sábado, 14 de junho de 2014

Capítulo 20: “Estou disposto a correr esse risco e tu?”


Era o momento mais bonito que estavam a viver juntos e estavam a tentar desfrutá-lo. Sentiam o coração do companheiro a bater e a felicidade bem presente no rosto da outra pessoa, existia uma paz natural nos corações de cada um. E Fábio sabia que era o momento ideal para partilhar o que sentia, sempre tivera medo do momento em que assumia o que sentia, tinha medo que o sentimento não fosse recíproco, que ela se afastasse dele e no fundo de a perder. Mas tinha de arriscar, podia perder tudo mas também podia ganhar tudo.

-Fábio, talvez seja melhor voltarmos. Os meus pais já devem estar á minha espera. – Ele sabia que ela tinha razão e que para ganhar a confiança dos pais da sua amiga tinha de cumprir o que prometera, mas era muito forte o desejo que sentia de prendê-la nos seus braços e não mais largá-la, queria poder ficar ao lado dela até aos últimos dias da sua vida.

-Rita, por favor, só mais um bocadinho. Suplicou Fábio e Rita não conseguiu resistir.

-Mas é mesmo só mais um bocadinho, sabes que o meu pai está á minha espera. – Disse pousando novamente a mão sobre o peito de Fábio que a agarrou as mãos e olhou para ela.

-Só falta uma coisa para tornar este momento perfeito. – Encheu-se de coragem e disse-o, Rita olhou para ele que sorria e perguntou:

-E porque não o tornas perfeito? – Perguntou envergonhada mas com coragem de dizer tudo o que sentia e de se sentir ainda mais realizada.

-Porque não sei se também o queres.

-Eu confio em ti Fábio. – Disse pousando a mão sobre os cabelos secos mas brilhantes dele.

-Tens a certeza? Tu nem sabes o que vou fazer.

-Faço uma pequenina ideia. E sinceramente, não preciso de saber, tal como te disse confio em ti.

Os olhos de ambos brilharam e foi Rita quem tomou a iniciativa de cruzar os seus dedos com os de Fábio dentro de água. Fábio sabia que o que iria fazer podia estragar aquela amizade, podia deixar a amiga desiludida ou magoada, podia afastá-la de si, mas estava disposto a arriscar, afinal ela permitia-o, fora ela que o incentivara-o a fazer, embora não soubesse ao certo o que ele iria fazer.

Fábio aproximou os seus lábios da face de Rita, pousou a mão esquerda sobre a bochecha dela que fechou os olhos sentindo o doce toque do amigo na sua face, aproximou os seus lábios dos dela e respirou durante breves segundos e beijou-a como desejara há imenso tempo, como nunca desejara beijar ninguém.
E Rita nunca hesitou, nunca temeu e sempre confiou em Fábio, deixou-se beijar e sentir todas aquelas sensações únicas, faziam-na ter ainda mais certeza do que sentia por ele. Estava apaixonada. E aquele beijo causara-lhe uma felicidade inexplicável, sentia-se amada como não sentia desde o final de relação com Tiago.

E Fábio sentiu o que nunca havia sentido antes, uma felicidade a sair pelo seu coração de forma inexplicável, uma vontade de não mais soltar Rita dos seus braços, de fazê-la apenas a única mulher da vida dele. Ela era a sua felicidade, o seu porto de abrigo, o seu porto seguro, uma mulher surpreende apesar da tenra idade.
As bocas só se separaram quando o ar começava a escassear, e parecia nada os querer afastar, não queria mais largar-se, nunca mais se afastarem e ficarem unidos como um só. Rita pousou a cabeça sobre o peito de Fábio e as mãos nos ombros dele, que retribuiu o gesto pousando as mãos sobre as costas de Rita e a cabeça sobre a cabeça dela e com a voz meio-rouca e grave disse:

-Sem dúvida que tornaste este momento perfeito. – Disse sorrindo e olhando para o nascer do sol cada vez mais forte.

O momento era magnífico e queriam torná-lo eterno mas Fábio sabia que para conseguir voltar a desfrutar de um momento assim precisava de continuar a manter a confiança dos pais de Rita, por isso foram até ao carro, de mãos dadas e durante a viagem, e para irromper o silêncio que existia no carro, Fábio falou:

-Rita, precisamos de falar sobre o... beijo, de há pouco. – Disse com um sorriso na cara, bem ciente da felicidade que aquele simples beijo lhe dava.

-Sim, mas não o vamos fazer agora. -  Disse enquanto Fábio entrava na garagem para estacionar o carro. –Tu tens de ir descansar mais um pouco antes de ires para a concentração e eu preciso de ir tomar banho para depois ir para a escola. – Fábio não sabia descodificar o que ela sentira em relação ao beijo, sentia-a distante, quase que a afastar-se dele e os maiores receios dele confirmaram-se, estava a perdê-la.

-Não queria estragar o teu aniversário com isto, desculpa se o fiz.

Rita nada respondeu, limitou-se a sair do carro, dar-lhe um beijo de despedida e a voltar para casa e para Fábio era um pesadelo a tornar-se realidade. Iria perdê-la, estava a perdê-la, não a deveria ter beijado, estava a perdê-la por sua própria (ir)responsabilidade. Deu um murro na parede e foi até casa, onde arrumou alguns pertences e arrancou até ao Centro de Estágios, ainda era cedo, mas queria apenas sair daquele local que só lhe trazia recordações de Rita, embora soubesse que até o mais pequeno pormenor da natureza, a trazia a recordação cada vez mais a amada.

E Rita sabia muito bem porque não tinha conversado durante a viagem de carro, porque tinha evitado a conversa com Fábio e porque estava distante na conversa que tivera com ele, tudo tinha uma justificação. Sabia que se sentia feliz ao pé de Fábio como não se sentia ao pé de mais ninguém, sabia que ele a fazia sorrir e encarar a vida com outra perspectiva, que ele a fazia tirar os pés no chão e a colocava nas nuvens, sabia como ninguém que se estava a apaixonar e queria apenas afastar-se... Mas em simultâneo aproximar-se. Queria poder beijá-lo, dizer o que sentia por ele, tocar-lhe, serem feliz em sintonia, mas tinha medo. Medo que ele a usasse apenas como conquista, que a magoasse, que ferisse os seus sentimentos e partisse o coração. E ela não conseguia limitar-se a viver mais um desgosto amoroso. Entrou em casa e foi pousar as prendas ao seu quarto,  de seguida foi até á casa de banho, despiu-se e entrou na banheira, tomou um banho bastante longo e quando saiu de lá estava com a consciência tranquila, tinha de falar com Fábio e conhecia-o tão bem que sabia ver se os seus interesses eram verdadeiros ou não, depois foi até ao quarto onde se vestiu, preparada para mais um dia de escola. Enquanto preparava a mala da escola a mãe entrou no quarto e disse:

-Bom dia Rita! – Cumprimentou-a com dois beijos. – Como correu a noite? – Rita procurava os livros da escola para os colocar na mala. – Que estás a fazer?

-Correu bem mãe, mas não quero falar sobre isso, estou sem cabeça para conversar e só com vontade de descansar.

