domingo, 15 de novembro de 2015

Capítulo 34: “Sei que não estou arrependida, apenas surpreendida!”




-Eu vou tomar banho, tu não sei. - Dito isto puxou o lençol da cama e tapou-se com ele, e foi até à casa de banho sem olhar para trás, sabia que olhá-lo iria fazê-la sentir-se ainda pior. Assim que chegou, encostou a porta e deixou cair o lençol do seu corpo, olhou-se ao espelho durante breves segundos e decidiu passar a cara por água. Ligou o rádio, tirou as toalhas do armário e deixou-as ao lado da banheira, ligou a água e fê-la cair primeiro pelo cabelo e depois pelo corpo. A música começou a fazer-se ouvir e a transmitir-lhe sentimentos:

All her life she has seen (A vida inteira, ela viu)
All the meaner side of men (Todos os lados malvados do homem)
They took away the prophets dream (Roubaram os sonhos do profeta)
For a profit on the street (Pelo lucro da rua)
Now she's stronger the you know (Agora ela é mais forte do que imaginam)
A heart of steel start to grown (Um coração de ferro começou a crescer)

All his life he's been told (A vida inteira, disseram-lhe)
He'll be nothing when he's old (Que seria um nada quando fosse mais velho)
All the kicks and all the blows (Todos os pontapés e golpes)
He will never let it show (Que nunca deixou transparecer)
Cause he's stronger than you know (Pois ela é mais forte do que imaginam)
A heart of steel start to grown (Um coração de ferro começou a crescer)

When you've been fighting for it all your life (Quando lutou toda a vida)
You've been struggling to make things right (Para fazer as coisas certas)
That's how a superheroe learns to fly (É assim que um super-herói aprende a voar)
Every day, every hour (Todo o dia, toda a hora)
Turn the pain into power (Transforma a dor em poder)

E Rita não conseguiu conter as lágrimas... Toda a vida tinha tentado fazer o direito, o correto e tudo parecia correr mal e quando tudo parecia recompor-se, desabou, novamente, mesmo debaixo dos seus pés. Sabia que tinha desiludido Fábio, e isso magoava-a, pior que isso, sentia-se culpa. O que iam viver era suposto ser um momento inesquecível para ambos, e havia sido, mas pela negativa. A dor apoderava-se de si, queria tentar não pensar nisso mas não conseguia simplesmente não pensar nisso. A culpa havia sido inteiramente sua. Deveria ter suportado as dores, no final iria compensar, mas não aguentara, as dores eram insuportáveis. Não lhe tinha dado prazer, tinha-lhe dado uma primeira vez em conjunto, interrompida apenas por ela ser fraca. Chorava, por culpa, por dor, por perca, por desilusão. Era a sua oportunidade de ser feliz, no seu auge e tinha sido mais uma mágoa. Fábio não o merecia, ele merecia o céu e ela prometera-lhe as estrelas e nem lhe conseguia dar um telescópio para as observar. A água continuava a cair pelo corpo, mas continuava a sentir-se suja, continuava a sentir repulsa de mim. Colocou champoo no cabelo e esfregou, passou novamente por água e depois foi a vez do amaciador e do gel de banho, talvez ajudasse a sentir menos suja, mas continuava com o mesmo sentimento. Passou novamente por água durante uns minutos, depois decidiu sair. Não iria gastar mais água, não queria sequer abusar, apesar de ser a casa do seu namorado, não era a sua casa. Embrulhou-se numa toalha e foi para o quarto, e deparou-se com uma mancha de sangue na cama, sentou-se e as lágrimas continuavam a escorrer-lhe pela cara. A dor tornava a sufocá-la, a apertar-lhe o coração e a não deixá-la respirar normalmente. Queria que Fábio a abraçasse, queria sentir-se segura mas também perder-se nos seus braços, queria sentir que estava tudo bem, que o mundo estava ali nos seus braços, mas também sabia que o tinha desiludido e que ele esperava mais de si, e não conseguia lidar com isso. A vergonha e o medo de ver a deceção no olhar dele, impediram-na de falar com ele, a culpa iria ser superior a qualquer outro sentimento. Por isso decidiu ficar sozinha e enfrentar aquela situação só, limpou as lágrimas e vestiu-se. Pegou nas suas cuecas e vestiu-as e tirou uma t-shirt do armário de Fábio, era confortável ficar assim, procurou também o soutien mas não o encontrara. Foi até ao corredor, onde o encontrou e vestiu-o. Mas tinha de avisá-lo que estava apenas com uma camisola dele e que iria servir-se na cozinha, precisava realmente de comer.

-Espero que não te importes, mas tirei uma t-shirt do teu armário e vesti-a.
-Tudo bem, sabes que te adoro ver só com uma t-shirt minha vestida não sabes?
-Queres comer alguma coisa? - Rita mudou rapidamente o rumo da conversa.
-Eu vou só tomar banho e já me sirvo. - Disse Fábio sem nunca tirar os olhos da televisão.
-Estás à vontade.

Fábio foi para a casa de banho, e começou a ouvir-se a água a correr, e Rita aproveitou só para beber um copo de leite, decidiu pegar na roupa que estava espalhada pelo corredor e arrumá-la numa cadeira que havia junto à cama, e enquanto o fazia, o rapaz saiu da casa de banho com apenas uma toalha na cintura e ela foi obrigada a olhar para ele.

-Desculpa, vou-me já embora.
-Não é nada que já não tivesses visto, meu bem. - Era a primeira vez que a olhara, mas Rita desviara o olhar. Ele tinha-lhe chamado um nome querido e isso ainda a fazia corar. - Ainda há gelado de gomas?
-Não lhe toquei, por isso não sei.
Saiu do quarto e deixou o seu namorado vestir-se, mas assim que encostou a porta, sorriu, continuava completamente derretida e maravilhada por poder dizer que aquele homem era seu, embora estivessem juntos à algum tempo. Foi para a cozinha e comeu umas bolachas nutritivas e saudáveis que ele tinha no armário, e enquanto as comia, colocou os fones nos ouvidos e começou a dançar:

Ay payita mía, guárdate la poesía (Ai, meu amorzinho, guarda a poesia)
Guárdate la alegría pa'ti
(E aguarda a alegria para ti)

No pido que todos los días sean de sol
(Não peço que todos os dias sejam de sol)
No pido que todos los viernes sean de fiesta
(Nem peço que todas as sextas sejam de festa)
Tampoco te pido que vuelvas rogando perdón
(Nem que voltes para pedir perdão)
Si lloras con los ojos secos y hablando de ella
(Se choras com os olhos secos, falando dela)

Ay amor, me duele tanto, me duele tanto
(Ai amor, dói-me tanto, dói-me tanto)
Que te fueras sin decir adónde
(Que te tenhas ido embora, sem dizeres para onde)
Ay amor, fue una tortura perderte
(Ai amor, foi uma tortura perder-te)

Yo sé que no he sido un santo
(Eu sei que não tenho sido um santo)
Pero lo puedo arreglar, amor
(Mas posso concertar, amor)
No solo de pan vive el hombre
(Não só de pão vive o homem)
Y no de excusas vivo yo
(Nem só de desculpas vivo eu)
Sólo de errores se aprende
(Só com os erros é que se aprende)
Y hoy sé que es tuyo mi corazón
(E eu sei que é teu, o meu coração)
Mejor te guardas todo eso
(É melhor guardar tudo isso)
A otro perro con ese hueso y nos decimos adiós
(A outro cão com esse osso e assim dizemos adeus)

No puedo pedir que el invierno perdone a un rosal
(Não pudemos pedir ao Inverno para perdoar um rosal)
No puedo pedir a los olmos que entreguen peras
(Não posso pedir aos ulmeiros que tragam peras)
No puedo pedirle lo eterno a un simple mortal
(Não posso pedir o eterno a um simples mortal)
Y andar arrojando a los cerdos miles de perlas
(É como atirar milhares de pérolas a porcos)

(...)

No te bajes, no te bajes
(Não te vás, não te vás)
Oye negrita, mira, no te rajes
(Olha negrita não vás)
De lunes a viernes tienes mi amor
(De segunda a sexta tem o meu amor)
Déjame el sábado a mi que es mejor
(Deixa-me o sábado para mim, é melhor)
Oye mi negra, no me castigues más
(Oh minha negra, não me castigues más)
Porque allá afuera sin ti no tengo paz
(Porque lá fora, sem ti, não tenho paz)
Yo sólo soy un hombre arrepentido
(Eu sou um homem arrependido)
Soy como el ave que vuelve a su nido
(Sou como uma ave que volta ao ninho)

(...)

