Olá minhas queridas leitoras :)
Infelizmente o que me trás aqui não é um capítulo mas é outra boa notícia, criei um perfil no facebook para poderem partilhar comigo as vossas opiniões sobre os meus blogs, para poderem dar sugestões, e até para falarem comigo, não só como escritora mas enquanto pessoa!
https://www.facebook.com/profile.php?id=100008431504828
Façam-me o pedido de amizade, e mandem-me por favor uma mensagem a dizer que são minhas leitoras, para andar informada. Mais tarde colocar-vos-ei no grupo das minhas fics.
Não sei se têm conhecimento mas tenho uma outra fic, que escrevo sozinha:
http://so-acaba-quando-o-ultimo-desistee.blogspot.pt/
E uma história que fala de romance difíceis, de amor verdadeiro, de luta, de escolhas e da vida. É uma história, modéstia à parte, interessante.
E uma outra que apesar de não o fazer sozinha, a escritora que me acompanha é muito boa, apesar de não publicarmos muito, a história é bonita e adoro escrevê-la:
http://um-amor-como-o-teu.blogspot.pt/
Quem sabe se em breve não trarei um capítulo!
Beijinhos,
Rita Carvalho
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
sexta-feira, 17 de outubro de 2014
Capítulo 23: "Como poderia abandonar alguém que amo?
Mais importante que o
valor da prenda, era o sentimento de quem a depositava e Pedro já demonstrara
que o que sentia era bastante forte e superava enormes barreiras. Estivera do
seu lado nos momentos bons e menos bons. E ela tinha como, de alguma forma, dado
a entender que o sentimento era recíproco... Embora não o fosse. Gostava de
Pedro, mas não o amava da mesma forma. Estava apaixonada sim, mas era por Fábio
que o seu coração batia fortemente. Era os lábios dele que ela queria que
tocassem nos seus, era o toque delicado mas masculino que queria sentir na sua
pele, era aquela voz de Fábio que queria ouvir sussurrar no seu ouvido que o
sentimento era recíproco. Queria olhar para os olhos do Fábio e sentir um
arrepio na sua pele. Queria sentir-se nas nuvens, como só ele a fazia sentir.
Mas não podia iludir Pedro, não queria fazê-lo crer que estava disposta a
apostar numa relação, quando o sentimento não era mútuo. Não o queria, nem iria
magoar, ele não o merecia. Sentou-se na cama a olhar para o ramo e levou as
mãos até à cabeça, completamente surpreendida e arrasada com a surpresa que o
amigo lhe dera e disse:
-Não
sei o que dizer... Não estava à espera. Obrigada! - Disse olhando para o
ramo de flores, e depois para Pedro.
-Não
tens de agradecer, sabes que este ramo de flores é uma parte muito pequenina do
que sinto por ti. -
Tocou-lhe na mão e fê-la levantar-se da cama, beijou-a na face e sorriu-lhe.
Rita abraçou-o e sussurrou:
-Obrigada,
obrigada, obrigada! -
Deu-lhe um beijo na bochecha esquerda e sorriu. Apertou-o fortemente e
sentia-se bem, mas não a fazia sentir-se tão bem como quando abraçava Fábio.
-Não
tens de quê Ritinha, sabes o quanto gosto de ti e isto é só um miminho!
-Tu não tinhas de o fazer.. Obrigada,
nunca me vou esquecer desta prenda! – Naquele instante olhou para Fábio que fugiu com o
olhar até á afilhada de ambos. E aquela atitude só demonstrava que estava
desiludido. Separou-se de Pedro que lhe disse:
-Tenho mais uma surpresa
para ti. –
Tirou uma pequena caixa das suas calças e entregou-lhe.
-Não achas que o ramo de
flores era mais do que suficiente? Eu já não sei como te agradecer..
-A melhor maneira de
agradeceres é usar esta prenda sempre que quiseres! – Rita abriu a prenda e viu.
Gostava
do relógio, da sua cor, tamanho e feitio, experimentou-o e ficou ainda mais
apaixonada, contrastava bastante bem com o seu pulso frágil e fino. A cor, era
a sua preferida e a mistura de tom com o verde, impensável na sua opinião,
contrastava bastante bem. Agradeceu-lhe, mais uma vez e deu-lhe dois beijos, e
por milésimos de segundo olhou para Fábio que virou o olhar, desiludido. Talvez
pensara que as surpresas de Pedro seriam melhores que as suas, mas estava
enganado. A melhor prenda que recebera naquele dia, tinha sido a oportunidade
de estar com Fábio.
-Mana, eu, o Rúben e a Di
também temos alguns miminhos para ti. – Interrompeu a conversa, claramente com a intenção
de cortar o mau ambiente que podia começar a existir.
-Sabes que não era preciso
mana! –
Ana tirou um envelope da mala que estava sobre a cama e deu-lhe. Enquanto Rita
olhava para o que estava escrito a irmã explicou-lhe.
-Claro que era preciso, não
é todos os dias que se faz dezoito anos!
-Claro que não, assim como
os dezassete, os dezanove, os vinte e por aí fora... A única diferença é que
agora já sou presa e posso tirar a carta de condução para conduzir um carro,
como não tenciono matar ninguém e não tenho dinheiro, nem vou tirar a carta de
condução, fica tudo igual.
-Se eu fosse a ti não falava
tão cedo... –
Respondeu a irmã. -Aí tens a tua licença
para tirares a carta para carros. – Pegou num embrulho que estava escondido
sobre a cama. –E esta é a prenda da tua
afilhada.
-Obrigada! Muito obrigada!– Deu um abraço á irmã e ao
cunhado que a mimaram, sabiam que ela merecia aquela prenda.