-Tens a viagem toda para descansar!

-A escola não é assim tão longe, mãe.

-Que eu sabia a tua escola não é em Braga!

-Braga? Não acredito que vocês me deixam ir...  – Deu um abraço á mãe e um beijo na testa. –Obrigada, obrigada mãe! – Encheu a cara da mãe de beijos e quando acabou foi ter com o pai á cozinha, abraçou-o e apenas conseguia dizer... – Obrigada pai! De coração! É a melhor prenda que me podiam ter dado!

-Bom dia também para ti filhinha! E já agora parabéns! Mas não te esqueças que é uma prova de confiança que te damos deixar-te ir para Braga. – Disse o pai abraçando também a filha.

-Que é que a mana vai fazer para Braga? Também posso ir? – Perguntou Pedrito que estava sentado á mesa comendo os seus cereais de pequeno almoço. Rita sentou-se ao seu lado e respondeu.

-Tu hoje tens escola Pedrito. Não podes faltar. – Informou a irmã despenteando-lhe o cabelo.

-Mas tu também tens aulas e vais faltar!

-Mas não devia!

-Também quero ir! – Reclamou Pedro. – Quero ir para Braga com a mana!

-Por acaso sabes o que vou lá fazer?

-Vais ver o jogo do Fábio. Os pais disseram e eu também quero ir!

-Mas sabes que hoje é o aniversário da mana? E a mana quer ir surpreender o Fábio!

-Se são os teus anos, ele devia ficar cá e não devia ir para longe! Devia dar-te prendas e cantar-te os parabéns e fazer uma festa ao pé de ti.

-Ele já me deu prendas e já me cantou os parabéns. Só não trouxe bolo porque ficou em casa dele. – Disse surpreendendo os pais e até o próprio irmão. – Ele não canta muito bem mas o que importa é a intenção. E deu-me tantas prendas que nem imaginas Pedrito!

-Posso ir ver?

-Quando acabares os teus cereais!

Estavam todos curiosos para ver as prendas, em especial Pedrito que acabou por adorar, em especial, os autocolantes que achou bastante divertidos e conseguiu ficar com alguns, convencendo a irmã que iria dar aos colegas de turma e também com as pantufas que garantiu que mal apanhasse a irmã distraída os iria alcançar, apesar de lhe ficarem bastante grandes.

Depois de abrirem as prendas, foram até á cozinha e acabaram de tomar o pequeno-almoço mas á pressa, Rita tinha de ir apanhar o comboio e a família iria com ela até á estação. A caminho da estação a mãe disse:

-Filha não te estás a esquecer de nada? – Disse enquanto atravessavam a ponte em direção a Lisboa.

-Esqueci-me do cachecol do Benfica sim!

-Não precisas do cachecol depois desta prenda! – Esticou o braço e deu um saco do Benfica á filha. – Tenho a certeza que vais gostar e ele também!

Rita abriu a prenda e os seus olhos brilharam como estrelas brilhantes, e o sorriso estava bastante presente nos seus lábios, um sorriso bastante genuíno e verdadeiro. Nunca tivera um equipamento completo do Benfica, nem nunca tinha tido uma camisola só sua e os pais ofereceram-lhe e com um grande pormenor que a deixou ainda mais radiante. A camisola tinha escrito o número “65” e o nome “F. Cardoso”, que era o nome e o número que Fábio envergava quando jogava.


-Obrigada, obrigada, obrigada! – Disse sorrindo e dando dois beijinhos aos pais e mexendo e observando aquela camisola que era sua e que de certo, deixava Fábio orgulhoso.


Vestiu a camisola e estava-lhe um pouco grande, tal como gostava! Ficou super feliz e era notório, foi claramente uma das melhores prendas que já lhe tinham dado.

-Mana, juntei algum dinheiro que os pais me deram e consegui comprar-te uma prenda! – Rita estava a ter um dia feliz, um dia cheio de surpresas boas, como não tinha há muito.

-A sério Pedrito? Não era preciso obrigada! – Disse dando um abraço ao irmão.

-Senão quiseres eu fico com elas!

-Pedro! – Disse a mãe. – Dá á tua irmã e depois quando quiseres ela empresta-te pode ser Rita?

-Claro! – Pedro deu-lhe a prenda que Rita adorou, não pelo objeto em si mas pela intenção.


Quando chegaram á estação, o comboio já lá estava e não demorava a partir, mas a mãe não a deixou ir sem alguns últimos recados:

-Quando chegares, diz alguma coisa, e depois vais almoçar e não te esqueças pelo caminho de comeres qualquer coisa também. Ontem pus-te 20€ na carteira e se for preciso tens dinheiro no multibanco, senão tiveres eu trato já de transferir. E quando tiveres o bilhete e tiveres a entrar diz-me alguma coisa, e no intervalo também. No final do jogo liga-me para dizer como ficou e qual foi a reação dele! – Deu todas as recomendações que se lembrava.

-Mais alguma coisa mãe? – Disse sarcasticamente, a mãe bombardeara-a de informações e de recados, que Rita tentava decorar mas sabia que era pouco provável lembrar-se de todos.

-Sim! – Respondeu sorrindo. – Porta-te bem, diverte-te e namora muito. – Piscou o olho.

-Eu e o Fábio somos só amigos.

-Sim, está bem... – Respondeu a mãe pouco convencida. –Um último beijinho e um abraço filhota! – Disse dando-lhe um beijinho e apertando-a nos seus braços.

-Disseste isso as últimas quarenta vezes.

-Pelo menos... – Respondeu o pai. – Eu e o Pedro também nos queremos despedir!

-Mas eu e o bebé estamos primeiro! – Disse a mãe queixando-se e separando-se da filha e deitando uma lágrima teimosa. Rita sorriu, limpou a lágrima da mãe e disse.

-Não chores, eu ainda hoje volto e vais ver que nem vais dar pela minha falta!

-Ainda no outro dia nasceste e hoje já fazes 18 anos, claro que estou a ficar velha. – Disse com mais uma lágrima a cair-lhe do olho. – Vais ter com um digamos... Amigo. E eu e o teu irmão vamos ficar aqui sozinhos. Ainda por cima vou saber se é um menino ou uma menina.

-Tens a Ana, a Diana, o Pedrito e o pai. E se te sentires sozinha, liga-me que vou tentar quebrar essa barreira dos quilómetros, nem dás por nada!

O comboio estava quase a partir, e Rita teve de despedir-se á presa dos pais e do irmão e partir a correr para o comboio para não o perder. Procurou o seu lugar que era marcado e sentou-se ao pé de uma rapariga que aparentava ser pouco mais velha que ela.

-Olá. – Respondeu antes de se sentar. – Desculpa o meu lugar é aqui, penso eu. Posso sentar-me?

-Olá! – Sorriu. – Estás a vontade querida, assim já tenho companhia para esta viagem e já não apanho uma seca até Braga!