Ay, ay, ay, ay, ay
(AI, AI, AI, AI, AI)
Ay, todo lo que he hecho por ti
(Ai, tudo o que fiz por ti)
Fue una tortura perderte
(Foi uma tortura perder-te)
Me duele tanto que sea así
(Dói-me tanto que sejas assim)
Sigue llorando perdón, yo
(Se chorar pedindo perdão, eu)
Yo no voy a llorar hoy por ti
(Eu não vou chorar hoje por ti)

Quando a música terminou, pousou os fones nos seus ombros e ouviu nas suas costas:
-Nunca imaginava que dançasses tão bem! - Rita sorriu.
-Estás aí à muito tempo?
-Desde que começaste o show. O que estavas a dançar?
-Shakira, o que haveria de ser? - Trocaram um sorriso cúmplice. - La tortura, conheces?
-Claro que sim, aquela dança dela é irresistível a qualquer homem.
-Nunca aprendi a dançar a dança do ventre e nunca vou ter o movimento de anca dela, mas gosto de dançar, faz-me desanuviar e não pensar nos problemas.
-Acho que deveríamos falar sobre o que se passou.
-Não há nada para falar, Fábio. - Respondeu com uma certa agressividade e com o tom de voz mais elevado.
-Sabes bem que temos de falar sobre nem sei como chamar... Sobre a nossa primeira vez interrompida.
-Não quero falar sobre isso.
-Tu não tens culpa de nada, e eu também não, aconteceu porque tinha de acontecer.
-Já acabaste? Senão te importares quero ir para a sala ler um livro. - Ele nada respondeu, limitou-se a respirar fundo, Rita virou costas e foi para a sala. Tirou um livro da estante e colocou os fones nos ouvidos, assim não ouviria o que Fábio diria quando ele voltasse para ver novamente a televisão na sala, a música começou a tocar e começou a concentrar-se no que dizia o livro, para se afastar dele, até se sentou no sofá mais longe da televisão para não ficar próxima dele. Assim que o rapaz chegou à sala sorriu, mas nada disse, limitou-se a sentar no seu sofá e ver a televisão, mas sempre que podia mandava um olhar matreiro à sua namorada, e ela não precisava de observá-lo, percebia mas nada fazia, fingia não ter entendido. Os minutos passaram e cada minuto o livro que lia parecia mais desinteressante, ou então era ela que não estava atenta, tirou os fones dos ouvidos e pousou-os juntamente com o livro na pequena mesa que existia entre os sofás e com medo que Fábio falasse acabou por apenas dizer:

-Vou à casa de banho. - Dito isto não esperou resposta e foi para a casa de banho. - Fábio! - Berrou, assustando-o, rapidamente se levantou do sofá e foi ter com a namorada, bateu à porta da casa de banho e entrou passado breves segundos.
-Está tudo bem meu amor?
-Não, repara nisto! - Apontou para o seu útero. - Isto não é normal! Estou cheia de comichão, e dói-me, além da cor!
-Nunca vi nada assim, é melhor irmos ao hospital.
-E o que digo à minha família por ter ido parar ao hospital?
-Eles não precisam de saber, és maior de idade!
-Isto dá-me imensa comichão, Fábio, eu é que não te quis dizer que achei normal, e as dores também, mas já vai em quase meia hora e isto não passa.
-Vamos ao hospital, pega nos teus documentos e nas tuas chaves e telemóvel e vamos. - Dito isto foram buscar as carteiras, os telemóveis e as chaves e seguiram rumo ao hospital.
-Fábio, desculpa. - Disse enquanto ele conduzia em direção ao hospital. - Sei que te desiludi, que esperavas mais da nossa primeira vez, eu também fiquei desiludida comigo, acredita, mas eu não conseguia mais. Desculpa.
-Amor, tu não tens de me pedir desculpa por nada, estas coisas acontecem, não tinhas como saber.
-Mas desiludi-te, e sinto-me culpada por isso.
-Neste momento o mais importante é o teu estado de saúde, isso sim. Além do mais tu ensinaste-me uma coisa importante e é nisso que tens de pensar neste momento, senão aconteceu é porque não tinha de acontecer.
-Eu sei, mas custa-me entendes?
-A mim também me custa um pouco, queria que a tua primeira vez fosse algo inesquecível e foi... Mas pela negativa.
-Posso lembrar-me da nossa primeira vez de uma forma um pouco engraçada!
-Original! - Riram-se em conjunto. - Achas que devíamos avisar os teus pais ou a tua irmã que vamos para o hospital?
-Queridos pais, olha eu e o vosso querido genro queríamos ir para a cama, mas eu não aguentei as dores e como tem uma cor estranha, decidimos vir para o hospital.
-Pensando bem não será muito boa ideia... Mas e a tua irmã?
-A minha irmã pode ser, mas não quero que ela vá ter connosco ao hospital, é embaraçoso, além de que tem a nossa afilhada em casa para cuidar. Vou-lhe ligar. - Mexeu nos bolsos e não encontrou o telemóvel, apenas havia trazido a carteira. - Posso ligar do teu telemóvel?
-Estás à vontade! Sabes o número de cor? É que só tenho o número dos teus pais...
-Eu sei de cor não te preocupes! - Pegou no telemóvel e ligou para a irmã.
-Então Fábio, não encontraste o caminho certo, ou já esgotaram a caixa de preservativos e precisam de mais?
-Olá mana! - Respondeu, interrompendo-a. - Nada disso, aliás tivemos de interromper a nossa primeira vez que estava com dores e depois apareceram as comichões, e estava com uma cor estranha... Lá em baixo e por isso decidimos vir ao hospital.
-Deixa-me só avisar o Rúben e já vou ter convosco!
-Não é preciso Ana! Era só para te avisar que não trouxe o telemóvel e se for preciso liga para este que é o do Fábio.
-Eu vou ter contigo, não te vou deixar sozinha no hospital.
-Mas não é mesmo preciso, obrigada.
-Não quero discutir contigo, eu vou a caminho e não se fala mais nisso.
-Está bem, não insisto. O Fábio vai só estacionar e vamos entrar, quando tiveres a chegar, avisa.
-Está bem. Beijo, até já!
-Até já! - Fábio olhou rapidamente para ela enquanto estacionava o carro. - A minha irmã insistiu em vir cá ter. Tens noção da vergonha que vou passar a explicar o que se passou?
-Eu sou desenvergonhado, além de que sou homem, eu explico!
-E que homem... - Disse baixinho.

Entraram para o hospital e como era uma emergência de ginecologia não demoraram a ser atendidos, e quando entraram para o consultório, Ana já tinha chegado e teve de esperar no corredor porque só puderam entrar Rita e Fábio, explicaram a situação ao médico e depois de alguns exames, acabaram por ser informados que ela tinha tido uma reação alérgica. Rita era alérgica ao látex do preservativo. A próxima vez que o fizessem teria de ser com um preservativo sem látex, ou então, ela teria de tomar a pílula. Era o mais recomendável, garantiu, pediu-lhe para ir a uma farmácia e falar com a farmacêutica que a ajudava a escolher e a ajudá-la a ver qual seria a melhor. Acabou também por dizer que ela teria alta no mesmo dia, e poderiam seguir a sua vida... Mas com juízo! Realçou! Saíram do consultório e foram até à sala de espera, onde Ana já os esperava:

-Então? Demoraram tanto tempo, estava a ficar preocupada!
-Sou alérgica ao látex! - Disse Rita, baixando a cabeça. - Não é uma alergia muito agressiva, mas é alergia.
-Então como é suposto fazer amor?
-O médico falou-nos de uns preservativos sem látex, que deveríamos experimentar, mas o mais recomendável é mesmo a pílula.
-Tens mesmo de tomar atenção na altura de a tomares Rita, não te podes esquecer!
-Eu sei Ana, mas também não o pudemos fazer nos próximos tempos...
-Deixem-me só fazer uma pergunta um pouco mais descarada.... Vocês chegaram realmente a fazê-lo e depois interromperam?
-Sim. - Respondeu Rita. - Não conseguia mais aguentar as dores e pedi-lhe para parar, fui tomar banho e ele também, e a dor e comichão não paravam, chamei-o e decidimos vir cá.
-E a Rita ligou-te para vires cá, porque não era bonito contar aos pais dela, como imaginas, além do mais também ficarias em maus lençóis porque lhes mentiste.
-Ninguém tem de saber de nada, mas vocês não podem ficar traumatizados por isto... Principalmente tu, maninha!
-Mas é difícil sabes?
-Imagino que deva ser... Mas também é cedo, vocês estão juntos há pouco tempo, são tão novos, têm tempo.
-O tempo que estamos juntos é indiferente, o que importa é a intensidade com que vivemos os momentos. - Dito isto, agarrou na mão do seu namorado e seguiram até ao carro.
-Não precisavas de ser tão agressiva com a tua irmã, ela estava a tentar ser tua amiga.
-Mas estava a piorar aquilo que sinto. Nós é que temos de decidir qual é o nosso timing ideal, a relação é a dois, ninguém tem de se meter.
-Porque é que estás a ser tão drástica e dura, Rita? Nunca te vi assim!
-Talvez não me conheças assim tão bem.
-Ai é que te enganas, Fábio. Não gosto que as pessoas me digam o que fazer ou não, sem eu perguntar, a vida é minha, a decisão era minha, o corpo é meu e o meu homem és tu, nós é que tínhamos de decidir, tivemos azar, apenas isso, senão fosse eu provavelmente ainda o estávamos a fazer!
-Não tens de te sentir culpada por nada, Maria Rita! - Disse já um pouco chateado. -Aconteceu porque tinha de acontecer, porque estava destinado a acontecer, e tenho a certeza que o teu avô e o teu irmão estão no céu a tentar mentalizar-te disso mesmo, e tu simplesmente não me dás ouvidos! Eu amo-te e eu também tive culpa, não te devia ter pressionado, podia ter-te obrigado a não fazermos nada, também eu podia ter evitado e não o fiz, está feito! E quanto mais te queixas do que se passou mais culpado me sinto Rita, parece que estás arrependida!
-Não estou arrependida! - Respondeu tentando animá-lo. - Simplesmente estou chateada que a minha irmã se queira meter nas nossas vidas, a minha irmã também foi mãe cedo e os meus pais não a julgaram, aliás deram-lhe todo o apoio que precisava, e ela está a acusar-me de ter precipitado a minha primeira vez! Eu sei o que fiz, sei com quem o fiz, e sei que não estou arrependida, apenas surpreendida!
-E não achas que foste um pouco bruta demais com a tua irmã?
-Talvez tenha sido... Amanhã falo com ela, hoje estou demasiado cansada, só quero deitar-me ao teu lado e dormir. Na minha cama, que a tua não está em condições.

Dito isto entraram no carro e seguiram até casa dele, Fábio precisava de ir buscar roupa para vestir no dia seguinte, depois foram até casa dela, onde se deitaram na sua cama e ela começou a relembrar-se de momentos importantes e a contá-los:

-Amor, ainda te lembras...

-Rita, por favor, só mais um bocadinho. Suplicou Fábio e Rita não conseguiu resistir.
-Mas é mesmo só mais um bocadinho, sabes que o meu pai está à minha espera. – Disse
pousando novamente a mão sobre o peito de Fábio que a agarrou as mãos e olhou para ela.
-Só falta uma coisa para tornar este momento perfeito. – Encheu-se de coragem e disse-o, Rita olhou para ele que sorria e perguntou:
-E porque não o tornas perfeito? – Perguntou envergonhada mas com coragem de dizer tudo o que sentia e de se sentir ainda mais realizada.
-Porque não sei se também o queres.
-Eu confio em ti Fábio. – Disse pousando a mão sobre os cabelos secos mas brilhantes dele.
-Tens a certeza? Tu nem sabes o que vou fazer.
-Faço uma pequenina ideia. E sinceramente, não preciso de saber, tal como te disse confio em ti.
Os olhos de ambos brilharam e foi Rita quem tomou a iniciativa de cruzar os seus dedos com os de Fábio dentro de água. Fábio sabia que o que iria fazer podia estragar aquela amizade, podia deixar a amiga desiludida ou magoada, podia afastá-la de si, mas estava disposto a arriscar, afinal ela permitia-o, fora ela que o incentivara-o a fazer, embora não soubesse ao certo o que ele iria fazer.
Fábio aproximou os seus lábios da face de Rita, pousou a mão esquerda sobre a bochecha dela que fechou os olhos sentindo o doce toque do amigo na sua face, aproximou os seus lábios dos dela e respirou durante breves segundos e beijou-a como desejara há imenso tempo, como nunca desejara beijar ninguém.
E Rita nunca hesitou, nunca temeu e sempre confiou em Fábio, deixou-se beijar e sentir todas aquelas sensações únicas, faziam-na ter ainda mais certeza do que sentia por ele. Estava apaixonada. E aquele beijo causara-lhe uma felicidade inexplicável, sentia-se amada como não sentia desde o final de relação com Tiago.
E Fábio sentiu o que nunca havia sentido antes, uma felicidade a sair pelo seu coração de forma inexplicável, uma vontade de não mais soltar Rita dos seus braços, de fazê-la apenas a única mulher da vida dele. Ela era a sua felicidade, o seu porto de abrigo, o seu porto seguro, uma mulher surpreende apesar da tenra idade.
As bocas só se separaram quando o ar começava a escassear, e parecia nada os querer afastar, não queria mais largar-se, nunca mais se afastarem e ficarem unidos como um só. Rita pousou a cabeça sobre o peito de Fábio e as mãos nos ombros dele, que retribuiu o gesto pousando as mãos sobre as costas de Rita e a cabeça sobre a cabeça dela e com a voz meio-rouca e grave disse:
-Sem dúvida que tornaste este momento perfeito. – Disse sorrindo e olhando para o nascer do sol cada vez mais forte.

-Claro, que me lembro, apesar de todos os momentos vividos ao teu lado terem sido especiais, houve alguns mais inesquecíveis que outros, e o nosso primeiro beijo, foi dos momentos mais bonitos que vivemos juntos, mas porque te lembraste de repente disso?
-Sinceramente? - Ele abanou positivamente com a cabeça. - Todos os dias rezo, agradecendo a Deus teres entrado na minha vida e estarmos juntos.
-A sério? Não imaginas o quanto fico contente por saber isso! Sabes, eu acredito em Deus, mas não sou muito de rezar, gosto de viver o momento e aproveitá-lo e relembrá-lo mais tarde, mas quero saber quais foram para ti os mais importantes e dizer também os meus, queres ouvi-los?
-Obviamente que sim, pode ser que tenhamos algum em comum. Ainda te lembras...

Por isso tocou á campainha de Fábio. Esperou algum tempo e quando o amigo abriu a porta, foi surpreendida por ele. Tinha apenas uma toalha a cobrir-lhe a cintura, nada mais. E Rita pode constar que ele era ainda mais atraente do que julgava e imaginava. O cabelo pingavam e as gotas escorriam pelo corpo, e todas as tatuagens que tinham estavam bem visíveis, inclusivé a do peito.
Não conseguia esconder a admiração. Abriu a boca e Fábio apenas sorriu. Baixou a cabeça e benzeu-se e disse em voz baixa:
-Ai meu Deus! – Nunca tinha observado o corpo de Fábio e não fazia ideia do que a tatuagem no peito diria.
-Tapava o peito mas se o fizer deixo outras partes á mostra! Rita olhou para ele e colocou as mãos á frente dos olhos, mas afastando os dedos, numa tentativa de mostrar que estava envergonhada mas também de admirá-lo.
-Deixa-te estar! Eu depois venho cá! Disse na tentativa de fugir á maior vergonha da sua vida.
-Entra masé tola! Eu vou vestir qualquer coisa para não te deixar tão pouco á vontade. – Disse entrando em casa e Rita seguiu-lhe. – Fecha a porta e finge que a minha casa é a tua. – Afirmou indo em direção ao quarto para vestir alguma roupa menos provocatória para os sentidos dela. Falou do quarto para a sala, onde estava a rapariga. (…) ”

-Não acredito que te lembraste disso!!
-Foi um dos momentos mais divertidos que me proporcionaste, como me poderia esquecer?!
-Não tem graça, eu já estava congestionada por causa das canadianas e era de manhã, ainda nem o pequeno-almoço tinha tomado e já estava a ficar sem palavras!
-Se eu te dissesse que estava com duas canadianas, tinhas ficado logo chateada! - Rita cruzou os braços e fingiu-se chateada, virou-se de costas para ele.
-Fica lá com as tuas canadianas, e come francesinhas e adota ainda gregas por causa da crise que eles também precisam de ajuda, sejam felizes!
-Não precisas de ter ciúmes, para quê ter canadianas, francesinhas, de nada, porque eu tenho a minha portuguesa ao meu lado e não quero mais nenhuma. - Encostou-se a ela e deu-lhe um beijo na bochecha. - És uma das pessoas mais divertidas que conheço, sabias?
-Fazia uma pequena ideia! - Sorriram. - Ainda te lembras...

