quarta-feira, 10 de junho de 2015

Capítulo 30 “Ele gosta da minha miúda”


Fábio sentiu o seu coração ser-lhe arrancado pelas costas, amava-a e tinha-lhe entregue o seu coração e ela tinha-se limitado a despedaçá-lo na primeira oportunidade.

-Como? Como é que foste capaz de me fazer isto Rita? - Ela olhou-o e conseguiu detetar as lágrimas nos olhos, mesmo que não caíssem sobre as suas bochechas.

-Escuta-me por favor. - Pediu Rita nervosa. Não se tinha explicado bem e precisava de lhe explicar o que queria dizer, nunca tivera intenção de o magoar daquela forma.

-Rita, eu apaixonei-me por ti, como nunca tinha estado antes, eu dei-te o meu coração, entrei numa relação contigo e tu despedaçaste o meu coração na primeira oportunidade que tiveste e queres que reaja como se nada fosse? Bolas, eu amo-te, e não imaginas o quanto estou a sofrer! - Elevou o tom de voz, já chorando e a sua companheira chorava com ele também.

-Porra Fábio, escuta-me! - Pousou a mão em cima da mão dele e ele não fugiu. -Há algum tempo que sei bem o que sinto por ti, demasiado bem! - Fábio limpou as lágrimas e sorriu. - Só que eu não confiava em ti e no Pedro confiava e ele gosta de mim, achei que podíamos tentar. Sei que é contra os meus princípios e valores mas não queria sofrer, não aguento passar por mais sofrimento e estas lágrimas. - Sorriram enquanto limpava as lágrimas dele e as suas. - São a prova disso, não aguento saber que te fiz infeliz, mesmo que involuntariamente. Mas agora escuta-me! A confiança que tenho no Pedro é uma confiança completamente diferente da que preciso de ter contigo. Eu amo-te e confio em ti e é contigo que estou e é contigo que eu quero ficar. Eu preciso de ti. - Fábio abraçou-a e as últimas lágrimas saíram dos seus olhos e caíram sobre a t-shirt dela.

-Não me voltes a fazer algo assim, suplico-te Ritinha! - Olharam-se e trocaram um beijo apaixonado, tinham acabado de viver um mal entendido e custara a ambos.

-Desculpa. - Deu-lhe um beijo na testa. - É fofinho ser eu a dar-te um beijo na testa!

-Prefiro ser eu a dar-te! - Começou a dar-lhe beijos desde a testa até ao queixo, passando pelos lábios. - Devias dar-te por feliz, és das poucas pessoas que me viu chorar!

-E tu és das poucas pessoas, senão a única que me ofereceu o 
ombro quando mais precisava.

-O Pedro também te ajudou. - Rita foi apanhada de surpresa. Fábio a defender Pedro?! - Sim, ouviste bem, eu defendi o Pedro, porque nós os dois já fomos mais amigos e ele gosta da minha miúda, mas não é má pessoa.

-Ai que fofo! - Apertou-lhe as bochechas e deu-lhe um beijo no nariz. - Já alguém que tens uns olhos lindos?

-É impressão minha ou tu acabaste-te de fazer a mim?
Rita saiu do banco do pendura e sentou-se ao colo de Fábio, de frente para ele, enquanto o rapaz colocava o banco para trás dando-lhe espaço apenas para se encostar a ele.

-Achas mesmo? - Tirou o batom do bolso das calças e colocou o máximo que pôde nos lábios, começou a encher a cara de Fábio de beijos e quando pouco espaço faltava, começou-lhe a encher também o pescoço. - Eu diria que não.

-Eu amo-te sabias? - Rita encostou-se ao peito dele e deixaram-se estar a desfrutar da companhia um do outro.
Depois de desfrutarem um pouco para trocarem uns mimos e da companhia um do outro, pegaram no telemóvel e apesar de terem prometido que iriam manter a relação secreta pelo menos durante uns tempos, Fábio decidiu ousar e surpreender a sua amada a partilhar a seguinte mensagem nas diferentes redes sociais que possuía.

Amo-te minha pequena! #R

Fábio lembrara-se bem de quando havia tirado aquela fotografia, tinha sido um dia depois de a conhecer, entre brincadeiras que tiveram no sofá e depois da discussão que tiveram por causa de Tiago, tanto se havia passado desde então, ele mudara e ela também.

Amo-te meu pequeno #F

A fotografia que Rita publicara era recente, era a primeira fotografia que haviam tirado depois de serem oficialmente namorados e assim como ele, ela também havia publicado em todas as redes sociais embora não se tivessem identificado.

-Teu pequeno? - Perguntou Fábio sorrindo para ela. - Tenho mais 32 centímetros que tu!

-Pequeno é fofo! Só agora a ver a fotografia é que percebi que os teus pés são mesmo feios!

-Mas tu gostas de mim assim! - Deu-lhe uma trinca no lábio inferior. - Não tenho culpa de teres umas pernas boas e uns olhos maravilhosos!

-E um bom par de mamas, assume, já olhaste para o meu decote hoje!

-Rita! - Disse Fábio chocado. - Eu olhei para elas, mas não era suposto tu teres reparado!

-Mas reparei! - Sorriu. -As mulheres são muito boas a apanhar sinais sabias?

-Podias-me ter avisado que tinhas reparado, assim podia fazer de forma mais descarada!

-É a mesma coisa que te dizer que tens um bom corpo, continuaria sem me sentir à vontade para olhar quando quisesse!

-Com que então tenho um bom corpo! - Riu-se- Fico contente por saber!

-Tu não me provoques! - Deu-lhe um beijo no nariz. - E vê lá se te limpas que o Pedrito ia começar a fazer demasiadas perguntas se te visse com tanto batom espalhado na cara!
Fábio limpou a cara e o pescoço e Rita limpou os seus lábios, não queria beijá-lo e deixá-lo com marca nos lábios e partiram rumo à escola do pequenito.

-Vocês deram um beijo na boca! - Disse Pedrito enquanto punha o carro.

-Sim, demos. Como sabes Pedro?

-Porque é isso que os namorados fazem e além do mais, tens batom na boca Fábio!
Fábio corou, com certeza que na escola do irmão da sua namorada tinham reparado e ele apanhara uma vergonha mas era um momento engraçado embora envergonhado.