A sua companheira de viagem chamava-se Teresa e tinha 20 anos, estudava enfermagem em Lisboa e faltavam-lhe apenas uns meses para concluir o curso, namorava á distância, porque o seu namorado trabalhava em Braga. E ia ter com o ele, para lhe dar uma boa notícia, embora inesperada. Estava grávida. Rita ficou surpreendida mas feliz, felicitou-a e acabaram também por conversar até ao final da viagem. E Rita contou também um pouco da sua história de vida, e em especial da história com Fábio. A rapariga aconselhou-a, a escutar o coração, deixar de parte os problemas que a cabeça poderia arranjar e confiar apenas em Fábio, porque além de qualquer outro sentimento, existia uma amizade. E se for preciso, desabafar com ele sobre os seus medos, receios e sentimentos melhores ou piores. E Rita ficou bastante agradecida pela sugestão e pelo gesto de amizade, e entre brincadeiras  também lhe mostrou as prendas que ele, entre elas a ventoinha, que despertava mais curiosidade, queriam saber qual era a mensagem, mas o mais acertado era esperar.

Quando chegaram a Braga, era hora de almoço, por isso decidiram ir aproveitar para conversar mais um pouco e optaram por ir almoçarem juntas. Depois trocaram números de telemóvel e tiveram de se despedir, Teresa tinha de ir surpreender o namorado e Rita tinha de ir comprar os bilhetes do jogo e assistir ao encontro. Queria estar o máximo de tempo possível perto de Fábio, nem que fosse longe, queria poder olhá-lo, admirá-lo e sentir-se nas nuvens, pois era assim que ele a fazia sentir.

Demorou pouco mais de 20 minutos a chegar até ao estádio e quando chegou, comprou o bilhete. As portas já estavam abertas, faltavam pouco mais de 30 minutos para o inicio do encontro. Entrou e vestiu a camisola que os pais lhe tinham oferecido, e sentou-se o mais próxima possível do campo. Os guarda-redes do Braga já aqueciam, e entrou depois a restante equipa. Mais tarde entraram os guarda-redes do Benfica e os jogadores, e Fábio estava a aquecer juntamente com todos. Ele seria titular. E não conseguiu esconder o seu sorriso de felicidade, e de orgulho. Não conseguiu tirar os olhos dele, não conseguiu parar de pensar nele. Era o dia em que comemorava 18 anos, e tinha feito mais de 300 quilómetros para estar com Fábio. E por diversas vezes tinha ficado com a ligeira impressão que ele tinha olhado para si. E isso fê-la corar.

O Benfica chegou tranquilamente ao intervalo a ganhar por 2-0, golos de Funes Mori e as equipas iam para os balneários, mas Rita inspirou fundo quando Fábio estava a entrar com os colegas:

-Fábio! – Gritou e ele olhou para a zona onde ela estava e arregalou os olhos e sorriu. Começou a correr e aproximou-se de Rita,  tinham apenas um muro de um metro a separá-los. –Parabéns pelo jogo, meu príncipe!

-Rita... – Disse ainda ofegante e claramente surpreendido por vê-la. – O que é que estás aqui a fazer?

-Não consegui estar um dia sem ti, e não um dia como este. – Como estava em cima da bancada, conseguiu dar-lhe um beijo na testa, de seguida saltou e voltou a ficar mais baixa que ele. E ele continuava sem saber como reagir.

-Obrigada... – Disse envergonhado.  – É o teu aniversário e tu abdicaste do teu dia para estar aqui... Por minha causa?

-Sim, Fábio! – Disse sorrindo. – Podes-me tocar á vontade, sou mesmo eu, Rita Madeira! – Sorriu. Fábio abraçou-a e sussurrou:

-É o teu aniversário e tu é que me surpreendes! Obrigada por fazeres parte da minha vida, Rita! – Ela foi apanhada desprevenida mas quando sentiu os braços dele no seu corpo abraçou-o também. No túnel de acesso aos balneários apareceu um senhor que gritou:

-Fábio estás a fazer o quê? Anda para dentro! – Fábio e Rita olharam para aquele senhor e separaram-se.

-Desculpa pequena, tenho mesmo de ir. – Deu-lhe um beijinho na testa. –Obrigada por tudo! – Sorriram. – No final vai ter comigo sim? – Estava a virar costas a caminho daquele homem, quando Rita o agarrou pela mão e ele virou-se para ela. Aproximou-se de Rita, fixando apenas os olhos, e ela juntou os lábios. Foi apenas um encosto de lábios, mas fora bom, deixara-os com um sorriso nos lábios e felizes juntos, como não eram em separado. Bastava apenas conhecerem-se para se sentirem felizes, mas nada os deixava mais nas nuvens que o outro. 

Sorriram e ele foi embora para junto dos colegas, Rita sentou-se nas bancadas e a única coisa que conseguia pensar era nele, naquele beijo, na mudança que tinha existido na sua vida desde que o conhecera, o quanto ele tinha mudado... Por si. E o quanto gostava dele, de uma forma que nunca pensara gostar. Sorriu e acabou por perder os primeiros minutos da segunda parte do jogo, perdida em pensamentos, mais concretamente em pensamentos com ele.

Algumas pessoas aproximaram-se dela, para lhe pedir a camisola de Fábio, para lhe pedir um autografo dele ou para lhe dizer que tinha uma fã ali, ou uma fotografia, e Rita respondia a toda a gente com uma enorme simpatia característica, e apenas dizia que iria tentar. Não queria maçar Fábio mas também não queria desiludir as pessoas. Mas também depois de alguns pedidos, palavras de apoio para o jogador e também de uma pergunta mais desenvergonhada se namoravam, as pessoas acabaram por se afastar naturalmente e desfrutar do restante jogo. E acabou com uma vitória tranquila do Benfica B, por 3-1, dois golos de Funes Mori e um de Bernardo Silva. 


E Rita acabou por sair das bancadas, e ir até junto da saída dos jogadores, mas não a deixavam aproximar-se demasiado, nem aos adeptos que estavam ao pé de si. Por isso esperou e esperava ansiosamente que Fábio fosse ter com ela. 
Pegou no telemóvel e ligou-lhe. Não atendeu, por isso não insistiu. Talvez tivesse no banho ou não pudesse atender. Aguardou mais um pouco.

E aproximaram-se três raparigas entre os dezasseis e os dezoito anos daquela saída, e começaram a conversar sobre os jogadores mais bonitos, esquecendo-se do mais importante. O talento puro e nato, o esforço que depositavam em campo, e nos treinos e a garra que demonstravam. Estavam simplesmente a comentar a aparência dos jogadores, em especial do Benfica, porque diziam ser benfiquistas. E com a pontaria que tiveram, acabaram por conversar sobre Fábio, e Rita ouvia com atenção, todos os pormenores que elas diziam, tudo o que diziam e tentava acalmar-se. Limitavam-se a apreciá-lo pela beleza, e ele tinha muito valor interiormente, era um rapaz dono de um grande coração, simples e que valoriza e cuida dos seus amigos. E respirou fundo a primeira vez, a segunda vez, a terceira vez. E acabou por dizer:

-Desculpem lá. – Olhou para as raparigas. –Vocês vieram ver o jogo ou foi para olhar para os rapazes, em especial para o Fábio? – Ambas olharam para Rita surpreendidas e cochicharam entre si, e ninguém conseguiu entender a não ser elas.