-Olá! – Sorriu. E Rita confessava a si mesma que tê-lo a menos de dois metros de si, o tornava ainda mais bonito. E... Sexy! Bem era esta a palavra, chegava a esta conclusão Rita. – O meu nome é Fábio Cardoso e sou teu vizinho da frente. – Não conseguia reagir. Estava surpreendida. – Tu és a Rita Madeira não és? – Corou. Como é que ele sabia o seu nome?
-Sim. Dizem que sim. – Respondeu Rita sorrindo.
-Conheces-me? – Se havia algo que ela gostava era deixar tudo claro. Não o conhecia pessoalmente e não era “conhecida” por isso não havia motivos para ele a conhecer. Tinham já falado mas podia ser apenas por ele ter segundas intenções consigo, que não eram de todo retribuídas. Não queria ser apenas “uma” rapariga na conta pessoal de ninguém. –Quer dizes ainda há pouco falamos mas podias já te ter esquecido. – Disse sinceramente. -Ou teres segundas intenções não retribuídas. – Disse baixinho entre-dentes.”

-Quando nos conhecemos? Obviamente que me lembro! Quando te vi nesse dia achei-te tão bonita, mas tão bonita! - Esperava uma resposta de Rita, mas apenas ouviu silêncio, esperou mais alguns segundos e nada... Não respondia. Olhou para ela que havia adormecido com a cabeça pousada sobre os seus braços e encostada ao seu peito, depositou-lhe um pequeno beijo na testa e sussurrou-lhe “amo-te”. Ela estava cansada e havia adormecido mas havia tanto para conversarem, para esclarecerem, nenhum deles sabia o futuro mas sabia que queria fazê-los juntos.

Será que Rita vai pedir desculpa à irmã?
Como será o resto do namoro? Será que a 1ª vez irá acabar por afastá-los?

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Capítulo 33: “(I want you, and only you) Because you are my heaven.”


AVISOS:
Olá minhas queridas leitoras, hoje a "Heaven" (como carinhosamente trato esta fanfic) comemora 2 anos, nem quero acreditar como o tempo passa a voar, e como tal trago-vos um capítulo muito especial e grande, o maior que já escrevi para esta fic, deixem os vossos comentários no final, porque foi intenso escrevê-lo mas adorei a experiência, foi a primeira vez que escrevi um capítulo deste "género", muito obrigada pelas visualizações e pelos comentários, é muito importante para mim!

PS: Comecei uma fanfic recentemente, para quem não conhece e esteja interessado aqui fica o link: http://siempre-habra-un-cielo-que-nos-unept.blogspot.pt/, e para quem não conhece tenho também outra fic, aqui deixo o link: http://so-acaba-quando-o-ultimo-desistee.blogspot.pt/
E com orgulho que digo que são todas muito diferentes mas adoro escrevê-las!

Beijos e mais uma vez obrigada :)

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Capítulo 33: “(I want you, and only you) Because you are my heaven.”


-A tua irmã ligou-me depois do almoço a dizer que ofereceu uma noite no hotel aos teus pais e que tu, supostamente, e o teu irmão iam dormir a casa dela, e fez questão de frisar que tínhamos a noite por nossa conta. Depois vim ter com ela a casa para me dar as chaves da vossa casa, e até estranhei porque quando cheguei ela estava cá dentro, mas nem me deu tempo para perguntar, deu-me algumas dicas para o que fazer, e depois foi-se embora e que te ia ligar no final da tarde com uma desculpa qualquer para vires para casa, mas pelos vistos... - Rita interrompeu-o e inundou a boca de Fábio com os seus lábios.

-Amo-te, sabias? - Disse ela separando os seus lábios e roubando-lhe um sorriso. - A minha irmã antecipou-se mas não tem mal, nós vamos fazer um jantar diferente. Vamos prepará-lo juntos, a sobremesa é que vai ser surpresa, eu faço uma para ti e tu para mim, e nada de gomas, porque assim não é surpresa, e nada de morangos que eu não gosto nada!
-Já alguém te disse que és exigente?
-Basta olhar para ti que dá para ver que não me contento com pouco! - Fábio abraçou-a e deixou-lhe um beijo na bochecha. - Já sabes o que vais fazer de sobremesa?
-Por acaso já.
-Precisas que te leve ao supermercado?
-Não, tenho aqui tudo o que preciso. - Deu-lhe um beijo na bochecha. - Antes do jantar, queres que vá trocar de roupa para fazermos as coisas direitas?
-Veste com o que te sentires mais à vontade.
-Vou vestir um vestido ou uma saia, só para ver a tua reação a veres-me assim.
-E depois não precisava de esperar pela sobremesa, serias tu o meu prato principal.
-Não sejas tonto, Fábio! - Sorriu. - Deixa-me só ir pousar a mala ao meu quarto e já vamos tratar do jantar e da ementa. - Rita foi até ao quarto e mal entrou soltou uma gargalhada alegre, o que fez com que Fábio fosse ter com ela para saber o que tanto a alegrara. - Não acredito que a minha irmã me fez isto! - Disse em voz alta, após ver uma caixa de preservativos em cima da sua cama.

-Tenho de confessar que isto me deixou constrangido, mas até foi nossa amiga, se pensarmos bem! A tua irmã sabe que és virgem?
-Eu não tenho segredos nenhuns com a minha irmã... E falei-lhe sobre nós. - Disse baixando a cabeça.
-Tu fizeste o quê?!
-Contei-lhe que sou virgem, que nunca cheguei a fazer nada com o Tiago, mas que ele me tinha rebentado o hímen e que eu e tu queríamos fazer... Mas que não tinha surgido oportunidade, mas queríamos fazê-lo e ia acabar por acontecer em breve.
-Nunca mais terei coragem de olhar para a tua irmã da mesma forma.
-É algo natural, Fábio. Nós estamos juntos e gostamos bastante um do outro, existe amor e atração, é algo natural ou não?
-Sim, mas eu nunca tive namorada, logo nunca soube que as mulheres falavam da vida sexual com alguém da família, vou ter de me habituar a isto.
-Já sabes como me senti quando tu e a minha mãe falaram da minha virgindade! - Fábio sorriu. - Mas vamos lá fazer o jantar, ou melhor pensar no que fazer.
-Já tinha pensado em algo para dizer a verdade... Algo simples e rápido. Que achas de panados e arroz?
-Parece-me algo rápido e bastante fácil de se fazer. Mas primeiro tratamos das sobremesas, não te importas?
-Claro que não! Mas diz-me como fazemos os dois as sobremesas, aqui e manter a surpresa?
-Fácil, eu faço em tua casa e tu ficas aqui.
-Tenho mesmo de me separar de ti? Quero ficar aqui contigo nos meus braços...
-Fazemos assim...
-Fecho os olhos e vais embora para não ser tão difícil ver-te partir?
-Pensei nisso, mas não o ia dizer, sinceramente. - Riram-se. - Vamos tirar uma fotografia para assim olharmos para ela enquanto estamos a preparar uma surpresa que achas?
-Que não pode ser uma fotografia a um beijo, tem de ser algo mais sofisticado?
-Algo menos popular e mais bonito, queres tu dizer?
-Sim, isso mesmo!
-Então chega aqui que tenho uma ideia! - Sentou no sofá e ele sentou-se ao seu lado, cruzaram as mãos e ela captou o momento- Sou fotogénica, adoro tirar fotografias, gosto de captar tudo para depois me lembrar, e esta noite promete!


Everybody needs an anchor
A little something that makes you stay
An incentive
Someone to fight for

(…)

That I don’t care if the rest don’t
It doesn’t matter to me, no
As long as you love me
As long as we still have each other #IloveYou ”

Rita pedi a Fábio para fechar os olhos e fugiu para casa dele, pouco depois de publicar a fotografia que haviam tirado há pouco e como descrição uma música de Shakira... Que tão bem descrevia a relação deles.