-Fábio, não te importas de passar pelo Rio Sul para levarmos um mimo à minha mãe?

-Claro que não!
Fábio deixou o carro no parque de estacionamento e saíram em direção ao interior do centro comercial, Pedrito colocou-se entre o casal e foram de mãos dadas, mas sem que o pequeno pudesse ver deram um beijo.


-Que achas desta caneca mana? Afinal a mãe é a nossa super-heroína!

-Lindíssima! - Deu-lhe um beijo na testa. - Podes ir com o Fábio comprar umas flores, enquanto fico a pagar?

-Claro mana! - Deu-lhe um beijinho na mão. - A mãe gosta de que flores?

-Gosta de Margaridas como eu! - Saíram da loja e Rita acabou por pagar e por pedir um embrulho, saiu e foi ter com os “seus homens” à florista.

-Um ramo de flores para a maior flor do mundo! - Disse Fábio assim que Rita chegou ao seu lado.


-Se eu pudesse dar-te um beijo dava, mas não posso!

-Então dá-me a mão e aperta-a como se dependesse disso a tua vida!

Rita obedeceu e apertou-lhe a mão com força, ele fazia-a sentir-se muito feliz e dava-lhe confiança e segurança, algo que ela não pensava ter tão cedo pouco antes de o conhecer.

-Sabes que adoro romances e coisas fofas, mas a tua última declaração foi um bocadinho pirosa não achas?

-Nunca fiz estas coisas, por isso acho que nem tenho estado mal!

-Isso é tudo muito engraçado mas quando me levares para a cama espero que não sejas assim tão piroso!

-É impressão minha ou as nossas conversas vão dar sempre ao mesmo?

-Não tenho culpa que sejas incrivelmente bom! - Rita corou e Fábio sorriu, ela era espontânea e fazia-o rir-se com bastante naturalidade.

-A primeira vez será muito tranquila, farei tudo para não te magoar, mas depois com a prática vou conseguir fazer-te um filho!
-Isso é que não vais, vamos usar sempre o preservativo! - Indignou ela.

-Tu percebeste o que queria dizer. - Piscou-lhe o olho.

-Depois vamos ver se é só conversa ou se é realmente verdade!

-Do que estão a falar?

-De nada meu bem, estávamos a comentar que as minhas Margaridas são muito lindas!

-Fui eu que escolhi, o Fábio não sabia a diferença entre uma Margarida e uma Rosa!

-É um parvinho este rapaz! - Deu-lhe um cotovelada com pouca força no braço. - Que achas de termos uma filha Margarida? Afinal foram as primeiras flores que me deste!

-Combinado! - Piscou-lhe o olho. - E vai nascer em Águeda!

-Nem penses, vai nascer em Coimbra como eu!

-Tu não nasceste cá?

-Não! Nasci em Coimbra mas desde sempre que vivo cá.

-Então pudemos dizer que nenhum de nós é alfacinha!

-Não, mas o nosso filho será! - Fábio deu-lhe um beijo na testa. -Quantos queres?

-Sabes fazer esse joguinho? Quando era pequena costumava fazer o joguinho mas nunca aprendi a dobrar os papelinhos e a escrever as coisas nos sítios certos!

-Tenho uma namorada muito engraçada! - Sussurrou-lhe ao ouvido. -Estou a falar a sério quantos filhos queres ter?

-Três pelo menos, o quarto é uma opção e tu?

-Eu gostava de ter dois, a rapariga que seja a mais nova que é para o irmão me ajudar a pegar na espingarda para afugentar quem se aproximar da nossa menina!

-Qual espingarda, Fábio? Não tens nenhuma!

-Mal saiba na ecografia que é uma menina, vou logo comprar!

-Até lá mudas de ideias!

-Do que estão a falar, meninos? - Perguntou Pedrito.

-Estava a dizer ao Fábio que com a quantidade de porcarias que ele come já devia rebolar!

-Oh mana, não sejas má! - Queixou-se o pequeno. -Ele está bem assim, come muito que é para crescer!

Ambos se riram e pagaram as flores, saíram em direção ao carro e seguiram em direção ao hospital. Assim que chegaram cumprimentaram Luís e entrou primeiro Rita e Pedrito, ficando Fábio com o seu sogro... Embora não o soubesse.

-Mãe! - Abraçaram-na e encheram-na de beijos.

-Meus bebés!

-Mãe, nós já somos crescidos, já não somos nenhuns bebés!

-Para mim serão sempre os meus bebés.

-Como estás mãe?

-Ainda estou com algumas dores físicas mas é natural...

-E como tens reagido à notícia?

-Dói muito, claro que dói, mas a vida é assim, tenho é de erguer a cabeça, este bebé agora é um anjo a olhar por nós no céu!

-O Fábio também disse isso! - Disse Pedrito.

-E tu, meu bem, como reagiste?

-Eu rezei com a mana e o Fábio e pedi a Jesus para tomar conta do mano e te pôr boa e em troca eu vou portar-me sempre bem!

-A sério meu bem? - Maria estava com as lágrimas ao canto do olho como tinha reagido Rita quando o irmão lhe pediu para rezar. -Obrigada por teres tomado conta do Pedro, filha e por teres-lhe dado a notícia.

-Se tens de agradecer a alguém, agradece sim ao Fábio, ele é 
que foi incansável!

-Há novidades que não me estejas a contar filha?

-Em breve saberás mãe! - Deu-lhe um beijo.

-O teu irmão sabe, não sabe? Ele está a fazer um esforço enorme para se conter!

-É a única pessoa que sabe, mas é segredo, não posso mesmo contar-te. O Fábio queria ver-te, pode entrar?

-Claro, vou ver se consigo com que ele me diga esse segredo! - Sorriram e Rita saiu do quarto, para dar a vez a Fábio.

Rita esperou alguns minutos, conversando com o pai.

-Fábio, que se passou?

-Eu disse à tua mãe Rita!

-Eu não acredito, nós combinamos que era segredo.

-Tu não estás grávida pois não Rita?

-Não pai, claro que não! - Corou. - Já que a minha mãe sabe, o meu pai também tem o direito de saber. Pai, eu e o Fábio estamos juntos.

-Só agora? Pensava que já namoravam há mais tempo!