-Rita... – Estava de costas para a cancela de onde sairiam os jogadores até ouvir aquela voz. Aquela voz que conhecia como ninguém. –Ligaste-me? – Rita virou-se e encarou Fábio, não estava á espera que ele aparecesse e que ouvisse o que ela dissera as raparigas.

-Sim, queria saber de ti. – Embora não estivesse a ver as raparigas imaginava-as cheias de ciúmes e inveja e um sentimento de vingança apoderou-se de si. –Parabéns pelo jogo! – Aproximou-se dele e deu-lhe um beijinho na bochecha.

-Obrigada princesa! – Deu-lhe um beijo na testa. – Vinha chamar-te para ires no autocarro comigo e com o resto do plantel.

-A sério? – Os olhos dela brilharam. – E não há problema de certeza?

-Não! O mister e os meus colegas até querem conhecer-te!

-Que vergonha Fábio! Posso só pedir-te então para dares autógrafos aqui fora senão te importas?

-Claro que não.

Aos poucos os adeptos aproximavam-se de Fábio e pediam fotografias e autógrafos, e até a camisola mas ele respondia que não tinha nenhuma que pudesse dar e a primeira que daria seria para uma adepta muito especial a sua fã número 1. Referia-se a Rita, mas ela não entendera e por momentos sentiu ciúmes daquela pessoa, de quem ele falava com um sorriso na cara. Aproximou-se um adepto, já adulto, que aparentava ter entre os trinta e os quarenta anos, e pediu uma fotografia com Rita e Fábio e ela embora reticente acabou por aceitar e depois de um autografo acabou por lhe dizer:

-Parabéns pela namorada Fábio! Para além de bonita é boa pessoa! – Rita sentiu as suas bochechas ficarem rosadas como nunca antes tinham ficado e ficar sem palavras, e ele respondeu.

-Muito obrigada! Sem dúvida que tive muita sorte de a ter conhecido! – Fábio não o negou, Fábio foi como tivesse concordado que eram namorados, ele elogiou-a em frente a adeptos, ele estava feliz por tê-la conhecido, ele fazia-a sentir-se feliz. Sorriu e entrou pelas cancelas e caminhavam lado a lado, mas ele esticou a mão e agarrou na mão dela, que corou mais uma vez mas não recusou. Começaram a caminhar em direção ao autocarro e Fábio conversou. –O mister e os meus colegas gostavam muito de te conhecer! Já ouviram falar muito de ti e querem conhecer o motivo para o meu sorriso.

-Eu não consigo... Tenho vergonha. – Parou e apertou mais fortemente a mão dele.

-Porque é que não consegues?

-Tenho vergonha. Antes de serem teus colegas de equipa e jogadores do Benfica, alguns são teus amigos e sinto que é um um passo maior que a perna.

Fábio aproximou-se de Rita e colocou as mãos no fundo das suas costas e ela retribuiu-o colocando as mãos no seu peito. Ele beijou-a e ela retribuiu totalmente, tinha sido um beijo tão intenso como o primeiro e quando separaram os lábios ele disse:

-Estou disposto a correr esse risco e tu? – Perguntou olhando para ela mas ainda perdido a olhar para os lábios dela e ela a olhar para os seus. Apesar de não ter sido o primeiro beijo deles continuava com a mesma magia do primeiro, com o mesmo sentimento e emoção, continuava a dar-lhes uma sensação de felicidade extrema, como se tivesse a viver nas nuvens. Mas mesmo assim Rita tinha de pensar numa resposta, se faria a viagem com a equipa e com os treinadores, onde os iria conhecer e ser apresentada como amiga de Fábio, ou se voltaria sozinha para Lisboa, com medo do que envolvesse todos os sentimentos que queria evitar.

O que irá Rita responder?
Que carga formal terá aquela apresentação? O que significara os beijos trocados?

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Capítulo 19: “Vocês sabem que eu gosto muito da Rita...”


-Nós já percebemos que existe algo entre vocês. – Respondeu calmamente a mãe. – Mas ainda não partilhaste. Talvez por achares que é cedo. Mas queremos que saibas que podes contar connosco. Quanto ao que pediste... Amanhã tens aulas, tenho a consulta em que se sabe se é menino ou menina e além do mais, nós já tínhamos tratado de uma surpresa para ti.

-Mas eu não pedi nada. – Respondeu surpreendida. – E não queria pedir, mas é uma questão mesmo importante. Sei bem de tudo isso que me disseste e foi uma das razões pelas quais demorei a pedir, tive de arranjar coragem para fazê-lo. Mas o Fábio é alguém que gosto mesmo muito e quero supreendê-lo. Quero estar com ele, num dia como o de amanhã. E quanto á surpresa... Que é que andaram a preparar?

-Digamos apenas que o Fábio se antecipou e já tinhamos uma prenda para ti. Ou melhor, uma surpresa. Porque a tua prenda é outra. – O pai e a mãe trocaram um sorriso cúmplice. – Não perguntes, depois da meia noite saberás.

-Está bem. Mas não querem dar só uma pista pequenina?

-É uma coisa que tu gostas!

-Vão-me oferecer os bilhetes para ir ter com o Fábio?

-Isso logo se vê. – Respondeu o pai com cara de poucos amigos. Era um pai cuidadoso com a filha, embora não fosse dos pais que mais o demonstrava.

-Não pode ser logo... Até porque daqui a menos de 24 horas é o jogo.

-Ainda há tempo. – Disse o pai não voltando com a palavra atrás.

A campainha tocou e olharam todos uns para os outros, mas os olhos caíram especialmente sobre Rita que entendeu o porquê de todos aqueles olhares.

-Não combinei nada com o Fábio. – Disse atrapalhada. – Mas deixem-se estar que vou lá. – Levantou-se do chão onde estava sentada á beira do irmão e foi até á porta de casa. Espreitou e as suspeitas da família estavam certas.
Abriu a porta e deram dois beijinhos, bem no canto dos lábios, Fábio desculpou-se que fora acidente mas sabia, no íntimo, que não era verdade.

-Desculpa. – Pediu olhando para a amiga que tinha um sorriso nos lábios.

-Não tens de pedir desculpa. Os acidentes... Acontecem. – Sorriram. – Mas entra. Está tudo na sala. – Fábio entrou em casa da amiga e foi em direção á sala. Cumprimentou todos e pousou a mão sobre a barriga de Maria. Desde que a conhecera que sentia necessidade de se aproximar daquele bebé, afinal era irmão de uma das suas melhores amigas.

-Campeão queres ir para o teu quarto com a mana, mostrar o truque que te ensinei? – Perguntou referindo-se ao truque que ensinara a Pedro de como fazer fintar o adversário no PES2013.

-Pode ser! – Disse animado Pedrito. – Mas não demores!

-Está bem Pedrito! – Despenteou-lhe o cabelo do menino e trocou um olhar com Rita, como forma de despedida pelos minutos que iriam estar longe. E depois de se certificar que havia chegado ao quarto e encostado a porta, é que conseguiu falar com os amigos de Rita.