Como queriam aproveitar todos os momentos juntos acabaram por preparar uma sobremesa simples, mas elegante e bonita. Ela optou por fazer uns brownies de chocolate em forma de coração e Fábio optou por fazer panquecas em forma de coração e mais tarde iriam pôr como ingrediente para o completar chocolate... Até porque julgara que a sobremesa de Rita não envolveria chocolate.

 









































Mal Rita terminou a sobremesa decidiu ir até sua casa, mesmo sem ter a certeza se o seu namorado havia terminado a sobremesa mas não aguentou simplesmente esperar mais e acabou por ter sorte... Ele já a tinha acabado e escondido a sobremesa no fogão, exatamente como ela havia feito.
-Já pudemos começar o jantar? - Disse Rita abraçando-o pelas costas, pouco depois do rapaz fechar a porta do fogão.
-Acabei de esconder a nossa sobremesa, por segundos não a viste.
-Quem te disse que não vi? - Fábio virou-se para a sua namorada e agarrou nas mãos dela e colocou-as sobre as suas ancas.
-Então o que é?
-Só te perguntei como tinhas a certeza, não quer dizer que o tenha realmente visto. - Ele fingiu-se chocado e começou a rir-se, Rita fugiu para a sala, mas rapidamente foi apanhada e ele começou a enchê-la de cócegas, mas enquanto o fazia caiu para cima dela no sofá onde estavam, e começaram a beijar-se com carinho. - Nem acredito que vou ter de levar contigo para o resto da minha vida. - Deu-lhe um beijo no nariz.
-E aguentas comigo até o dia em que eu for desta para melhor?
-Terá de ser. - Deu-lhe um beijo rápido nos lábios. - Sabes bem que estou a brincar, não o vou fazer porque tem de ser, mas porque eu quero que assim seja. Quero pedir-te uma coisa.
-Diz-me meu amor.
-Mesmo que algum dia, por alguma razão, tenhamos de acabar, quero que continues a ser o mesmo padrinho que sempre foste para a Diana e continues a ser o mesmo amigo do Pedrito, mesmo que não me queiras falar, eles não têm culpa de nada do que se possa passar e não merecem sofrer por isso.
-Prometo-te meu anjo, apesar de ainda não sermos oficialmente padrinhos, somos já tios e somos padrinhos de coração e o teu tio é meu cunhado e meu amigo, isso não vai mudar.
-Gosto muito de ti. - Deu-lhe um beijo na testa como ele lhe fazia. - Agora vamos preparar o jantar. - Levantou-se do sofá, deu-lhe a mão ajudando-o a erguer-se.
-Também gosto muito de ti, minha pequena.

Fábio começou a preparar o jantar enquanto a sua namorada colocava a mesa para os dois, quando terminou de fazer a refeição, levou-a e juntou-se à sua namorada à mesa.

-Queres sumo ou preferes vinho ou cerveja?
-Tendo em conta que é um jantar romântico, e que não estou habituada às bebidas alcoólicas, vou para a cerveja, senão é o álcool do vinho que fala por mim.
-És uma croma! - Riram-se e ele tirou duas cervejas do frigorífico e colocou-as na mesa. - Preferes que misture com a 7up?
-Secalhar é melhor. - Trocaram um sorriso cúmplice. - Queres ajuda?
-Deixa estar, obrigada. - Misturou as duas bebidas e levou-as para a mesa. -Desculpa mas não sei o que falar, ou fazer num jantar romântico.
-Eu também não quero os típicos jantares românticos, pensa antes que é um jantar simples só os dois, como nunca tivemos oportunidade.
-Quero que tudo corra bem, não te quero desiludir.
-Não o vais fazer, vamos fazer tudo normalmente, sem pressão ou stress pode ser?
-Sim, claro que pode. Como te correu a escola hoje?
-Correu bastante bem, tenho alguns colegas com quem me identifico mais que outros, mas é natural, o que mais me preocupa é ter de decidir o que vou fazer no final deste ano.
-Não sabes o que queres seguir?
-Tenho uma ideia, ou melhor, várias. Gosto bastante de história, mas também adoro crianças, mas estou a tentar decidir se vou para direito ou serviço social.
-Senão fosse jogador de futebol, teria seguido direito sabias?
-Então acho que vou para serviço social para não ter um concorrente tão forte daqui a uns anos, além de que era desleal estar em tribunal contra o meu marido e pai dos meus filhos.
-Ainda faltam alguns anos meu bem, primeiro quero desfrutar da minha carreira futebolística, depois posso ir tirar direito. E além do mais, eu depois vou tirar direito desportivo, tu podes seguir direito mais vocacionado para a defesa e proteção das crianças e assim nunca teríamos de nos encontrar em tribunal.
-Tenho média para tirar os dois cursos em Lisboa, o que acaba por me prejudicar de certa forma. Sinceramente qual achas que me define melhor?
-Por um lado sei que tens uma personalidade forte, que defendias as tuas convicções e não te deixavas ficar sem resposta numa audição no tribunal, mas por outro lado ias deixar-te abater sempre que perdesses um caso e não te sentias bem a defender alguém que sabias que era culpado e irias ficar com remorsos se ele fosse considerado inocente, mas, também sei que serviço social é um curso que se encaixa contigo, com os teus princípios e valores, que te faria feliz. Irias dar o teu melhor, e irias sentir-te bem contigo mesma por melhores a vida de outra pessoa, mas também me preocupa porque era uma profissão que te colocaria numa posição arriscada, e se algum dia, por alguma razão, não conseguisses ajudar alguém, irias ficar super infeliz e culpada. E claro também existe a questão da empregabilidade, mas isso é o pormenor final, desde que fizesses o que gostas. Mas tu queres ficar a estudar por Lisboa, ou Setúbal, ou preferes sair daqui?
-Tenho de pensar bem no que vou fazer, mas agradeço-te pelas palavras, foram muito importantes, e sinceramente, se me tivesses perguntado o ano passado tinha-te dito que preferia ir estudar para Coimbra, mas agora prefiro ficar por aqui, quero arranjar um emprego e conciliar com a faculdade, além de que aqui tenho tudo o que preciso, quer vá estudar para Setúbal ou Lisboa. Então e tu? Como te correu hoje o treino e a tarde com os rapazes?
-O treino correu bastante bem, eles até gozam comigo porque ando sempre bem-disposto, estou em boa forma, sinto que cada treino e cada jogo melhoro mais, e eles picam-me a dizer que a culpa é tua e daqui a uns meses ainda apareço por lá com um puto nosso, acreditas? Quanto à tarde correu bem, almoçamos, tivemos pouco tempo juntos, depois tive de ir às compras depois e vir ter com a tua irmã cá.
-Trouxeste gomas? - Perguntou com os olhos a brilhar e a sorrir.
-Por acaso até trouxe, mas não vais comê-las antes de acabares o que tens no prato.
-Estou-me a sentir a tua filha!
-Não és a minha filha, mas és a minha pequena!
-Está bem meu amor, queres saber uma coisa?
-O quê?
-Amo-te. - Fábio corou envergonhado mas feliz com a confiança e com o amor que ela lhe dava, nunca pensou vir a gostar de uma pessoa como ela e que lhe desse tanto como ela dera em tão pouco tempo.
-Também te amo.

Como a fome era bastante, acabaram por acabar rápido o que tinham no prato e Rita até teve que esperar porque ele repetira... Como quase sempre acontecia. Ela foi buscar a sobremesa a sua casa e ele bastou retirá-la do fogão e colocá-la na mesa, deixou o chocolate no micro-ondas a derreter. Acabaram por derreter-se com a sobremesa surpresa que haviam feito um para o outro e decidiram deixar as gomas para o filme.

-Tens algum filme gravado ou em DVD, ou temos que ir alugar algum?
-Sabes que hoje em dia consegues facilmente ver um filme na Internet sem custos, não sabes?
-Estava a tentar tornar o momento mais bonito e romântico, sabias?
-Desculpa. - Disse cabisbaixo. -E tens alguma sugestão para o que queres ver ou está à minha escolha?
-Não te importas de ver ali na televisão, se tenho alguma coisa gravada?

-Claro que não. - Rita deixou a cozinha e foi até à sala onde reparou no comando que estava sobre a mesa pequena e não conseguiu simplesmente não rir, o suficiente para Fábio chegar à sala para ver o que se passava. - Podes-me explicar o porquê deste comando?