-Foi só ontem à noite que houve um pedido oficial.

-Fico contente por vocês! - Sorriu. - Fábio, do que sei e convivi contigo, posso dizer que gosto de ti e vou ajudar-te e apoiar-vos em todas as alturas, mas se por acaso tu a fazes sofrer ou ela derramar uma única lágrima por ti, garanto-te que não vais gostar.

-Pai! - Reclamou Rita, enquanto Fábio mantinha-se calado, extremamente envergonhado. -Tu não o afugentes!

-Não vai conseguir, coisa boa! - Apertou-lhe a mão. - Agradeço as palavras senhor Luís, farei tudo para não magoar a nossa princesa. - Rita sorriu.

Rita voltou a entrar para o quarto e desejou as melhoras à sua mãe e despediu-se dela. A mãe respondeu que já sabia da notícia e era oficial ser sogra de Fábio, a rapariga acabou apenas por sorrir.

-Então, Pedrito, queres ir para onde?

-Quero ir para casa, quero ir dormir.

-Tens trabalhinhos de casa?

-Não, a minha professora perguntou o que se tinha passado para ter ido embora da escola ontem e eu expliquei e ela disse que não precisava de fazer os trabalhinhos de casa.

-Mas vais fazê-los na mesma, está bem Pedro?

-Mas a professora disse que não era preciso!

-Não quero que o mano sirva de desculpa para não fazeres os trabalhos.

-Rita, não exijas tanto do teu irmão. - Pediu Fábio enquanto conduzia. - Se a professora disse que não era necessário, então não faz.

-Os meninos de hoje em dia são muito maus e não quero que digam que o Pedro usou como desculpa o facto da morte do pequenito para não fazer os trabalhos.

-Mas mana...

-Pedro, é o melhor para ti. Assim não te atrasas na matéria em relação aos outros colegas.

-Está bem mana, eu vou fazer. - Acabou por aceitar a ordem naturalmente, lembrando-se da promessa que havia feito a Jesus.

-Fábio, podes-me ir ajudar a fazer os trabalhinhos de casa?

-Não queres a minha ajuda, meu bem?

-Podes ir descansar um bocadinho mana, o Fábio ajuda-me!

-Não te importas Fábio?

-Claro que não!

-Então vou estudar um bocadinho que é para ver se não perco matéria.

Fábio deu-lhe um beijo na testa e foi com o seu cunhado até ao quarto onde começou a ajudá-lo a fazer os trabalhos, enquanto isso Rita sentou-se na sua secretária rodeada de cadernos e de livros, com a intenção de estudar mas começou a sentir várias dores nos ovários e com o passar do tempo foram aumentando. Começou com suores frios e imensas dores a apoderarem-se dos ovários, sabia qual era a dor, quase todos os meses a tinha.

-Rita? - Entrou no quarto Fábio depois de ajudar Pedrito a fazer os seus trabalhos. -Rita! - Correu até ela e limpou os suores frios. 

-Que tens? Que se passou? Diz-me por favor!

-Leva-me... Leva-me à casa de banho.
Fábio obedeceu, pegou nela ao colo e levou até à casa de banho onde começou a vomitar.

-Pedro! - Gritou Fábio em pânico, nunca tinha visto a sua amada assim e apertava-lhe o coração vê-la naquele estado. - Pedro por favor ajuda-me! Rita diz-me o que posso fazer por ti!
Rita nada respondia, as dores eram intensas e não conseguia falar.

Pedro já conhecia aqueles sintomas, quase que havia lidado com eles durante a sua vida.

-Está uma caixa em cima da bancada da cozinha, desfaz o comprimido que a mana não consegue tomar inteiro, eu fico aqui com ela! - Ele limitou-se a obedecer e passado poucos segundos regressou com um copo com um comprimido desfeito e um bolo na mão, rapidamente deu à sua namorada que engoliu o comprimido com a água em segundos e deu uma dentada no bolo que trouxera. Fábio agarrou na rapariga e fê-la deitar-se na cama, deitou-se ao seu lado, formando uma concha e limpou-lhe o suor, cobriu o seu corpo com uma manta e beijou-lhe o braço, não tinha ainda forças para responder, mas Rita sorriu e virou-se de frente para ele e pousou a mão sobre o seu peito.

-As melhoras minha pequena! - Rita adormeceu a ouvir aquelas palavras, enquanto Pedro estava sentado ao lado da cama, fazendo pequenas festinhas na face da irmã.

Será que Rita vai melhorar?

Como iram combater esta questão? Como irá agradecer o carinho e apoio de Fábio?

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Capítulo 29: "Vou confiar em ti Fábio"


Como poderia não amar aquela rapariga? Ela era uma lutadora, era simpática e extremamente querida e atenciosa, era forte e quando gostava, lutava até à exaustão, não sabia desistir. Era verdade que também era orgulhosa e lhe custava pedir desculpa, era teimosa, mas ele adorava-a por isso, não era perfeita, era humana e isso tornava-a apaixonante. Na sua cabeça era impossível não se ter apaixonado por ela. A rapariga não precisava de palavras para se declarar, nem de gestos, Fábio olhava-a e sabia dizê-lo apenas pelo olhar, poderia não a conhecer completamente mas conhecia o suficiente para a descodificar. Aquela prenda iria ficar para sempre gravada no coração, pela surpresa que fora e pelo significado. Beijou-a completamente rendido a tudo o que a envolvia, ela foi apanhada de surpresa mas rendeu-se também. Aquele beijo era romântico, era carinhoso e espontâneo, ele estava rendido a ela e demonstrava-o no beijo.

-Devia dizer-to, até porque sei bastante bem o que sinto, mas não o consigo fazer e desculpa-me por isso, não é fácil explicar-te que és o meu ponto fraco e forte, és tu que me tornas mais forte, mas também aquela pessoa que basta saber que não estás completamente feliz para não me sentir bem comigo mesma. -Apertou-lhe a mão. - Acredita que és mais que o meu namorado, mais que um amigo e padrinho da minha afilhada, tu completas-me. Foste tu que me fizeste conhecer melhor, me fizeste acreditar mais em mim mesma e acreditar nos meus instintos. Tu fizeste-me ver que sou muito mais forte do que aquilo que alguma vez pensei, fizeste-me acreditar que sou melhor do que pensava, que podia e tinha talento para poder acreditar em mim, aliás que o deveria fazer. Os meus instintos. - Sorriu. - Estavam certos. Dei-te uma oportunidade e tu agarraste-a com unhas e dentes e ainda bem que recusei aquele teu beijo, senão aquele nosso beijo na praia não teria o significado que teve e a nossa relação seria diferente daquilo que é.

