrumar.
-Mas quando tem de ser, é uma arrumação à séria! Sou uma querida para ti, e ainda mandas bocas, secalhar é melhor ir-me embora...
-Estava a brincar contigo, é o nosso cantinho, não é apenas a minha casa, o que é meu, é teu!
-Ainda bem que dizes isso, porque assim vais partilhar a minha parte do saco de gomas com o João!
-Tem mesmo de ser?
-Sim! - Respondeu sorrindo-lhe e ele não conseguia dizer que não simplesmente. - E amanhã entre o jogo e o jantar, vamos dar uma voltinha de carro para me explicares como se conduz.
-Já alguma vez te disse que és tu que vestes as calças na nossa relação?
-Senão tiver juízo nesta relação, ninguém a tem.
-É incrível como tens sempre resposta na ponta da língua, isso só me faz amar-te mais.
-Eu amo-te por seres tão pouco ajuizado mas tão boa pessoa. - Deram um beijo intenso.
-Cardoso. - Interrompeu João. - Desculpa interromper, mas secalhar devíamos ir embora...
-Secalhar é melhor. Amor, amanhã aqui na entrada com o segurança vou deixar bilhetes para virem ver o jogo, e sim, amanhã está combinado aquilo que disseste, ainda hoje te confirmo quantas pessoa vão.
-Combinado! - Deram um beijo curto. - E agora um beijo de despedida da minha princesa mais que tudo! - Pegou ao colo da afilhada e deu-lhe um grande abraço e um beijinho. Despediram-se todos e cada um seguiu o seu caminho.

(No dia a seguir, perto da hora do jogo)
Rita juntamente com a família saíram cedo de casa e foram até ao centro de estágios, de onde se aproximaram da sua entrada e levantaram os bilhetes, a pequena Di não poderia assistir ao jogo, ainda era demasiado pequena para entrar no estádio, mas Fábio enviara um colega de equipa que estava fora do jogo, para pedirem ao segurança para fingirem fechar os olhos, e entraram para o estádio. A rapariga entrou com Di ao colo mas acabou por se afastar um pouco para ver o relvado e tentar ver o possível aquecimento de mais perto, junto às grades, e ficou assim durante uns segundos, até que interromperam-lhe os pensamentos:

-Olha desculpa, mas não és a Rita Madeira? - Duas raparigas no início da sua adolescência com cerca de 13/14 anos falavam perto dela.
-Sim sou, minhas queridas, posso ajudar-vos?
-Tu não és a namorada do Fábio Cardoso?
-Sim, sou... - Respondeu com receio.
-Sabias que ele tinha fama de mulherengo, não sabias?
-E que dizem que eles nunca mudam, apenas se revelam... - Concluiu a outra.
-Ele há uns tempos veio meter conversa comigo.
-E começou a seguir-me no Instagram.
Rita respirou fundo, por um lado começou a pensar no que elas diziam mas também a pensar em como não mandá-las para um sítio feio, ou fazê-lo de forma educada.
-Conheço uma rapariga que chegou a falar bastante com ele à uns tempos... E que ele era fácil.
Rita engoliu em seco, sabia que o que elas diziam podia ter um fundo de verdade, mas não sabia como fingir que nada se passava. Ana aproximou-se da irmã e interrompeu a conversa:
-Posso ajudar-te, mana?


Será que Rita vai conseguir-se lembrar de uma resposta à altura?
Ou será que a irmã é que irá defendê-la? Que diferença fará este episódio na vida do casal?