-Falta a prenda da tua
sobrinha e afilhada! É um pequeno miminho mas esperemos que gostes, foi ela que
escolheu! –
Rita abriu o saco e admirou a prenda que a pequena afilhada (com ajuda dos
pais) lhe tinha oferecido.
Não
conseguiu conter uma gargalhada assim que as calçou, e aquele era realmente o
seu sorriso de felicidade e de contentamento. Era um dos seus desenhos animados
preferidos e a sua forma divertia-a.
A
festa acabou por decorrer com bastante animação e conversa á mistura. Enquanto
Pedro fazia de tudo para comunicar com todos, inclusivé com Fábio, e
divertir-se e tornar o aniversário dela um dia inesquecível para ela, Fábio
estava diferente daquilo que todos conheciam. E isso preocupava Rita. Ele
evitava falar com Pedro e as palavras que trocava com os familiares da
aniversariante, eram apenas as suficientes, parecia que fazia o maior esforço
do mundo para ficar apenas concentrado na afilhada. Ela não entendia o porquê
daquelas atitudes dele, mas também não lhe queria perguntar. Sentia que a culpa
era sua e nada poderia fazer, talvez ele tivesse á espera de uma declaração de
amor da parte dela, como ele já havia feito. Mas ela simplesmente não era
capaz. Não conseguia admitir que gostava imenso dele e que queria poder
beijar-lhe e tocar-lhe como não fazia a mais ninguém, que queria dizer-lhe que
o adorava e que queria poder chamar-lhe “namorado” mas não conseguia...
Confiava nele, mas não o suficiente para terem uma relação. Apesar de ver nos
seus olhos que ele realmente gostava de si, tinha medo de começar uma relação e
que ele entendesse que conseguia uma rapariga melhor, e que terminasse tudo com
ela. E sabia que não tinha forças
naquele momento para esquecer e ultrapassar... Não tão pouco tempo depois do
fim da última relação que a magoara tanto. Tinha medo que ele realmente
gostasse de si, mas que não soubesse manter uma relação, e que acabasse nos
braços de outras raparigas, como o que lhe fizera Tiago. Tinha medo de tal como
na última relação, que acreditasse que tivesse ensinado um mulherengo o que era
um amor e uma relação estável e depois entendido tarde demais que era apenas e
só mais uma ilusão da sua cabeça e coração. Sabia que a relação amorosa que os
poderia unir, só iriam fortificar a amizade que existia entre ambos, mas não
era o suficiente para arriscar. Esta era a forma mais eficaz para proteger o
seu coração! Desta vez tinha pensado nela e da melhor forma para não sofrer com
um erro. Sabia muito bem porque se havia apaixonado por ele. Não era somente o
exterior e o seu porte físico, ela havia-se apaixonado pelo interior dele.
Porque ele sim, era um homem com H grande. Com um enorme coração e tanto para
dar, e ela tinha-se apaixonado por tudo aquilo que ele era... Só que não queria
dizer-lhe tudo o que pensava, porque sabia que ele iria tentar beijar-lhe e
conquistá-la e ela irremediavelmente iria cair nos braços dele. Por isso
decidiu não mais insistir naquele dia, mas não conseguia deixar de pensar na
forma como ele estava estranho. Será que se havia passado algo mais? Será que
estava tudo bem consigo?
A
festa terminou, até porque era um dia de semana e Rita estava bastante cansada
e cada um foi para sua casa. Fábio despediu-se de todos e foi até sua casa,
assim como Pedro, a irmã e a sua família. E cada um foi descansar, e assim que
Rita pousou a cabeça na almofada adormeceu, mas não fora uma noite fácil.
Acordou por volta das 3h da manhã onde havia tido um sonho no mínimo estranho.
“-Rita. – Ela olhou para a rua procurando de quem poderia ser aquela
voz. Aquela voz estava próxima mas não sabia de quem era. Raphael Guzzo
aproximou-se de si e falou. –Sei que
muito provavelmente não me conheces, mas eu apresento-me, Raphael Guzzo. –Cumprimentou-a
com dois beijos, ela sorriu e embora o soubesse não o iria dizer. –Desculpa se vim estragar os teus planos
mas preciso de falar contigo, senão te importares.
-Claro que
não. Mas como é que me conheces?
-Vivo com o
Pedro. Era impossível não ter ouvido falar de ti.
-Ah.. Está
bem. – Disse claramente
constrangida.
-Sei que
não somos propriamente amigos e me deves estar a achar maluquinho no mínimo,
mas não te assustes porque não te venho fazer mal nenhum, aliás até te quero
ajudar a encontrar a felicidade.
-O que
queres dizer com isso? E melhor como achas que me vais ajudar?
-O Pedro
ama-te Rita. Ele quer-te de uma forma surreal, mas não me interpretes mal,
atenção! O Pedro vê em ti tudo aquilo que quer para a vida dele, é em ti que
ele vê a namorada, a futura mulher e mãe dos filhos, dos vossos filhos como ele
diz. É em ti que ele vê a “tal”. E quando fala de ti, não sei, os olhos brilham
de uma forma tão especial, com um sorriso que nunca ninguém o fez assim. Não
sei o que lhe fizeste mas apanhaste-o forte e feio e como tal, queria apenas
pedir-te que mesmo que não sintas o mesmo, não o magoes, nem iludas ou
desiludas, ele não o merece e iria cair bem fundo.
-E se eu
não o amar dessa forma... Especial como ele me ama?
-Lamento
informar-te mas não sou nenhum expert em relações amorosas. Mas de certeza que
tens outras pessoas com quem contar.