-Senhor Manuel, dona Maria. – Olhou para ambos. – Quero pedir-vos algo delicado. Sei que podem não gostar, mas peço-vos que compreendam. Amanhã a vossa filha faz anos e eu tenho jogo em Braga á tarde. Por isso não vou conseguir estar presente na surpresa como já vos tinha dito. Por isso peço-vos que me deixem passar uma parte da noite com ela, gostava muito de passar a meia-noite á beira dela. - Pediu envergonhado.

-E querem ficar aqui por casa? Mas nada de portas fechadas ou encostadas, quero certificar-me que nada se passa! – Disse animado Manuel, mas ninguém entendera.

-Oh Manuel! – Respondeu tentando repreender a brincar o marido. -Já te esqueceste da promessa que o rapaz te fez há tempos? – Maria tinha tocado noutro tema de conversa que o jovem aguadense queria tocar.

-Sobre esse assunto. – Respondeu sem sabendo como falar sobre o assunto. Mas respirou fundo e olhou para os pais da amada. Tinha prometido protegê-la como amiga e precisava de permissão para dar um passo á frente na relação que o unia á amiga. – Vocês sabem que eu gosto muito da Rita. – Não conseguia dizer o seu nome sem sorrir e desta vez não foi excepção. – Aliás, mais do que pensei alguma vez gostar de uma rapariga. Desde que ela apareceu que tudo começou a mudar, a ganhar um verdadeiro rumo e uma nova razão de viver. E tenho que vos agradecer por lhe darem vida e por ter tido a sorte de conhecê-la. Não quero que me entendam mal, por isso vou-vos explicar. – Tinha ensaiado por bem mais que uma vez, o que diria aos seus pais, mas tudo o que estava a dizer, estava a sair-lhe tão naturalmente como nunca pensara. – Nos últimos tempos, tenho começado a descobrir o que é o amor, graças a vossa filha, e apenas a ela. É a única. – Fez uma curta pausa. – Que me faz sentir assim, literalmente a viver nas nuvens. Quando acordo de manhã é dela que me lembro, quando me falam em amor é nela que penso. E por mais que uma vez, sonhei com o nosso futuro. Juntos. – Sorriu. – O casamento, a lua de mel, o nascimento dos nossos filhos. E não imaginam o quão bom é saber que nos dias bons e maus, ela vai estar lá a apoiar-me. E quando estou ao pé dela, parece que o tempo passa a voar e desejo sempre ficar mais um bocadinho, mais um bocadinho e sempre que não estou com ela, parece que o tempo não passa.  Torna as coisas más menos más. A vida torna-se mais fácil. A Rita é o meu mundo, a minha metade, a minha força, o meu sorriso e a minha luta maior será sempre deixá-la feliz. Aconteça o que acontecer. E por tudo o que expliquei, posso dizer com certezas, que estou apaixonado pela Ritinha.– Maria chorava emocionada pelas palavras de Fábio mas também pelas hormonas extra que a gravidez trazia. Manuel sorria, de felicidade e orgulho e respondeu ao rapaz:

-E estás á espera de quê? Ou melhor vieste perguntar mesmo o quê? – Perguntou o pai de Rita, deixando Fábio nervoso.

-Eu prometi que iria tomar conta da Rita, enquanto amiga. – Respondeu ainda tremendo com os nervos que sentia.

-Tu prometeste que ias fazer tudo para a deixar feliz e que ias cuidar dela. E tu vais cuidar dela, quer seja enquanto namorado, como enquanto amigo. E tenho a certeza que vais fazê-la feliz, se lhe disseres o que sentes.

-Então dá-me permissão para falar com ela e dizer o que sinto? E se o sentimento for recíproco podermos namorar? – Perguntou a medo.

-Sim, rapaz, vai em frente. Mas se estás a pensar que te vamos facilitar a vida tira o cavalinho da chuva. Vais ter de descobrir por ti próprio.

-Fábio! – Gritou Pedro do quarto.

-Estou a ir campeão! – Agradeceu aos pais de Rita e foi até ao quarto. Pedro tinha vencido mais uma vez naquele jogo e continuava invencível. Divertiram-se mais um bocadinho e depois Pedrito foi-se deitar, e só adormeceu depois de Fábio e Rita lhe lerem a história. Despediram-se também de Manuel e Maria e foram até casa do rapaz pouco passava das 23 horas.

-Pequenina sei que ainda falta um bocadinho para fazeres anos... O que queres fazer até lá? – Perguntou sentando confortavelmente no sofá.

-Queres ver um filme? – Perguntou sentando-se ao colo do amigo.

-Sugestões?

-Não te importas que seja um romance? Já me falaram maravilhas do filme e ainda não o consegui ver.

-Claro que não. Deixa-me só ir buscar o computador. – A levantar-se Rita não pode controlar o olhar e admirar o rabo de Fábio. Era maior do que pensava e dera-lhe vontade de o agarrar e apalpar, mas controlou-se para não o fazer.
Quando voltou sentou-se e pediu a Rita para se sentar também ao colo dele, que sem hesitar, obedeceu. Ligaram o computador e Fábio perguntou:

-Qual é o filme que queres ver, princesa? – Rita sorriu.

-Três Metros Sobre El Cielo. – Respondeu tentando imitar a pronúncia espanhola.

-O teu espanhol até é bom. – Para Fábio, tudo o que ela possuía era bom, até a fraca pronúncia espanhola que ela tinha.

-Goza, goza! – Disse dando-lhe um beijo sobre o pescoço de Fábio, que provocou um calafrio sobre Fábio.
Começaram a ver o filme e rapidamente foram obrigados a trocar de posição, a que estavam era pouco confortável. Deitaram-se sobre o sofá e enquanto Rita ficou mais perto do chão, Fábio ficou mais próximo do encosto. O seu queixo ficou pousado sobre a cabeça da amiga e mesmo assim os seus pés estavam longe dos de Rita, mas tentou escolhê-los para se tocarem. Fizeram uma forma de conchinha e só depois começaram a assistir ao filme. Ao qual assistiram muito antenciosamente.

Numa das cenas do filme, assistiram ao sol a nascer e ela não pode deixar de comentar:

-Nunca tive a sorte de conseguir ver um nascer do sol, muito menos na praia. – Disse mas sem a intenção de pedir ou cobrar nada ao amigo.

-Não peças mais nenhuma vez.

-Tu... Não farias isso.

-Hoje quando o sol nascer, tu vais estar ao meu lado a realizar um dos pedidos da princesa.

-Não eras capaz. – Disse surpreendida.

-Avisei-te para não dizeres duas vezes. Vou realizar uma vontade tua. Um desejo teu é uma ordem. – Deu-lhe um beijo na testa.  

Acabaram por calar-se, porque assistiam a uma das cenas mais bonitas do filme. E quando o filme terminou não pode controlar o desabafo:

-Um dia quero viver um amor como este.

-Pode ser que mais cedo do que penses, possas realizar o teu sonho. – Disse olhando-a olhos nos olhos. E o silêncio tornou-se desconfortável para os dois, sabiam bem o que estava em causa, mas não queriam falar sobre isso. – Mas parabéns pequenina! – Deu um beijinho na bochecha da amiga e mais um na testa. –Espero que tenhas um dia feliz como bem mereces! Tenho é pena de não o poder celebrar a teu lado.