 
-O comando estava normal até hoje à hora de almoço, mas o Cancelo achou que além destes botões os outros não tinha utilidade nenhuma, então o Teixeira foi buscar a cola, que não podia ser simples teve de ser de outra cor para realçar e fizeram este serviço quando dei por isto estava feito.
-Lembra-me que não tens amigos normais.
-Não tenho, desisti dessa ideia há algum tempo.
-Ao menos tens amigos...
-Sim, mas tu também os tens.
-Tenho-te a ti e ao Pedro.
-Tu cortaste relações com todo o pessoal de Lisboa que era teu amigo?
-Sim. No início custava-me falar sobre isso, por isso evitava fazê-lo, tanto contigo, como com o Pedro, mas agora sinto que é a altura certa... Quando acabei com o Tiago, houve pessoas que optaram por ficar do lado dele e afastarem-se de mim, outras que ficaram do meu lado e ainda outras que decidiram não tomar lados, e quando me mudei para aqui prometi a mim mesma que iria recomeçar de novo, por isso decidi afastar-me de tudo o que significa o meu passado para me concentrar no meu presente e futuro.
-E não tens saudades ou não sentes vontade de falar com nenhum outro amigo dessa altura?
-Claro que sinto, mas estou feliz assim e quero cumprir a promessa que fiz a mim mesma.
-Respeito a tua decisão, apesar de não concordar a 100%, estou do teu lado.
-Tens alguma sugestão para o filme? - Fugiu ao tema da conversa. - Disseram-me que o Amizade Colorida era engraçado.
-Quem te sugeriu um filme assim?
-É uma comédia romântica, não é um romance puro que me mandavas ver a mim sozinha. E por acaso foi o Pedro que disse que viu à pouco tempo com a Marta e que gostaram.
-Vou ver se conseguimos ver esse filme no Wareztuga.

Puxou o computador e procurou durante alguns minutos até carregar o filme, ligou o cabo do computador à televisão e deitaram-se lado a lado no sofá, a comer gomas. Após alguns minutos a verem o filme, Rita decidiu virar-se de costas para a televisão e de frente para o seu namorado, pousou a mão sobre o seu peito e deixou-se deslumbrar pelas suas surpreendentes e bonitas feições e como o rapaz estava tão distraído com o filme que acabou por não reparar no que fazia Rita.

-Que estás a fazer, amor?
-Estou a admirar-te.
-A admirar-me? - Fábio estava surpreendido e não conseguiu conter o sorriso e depositou-lhe um sorriso na testa.
-Sim, só me pergunto como consegui arranjar uma pessoa tão boa como tu.
-Eu é que tive sorte em ter-te ao meu lado. - Depositou-lhe um beijo forte e intenso nos lábios. Mas ela afastou os seus lábios dos dele e olhou-o intensamente, pousou dois dedos sobre os seus lábios e sussurrou-lhe:
-Eu quero fazer isto e quero-o fazer a teu lado.
-Tens a certeza?
-Fábio, nunca tive tanto a certeza na minha vida.

Fábio estava nervoso, seria a primeira vez que “roubava a virgindade” a uma mulher e a primeira vez que o fazia com quem realmente amava, mas apesar disso, os olhos dele brilharem e um sorriso contrastante inundou o seu rosto ao ouvir aquelas palavras, era felicidade no seu estado mais puro. Seria uma entrega por completo. E o coração de Rita disparou quando ele se aproximou dela e lhe deu um beijo curto e o seu toque era único. Tão macio, tão suave, tão querido, tão... Tão seu.

O rapaz fechou os olhos e ela seguiu-lhe o exemplo, as suas mãos continuavam postas no rosto dela, e em gesto de resposta e dando-lhe uma espécie de sinal de permissão para continuar, pousou as pequenas mãos, sob a t-shirt dele. A sua mão direita, que estava pousada sobre o lado esquerdo do peito dele, sentia o seu coração descompassado que batia em perfeita harmonia com o dela. E sentiu, depois, os lábios quentes dele a tocarem levemente nos dela, um beijo curto mas bom. E ele voltou a aproximar-se do seu rosto, voltou a sentir a respiração dele nos lábios entreabertos, e, segundos depois sentiu os seus lábios tocar muito levemente nos seus. Rita tentou afastar-se mas ele desceu uma das mãos do meu rosto para a cintura, puxou-a fortemente contra o seu corpo, e beijou-a. Aquele beijo demonstrava desejo... Não era apenas o desejo carnal, mas era o desejo de viverem algo único, juntos. E empurrou-a ligeiramente e com todo o cuidado para não a aleijar contra a parede.

Rita sentiu um arrepio correr-lhe o corpo quando ele percorreu o seu pescoço com a língua e dava-lhe uma sensação arrepiante e fantástica. E ele colocou os seus lábios bem perto da orelha dela e começou a puxar o pedaço de pele para o interior da sua boca, iria deixar uma marca, e ela sabia que mais tarde teria de escondê-la mas nem pensava nisso, queria apenas sentir aquele “chupão” que o rapaz lhe deixava, e enquanto o fazia, com todos os sentidos do corpo apurados, acabou por saltar para o colo do rapaz que a segurou mas nem assim parou. Depois de o fazer, Rita abriu os olhos e olhou para a face do rapaz e era incrível como parecia todos os dias cada vez mais bonito e ele pressentiu o olhar deslumbrado dela e sorriu, o que a deixou ainda mais corada, era incrível como ele a fazia sentir, ela amava tudo o que ele tinha e deixava-se deslumbrar por ele, o cheiro natural dele atrai-a de uma forma que ela nunca pensou e decidiu “vingar-se” da forma como ele a fazia corar, todos os dias, e depois de um pequeno beijo, apenas um ligeiro toque de lábios, decidiu morder-lhe o lábio, e nem precisou de falar, o seu corpo falou por si, tremendo que nem um menino pequeno, dos pés à cabeça, e ela não conseguiu conter o sorriso, que por sorte, ele não viu, finalmente conseguia “vingar-se”, de seguida, decidiu continuar, percorrendo o pescoço dele por beijos. Beijou-lhe a boca, mais uma vez e mordeu-lhe o lábio inferior muito carinhosamente, quando ia a fugir da boca dele, sentiu os lábios dele puxarem os seus e a língua dele percorrer-lhe o lábio inferior de uma ponta à outra. Se as bocas não tivessem unidas ter-se-ia aberto um sorriso do tamanho do mundo. As bocas separaram-se selando o beijo com vários toques de lábios seguidos. E Rita sentia-se preparada para o que iria viver, sabia que o fazia com um homem que amava e que era o homem ideal, mas também tinha medo de o desapontar, ele era experiente, e ela não.

Namorávamos à tão pouco tempo mas era tão claro como água que o amava com toda a força e intensidade, estava preparada mas iria desiludi-lo, tal como o fiz quando lhe disse que já me tinha rebentado o hímen... Ele não precisou de dizê-lo, eu viu no olhar.
Olhou para baixo, envergonhada e acabou por ficar ainda mais, ao ver que ele estava excitado e o rapaz não demorou a perceber, a sua linguagem corporal tinha-o ajudado a descobrir e tentou disfarçar, forçando-a a olhar nos seus olhos, e aí Rita viu uma oportunidade para lhe dar um pequeno sinal que também estava pronta e baixou a mão até ao seu cinto, o rapaz sentiu o seu toque mas decidiu olhar para baixo, para confirmar, e sorriu-lhe e ela sentiu-se parva, mas não deixou a sua mão sair de onde estava, mas acabou por gelar com o que havia feito... Sentia-se estúpida, e para esconder a vergonha e tudo o que sentia só ocorreu beijá-lo, e a mão dele desceu até ao fundo das costas, passando suavemente pelas costas de forma leve, e quando terminou pousou as mãos e parou de a beijar e não queria que ele parasse, Rita subiu a mão percorreu os abdominais dele sobre a t-shirt e acariciou-lhe os músculos tonificados e que tanto a faziam suspirar. E Rita dando-lhe permissão para continuar, e não querendo ficar apenas pelos beijos e decidiu baixar a mão e pousá-la sobre o cinto, e Fábio voltou a sorrir, e olhou para a sua companheira para confirmar que o toque era seu e a rapariga corou. Não sabia como lidar com o que se ia passar, e não queria parecer ridícula, então beijou-o, e baixou as mãos até ao final da sua t-shirt, não iria fazer o que já havia feito, mas sim vagarosamente começar a despir a camisola, até que ele teve de erguer os braços para a camisola sair do seu corpo. E Fábio conhecendo tão bem Rita como conseguia, percebeu que estava nervosa e agarrou-a na mão e puxou-a para o seu quarto, pelo caminho conseguiu ainda tirar os sapatos de forma um tanto ou nada, desengonçada, o que fez Fábio sorrir e depois puxá-la com cuidado.