-Infelizmente
os meus dois únicos amigos são eles. E como imaginas não irei falar com o Pedro
sobre o Fábio, nem vice-versa. –
Caminharam durante alguns metros e sentaram-se num pequeno banco de madeira. –Mas tu não tens de ouvir os meus
problemas, desculpa incomodar-te.
-Fui eu que
vim ter contigo para falarmos, posso não entender muito bem o que é isso de
amar, mas posso tentar ajudar-te. E não incomodas nada acredita no que te digo!
-Promete-me
que tudo o que vou dizer não contas nem ao Pedro nem ao Fábio.
-Claro que
não. Mas calma... Eu conheço o Fábio?
-Sim. Não
sei se são amigos mas conheces. É o Fábio Cardoso.
-Ui...
Alguém já te disse que tens uma queda por jogadores de futebol?
-Por acaso
já tinha reparado. Até porque o meu ex também era amigo do Fábio.
-Então
também gostas de te meter em confusões deixa que te diga!
-Não é nada
disso! – Sorriu. –Simplesmente aconteceu, não escolhi nada!
Tanto é que se escolhesse, não estava no meio desta confusão! O Fábio de um
lado e o Pedro de outro!
-Mas tu
gostas do Pedro? Ou do Fábio?
-Sinceramente...
Não sei. – Disse calmamente mas com
receio. –Gosto de sentir as borboletas
no estômago quando estou com o Fábio, quando ele me toca, quando me beija, bem
nem sei explicar, sinto que vou ao céu. Mas não tenho confiança nele para
começar uma relação, tenho medo que me deixe para ir ter com outra entendes? –
Ele acenou positivamente com a cabeça. –E
com o Pedro... Gosto imenso de estar ao pé dele, faz-me sentir bem e sorrir
naturalmente, mas não gosto dele da mesma forma forte como ele me ama. E sei
que ele me faria tudo para me ver bem, assim como fez como quando tivemos
juntos naquela curte, mas os ciúmes falaram mais alto.
-Acho que
as tuas palavras foram bastante claras... A maneira como tu falas de um e do
outro muda. Não te sei explicar, mas muda. Do Pedro tu falaste a sorrir, mas do
Fábio tu falaste com os olhos a brilhar. Tens medo de magoar o Pedro, e tens
medo de ser magoada pelo Fábio.
-Sim, é
isso!
-E
sinceramente, imagina que estavas num precipício...
-Ai credo
Raphael que drama!
-É só um
exemplo que talvez te ajude!
-Desculpa.
Continua.
-Imagina
que estavas num precipício e só podias escolher um para ficar contigo para o
resto da tua vida, quem escolherias? – Ela
pensou e repensou, e chegou a uma conclusão.”
Rita
acordou do seu sonho com claras certezas do que sentia. Mas tinha de falar com
a pessoa que lhe roubara mais que um beijo, tinha de lhe dizer que apesar das
prendas que Pedro lhe dera, era com ele que ela se sentia realmente feliz. Saiu
da cama e pegou nas chaves e saiu, mesmo com o pijama curto de Verão que tinha
vestido. Fechou a porta tentando fazer o mínimo de barulho possível e foi até á
porta da frente, bateu com a mão contra a porta e esperou algum tempo, como não
obteve resposta tocou á campainha durante algum tempo. Esperou e Fábio
abriu-lhe a porta de casa, em boxers. Rita abraçou-o e ele embora tenha ficado
surpreso durante uns segundos, acabou por pousar a mão sobre o fundo das costas
dela e retribuir o abraço.
-Rita. – Disse surpreendido
enquanto a vi-a e ela o abraçava. –Que
estás aqui a fazer? Está tudo bem?
-Por favor não me deixes!
Nunca! –
Apertou-o com força, e ele retribuiu apertando-a nos seus braços.
-Como poderia abandonar
alguém que amo? – Beijou-lhe a testa e de seguida ela ergueu a cabeça e olhou para ele
que pousou o dedo indicador sobre os seus lábios e fê-los deslizar até ao
queixo. Como que os desejando. Ela olhou para os olhos dele e aproximou os
lábios e tocaram-se por impulso dos dois. As mãos dela deslizaram até ao
pescoço dele e ele pegou nela ao colo, fechou a porta com o pé e levou-a até á
sala, enquanto se beijavam. Beijos doces e de amor, mas apesar de tudo curtos.
Pousou-a no sofá, deitada e ela empurrou-o para cima dele, sem nunca se
separem. E aquela sucessão de beijos, outrora amorosos acabaram por se tornar
em beijos carregados de desejo. Fábio começou a explorar o pescoço de Rita com
beijos e bem perto do peito deixou uma marca bastante característica conhecida
como um “chupão”, que ela não podia negar para fazia-a sentir-se bem, fazia-se
sentir desejada. Sabia que mais tarde teria de justificar aos pais mas de
momento não a preocupara. Beijou-a perto do colar que lhe havia dado e que
estava preso ao seu pescoço e regressou novamente aos lábios, onde ela o beijou
de forma audaz. As mãos que até há pouco tempo se encontravam pousadas, já
estavam com as unhas cravadas sobre as costas dele. As mãos de Fábio já estavam
no interior da camisola de Rita explorando o seu abdómen e as suas ancas,
aproximava já as mãos do soutien para no final tirar a camisola, mas ela
impediu-o. Parou os beijos.
-Pára Fábio! – Pediu puxando a camisola
para baixo, tapando-lhe o ventre, e sentando-se no sofá.
-Desculpa Rita. – Levantando-se do sofá e
indo em destino incerto.
-Onde vais? Também não
precisas de ir embora!
-Vou vestir algo para te
deixar mais confortável!