-Estás no meu coração, não te preocupes. – E começaram a trocar alguns mimos e carícias, mas sem qualquer malícia, queriam apenas mimar-se e matar saudades (do que ainda não tinham vivido). Mas o tempo passava a voar e Rita começava a sentir sono, e Fábio sentia isso, por isso fez um movimento brusco, o que assustou a amiga, a levantar-se do sofá.

-Vais onde?


-Já volto não te preocupes! – Foi até á cozinha e trouxe um bolo de aniversário, colocou as duas velas com os números 1 e 8 e acendeu-as. – É apenas uma das surpresas que tenho preparadas para ti hoje.


-Não era preciso Fábio! – Disse surpreendida mas feliz pela surpresa do amigo.

-Claro que era! Tu mereces todos os miminhos que te poder dar! – Deu-lhe um beijinho na testa e começou a cantar os parabéns e Rita acompanhou. Depois apagou as velas e mordeu as velas. Pediu um desejo:

“Quero muito, muito ir a Braga amanhã”

Abriu os olhos e olhou para Fábio que sorriu e perguntou:

-Que é que pediste pequena?

-Se te disser depois não se realiza! – Na verdade ela não se importava de lhe 
dizer mas assim se o conseguisse deixaria de ser surpresa.

-Está bem, então guarda para ti que eu quero que todos os teus desejos e ambições se tornem realidade! – Rita ficou mais uma vez envergonhada. – Não te importas de ir buscar uma faca e os pratos enquanto eu vou só ao quarto buscar umas coisas?

-O que é que andas a tramar?

-Algo de muito bom, acredita! – Deu um beijo na cabeça da amiga e foi até ao quarto. Deitou-se no chão e tirou os presentes que estavam escondidos debaixo da cama.
Regressou á sala e Rita já estava á sua espera. Com um prato para cada um com uma fatia de bolo. Tinha uma no colo e outra pousada sobre a pequenina mesa que havia na sala.

-Tens aqui as tuas prendas piolhita! – Esticou a mão para entregar uma prenda á sua amiga que pousou o prato com bolo na mesa.

-Não era preciso! – Levantou-se do sofá e abraçou Fábio com uma força como nunca tinha abraçado antes. Ele hesitou inicialmente, por surpresa mas acabou por aceitar o abraço dela e retribuir com a mesma intensidade, deixando cair as prendas que trazia nas mãos.

-Te quiero preciosa! (Amo-te preciosa) –Sussurrou em espanhol ao ouvido de Rita mas com o intuito que ela não ouvisse.

-Que é que disseste? – Disse separando-se de Fábio e olhando-o olhos nos olhos.

-Nada. – Pegou nas prendas que estavam no chão e entregou-lhe a maior prenda que tinha.

-Não era preciso Fábio, a sério! – Deu-lhe mais um pequeno abraço e um beijinho na bochecha. – Mas obrigada! – Sorriram. –Deves ter gastado um dinheirão em todas as prendas!

-Isso é o menos importante acredita! Mas vá abre lá que estou curioso para ver a tua reação.

Rita acabou por abrir as prendas todas que Fábio lhe ofereceu e não podia ficar mais surpreendida... Ele conhecia-a melhor do que pensava. Sabia que ela gostava de colares, de fones grandes, sabia a sua cor preferida e até que gostava de peluches!





-Todas as prendas têm uma explicação. Os autocolantes é para te divertires até a fazer uma coisa chata, o colar... – Fez uma curta pausa. –É com o símbolo do infinito. Porque aconteça o que acontecer, quero-te a meu lado para o resto da minha vida. Não te quero perder. – Sorriram. –Os fones são grandes e cor de rosa, porque sei que é a tua cor preferida e mal os vi achei que eram a tua cara! Também sei que gostas de peluches, por isso comprei dois. – Foi até ao quarto e mostrou o seu peluche. –Tu tens a Minnie e eu o Mickey. Separados funcionam, mas juntos são ainda melhores, como nós! – Rita corou como nunca havia corado na sua vida–Quanto á ventoinha... Não é uma ventoinha qualquer. Só a podes pôr a funcionar quando eu te disser. Porque tem uma mensagem que só quero que vejas depois.– Rita não tinha o que dizer, não tinha como agradecer todos os momentos, todo o carinho, toda a amizade que Fábio partilhava, tudo o que tinha mudado nela, a forma como a deixava a sorrir, a forma como a tratava e apenas por estar presente na sua vida, deixavam-na feliz e ela sabia que não o queria perder nunca. Deu-lhe mais um abraço forte e acabou por não conseguir largá-lo durante bastante tempo. Tinha vontade de fazer uma série de coisas, mas sabia que não o podia fazer.
Depois de conversarem um pouco e sentirem-se felizes como nunca se sentiram, ao lado um do outro, e de comerem algumas fatias de bolo, Rita acabou por enviar uma mensagem ao pai para o tranquilizar:

“Pai não desapareci e ninguém me raptou descansa! Mas vou descansar um pouquinho em casa do Fábio e depois vamos ver o pôr do sol, ele prometeu-me! 

Obrigada pela confiança e por tudo. Beijinhos”

Passado alguns minutos, o pai respondeu:

“Quero-te em casa ás 7h30 e tem cuidado! Beijinhos”

Um pouco depois o telemóvel de Fábio apitou mensagem:

“É a altura perfeita para falares com ela Fábio! Manuel”

Como é que tinha descoberto o seu número? Limitou-se a sorrir e agradecer aos deuses pelo pai da sua amada gostar de si e por ser além de compreensivo, um companheiro num momento em que precisava. Sorriu mas sem tentar demonstrar a Rita e guardou o telemóvel.

-Vamos lá ver a que horas é o pôr do sol! – Respondeu pousando o computador no seu colo. Depois de procurar durante algum tempo acabou de descobrir que o pôr do sol era ás 6h30, mas como no dia a seguir tinha jogo, mais valia descansar um pouco. Até porque, Rita também precisava de descansar tinha aulas no dia seguinte, logo pela manhã, mas não queria dizê-lo

-Príncipe. – Fábio olhou para Rita surpreendido pela forma carinhoso como o tinha tratado. –Escusas de ficar convencido, tu és um príncipe e precisavas de sabê-lo mas não é para te andares a gabar que te chamei sim? – Fábio sorriu. –Amanhã tens jogo e precisas de descansar. Por isso que achas de adiarmos o pôr do sol na praia? Fica para outro dia.

-Não sou do tipo de pessoas que precisa de dormir muito para ter energia no dia suficiente. Basta dormir 3/4horinhas e estou pronto. Agora tu é que podes crer adiar.

-Não. Sei que tenho necessidade de dormir, mas amanhã tenho toda a tarde para fazê-lo, era só por ti.

-Por mim fico bem. Mas podemos dormir um pouco e pomos o despertador.

-Está combinado. É melhor pôr para que horas?

-Para as 5:45, assim ainda dormimos... –Olhou para o relógio do computador e respondeu. –Quatro horas e meia.