Ele seguiu à frente e Rita seguia atrás, e bastou ele virar-se para ela durante uns curtos segundos, para ela atirar-se para os seus braços e beijá-lo, apanhando-o completamente de surpresa e completamente desarmado, e pela primeira vez naquela noite, sentiu que estavam de igual para igual. De repente pararam de se beijar, ficar a olhar um para o outro, talvez ela esperasse um sinal, e ele acabou por dar-lhe quando despiu a camisola. E o batimento cardíaco de Rita que já se encontrava num ritmo cardíaco mais rápido, disparou ainda mais velozmente, e o corpo estremeceu, a respiração começou a faltar-lhe, sentia-o cada vez mais perto. O tronco despido de Fábio parecia esculpido, e ela não conseguia simplesmente não admirá-lo por inúmeras vezes que o visse, as tatuagens acentavam-lhe demasiado bem, pareciam que também tinha sido Deus a esculpi-las, enquanto o fazia com régua e esquadro, o seu tronco era simplesmente perfeito... E vê-lo naquelas circunstâncias, dava-lhe uma sensação ainda mais suspirante, e ela fez a sua mão descer-lhe pelos abdominais, quando terminou sorriu-lhe e ele devolveu-lhe o sorriso, fazendo-a tremer por completo, dos pés à cabeça. Poucos segundos depois, os lábios dele embater nos dela e acabou por fechar os olhos e deixar-se levar por ele, confiava nele e sabia bem o que fazer, ela teria de deixar-se guiar. Sentia o tronco despido dele contra o seu corpo e as mãos dele percorrem todas as curvas do seu corpo, poderia sentir o tronco nu dele contra o seu corpo e as suas mãos grandes e quentes percorrerem todas as curvas do seu corpo, apesar de não se sentir 100% confiante com o seu corpo, Fábio fazia-a sentir-se, pelo menos, desejada. As mãos dele começaram a percorrer as costas dela e começou desapertar os botões que existiam no vestido de Rita e moveu-o até ao fim, e com um olhar, como que pedido permissão para continuar olhou para ela, que com um simples aceno de cabeça lhe deu permissão para prosseguir e ergueu os braços para ele lhe tirar o vestido e ele assim o fez, como resposta, tirou os seus sapatos e as meias de uma forma que ela nunca vira, com uma agilidade e rapidez, no mínimo impressionante. Como resposta, ela desapertou-lhe o cinto, as suas mãos tremiam de forma incontrolável e ele sorriu e sussurrou-lhe ao ouvido:

-Vai correr tudo bem, confia em mim. - Foi quanto baste para acalmar os nervos dela e suavemente abrir o seu feito e despir-lhe as calças, e voltaram a ficar ambos, em roupa interior, no mesmo pé de igualdade. Ele sentou-se no fundo da cama e ela de frente, olhou para ele e não pode deixar de notar nos olhos dele que a observavam, não tinha vergonha de expor o seu corpo ao namorado, sabia que ele a amava com todas as suas imperfeições, mas não se sentia confortável... E decidiu mudar de atitude, foi até ao corredor, mais precisamente até à pequena mesa onde ele deixava sempre o seu telemóvel e a carteira e abriu-a, os homens andavam sempre prevenidos com preservativo e ele não era exceção, e quando se preparava para voltar para o quarto, sentiu uma mão ardente agarrar-lhe o braço e puxá-la, com firmeza, de forma a ficarem os corpos, quase a descoberto colados e os rostos a milímetros. Fechou a mão e muito nervosa, seguiu-o, embora de mãos dadas até ao quarto dele, e rapidamente ele sentou-se sobre o fundo da cama, e ela aproveitando o momento e não querendo que a intensidade do momento terminasse, curvou-se e beijou-o. Um beijo curto mas sentido, como todos aqueles naquela noite, quando separaram os lábios, depois daquele beijo curto, ela esticou a mão e abriu-a, revelando o que trazia consigo. Riu-se, não um sorriso de gozo, mas um sorriso de “não acredito que te lembraste disto!”, era óbvio, mais que nunca queria estar prevenida. Ele agarrou, e colocou em cima da cama, puxou-a até ao seu encontro e sem saber ao certo porquê e como, mas enquanto o beijava, Rita decidiu, ou melhor, o seu corpo reagiu... E sentou-se ao colo dele, e a partir daí começou a sentir realmente fisicamente o corpo dele a reagir, a sua excitação era sentida no seu corpo. Encostou os lábios atrás da orelha dela e sussurrou-lhe bem baixinho:

-Amo-te mulher da minha vida!

Rita respirou fundo, e sentiu mais uma vez, que o que fazia era correto. Fábio era o seu homem ideal, era o homem certo, e aquele era o momento correto, não havia mais nenhum como aquele, ela beijou-o, desta vez com certeza do que fazia. Fábio ergueu-se e ela pousou as mãos sobre o pescoço dele, como forma de se segurar e também porque não queria deixar de o agarrar, o rapaz agarrava-a na cintura com a mão esquerda e a mão direita desceu até à sua cintura, e foi andando até se colocar ao lado da cama, e devagar e delicadamente foi pousando Rita sobre ela. Parou de a beijar e enquanto aproximava os seus lábios do seu pescoço, deixou a sua bochecha tocar no queixo de Rita e sorriu-lhe, mesmo que ela não o visse, sentia e isso fazia-a amá-lo cada momento mais, cada momento que ele lhe dava era inesquecível. A boca começou a descer até ao seu peito, e beijou-o carinhosamente, e ela tinha de confessar a si mesma que era bom. Nunca o tinham feito e gostava do que sentia, mas o rapaz decidiu descer até à barriga e aí o sentimento tornou-se diferente... Ela detestava a sua barriga e o corpo respondeu isso mesmo, rapidamente Fábio entendeu como um sinal e voltou para os seus lábios, deitou-se sobre a sua amada e apesar de pesado, era um peso que não custava a Rita, era uma peso agradável. Os beijos e carícias foram dominantes nos minutos seguintes, e além do desejo, do amor profundo que sentia por ele, do desejo que sentia por ele, também o carinho começou a ser notório, carinho como ela nutria desde os primeiros tempos que o vira jogar... E desde que o conhecera pessoalmente, desde que ele tocara à sua porta, a oferecer pizza. As mãos dele percorriam cada curva do corpo que ela possuía, cada contorno parecia milagrosamente talhado aos olhos de Fábio e ele queria senti-lo, queria fazer tudo “direito”, queria sentir tal como se fosse a sua primeira vez.