Volvido
alguns minutos Fábio voltou com uma camisola de manga á cava vestida e Rita só
pensava que apesar da camisola já lhe tapar o tão desejado peito, ainda não
cobrira o suficiente, o desejo continuava presente. Mas trazia uma camisola na
mão e uns calções.
-Tentei trazer a roupa mais
pequena que trouxe mas é capaz de te estar grande. – Pousou a roupa sobre o
sofá e deixou um enorme espaço entre si e a amiga. Rita vestiu a camisola e os
calções e confirmava-se. A roupa estaria, no mínimo, grande.
-Desculpa. Não tinha
intenção forçar-te a nada.
-Não forçaste, descansa!
-Mas estás arrependida?
-Fábio, o que lá vai, lá
vai.
-Sim, mas podemos falar do
que ia acontecendo. Não te quero deixar desconfortável.
-Vais-me deixar
desconfortável por falarmos sobre o que se ia passando!
-Rita... Posso fazer-te uma
pergunta?
-Sim, faz.
-Tu és virgem?
-Não significa que só porque
não quero fazer sexo, que seja virgem! – Defendeu-se. –Não
temos nada juntos, porque nos iríamos envolver a este nível? Nem sabes o que
sinto por ti.
-Tu podias facilitar-me a
vida e dizer-me.
-Como é que é suposto
dizer-te o que sinto quando nem eu sei? – Mentiu.
-Como não sabes o que
sentes? –
Pousou a cabeça sobre a perna dele e começou a olhar para a televisão que reflectia os dois juntos.
-Simplesmente não sei. Sei
que gosto de estar contigo, que gosto de beijar-te, que me fazes feliz e quando
sorris alguma coisa mexe comigo, mas não sei o que é! – Sabia bem o que sentia por
ele mas não o iria dizer e por isso mentiu.
-Isso é amor! – Respondeu Fábio com os
olhos a brilhar fazendo-lhe festas na face.
-Não, não é. Se fosse eu
sabia. –
Mentiu mais uma vez, e apesar de demonstrar uma enorme força nas palavras que
dizia, por dentro sentia-se fraquejar.
-Também não foi fácil para
mim aceitar que estou apaixonado mas como conseguia negar um sentimento que já
sabia que era verdade?
-Mas tu sabes que gostas de
mim. Eu não sei se gosto de ti. Tu ainda há pouco demonstraste que gostas de
mim, era impossível esconderes os ciúmes do Pedro!
-Sim, é verdade. E não vás
mais longe, os teus pais sabem o que sinto por ti... Eu disse-lhes!
-O QUÊ?! – Perguntou aumentado um decibéis acima do normal.
-Eu prometi aos teus pais
que ia cuidar de ti enquanto amigo e agora tive que lhes dizer que a minha
intenção já não é essa. Quero tomar conta de ti sim, mas enquanto namorada.
-Porque fizeste isso? Que é
que te deu? O que é que bebeste? Deves ter-te passado da marmita só pode! – Ele aproximou-se dela e
respondeu-lhe.
-Porque te amo, e não me
importo de esperar por ti, até tu saberes o que sentes.
-Preciso de descansar. – Respondeu mudando
rapidamente o tema da conversa.
-É o melhor. E mais uma vez
desculpa.
-Fábio... – Hesitou. –Podes vir comigo?
-Sim... Queres que vá
contigo?
-Sim! Podes vir comigo?
-Sim, claro. – Foi buscar as chaves de
casa e seguiu Rita. Fecharam a porta de casa de Fábio e foram até casa dela,
encostaram a porta do quarto dela e ela pediu para ele se deitar sobre a cama,
ele obedeceu e pousou a cabeça sobre o peito dele. Que começou a distribuir carícias
nas bochechas e a mexer no cabelo dela.
-Desculpa Fábio. Sei que
merecias mais, mas tenho medo de me magoar.
-O Tiago magou-te muito, eu
sei. E o Pedro desiludiu-te. Tu simplesmente tens medo que eu também te magoe.
Mas eu não o farei, eu vou esperar por ti.
-Obrigada! – Ele continuou a mexer-lhe
no cabelo e ela acabou por adormecer pouco depois. Rapidamente Fábio entendeu
por causa do ar pesado em que ela se havia afundado.
-Amo-te Ritinha. – Disse dando-lhe um beijo
sobre a testa. –Sim, sei que tens medo
que te magoe como o Tiago te magoou, ou que te desiluda como o Pedro fez, mas
eu farei de tudo para te fazer a mulher mais feliz deste planeta e deste
universo. E nunca te irei abandonar, porque te amo e vou fazer de tudo para te
compensar tudo o que me ensinaste e por tudo o que fizeste por mim. E porque
não me imagino mais sem ti. Porque é só a ti que amo. – Deu-lhe um pequeno
beijo nos lábios e aconchegou-se ao corpo dela e adormeceu enquanto lhe fazia
pequenas festas na bochecha.
“Ay
payita mía, guárdate la poesía
Guárdate la alegría pa'ti
Guárdate la alegría pa'ti
No pido
que todos los días sean de sol
No pido que todos los viernes sean de fiesta
Tampoco te pido que vuelvas rogando perdón
Si lloras con los ojos secos y hablando de ella”
No pido que todos los viernes sean de fiesta
Tampoco te pido que vuelvas rogando perdón
Si lloras con los ojos secos y hablando de ella”
Tocou o telemóvel de Rita, acordando-os.
-Fábio
acorda. – Pediu Rita abanando Fábio tentado despertá-lo. –Adormecemos!
-E agora
o que fazemos?
-Rita
acorda. Já está na hora! – Ouviram uma
voz anunciar do corredor e caminhando em direção ao quarto dela.
-E agora?
– Perguntaram em simultâneo olhando um para o
outro.