-Parece-me uma boa ideia. E durmo eu aqui e tu na tua cama?

-Dormimos os dois na minha cama. – Afirmou atrevido.

-Por mim pode ser. – Respondeu não ficando nada atrás do atrevimento dele. –Sei que está calor, mas quero dormir próxima de ti, nunca dormi ao pé de alguém que me desse esta sensação de confiança.

-Nunca dormiste com o Tiago?

-Só sestas da parte da tarde, de noite nunca.

Colocaram o despertador para a hora combinada e foram deitar-se sobre a cama dele, mas Rita nunca conseguia dormir completamente destapada, por isso pousou uma manta sobre a sua cintura e de Fábio, deitaram-se em conchinha e dormiram.

O despertador tocou á hora prevista e acabou por ser rápido até acordarem e saírem de casa. Mas não sem antes levarem uma toalha, para o caso de algum eventualidade, visto que iam para a praia. Foram até ao carro e sem Rita dizer nada, Fábio conduziu até á praia, estava deserta e era agradável estarem ali sozinhos, havia alguma claridade mas ainda não era de dia.

-Que te parece de irmos tomar um banho?

-Que tu és louca!

-Estás a duvidar de mim? – Perguntou fingindo-se admirada por Fábio.

-Não, era incapaz!

-Então anda tomar banho fraquinho! – Rita deu a mão a Fábio e empurrou-o até á beira do mar, pousou a mão sobre as ondas pequeninas á beira-mar. –Queres ver como está boa? – E surpreendendo o próprio atirou-lhe com um pouco de água para cima do amigo, que começou a correr atrás de Rita, que tentou fugir mas não conseguiu. Pegou-lhe ao colo e levou-a até dentro de água.

Quando lá chegaram ficaram numa zona onde apenas ele conseguia pousar os pés no chão, a água ao contrário do que inicialmente esperavam estava quente, por isso teve de agarrar-se ao corpo dele e tentar admirar a bonita paisagem ou tentar admirá-lo a ele, era uma questão que colocava a si mesma. Era difícil não reparar no físico dele, mas não queria que ele descobrisse por isso, apertou fortemente com medo de se afogar, mas com confiança nele e puderam juntos admirar aquela paisagem que tinha tanto de bonita como de única, assim como o momento que viviam juntos.


Será que Fábio se irá declarar?
Será que os pais a vão deixar ir a Braga? Como será o seu dia de aniversário? 

sábado, 5 de abril de 2014

Capítulo 18: “Não. Já estou apaixonado”


-Fábio. – Disse Rita tocando no braço do amigo. – O Pedro está ali, acompanhado.

-Vai falar com ele. Eu fico aqui com a Diana.

-Não. Ele está com aquela rapariga e eu estou com vocês.

-Devias ir falar com ele e esclarecer tudo, senão não vais ficar bem.

-Desde que te tenha a ti e à minha família, fico bem.

-Obrigada. – Fábio deu um beijinho na testa da amiga. -  Tens a certeza que não queres ir falar com ele? Eu não me importo nada.

-Tenho. Vou adiar esta conversa mais uns tempos.

Rita virou as costas a Pedro e à sua companhia e começaram a caminhar em direção a casa.

-Rita. – Aquela voz parecia familiar. E começava a aproximar-se cada vez mais deles. – Espera. – Pararam no local onde estavam e olharam para trás. Era Pedro. – Precisamos de falar, Rita.

-Falamos noutra altura, tu estás acompanhado e eu também.

-Por favor. – Pediu Pedro.

-Fábio senta-te com a nossa afilhada ali no banco que eu já vou ter com vocês. – Ele acenou com a cabeça e fez o que a amiga pediu.
Começaram a caminhar junto ao rio mas sem se afastarem muito,Pedro também pediu à sua amiga, para aguardar por ele e ela fez o que o amigo lhe pedira.

-Acho melhor adiarmos esta conversa. Tu tens a tua amiga à tua espera, eu tenho o Fábio e a Diana.

-Se adiarmos sabes, que tão cedo não voltamos a falar.

-Está bem, mas não nos podemos afastar muito. Não posso esforçar o pé.

-Que te aconteceu?

-Tive um acidente de moto ontem, depois de deixar a tua casa.

-O que se passou? Estás bem? – Perguntou verdadeiramente preocupado com a amiga.

-Torci o pé e fiquei com alguns arranhões, mas isto passa. Foi só o susto. Pior ficou a mota.

-E tudo isto depois da nossa discussão. – Sentaram-se num banco um ao lado do outro, mas Rita esticou o pé magoado e deixou o outro sobre o banco.

-Tu não tiveste culpa. Ninguém teve culpa, quem está na estrada está sempre sujeito.

-Obrigada por me fazeres sentir bem. Depois de tudo.

-É para isso que servem os amigos! Estão juntos nos bons e maus momentos! Sei que ontem não tive a melhor atitude e tenho que te pedir desculpa. Não foi minha intenção magoar-te mas acabei por fazê-lo. Nunca me passou pela cabeça que tu gostasses de mim... Dessa forma.

-Não tinhas como saber, nunca te dei motivos para desconfiar.

-Mas podia ter desconfiado de qualquer coisa, por mais pequena que fosse. 

-Eu fui muito cuidadoso. Tive a minha oportunidade e perdi-a, por ciúmes parvos e estúpidos.

-Não, eu podia ter evitado tudo isto e não o fiz.

-Se eu te tivesse dito que gostava de ti, nada seria assim.

-Muito seria diferente, sabemos disso. Mas acho que nenhum tem de se sentir mais culpado que o outro no meio desta história.

-Mas tudo continua presente no futuro, com culpa ou sem ela.

-Sim. E já fizemos o que tínhamos que fazer, pedimos desculpa e sabemos bem que somos amigos. Porque razão iríamos estragar uma amizade por causa de um erro?

Pedro abraçou Rita que também o apertou nos seus braços.

-Obrigado! – Disse Pedro sussurrando ao ouvido da amiga.

-De nada meu pequeno grande! – Fábio observava todo aquele momento á distância e sentia ciúmes. Ciúmes de não ser ele no lugar de Pedro. Queria poder sussurrar-lhe palavras de carinho e dizer o quanto gostava dela.
Afastaram-se e puderam observar que Fábio estava próximo, ou melhor, estava mesmo à beira deles. Que fez tudo para controlar os seus impulsos, mas foram mais forte e aproximou-se dos amigos. Estava a começar a sentir ciúmes de Pedro, sabia bem o que ele sentia por ela, e que o sentimento não era recíproco,  mas queria sentir que era o único homem da vida de Rita.

-Fábio que fazes aqui? – Perguntou a rapariga.
Ele não poderia contar a verdade, por isso tinha de inventar uma justificação viável para a sua presença. Pedro levantou-se e colocou-se ao lado de Fábio e pode admirar Diana durante alguns segundos, tocou com o dedo indicador na bochecha da menina e disse:

-A menina está quase a dormir. É melhor levá-la para casa.