-Meu amor. - Fábio abraçou-a, na luta que travava contra a lágrima no canto do olho. - Todos os dias agradeço a Deus por te ter colocado na minha vida e por ter feito para mim. -Beijou-a com carinho. -Quando tivermos os nossos filhos quero que sejam exatamente iguais a ti, aliás serão tão perfeitos como tu!

-Estou longe de ser perfeita meu bem, acredita. Choro muito facilmente, sou estupidamente teimosa e não consigo limitar-me a gostar ou não, ou odeio ou amo. E quanto aos filhos, haveremos de ter muitos anos de treino antes de vir o nosso primeiro ao mundo. - Sorriram. -E primeiro de tudo, ainda temos de começar! -Piscou-lhe o olho. -E ainda antes disso iremos a uma consulta de planeamento familiar, que é para sabermos a melhor forma de nos precavermos.

-Até agora sempre utilizei preservativo, e as raparigas com quem estava tomavam a pílula, por isso quando a Adriana veio ter comigo a dizer que estava grávida sabia que a probabilidade era pouca mas era real e aí sim falei de aborto apesar de ser contra, nenhum de nós tinha condições, nem vida para ter um filho.

-Não desconfio de ti, mas gostava que fizesses análises para estar mais descansada, porque estas doenças não são facilmente diagnosticadas, nem andam com um rótulo na testa a dizer que a tens.

-Fiz análises no início da época para saber como estava e não acusou nada, mas se te deixa descansada assim o farei.

-Fábio, antes da consulta ou de começarmos qualquer coisa, gostava de saber com quantas pessoas te envolveste a este nível antes de mim.

-Envolvi-me com duas pessoas antes de ti, a Adriana e a Ana. A primeira vez que fiz foi com a Ana e tinha 15 anos, ela era mais velha e já não era virgem e acabou por acontecer e eu como não a queria perder e aconteceu, mas ela nem sabia que eu era virgem. Passado pouco tempo também acabamos. A Adriana apesar de também ter sido uma curte foi diferente, aliás nem sei se foi uma curte. Nós falávamos e ela queria dar umas voltinhas no carrossel mágico e eu também estava com vontade e pronto. Garanto-te pela minha vida que não dei festa a mais ninguém. - Rita ficou surpreendida, ele falava daquilo com uma naturalidade que a deixava surpresa. Ele perdera a virgindade com uma rapariga mais velha, com quem não namorava e ela não sabia que ele ainda o era e acabara pouco depois com ele e Adriana... Ela queria levá-lo para a cama e ele simplesmente, deixou? Não... O Fábio que ela conhecera não era assim.

-E a Tânia?

-Ela era virgem e eu não quis que perdesse comigo mas sim que esperasse por alguém que valha mais a pena e ela gostasse mesmo.

-Não sei que te dizer.

-Acredito que possas estar chocada com o que ouviste, mas eu já fui assim. Houve uma altura em que só tinha curtes, depois acalmei, não tinha com tanta frequência, mas só quando te conheci é que mudei, e quando me apaixonei que passei a só ter olhos para ti.

-Eu acredito em ti e sinto isso, sinto que mudaste mas custa-me pensar que o primeiro homem com quem quero fazer amor, tenha já esta experiência.

-Rita, só tenho olhos para ti, é a ti que te amo e tudo isso que se passou, é apenas isso passado. Com elas fiz sexo, contigo vou fazer amor.

-Gostava que a primeira vez que o fizesse fosse especial entendes?

-Será muito especial meu bem, apesar de não ser a primeira vez a nível físico será a primeira vez a nível sentimental.

-Eu também tenho de te contar uma coisa. Eu e o Tiago tentamos fazê-lo mas não chegamos realmente a fazê-lo, além de não estar preparada os nervos não me perdoaram. Mas ele rebentou-me o himan, Fábio. - Desta vez fora a vez de Fábio ficar surpreendido, pensava que Rita era totalmente inexperiente a nível mais intimo mas revelara-se mentira.

-Ele rebentou-te o himan há muito tempo?

-Três meses. A partir dai não tentamos mais voltar a fazer amor, até porque eu não quis.

-E porque não quiseste? E como é que ele te rebentou o himan?

-Não quis porque além de não ter existido o timing certo para o fazer, achei que ele estava diferente, no último mês e meio em que tivemos juntos, secalhar até já me trai-a nessa altura, mas quanto a isso não tenho a certeza.

-Deixa isso, agora estás ao meu lado e estamos felizes, eles que também o sejam mas bem longe de nós. Posso fazer-te uma pergunta mais delicada.

-Poder, podes, és maior e vacinado, tu é que sabes o que deves fazer ou não, e eu posso simplesmente responder-te ou não.

-Só respondes se quiseres, é claro. Ele rebentou-te o himan com os dedos? E se sim, repetiu-o?

-Sim, em ambas as tuas perguntas. Não sei o que me levou a aceitá-lo mas fiz e tenho de assumir.

-Não tem nada de mal Rita, é algo natural da vida.

-Não, não é. E contra-natura, devia ter esperado e não tê-lo feito, devias-o ter rebentado na nossa primeira vez.

-Coloca para trás das costas, Ritinha. Fizeram, está feito. Provavelmente não te irá doer tanto como imaginavas e não irás sangrar, e se o fizeres não será muito.

-Se tiveres mesmo necessidade de o fazeres e nunca o tivermos feito diz-me, não quero ser traída, não aguentaria.

-Rita. - Colocou os dedos sobre o seu queixo. -Não vai acontecer. Confia em mim.

-Vou confiar em ti Fábio. - Deu-lhe um beijo na testa, como ele lhe fazia. -Pudemos almoçar juntos e vamos à consulta, depois vamos buscar o meu irmão e vamos visitar a minha mãe pode ser?

-Por mim está combinado! - Deu-lhe um beijo curto nos lábios. - Desculpa o meu passado, a circunstância das raparigas com quem dormi. Mas acredita que agora estou completamente diferente e se pudesse voltava atrás e mudava tudo.