Será que o
senhor Luís os vai apanhar?
Ou será que
Fábio vai conseguir esconder-se a tempo? Será que Rita vai compreender o que
sente?
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
Capítulo 22: “Ninguém lhe tinha feito nada assim”
-Parabéns a você... –
Toda a equipa se aproximou daquele “casal” para cantar e celebrar o aniversário
da jovem. – Nesta data querida, muitas
felicidades, muitos anos de vida, hoje é dia de festa, cantam as nossas almas,
para a menina Ritinha, uma salva de palmas. – Dois jogadores acenderam dois
isqueiros e Rita soprou sobre elas. Todos aplaudiram e Fábio abraçou a amiga
que derramou algumas lágrimas pelos olhos, de felicidade e de emoção e de
alegria. O bolo era pequenino, apenas o suficiente para uma pessoa, mas valia
mais pela atenção.
-Oh meu amor, não chores! - Deu-lhe um beijo sobre a testa. – És mesmo tontinha! – Rita olhou para os colegas e amigos dele e
respondeu:
-Obrigada por tudo! –
Respondeu limpando as lágrimas e sorrindo. –
Não tenho palavras para vos agradecer...
-Agradece ao Fábio, porque foi ele que te trouxe para
aqui. – Respondeu Ivan e ela
olhou para cima e ele encostou os seus lábios aos dela. Alguns colegas
começaram a tossir e não aguentaram os risos e separaram-se para sorrir.
-O bolo foi improvisado, desculpa. – Pediu Rúben Pinto, o capitão de equipa.
-Não tem mal, valeu pela intenção. – Pegou no bolo e pousou-o.
-Sabemos que não é muito, mas foi o que se arranjou! – Bernardo esticou a mão com um cachecol do Benfica. – Oferta de toda a equipa!
-Desculpa ser tão simples, mas foi o que conseguimos
arranjar em cima da hora... Alguém se esqueceu de avisar que tu vinhas e este é
o resultado! – Respondeu Bruno Varela
olhando para Fábio.
-Não o culpem. –
Desculpou-se Rita. – Ele não sabia que
eu vinha cá, eu é que decidi fazer-lhe uma surpresa! – Apertou a mão de
Fábio que lhe sorriu.
-E fizeste bem, não é toda a gente que tem a sorte de
andar no autocarro do Benfica, com esta companhia. – Desta vez quem respondeu foi Fábio, que agarrou a mão
de Rita.
-Se ele não te tratar bem já sabes, diz-nos que ele não
terá vida fácil connosco. – Acrescentou André
Gomes.
-Obrigada, mas ele comigo porta-se bem! Senão eu
queixo-me! – Sorriu Rita e todos
acabaram por afastar-se tão naturalmente como se tinham aproximado, sabiam
respeitar bem o espaço uns dos outros e naquele momento era aquele casal que
precisava de espaço. Com medo que Fábio começasse a conversa mais uma vez, foi
ela que decidiu começar:
-Fiz tudo por tudo, para não me rir mas acho que não
consegui disfarçar!
-Confesso que fiquei com uma pontinha de ciúmes. – Disse Fábio claramente brincando.
-Só tenho olhos para ti, tolo! – Deu-lhe um beijo na bochecha. – Na minha opinião, tu és o maior gato deste plantel e da equipa
principal também! É que eu lembro-me de todas as conversas que tinha com as
minhas amigas e com os jogadores que gostavam e eu praticamente falei com
todos.
-A sério? Pedias a camisola a cada um deles e já tinhas
prendas de anos e de Natal para os próximos tempos.
-Não tive coragem. E além do mais, acho que eles não
iriam achar piada às conversas. Mas eu conto-te. – Fábio estava curioso, e Rita sorriu, lembrando-se de
todas as conversas. – A Clarinha,
recebeu as chuteiras do Bernardo, e eu brinco com ela, dizendo que ela é a
Branca de Neve, mas em vez de 7 anões, só tem 1, porque o Bernardo é pequenito.
-Fala a mulher mais alta que conheci até hoje. – Respondeu sarcasticamente Fábio.
-A mulher mais baixa que conheceste até agora, é uma
pessoa que fez mais de 300 quilómetros para te ver, por isso respeito! – Deu-lhe um beijinho na ponta do nariz. – E nem sabes da missa a metade. A Raquel
chama macaquinho ao Ivan, não é racismo. Mas é por causa do rabo dele, ela já
me mandou algumas fotos e ele tem um rabo enorme, parece uma lomba! E nas fotos
nota-se imenso o alto na zona traseira. Então eu não consigo falar com ele, sem
me rir! É que eu tento não reparar, mas não dá! E o Hélder tem a alcunha mais
cómica que podes imaginar!
-Botinho?
-Não. Nem sei o que isso quer dizer na realidade, uma
amiga minha, a Rita chama-lhe chinês.
-Chinês? –
Perguntou Fábio surpreendido.
-Sim, sempre que ele sorri, fica a parecer um chinês! E
tenho ainda outras duas conhecidas, que tem uma panca por jogadores dos juniores.
-Deixa-me adivinhar, o Guzzo e o Rebocho!
-Do Guzzo e do Diogo Rochinha!
-A sério? E também tem alcunhas divertidas como a Rita
com o chinês, que por acaso é mulato? -
Sorriram.
-Mais ou menos. A Beatriz chama Gregorio ao Guzzo, mas
é porque é o apelido dele e assim só o grupo de amigas mais próximas é que
entende! A outra rapariga, a Rita, diz que o Rochinha é cigano durante o dia e
esquilo á noite.
-Cigano durante o dia e esquilo durante a noite? Isso é
bom demais.