Ele quebrou o beijo e o peso do seu corpo sobre o dela, desapareceu. Ele sentou-se sobre a cama e rapidamente entendeu o que ele queria fazer e ficava envergonhada de pensar no que ele ia fazer, apesar de ser natural e prevenir futuros arrependimentos, mas era estranho pensar, e ainda para mais ver, por isso decidiu atirar as almofadas maiores para o chão, ficando apenas as duas que eram as que usavam para dormir, puxou por completo as colchas para trás, até ao fundo da cama, sempre sob o olhar atento dele. Aproximou-se do seu namorado e de joelhos em cima da cama, puxou-o para si para o beijá-lo, e acabaram ambos por cair em cima da cama. A mão grande e quente dele percorreu o corpo dela, e causava-lhe um arrepio pelo corpo, ele era ousado e sabia bem o que deveria ou não fazer... Passou pela cintura delas, as suas poderosas ancas e terminou nas coxas e cada vez aproximava mais o seu corpo do dela, até que começou também ela a sentir o seu auto-controlo desaparece, era incrível como ela a fazia sentir, física e emocionalmente, e como fisicamente sentia todo o seu corpo sobre o dela. Cada relevo, cada contorno, cada pormenor, cada músculo e ela mais que nunca desejava-o, não apenas pelo desejo, mas porque queria entregar-se como nunca se tinha entregue a nenhum homem. Fábio começou também a sentir que Rita estava mais à vontade e disposta a “soltar-se” e ele respondeu começando a percorrer o decote dela e a sua barriga de beijos e caricias mas quando chegou ao umbigo parou. Trocaram de posições, Rita saltou e ficou sobre ele e começou a percorrer o seu peito trabalhado e os abdominais perfeitamente bem feitos, aos olhos dela, com beijos e algumas pequenas carícias com a sua língua e decidiu arriscar. Nunca o tinha feito, nem sequer tentado mas arriscou. Deixou um “chupão” no peito de Fábio e ele sorriu, orgulhoso do seu amor, do seu mais que tudo. As mãos dela desceram até bem perto da linha dos boxers, e parou, sentiu-se gelar. Fábio entendeu e decidiu pegar nas mãos dela e trazê-las até ao seu peito, talvez fosse o melhor, sem lhe dar tempo de resposta, fê-la virar até à sua posição original, e o corpo dela acalmou, ainda não se sentia confortável o suficiente para “comandar”, talvez fosse melhor deixá-lo continuar e para a tranquilizar ainda mais, decidiu distribuir pequenas beijos e carícias durante breves momentos, mas apesar de emocionalmente se sentir bem, fisicamente o corpo de Rita começava a queixar-se do peso de Fábio, e num impulso, fazendo os corpos rodarem e ligeiramente ficou ela sobre ele, mas quem comandava era ele, não se sentiria sequer confortável que assim não fosse. A mão dele percorreu toda a linha da coluna e a pequena pulseira que ele trazia tocava no corpo dela, que lhe sabia tão bem, até que parou. Parou sobre o fecho do soutien e Rita ficou preocupada... Nunca algum homem à exceção do seu pai e irmão, a tinham visto despida, tinha vergonha de desapontar Fábio, com as imperfeições do seu corpo, sentia vergonha mas também uma vontade de mostrar realmente o que era, com toda a sua delicadeza, mas também com todas as suas imperfeições e pequenos pontos fortes que possuía. Não pode deixar de corar, e ficar um pouco vermelha nas bochechas, o que o fez sorrir. 

- Tenho vergonha… – Confessou. - Eu não sou perfeita ao contrário de ti.
- Serás ainda mais perfeita aos meus olhos. – perguntou ele baixinho com um sorriso carinhoso
- Vais passar a conhecer-me como nunca, não tenho como esconder-te tudo o que sou, mas é duro pensar. Tenho medo de te desapontar. - disse-lhe muito envergonhada
- Aos meus olhos és perfeita, física como emocionalmente e não me irias desapontar, porque até podes ter defeitos aos teus olhos, mas nos meus olhos és e sempre serás perfeita.
- Tenho vergonha na mesma… Sinto que me estou a expor… E eu tenho medo de te desiludir… Não sou perfeita, sabes… - insisti eu procurando perceber o que lhe ia na alma através do olhar.
-Amor, eu também não sou perfeito. Também me vais conhecer fisicamente e sei que me vais amar com todos os pontos fortes e fracos que tenho, como eu te amo a ti. - Disse ele divertido tentando acalmar-me
- Só tu! Desculpa-me! Desculpa…É a minha primeira vez, não sei como fazer as coisas certas, quais as alturas corretas. Eu simplesmente não sei. - Confessou-lhe nervosa mas sincera.
- Então relaxa, confia em mim. Tudo vai correr bem... Ou preferes esperar por outra altura? Namoramos há tão pouco tempo, meu amor. - Disse afastando a mão do seu soutien.
-Eu sei o que quero, e neste momento eu quero isto. I want you, and only you, because you are my heaven. - Pegou na mão dele e colocou-a sobre o seu soutien, Fábio olhou para ela numa última tentativa de lhe perguntar se estava completamente certo, ela sorriu-lhe e roubou-lhe um beijo, que foi quanto baste para ele num momento rápido e flexível, soltar o soutien. Deu-lhe um pequeno beijo na testa e encaminhou a sua boca até ao ombro e percorrê-lo de beijos até à alça do soutien que carinhosamente desviou, primeiro uma, seguido da outra. E com qual rapidez o havia desapertado, tirou-o! Não havia como voltar atrás... Estava despida, completamente descomprometida fisicamente para com o Fábio. Ele aproximou o seu corpo do dela, certamente lembrando-se do que ela lhe havia dito à momentos, e aproximou os seus lábios dos ouvidos dela e gemeu baixinho contra o seu pescoço, e ela colou ainda mais os seus corpos e pode sentir a ereção dele, de forma dura e simples. E o nervosismo voltou a dominar os seus sentimentos, o momento estava cada vez mais próximo e nada o poderia acalmar, sentindo isso, ele afastou ligeiramente o seu corpo do dela e num movimento rápido, voltou a colocar-se em cima dela. Também ele estava completamente despido, mas isso não a deixava nervosa, sabia que o iria amar sempre, como ele a amaria, e sorriu-lhe bem perto do seu queixo. As mãos dele começaram a descer e os seus polegares puxaram ligeiramente a única peça de roupa que restava. O coração de Rita gelou e quase faltou o ar. Mas Fábio parecia sereno e naturalmente respirando. Sorriu mais uma vez e pode num olhar rápido, admirar o corpo da sua amada, não era um olhar perverso, mas um olhar maravilhado.

-És simplesmente perfeita. – Afirmou num sussurro junto aos meus lábios, e com um sorriso doce, e os seus olhos colados nos meus. E Rita não conseguia conter a sua felicidade, e fez questão de o demonstrar, os seus lábios rasgaram um sorriso enorme.

Voltou a beijá-la, agora os nossos corpos nus, estavam colados um no outro. Voltou a fitar-me nos olhos e ela não conseguiu simplesmente não tremer... O momento tinha chegado!
Coloquei a minha mão sobre o peito dele, pedindo-lhe que esperasse, ele percebeu.
Sentia o coração dele bater acelerado, pude finalmente perceber que ele estava nervoso mas fazia um esforço por não o demonstrar. Respirou fundo, duas vezes, nada pensou durante aqueles curtos segundos, retirou a mãos do seu peito e beijou-o. Estava pronta!
Ele posicionou então o seu corpo correntemente sobre o meu, e colocou uma das mãos na minha cara e outra na minha cintura.
Num movimento muito suave, ele uniu-os, mas a dor invadiu o corpo dela. O ar parecia faltar-lhe dos pulmões e o coração simplesmente parou durante alguns segundos, apesar de ser uma dor suportável, não deixava de ser uma dor. Ele voltou a entrar nela, aplicando mais pressão, e não conseguiu conter o gemido de dor e cravar as suas unhas nas costas dele, magoando-o, mas sem intenção. Baixou então o seu ritmo, e enquanto ele continha-se para não gemer de prazer, ela continha-se para não gemer de dor, controlava o máximo as lágrimas que formava.
Respirava fundo e tentava acalmar-se, pensando que iria passar, só poderia passar. Já o tinha lido, mas ao contrário disso, a dor não passava, antes pelo contrário piorava cada vez mais e o desespero começou a apoderar-se. Se aquilo era a primeira vez, tinha ficado muito aquém do que imaginara e lera, iria ser só dor, e nem conseguia unir-se verdadeiramente com Fábio. E isso magoava-a. Fazia-o por ele, por ambos, porque o que amava, porque iria viver uma experiência única e afinal era única mas iria ficar muito longe do que tinha imaginado. Ele continuava a mover-se contra o meu corpo, beijava-me a boca e eu aproveitava esses beijos para suprimir os meus gemidos de dor. Fábio olhava-a nos olhos, ele sabia lê-los e percebeu claramente que me estava a magoar e decidiu abrandar o ritmo, e eu agradecia mentalmente, até que num ato de desespero falou:

-Fábio, para, por favor. - Suplicou.
-Agora?
-Sim, já. - Acabou por fazer o que a namorada lhe pediu. Rita cobriu o seu corpo com um lençol e levantou-se da cama. - Estou cheia de dores, não consigo suportá-las, desculpa.
-Estás bem?
-Não, não estou bem. - Disse levantando-se da cama, cobrindo o corpo com o lençol da cama.-Não consigo aguentar estas dores, são insuportáveis, desculpa.
-Eu sabia que dói-a, mas não sabia que magoava tanto, desculpa, não queria magoar-te.
-A culpa não é tua, eu é que não consigo mesmo aguentá-las. Já li bastante sobre este momento e acredita que estas dores são demasiado irreais.
-E agora o que queres fazer?

Será que estas dores de Rita são normais?
Como ficarão depois disto? Voltaram a tentar depois disto?