-Claro que me custa um bocadinho, mas sabia bem que não eras nenhum santo quando te conheci e não desisti, continuei a teu lado. Vamos passar algumas dificuldades, esta é apenas a primeira, mas vamos passá-la juntos! - Sorriram.

-E vamos ultrapassá-las a todos e seremos felizes, juntos. - Agarrou na mão dela e apertou. –Queres saber uma coisa?

-O quê?

-Amo-te! – Dito isto roubou-lhe (mais) um beijo carregado de amor.

-Mas vocês ainda não estão prontos? – Perguntou o pequeno Pedrito entrando para o quarto. – Já estava à vossa espera!

-Vou tomar banho a casa e tu vê se também tomas banho e preparas o pequeno-almoço que eu sou melhor e demoro sempre mais. – Deu um beijinho a cada um dos seus “rapazes” e saiu.

(No mesmo dia algumas horas mais tarde)
-Estás onde meu amor? – Perguntou Fábio depois de Rita atender o telemóvel.

-Adivinha quem é! – Uma rapariga tapou-lhe os olhos.

-É o meu maior amor! – Destapou os olhos e agarrou-a pela cintura, deu-lhe um beijo na testa e sorriu-lhe. –Estava a morrer de saudades tuas sabias?

-Fazia uma pequena ideia. – Sorriu-lhe. – Fazes uma pequena ideia de onde vamos almoçar? Estou cheia de fome!

-Sim! – Encheu a cara dela de beijos por toda a parte. –Tenho uma surpresa para ti no carro! – Ela deu entrou para dentro do carro e rapidamente reparou no enorme pacote de gomas.

-Adoro-te, adoro-te, adoro-te! – Colocou a mão sobre a sua perna. –Sabes que só me vais engordar não sabes?

-Mais magrinha ou mais rechonchodinha mas és toda minha e gostinha!


-Quem rima sem querer, é amado sem saber! – Fábio ligou o carro e rumaram a um lugar surpresa para ela. – Mas no teu caso não é bem assim! – Deu-lhe um beijo na boca rápido e seguiram caminho.


-Acho que valeu a pena vir resistir a toda a viagem a perguntar onde íamos almoçar! – Disse sorrindo para Rita e dando-lhe um beijo na testa, enquanto saiam do carro e caminhavam para o restaurante.

-Também fiz bem em não te deixar comer das minhas gomas, senão não almoçavas!

-Acreditava que almoçava na mesma! – Começaram a descer a ponte que ligava o passeio ao barco. – Eu sou muito comilão sabias?

-Espero um dia saciar essa tua fome toda. – Desta vez foi Rita que o provocou e deixou corado, não estava minimamente à espera e como forma de lhe mostrar a sua boa-disposição, piscou-lhe o olho e sorriu.

 
-Que achas do restaurante?

-A vista é muito bonita, o local muito agradável e a companhia é simplesmente perfeita. – Deu-lhe um beijo curto nos lábios e sentaram-se na mesa a almoçar.

Passados breves segundos apareceu uma empregada que claramente havia realçado mais o seu decote para chamar a atenção de Fábio e insistia em olhar apenas para ele, mesmo quando Rita perguntava ou dizia algo.

-Olhe desculpe, importa-se de tirar os olhos de cima do meu namorado?

-Não entendi a sua pergunta.

-Entendeu bem. – Respondeu rudemente. – Desde que nos veio atender que ainda não tirou os olhos de cima do Fábio, eu sei que ele é bonito e ele também sabe mas importa-se de dar um pouco menos nas vistas? Até os outros clientes já reparam. E se me dá licença. – Rita pegou na sua mala e saiu do restaurante.

-Rita! Rita! – Exclamou Fábio correndo atrás da sua companheira enquanto atravessavam a ponte. Agarrou no braço e colocou-se na sua frente. – O que é que se passou ali dentro?

-Ela não tirava os olhos de ti ou não me digas que não reparaste?

-Claro que reparei, mas não havia necessidade de fazeres uma cena!

-Não fiz cena nenhuma! – Reclamou chateada. – Como é que tu queres que eu reaja?! És jogador de futebol, logo aí as raparigas não te largam, és uma bomba, és lindo, sexy e irresistível, queres que fique toda sorrisinhos e feliz quando isso acontece?

-Tu estás cheinha de ciúmes! – Exclamou sorrindo para ela. – E tu ficas incrivelmente boa quando estás assim! – Deu-lhe um beijo na testa que a deixou ainda mais chateada.

-Tu deixa-me Fábio Rafael! – Cruzou os braços, fingindo estar chateada. – Isto não tem piada, isto de namorar com uma pessoa como tu, tem imensas desvantagens!

-Que queres dizer com uma pessoa como eu?

-Não és bom como o milho que eu não gosto de milho, mas és tão bom quanto um pacote de gomas! - Ele não evitou demonstrar um sorriso de diversão, a sua namorada era realmente espontânea e divertia-o. – Que nervos! Ainda por cima estou cheia de fome e não temos onde comer!

-Aceitas ir ao Mc’Donalds?

-Não achas que não devias abusar? És desportista não podes estar sempre a abusar deste tipo de comida.

-Mãezinha, tens alguma outra solução?

-Eu queria era uma desculpa para irmos almoçar ao Mc’Donalds meu amor! – Disse brincando com ele, deu-lhe um beijo nos lábios e sorriu. – Queres convidar algum colega teu para vir connosco?

-Não que eu vou apresentar-te como namorada de uma forma muito formal e responsável. – Rita sorriu, ele realmente era um homem apaixonante. – E não me parece que algum deles quisesse ir connosco a uma consulta de planeamento familiar.

-Esqueci-me desse pequeno pormenor meu bem! – Deu-lhe um beijo no canto dos lábios. –E não te estejas a rir que eu mordo-te esse lábio Fábio!

-Rimaste! – Sorriram. –Se és mulher morde-mo o lábio!

-Não preciso de te mostrar que sou mulher a morder-te o lábio, daqui a uns tempos vou mostrar-te de uma forma muito particular... – A frase dela era deveras sugestiva.