-Ela diz que ele tem cor de cigano, então é a cigana,
porque o ídolo dela também é o Cancelo, que tem alcunha de Lelo, segundo o que
sei. – Fábio confirmou com a cabeça.
– E esquilo durante a noite, porque
descobriu uma foto dele a dormir e diz que parecia um esquilo a dormir!
-As tuas amigas são mesmo uma comédia! – Fábio estava divertido com tudo o que acabara de
descobrir.
-E ainda tenho outra amiga, a Sofia que chama Gomas ao
André Gomes! Fora uma que tem uma panca pelo rabo do Gianni! – Fábio começou a rir-se como nunca antes Rita tinha
visto, ele estava admirado e divertido por tudo o que tinha descoberto. – Eu sei que não tenho amigas normais podes
dizê-lo! Mas se contas a algum deles, eu desminto!
-E tu tinhas alguma alcunha para mim?
-Não. Sempre foste o Fábio e sempre serás.
-E tinhas alguma coisa assim como as tuas amigas?
-Não te digo! Fica guardado no segredo dos deuses. – Fechou a boca e tentou simular que a fechara com um
fecho e mandara a chave para longe.
-Diz, diz, diz, diz. –
Disse dando beijinhos no pescoço de Rita tentando demovê-la.
-Eras só tu! E não tinhas alcunhas.
-E não me queres arranjar assim uma alcunha divertida?
-Chato! Não páras de me melgar, bolas! – Cruzou os braços e fingiu ficar chateada, mas apenas
por breves instantes, ele olhou-a e ela não conseguiu conter o sorriso.
-A tua mãe já sabe se é menino ou menina?
-Não. O meu irmão mais pequeno, decidiu ser teimoso e
não se quis deixar ver. Mas eu desconfio.
-Por acaso, também desconfio do sexo dele!
-Então vamos dizer ao mesmo tempo!
-3,2,1. –
Disseram em coro.
-Menina! –
Disse Rita.
-Menino! –
Contrariou Fábio. – Vais ter mais um
mano para jogar á bola, vais ver!
-Vou ser uma menina, e vai ser uma verdadeira Bratz,
muito feminina mas que também gosta imenso de desporto, principalmente de
futebol!
Continuaram a trocar
ideias sobre o sexo do bebé, enquanto ela estava convencida que iria ter mais
uma irmã, já Fábio tinha um pressentimento que era um rapaz. O nome ainda não
estava decidido, embora já houvessem algumas ideias trocadas.
O resto da viagem decorreu
muito divertida e entre muita conversa, não só com Fábio, mas com os colegas e
amigos dele, ficou a saber muitas histórias sobre o seu amigo, a viagem correu
sem problemas e demoraram pouco mais de quatro horas a regressar. Quando
regressaram, despediram-se de todos, e começaram a percorrer o caminho até às
suas casas. Ele estacionou o carro na garagem, e subiram o prédio até chegar ao
corredor que separava as casas.
-Fábio apesar de estares cansado, anda beberes e
comeres qualquer coisa lá a casa.
-Deixa-te estar, aproveita o que resta deste dia
especial com a tua família…
-Senão vieres eu chateio-me!
-Estou a ir! –
Ficaram frente a frente e ele deu-lhe um beijo na testa.
-Posso pedir-te dois favorzinhos antes?
-Não achas que estás a abusar? – Perguntou Fábio sorrindo, claramente brincando com a
aniversariante.
-Tens sempre a opção de não fazeres.
-Estou a brincar, coisa boa! Diz-me!
-Queria pedir-te para em primeiro lugar, me dares um
beijo. – Fábio não a deixou
terminar e beijou-a.
-Feito! –
Agarrou na mão dela e apertou-a. – Um
dia serás tu a beijar-me!
-Quem sabe! –
Respondeu pouco convencida. – Em
segundo, queria pedir-te para não contares a ninguém, muito menos á minha
família, nada do que se passou. Nem dos nossos
beijos, nem nada… Disto que se
passa entre nós, pode ser?
-Respeito isso e não o farei, mas os teus pais vão
desconfiar. Tu sabes disso.
-Deixa estar que eu dou-lhes bem a volta! – Fábio já tinha declarado o que sentia aos pais de
Rita, mas não lhe iria dizer. Iria respeitar a decisão da amiga, sabia que era
demasiado cedo, mas por outro lado também o magoava. Sentia que ela não se
orgulhava dele. Por muito que se esforçasse, ele não conseguia compreender
todas as decisões dela. Tinha viajado até Braga, no dia dos seus 18 anos para
estar com ele e não queria assumir o que se havia passado? Ele não entendia e
não conseguia arranjar uma justificação, ela começava a revelar uma faceta que
ele não conhecia.
Rita abriu a porta de casa
e caminhou lado a lado com Fábio, até chegar á sala. A luz do corredor estava
acessa, o que significava que ainda estavam acordados.
-Parabéns! –
Gritaram os depois de Rita acender a luz da sala. Estavam presentes os irmãos,
os pais, a sobrinha, o cunhado e o amigo Pedro. Estavam todos ao redor da mesa,
onde estava bem presente o bolo de aniversário.
Rita foi completamente
surpreendida, tinham-lhe preparado uma festa surpresa e ela nunca tinha
pensado, nem tinha imaginado que o fariam. A família toda estava ali pronta
para festejar a sua maioridade, e os seus dois melhores amigos tinham sido
convidados. Apesar de manterem uma relação pouco boa, ela esperava apenas que
fizessem um esforço para se darem, não só naquela noite mas como para a vida,
por ela. Começaram por cantar os parabéns e ela agradeceu a todos, por aquele
momento de união e felicidade, com ela, mas também por estarem presentes na sua
vida. Cumprimentou todos enquanto distribuía o bolo e deu um beijo á afilhada
que dormia pacificamente e apresentou-a a Pedro.