-Sim. A menina ainda não está habituada ao teu colo, é melhor eu tentá-la adormecer, mas vê se aprendes uma lição! Afinal também é tua afilhada! – Colocou os braços debaixo dos de Fábio que pousou suavemente a menina no colo da madrinha, virou costas e começou a andar e a cantar para a pequena. Fábio queria acompanhá-las mas Pedro falou:

-Ela está-te a mudar, puto. – Foi completamente apanhado desprevenido com aquelas palavras carregadas de razão.

-A Rita já me mudou, se sou o homem que sou, a ela o devo. – Apontou para a amiga e sorriu.

-E tu estás-te a apaixonar. – Disse Pedro sorrindo mas sem nunca olhar para Fábio, apenas admiravam Rita.

-Não. Já estou apaixonado. – Confessou pela primeira vez em voz alta e sabia bem dizê-lo. Mas fizera-o com alguém completamente inesperado.

-Ela também gosta muito de ti. – Apesar de magoar a Pedro encarar esta dura realidade, sabia que era verdade e queria apenas a felicidade de Rita e sabia-o que era junto a Fábio que seria e era feliz. – Promete-me apenas que vais fazê-la feliz e não a vais magoar como eu fiz.

-Vou fazer tudo para fazer dela a mulher mais feliz do mundo. Mas... Não te magoa dizeres isso, dessa forma e com essa naturalidade?

-Não imaginas o esforço que estou a fazer para tentar mostrar que está tudo bem.

-Te garanto que vou fazer tudo para fazer dela a mulher mais feliz do mundo, mas ainda é tudo um mundo novo para mim. Sei que gosto dela como nunca gostei de outra rapariga, mas ainda não sei se a amo, entendes? – Pedro sorriu.

-Acordas a pensar nela e adormeces também a pensar nela, sonhas com ela, falas imenso sobre ela, já para não falar no sorriso de orelha a orelha, sem razão aparente. Queres estar sempre ao pé dela. E tens constantemente saudades, mesmo quando estão afastados há escassos minutos. Mas tens medo que ela descubra, porque tens medo de perdê-la. Mas não consegues deixar de pensar como será quando a beijares e como será o vosso futuro, se tiveres juntos. E para não falar que tens ciúmes. – Sorriram. – Sim, porque eu percebi que não te aproximaste de nós, por causa da menina.
Fábio ponderou sobre aquelas palavras e sem dúvida tudo o que dizia era verdade.

-E as borboletas no estômago? – Perguntou ingenuinamente. E Pedro não conseguiu conter a gargalhada.

-Nem todos os apaixonados sentem as borboletas no estômago. Isso é uma coisa bonita para os filmes e para as músicas. Mas quero que saibas, que apesar de tudo, podes contar comigo. Mas em primeiro lugar, desculpa, pelas minhas atitudes. Ás vezes os apaixonados fazem coisas que normalmente não faziam.

-Obrigada! – Fábio deu um abraço a Pedro. Mas rapidamente se separaram. – Prometo que vou fazer tudo para fazê-la feliz.

-Posso saber o que é que as duas Amélias estão a fazer? E quem é que vais fazer feliz, Fábio? – Perguntou surpreendendo os amigos.

-A Diana. – Disse por instinto Fábio. E Rita ficou desapontada com o que ouvira e não o conseguiu esconder. – Estava a dizer ao Pedro que vamos ser padrinhos da Diana e que vou fazer tudo para ela ser feliz.

-E que experiência tem o Pedro para te fazer prometer isso?

-Uma irmã mais nova e montes de primos mais novos.

-Já cá não está quem falou! – Disse animada. – Fábio é mesmo melhor irmos andando que a menina precisa de descansar mais um bocadinho e depois está na hora do lanche.

-Está bem. Obrigada, cabeção. – Disse dando um “passou-bem” a Pedro.

-De nada, puto.

-Adeus, Pedro. – Despediram-se com dois beijinhos. – Por falar nisso a tua amiga disse que tinha de ir embora, qualquer coisa com uma urgência ou assim, não me lembro bem.

-Ela não era minha amiga. Conhecemo-nos hoje, aqui e estávamos a falar, estamos a viver situações semelhantes.


-Pode ser que algum dia a voltes a encontrar por aqui! – Deram dois beijinhos e Rita e Fábio começaram a caminhar até casa. Colocaram a menina sobre o carrinho que haviam trazido e instintivamente, por impulso de ambos, cruzaram as mãos.


Quando chegaram ao prédio, tomaram a decisão de irem até casa dela, afinal ele não estava preparado para receber a visita de uma bebé. Quando chegaram a casa, a madrinha deitou a menina sobre a sua cama que já dormia e foi até á sala onde estava o padrinho. Fábio estava sentado no sofá, mas quando deu pela entrada da amiga, levantou-se. Rita não ficou indiferente e foi ter com o amigo. Aproximaram-se. Ficaram apenas a alguns centímetros um do outro, mas os olhares eram muito intensos. Quem tomou iniciativa foi Rita que colocou as mãos sobre o pescoço do rapaz, e ele nada indiferente, colocou a mão sobre as ancas dela. Estavam cada vez mais próximos, os lábios iam-se unir como tanto desejavam, como tanto haviam pensado. Mas algo os interrompeu. O choro de Diana, provavelmente com fome, impediu-os de ir avante. Não podiam negar o choro da menina, por isso foram obrigados a adiar o beijo, mais uma vez.

“Há terceira não é mesmo de vez”

Pensou Rita para si mesma, já era a terceira vez que se tentavam beijar e algo os impedia. Mas preferia não acreditar que era o destino, ela sabia que iria acontecer, mais cedo ou mais tarde.

(Passado alguns dias)

Enquanto Fábio andava ocupado a preparar uma festa de aniversário surpresa a Rita, sem que ela pudesse desconfiar. A jovem andava ocupada entre conhecer a nova escola, fazer novos amigos e conviver com a nova realidade mas também em tentar descobrir ao certo o que sentia por Fábio, tentava chegar a alguma conclusão e só conseguia chegar até uma: não podia ficar um dia longe dele. Em especial, o seu dia de aniversário.
Era 22 de Janeiro, véspera do seu aniversário e estava a família Madeira reunida na sala, era o momento de partilhar o que queria para o dia seguinte. Tinha a certeza, amava a família mas tinha que o ter junto a si, não era um capricho, mas sim uma necessidade.

-Só vos peço como prenda de aniversário deixarem-me ir a Braga amanhã. Sei que tenho aulas mas não aguento simplesmente, não estar longe do Fábio e muito menos no dia de amanhã. – Disse Rita partilhando (quase) tudo o que sentia. Os pais conheciam Fábio e gostavam imenso dele, já tinham percebido que havia algo mais que uma amizade. Continuavam a encontrar-se frequentemente, mas a forma de ser de ambos mudara. A forma de estar para com a vida, a alegria com que viviam e pequenos detalhes em ambos mudavam e não conseguiam escondê-lo. A jovem lisboeta sabia que podia confiar nos pais, que eram os seus melhores amigos, mas ainda não se sentia à vontade para falar sobre o que sentia.

Qual será a resposta dos pais?
Será que vão entender o que Rita pede? Quem ficará surpreendido no final?