-Tu não me provoques amor! – Desta vez foi ele que a beijou e de seguida mordeu-lhe o lábio. – Vamos tentar ir ao restaurante mais uma vez? Fazes um esforço?

-Vou fazer um esforço mas ela que não se estique.

-Acho que ela já percebeu que não tem hipóteses comigo e sou todo teu.

Deram as mãos e partiram novamente para o interior do restaurante, foram atendidos pela mesma empregada mas desta vez tapou o seu provocado decote e prestara atenção e olhara para ambos. Pediu desculpa pelo seu jeito “atiradiço” com que os surpreendeu da primeira vez que tiveram sentados na mesma mesa, e apesar de Rita ter ficado reticente acabou por aceitar.
Quando acabaram o almoço foram até ao carro e acabaram rapidamente com o pacote de gomas sortido que Fábio comprara para a sua namorada, embora fosse ele que entre brincadeiras tivesse comido bem mais que ela. Deram um último beijo e partiram rumo ao centro de saúde mais próximo.

-Boa tarde.

-Boa tarde. – A assistente administrativa era bastante simpática e ofereceu-lhe logo um sorriso. – Em que vos posso ajudar?

-Gostaríamos de saber como se processam as consultas de planeamento e qual o custo.

-As consultas de planeamento são feitas de forma gratuita, basta apareceres e se houver algum enfermeiro disponível iremos responsabilizá-los, para vossa sorte existe um disponível. Deem-me só um momento que eu vou chamá-lo.
Passado pouco mais de um minuto reapareceu junto deles e mandou-os entrar numa pequena salinha que existia. A enfermeira estava sentada em frente a uma pequena secretária e ai existiam duas cadeiras à frente.

-Boa tarde meninos.

-Boa tarde senhora enfermeira.

-Meninos, primeiro que tudo quero saber o que vos trouxe aqui.

-Falas tu ou falo eu meu bem? – Perguntou Fábio.

-Senão te importares falo eu. – Pousou a mão sobre ele e respirou fundo.

-Não precisam de ter vergonha ou medo, a nossa conversa será apenas nossa e não sairá daqui.

-Mas é difícil falar sobre a nossa intimidade com uma pessoa que nos é estranha, embora tanto eu como ele saibamos que é o melhor para nós estar aqui.

-E foi uma atitude muito bonita da vossa parte.

-Obrigada. – Anunciaram em coro.

-Eu sou virgem, mas já me rebentaram o hímen há sensivelmente 3 meses. E o Fábio já não é, perdeu a virgindade já faz 4 anos e depois disso só se envolveu com mais uma pessoa.

-E quais foram os métodos contracetivos que usaste das vezes em que tiveste as relações sexuais.

-Ambas usavam pílula e também utilizamos preservativo.

-E quando foi a última relação que tiveste?

-Já fez um ano.

-Há quanto tempo estão juntos meninos… ?

-Rita.

-Fábio. – Completaram em uníssono. – Começamos a namorar ontem, mas já estamos apaixonados há mais algum tempo.

-E estão a pensar começar a fazer relações sexuais em breve?

-Não sabemos. – Respondeu Rita. – Quando acontecer, aconteceu mas queremos estar preparados.

-O que vos posso aconselhar em primeiro lugar é, neste caso o Fábio fazer testes para saber se tem alguma doença, ou para provar o contrário. De seguida, Rita devias ir fazer análises e uma ecografia para saber que tipo de pílula devias tomar, e eu posso dar-vos preservativos para andarem precavidos para quando esse momento chegar.

-Fiz as análises em Agosto e ficou provado que não tenho nada.

-Eu posso tomar a pílula, mas tenho medo de falhar por ser demasiado cabeça no ar.

-Existem outros métodos contracetivos mas devido à tua inexperiência, e desculpa-me o termo, acho que o melhor a fazerem será mesmo o preservativo.

-Se tivermos mais dúvidas, pudemos vir consultá-la?

-Claro que sim, estejam à vontade. Estou aqui todas as terças, quintas e sextas da parte da tarde, é só perguntarem pela Daniela Cruz. – Levantaram-se todos das suas cadeiras e despediram-se com um aperto de mão e um forte e sentido obrigado.

Foram novamente até à receção e agradeceram à administrativa que fora bastante simpática e atenciosa com eles e foram até ao carro.

-Vou guardar alguns preservativos na minha carteira, até porque às vezes os meus colegas precisam e já não era a primeira vez que me vinham pedir. – Desabafou Fábio. – E por isso quero que andes com alguns na carteira, para estarmos protegidos e vou deixar um ou dois aqui no carro.

-Achas que vamos fazer isto no teu carro?! – Perguntou ela admirada.

-Prefiro pensar que a tua cama ou a minha serão o local certo para o fazer, mas assim estou mais descansado, sim? – Deu-lhe um beijo na testa. – Queres ir buscar o teu mano ou ainda queres fazer mais alguma coisa antes de irmos?

-Primeiro quero dar-te um grande beijo! – Agarrou-o pelo pescoço e deu-lhe um beijo suficiente forte para só separarem os lábios quando sentiram o ar escassear entre as suas bocas. – Feito! Depois há algo que tenho que te confessar, tenho medo de te perder por o fazer e sei que te vai custar e magoar, mas não consigo esconde-lo.

-Amor, estás a assustar-me. – Colocou a mão sobre a perna dela.

-Houve uma altura em que estive confusa entre ti e o Pedro.

Como irá reagir Fábio a esta revelação?
Será o fim desta recém-relação? Como correrá o resto da tarde?

segunda-feira, 23 de março de 2015

Capítulo 28 “Não te quero perder, mas também quero o melhor para ti.”


-Eu confio em ti princesa, mas não consigo expressar tudo o que sinto, contigo. Tu é que perdeste um irmão, e tens aguentado este barco sozinha, sem demonstrar pressão ou dificuldade, deveria ser eu a oferecer-te os meus braços para chorares nele.