-Tenho uma coisa para te dar, pequena! – Disse Pedro depois de conhecer Diana e ficando
claramente deliciado com a pequena que ainda nem tinha completo um ano de vida.
– Como prenda de aniversário e para te
agradecer por estares na minha vida, é claro! – Ela sorriu, feliz e
agradecida por aquele dia de felicidade que há tempo não vivia, Fábio á
distância, olhava para tudo, feliz pela felicidade dela mas com ciúmes,
tentando ao máximo controlá-los.
-Não era preciso! Mas obrigada! – Abraçou-o e ele retribuiu o abraço, com força. Tinha
saudades dos momentos de amizade, de companheirismo e dos momentos que tivera
ao lado dela.
-Mãe, eu e o Pedro vamos ao quarto para ver a prenda
que ele tem para mim.
-Também quero ir para ver a tua reacção!
-Eu também vou! – Acrescentou o pequeno Pedrito.
-Vamos todos! –
A irmã apresentou-se também á conversa.
Foram
todos até ao quarto de Rita, inclusive Fábio que era o último de todos, que
transportava a pequena Diana que dormia nos seus braços. Ela abriu a porta do
quarto e a primeira coisa que lhe saltou á vista foi a prenda de Pedro. Aquele
ramo de flores, era realmente surpreendente! Aproximou-se dele e tentou
pegar-lhe. Pedro aproveitou o momento para fotografar a sua amada e a prenda
que lhe dera.
Como
irá agradecer Rita?
Qual
será a reacção de Fábio? Como irá ficar a relação entre ele e Pedro?
domingo, 20 de julho de 2014
Capítulo 21: “I Love You”
Rita tinha receio, receio
do que o futuro lhe reservava, receio do que Fábio poderia sentir por si e do
que ela sentiria por ele, tinha uma série de questões na cabeça e não sabia o
que responder a nenhuma.
-E se eles não gostarem de mim?
-É impossível que não gostem de ti.
-É super natural que não gostem de mim.
-Se fosse a ti não acreditava muito nisso.
-Porque dizes isso?
-Porque já falei de ti e eles estão ansiosos por te
conhecer!
-Tu falaste de mim á tua equipa?
-Sim! Como era possível não falar? - Rita apertou-lhe a mão e fixou os seus olhos nos
dele. – E acredita que só falei bem, era
difícil falar mal de ti! – Rita corou e desviou o olhar, Fábio já sabia que
ela estava envergonhada. Ela respondeu:
-Tu tens noção que não vou conseguir olhar para nenhum,
não tens? – Disse pousando a mão
sobre a de Fábio e ele limitou-se a fechar e a apertá-la.
-Ótimo! Assim só tens olhos para mim! – Rita sorriu e olhou para Fábio, que lhe pousou os
lábios sobre a testa dela onde a beijou.
-Enganaste-te! Os meus lábios estão mais em baixo!
-Oh. Desculpa! –
Olhou para Rita e beijou-a como tinha acontecido no primeiro beijo, com paixão,
com amor e com carinho, gostavam muito um do outro e apesar de não saberem ao
certo o que sentiam, sabiam que quando os lábios se cruzavam eram como se
saltassem faíscas, era como se uma parte incompleta se completasse. Só
separaram os lábios quando o ar começou a escassear.
Separaram as mãos e foram
em direção ao autocarro, estavam todos dentro do autocarro á exceção do mister
que descia as escadas para ir procurar o rapaz e a amiga.
-Finalmente rapaz, onde te meteste? – Perguntou o mister e Rita baixou a cabeça.
-Desculpe mister, alguns adeptos pediram fotografias e autógrafos e eu não os podia desiludir.
-Pronto estás desculpado! – Fábio ia entrar no autocarro, mas o mister não o
deixou entrar. –Apresenta-me lá a causa
do teu sorriso! – Rita corou e apertou fortemente a mão de Fábio.
-Mister. Apresento-lhe a Rita, a minha princesa. – Rita aproximou-se de Hélder e cumprimentou-o com dois
beijinhos. – Rita como tu sabes. –
Sorriu. – É o meu mister Hélder.
-Muito prazer. –
Respondeu baixinho.
-O prazer é todo meu Rita. – Respondeu a sorrir. –Mas agora toca a entrar para o autocarro que está tudo á vossa espera.
O primeiro a entrar para o
autocarro foi o mister, depois Rita pediu que fosse Fábio e ele aceitou,
deu-lhe a mão e ela tentava ao máximo passar despercebida mas era difícil, era
a única rapariga no meio de tantos rapazes e sabia que todos os olhos estavam caídos sobre si, até porque os colegas dela já tinham ouvido falar de si.
Ela caminhava de cabeça
baixa a olhar para os pés dele e parecia que aquele caminho fora tão curto que
a assustava, todo o seu corpo tremia e não sabia como iria reagir ao pé de todos
aqueles amigos e colegas de Fábio. Ouviu uma voz grave a dizer:
-Então que andaste a fazer matumbo?
-Fui á procura do último frango que deixaste entrar. – Respondeu Fábio aquela voz, pelas palavras teria sido
ao guarda-redes, Bruno Varela.
-E não nos queres apresentar quem está aí contigo oh burro?
-Que eu saiba não sou eu que tenho a alcunha de Bernas,
seu paneleiro. – Bernardo Silva,
entendeu de imediato Rita. Apertou ainda mais a mão dela e fê-la ficar á sua
frente, que limitou-se a baixar a cabeça e ficar com as bochechas tão
encarnadas como nunca tivera antes. –Vocês
já devem ter ouvido falar muito da Ritinha, como é óbvio.
-Não sabes falar de outra coisa... – Ergueu um pouco da cabeça e conseguiu perceber que
era Hélder Costa que falava.
-Não vêm que estão a deixar a rapariga envergonhada?
Deixem-se lá disso seus palermas. –
Rita ergueu a cabeça e olhou para aquela voz. Claramente era um grande amigo de
Fábio, João Teixeira. Não esperava, mas sorriu, não conseguiu esconder o
sorriso. Fábio começou a caminhar e sentou-se num banco e Rita sentou-se ao
lado, ficando ele do lado da janela.
-Obrigada João! –
Acomodou-se ao seu lugar. – Queres vir
para o lado da janela?
-Deixa estar! –
Rita não se importou com a forma “pouco simpática” com que Fábio e os seus
colegas se haviam tratado, já sabia que era esta a forma natural com que se
tratavam.
-Não te assustes. É esta a forma carinhosa com que nos
tratamos.
-Se tu me tratasses assim, te garanto que nem falava
contigo!
-As princesas não se tratam assim, só os monstros como
eles! – Disse dando-lhe um beijo
na testa.
-Oh que fofo! –
Disse Bruno Varela com as mãos pousadas sobre o banco e olhando para eles. – Por acaso sabes que os pés do Fábio
parecem pés de ogre não sabes?
-E que ele é maricas não sabes? – Disse Bernardo virando-se para os bancos de trás,
olhando para Rita e Fábio.
-E vocês são piores que as velhas coscuvilheiras! – Respondeu Fábio. –
Não têm mais nada para ver, nem para fazer?
-Queríamos só avisar a Rita do que a espera. –Ela baixou a cabeça envergonhada e corou. Eles
viraram-se para a frente e Fábio olhou-a.
-Ai que vergonha Fábio! - Disse pousando
as mãos sobre os olhos e pousando a cabeça sobre o peito do amigo.
-Não lhes ligues Rita! Eles têm é inveja porque ao
menos conheço uma rapariga, eles nem por isso. – Disse pousando a mão sobre as costas da amiga.
-Tenho tanta vergonha Fábio! Não devia ter vindo. – Olhou para ele, e ele retribuiu olhando para ela de
forma carinhosa. Aproximou os seus lábios dos dela e voltou a cruzá-los.
Beijaram-se com todo o amor e carinho.
-Senão tivesses vindo não te teria beijado! – Ela encostou-se ao peito dele e todos os olhos
estavam pousados sobre eles.
-Faziam melhor figura se cantassem os parabéns, em vez
de olharem.
-Fazes anos hoje? –
Perguntou Ivan Cavaleiro.
-Sim... Dezoito. –
Respondeu-lhes pela primeira vez mas claramente pouco á vontade.
-Seu pedófilo Fábio. –
Disse João Cancelo. –Ela ainda era menor
e tu já tinhas segundas intenções.
-E tu que não opinasses! – Respondeu Fábio. –
Que eu saiba a tua namorada ainda não deve ter dezoito
-Mas isso é diferente, nós estamos juntos há muito
tempo.
-E quem é que te disse que eu e a Rita também não vamos
ficar juntos muito tempo? – Rita
silenciou-se, ele tinha-se declarado indiretamente e ela não sabia o que dizer.
Todos se afastaram e Rita olhou para Fábio que disse. – Trouxeste a ventoínha contigo?
-Sim, trouxe. –
Abriu a mala e mostrou-a. – Porquê?
-Podes ligá-la? –
Rita abanou positivamente a cabeça e pô-la a funcionar. Bastaram apenas uns
segundos para verem a mensagem da ventoínha. Dizia “I Love You” (Eu amo-te) e
ela corou, tinha de lhe responder, mas não sabia o quê, a sua salvação foi o
telemóvel que tocou, pegou nele e atendeu sem olhar para ver quem era:
-Olá! –
Respondeu á chamada.
-Olá filhinha! –
Disse a sua mãe. –Nunca mais disseste
nada e eu fiquei preocupada.
-Desculpa, tive um bocadinho com o Fábio no intervalo,
mas já estou a caminho de casa.
-Conseguiste despedir-te do Fabiozinho? – Rita sorriu.
-Não, por acaso não. Ele convidou-me para vir com ele
no autocarro.
-E tu aceitaste? Deves ser a única rapariga aí!
-Sou mesmo! E estou com alguma vergonha, mas espero que
passe!
-Eles não são nenhuns bichos papões, não te fazem mal!
-Que querida! Que eles não são nenhuns bichos papões,
sei eu, mas sabes quantas raparigas pagavam para estar aqui? – Fábio sorriu a ouvir a conversa.
-Então aproveita! Quando chegares cá vais ter outra
surpresa!
-A sério mãe? Obrigada!
-Sim! São os teus dezoito anos, a tua maioridade, não
poderiam ficar em branco.
-Fico sem saber o que dizer! Como estão todos por aí?
-O teu pai e irmão estão na brincadeira e mandaram-te
um beijinho. Eu e o bebé estamos sossegados.
-Sabes qual é o sexo dele?
-É o meu quarto filho e é o único que decidiu esconder
o sexo.
-Também foi a maior surpresa de todos, de certeza!
-Depois deste bebé, fecho a loja, já não tenho idade
nem energia para isto. Mas pronto, aproveita este dia que nós vamos ter com o
teu irmão e pai.
-Está bem mãe, manda-lhes beijinhos meus e do Fábio que
também está a mandar. Até logo! –
Desligaram a chamada e Rita tinha de lhe dar uma resposta mas não sabia o que
dizer.
Que
irá responder Rita?
Como
correrá o resto da viagem? Qual será a surpresa da família dela?
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