-Fábio, apesar de ter uma irmã mais velha, desde muito pequenina, que tenho um sentido de responsabilidade muito atento, principalmente desde que o Pedrito nasceu, por isso sei bem lidar com a pressão de aguentar tudo isto sozinha, além do mais, neste momento não tenho vontade de chorar, nem de falar sobre a morte precoce do meu irmão, quero apenas ouvir-te desabafar e oferecer-te os meus braços como porto seguro, como tu, muitas vezes, foste o meu. – Fábio encostou a sua cabeça à barriga de Rita e ela fez-lhe uma pequena festa na sua face e foi quanto baste para irromper em lágrimas.
Cada segundo que passara a ouvir Fábio a chorar, fazia com que Rita senti-se o seu coração a apertar-se e a apertar-se, cada vez mais, e o sentimento de impotência dela apoderava-se, mas nada poderia fazer para o combater, o seu grande companheiro e amigo chorava a morte de alguém que ela também amava, mas suportava a dor de uma forma diferente. A dor de Fábio era horrível e como era a primeira vez que a sentia não sabia como lidar bem com ela.

-O meu coração está apertado só de te ver assim. – Sussurrou Rita baixinho, tentando, sempre, limpar as lágrimas que corriam por aquelas bochechas e pareciam duplicar-se cada vez mais e a um ritmo cada vez mais rápido, mas limpava as lágrimas sempre que lhe escorriam pelas bochechas, tentando suavizar a dor dele e acalmar-se. -Sei que tudo o que te possa dizer não vai suavizar a tua dor, mas o meu irmã está agora em paz.
Fábio sentia-se, um pouco, mais calmo, ao lado de Rita, e com o tempo aquela pouca sensação de calma superou o sentimento de dor.

-Desculpa. – Murmurou Fábio. – Eras tu que deverias chorar nos meus braços, nunca eu nos teus.

-Amor. – Pegou na cabça de Fábio e colocou-o na almofada, à sua frente, olhando-o nos olhos e viu-o sorrir. – Além de namorados, somos amigos e podemos chorar e desabafar um com o outro em qualquer altura, estamos a apoiar-nos em conjunto.

-Nós... Nós somos namorados? – Perguntou admirado.

-Só falta o pedido. – Disse sorrindo para Fábio e ele retribuira.

-Queres namorar comigo?

-Quero muito, meu bem! – Rita tomou a iniciativa e beijou-o. –Este foi o melhor beijo da minha vida.

-E o meu também. - Ambos partilharam um sorriso de orelha a orelha. – Desculpa mas não tenho nenhum pacote de gomas para te dar, de momento.

-Assim começamos com o pé esquerdo. – Virou-se de costas para ele, de braços cruzando, simulando estar chateada.

-Senhora Cardoso. – Disse pousando a cabeça sobre a de Rita, e a mão pousada sobre a sua barriga. –Peço desculpa por não ter um pacote de gomas, mas tenho um gelado de gomas no congelador, se quiseres.

-Sabes o que quero? – Voltou-se e voltaram à posição original, frente a frente, - Quero sentir os teus lábios nos meus, agora.
Fábio beijou Rita com saudade, com carinho e com amor. Ela deitou-se de barriga para cima e ele estava de gatas sobre ela, mas nunca largando os lábios da sua namorada, as mãos dela agarravam o cabelo dele.

-Bé. – Disse Fábio entre beijos. – Queres gelado?

-Estamos aqui tão bem, deixa-te estar. – Disse puxando-o mais para junto dos seus lábios, tentando beijá-lo.

-Tenho medo da carga emocional deste momento. Ainda é cedo... Não estás preparada.

-Coisa boa. – Disse pousando as mãos sobre as bochechas dele. –Não aconteceu com o Tiago porque, além de não estar preparada, a vida não fez com que acontecesse, as coisas acontecem quando tiverem de acontecer. Não o vais pressionar e eu também não.

-A nossa relação precisa de desenvolver para o fazermos, é um momento muito especial, aliás é um momento único e inesquecível. Não quero que te arrependas de o teres feito comigo e que fiques com más memórias.

-Fábio. – Passou a mão sobre a bochecha esquerda dele. – Não posso dizer que te adoro, o sentimento é mais forte que isso, posso dizer apenas que és alguém que eu gosto mesmo muito e eu quero fazê-lo contigo, podes acreditar. Não tenho a certeza se tudo vai correr bem e vou perceber tudo aquilo que dizem logo da primeira vez que o façamos, mas estou disposta a dar-te essa experiência, estou disposta a confiar em ti a esse nível, porque mesmo que esta relação algum dia não resulte, sei que vai continuar a existir uma grande amizade entre nós.

-Podes ter a certeza! – Fábio deu-lhe um beijo na testa. –Eu gosto um milhão de ti sabias?

-Gosto de ti dois bilhões.

-Não gostas mais de mim, que eu de ti. – Deu-lhe um beijo rápido nos lábios. –Amanhã vamos ver a tua mãe, a primeira visita enquanto ela oficialmente minha sogra?

-Sim, quero ir visitá-la. Falei há pouco com o meu pai e ela depois de amanhã deve ter alta. Vais ter comigo à escola e depois vamos buscar o Pedrito e vamos ver a minha mãe?

-Amanhã vais à escola?

-Sim, é importante para o meu irmão voltar à realidade e tentar abstrair-se de tudo e eu não posso faltar mais, tenho vindo a perder matéria.

-Acho que devias ficar mais um dia ou dois em casa, para descansares a cabeça e para te sentires com mais força para voltares ao mundo real.

-Mas não posso perder mais matéria.

-Depois podes pedir os apontamentos às tuas colegas, precisas de descansar.

-Mas não me faz bem ficar em casa, faz-me pensar mais no assunto e aí sim, acuso a pressão e a culpa.

-Não podes, nem deves sentir culpa. Tu não tiveste culpa de nada, tudo aconteceu porque tinha de acontecer, foste tu que me ensinaste isso. – Rita sorriu, agora era ele a animá-la e a apoiá-la.

-Talvez se eu tivesse pedido à minha mãe para esperar um pouco mais por mim, talvez se eu lhe tivesse ligado antes dela descer as escadas, ela estaria a dormir e o bebé estaria entre nós.

-Princesa. – Rita tinha a cabeça pousada sobre o peito de Fábio e ele apertou-a nos seus braços. –Não tens culpa de nada, não tens de te sentir assim, aconteceu porque tinha de acontecer, nada o podia fazer, ou travar. O Bernardo ou a Clarinha estão em paz, a olhar por ti no céu, e a tua mãe está bem, está sem dores.

-Obrigada. – Deu-lhe um beijo na bochecha. –Obrigada por tudo, por tudo mesmo. Gosto tanto de ti. – Cruzou os seus dedos com os de Fábio.

-Adoro-te minha pequena. – Beijaram-se, aquele era um beijo romântico e espontâneo, o sentimento que os unia era forte e crescia cada dia mais, além de amigos, eram namorados, e já passaram juntos momentos realmente bons, juntos, Fábio aconchegou-a entre os seus braços e ela deu-lhe um beijo sobre o peito, pousou a cabeça ao lado e adormeceram, aconchegados.

-Bom dia, meu amor! – Rita abriu os olhos, e sentiu-se acordar da melhor forma possível. Haveria algo melhor do que acordar ao lado de quem se gosta tanto?

-Bom dia, meu bem! – Respondeu sorrindo, e deu-lhe um curto beijo nos lábios.

-Já estás acordado há muito? – Fábio sentou-se na cama e Rita sentou-se ao seu colo, de frente para ele e pousando as mãos sobre as bochechas dele.

-Não. Acordei à questão de minutos, só que estavas tão linda a dormir que fiquei a admirar-te!

-Andas a perseguir-me, menino Fábio? Que stalkear! – Queixou-se.


-Ando a stalkear uma princesa mesmo linda, acho que a minha namorada não vai gostar de saber. – Colocou a língua de fora, provocando Rita, que o beijou. –Sabes que amo os teus beijos não sabes? – Rita não se deixou calar, e beijou mais uma vez e quando separaram os lábios, ela mordeu-lhe os lábios.


-Rita... – Fábio tinha vontade de beijá-la, de acaricia-la, e de chamá-la de sua, de uma forma que sabia que não poderia fazer, e Rita não precisou de palavras para entender.

-Desculpa. – Pediu sentando-se numa ponta da cama, afastando-se o mais que podia dele.

Fábio aproximou-se dela e deu-lhe um beijo na testa.

-Sei que não fizeste de propósito e acredita que eu também não. – Rita não se sentia nada cómoda a falar daquela situação e Fábio não sabia como o abordar. –Eu consigo controlar o que faço ou deixo de fazer, mas não consigo controlar a minha mente, que o faz erguer-se. Mas desculpa, vou tentar controlar isto.

-Amor. – Sentou-se ao lado dele e olhou-o. –Sei que tens necessidades e acredita que as posso satisfazer, dá-me apenas uns dias para me mentalizar que... – Fábio colocou os dedos sobre os lábios dela, interrompendo o que ela dizia.

-Amor, sou eu que tenho de esperar por ti, não tens de ser tu a acelarar tudo por minha causa. – Rita baixou a cabeça não tendo coragem de o olhar, devido à vergonha. –Não estou assim tão desesperado disso e acredita que irei esperar por ti, nem que seja preciso uma vida, sabes porquê? Porque no final vamos fazê-lo juntos, e acredita que me vai saber melhor, do que das vezes que fiz antes, porque foi a ti que eu amei como não amei mais ninguém. – Ela sentou-se ao colo dele e enterrou a sua cabeça no pescoço dele, aninhando-se.

-Não te quero perder, mas também quero o melhor para ti.

-O melhor para mim és tu, meu bem! – Olharam-se e beijaram-se.

-Mana!! – Disse Pedrito entrando no quarto e surpreendendo-os. –Que estavam a fazer?

-Estávamos a dar um miminho, também queres?

-Sim! – Pedrito sentou-se ao colo de Fábio, ao lado de Rita, e o mais velho abraçou-os.

-Pedrito, tenho uma notícia para ti!

-Vais levar-me à escola hoje, Fábio?

-Sim, mas isso já sabias! – Deu-lhe um beijinho na testa. –Como te tinha dito, irias ser o primeiro a saber, eu e a tua irmã já somos namorados! – Pedrito largou um sorriso de orelha a orelha e abraçou-os.

-Obrigada, obrigada, obrigada! – Encheu-lhes a cara de beijos e apertava-os fortemente, abraçando-os. –Já posso dizer aos meus colegas?

-Ainda não, meu bem. Ainda é cedo, por enquanto fica um segredo entre nós, pode ser?

-Não posso contar nem ao pai nem à mãe?

-Nem à mana, nem ao Rúben, nem mesmo à Di!

-Está bem! – Pedrito ficou desapontado e baixou a cabeça. –Posso ir tomar banho?

-Já consegues ir tomar sozinho?
-Sim mana, já tenho 6 aninhos, já sou crescido! – Dito isto saltou da cama e foi tomar banho.

-Rita, tenho de te dizer isto antes da nossa relação avançar. – Rita sentiu o seu coração apertar-se e durante segundos vieram-lhe imensos pensamentos à cabeça e nenhum deles era positivo. –Durante toda a minha vida tentei descobrir o que era amor, mas tu apenas com um olhar demonstraste-mo, e todos os dias mo relembras. Quando apareceste na minha vida, estava perdido, sem sentido, nem rumo e tu deste-me tudo, tudo o que precisava, apenas com a tua existência, apenas com o teu sorriso. Podes não acreditar mas desde que trocamos olhares pela primeira vez que senti que havia algo mais entre nós, por isso nunca desisti de ti, mas nunca esperei que me fizesses descobrir tantos sentimentos. E nunca me arrependerei de não ter desistido de ti. – Rita não conseguia controlar as lágrimas. Aquela declaração de amor era espontânea e os olhos de Fábio brilhavam a fazê-la, ele estava a dizer a maior realidade que o seu coração enfrentava, e ela não sabia como responder. Estava apaixonada sim, mas não sabia como expressá-lo, o que ele acabara de fazê-lo era perfeito.

-Tenho uma prenda para ti, espera aqui um bocadinho!
Rita agarrou na chave de sua casa e passado um minuto voltou, pousou as roupas do irmão no quarto onde ele dormira, e voltou para o quarto onde deixara Fábio.


-Já tinha esta prenda feita há alguns dias, mas estava à espera da altura ideal para ta dar. Desculpa não estar embrulhada!


Rita observou atentamente Fábio a observar a olhar para a prenda, e de seguida, a verificar a “mensagem” que ela lhe havia deixado.

Como irá reagir Fábio?
Como correrá esta relação entre eles? Será que o segredo irá manter-se durante muito tempo?