sexta-feira, 7 de março de 2014

Capítulo 17: “Não vou puder estar contigo no teu dia de anos”



-Estávamos a almoçar podemos? – Respondeu com uma pergunta Maria.

-Claro que sim! Mas é estranho ver um amigo e a minha mãe a almoçarem, sem mim.

-Cruzamo-nos na entrada do prédio, e como ainda ia cozinhar, a tua mãe convidou-me para almoçarmos. Não te importas?

-Claro que não. Eu é que não estava á espera! – Respondeu sorrindo. -Já és quase o 6ºelemento desta família!

-Obrigada pequena! Não te esqueças da nossa afilhada!

-E da tua irmã e genro! – Concluiu a mãe.

-Pronto então és o 9º elemento desta família! Por falar nisso... Mãe já sabes quando tens a próxima consulta?

-De hoje a uma semana.

-No meu dia de anos?

-Sim. Como sei que queres muito ver o teu irmão, nada melhor que no teu dia de anos para fazê-lo!

-Obrigada mãe! – Deu-lhe um abraço forte e um beijo na bochecha.

-Infelizmente não vou estar cá nesse dia. – Afirmou Fábio bastante desanimado.

-Não? – Perguntou Rita triste só de pensar que iria ficar um dia sem o ver.

-O jogo foi antecipado para segunda, em Guimarães. Vai ser complicado estar cá.

-Eu acredito. Mas era importante ter-te comigo.

-Desculpa. Mas sabes que se for convocado tenho mesmo de ir.

-Eu sei. Não depende de ti.

-Mas prometo que te compenso! – Prometeu Fábio.

-Obrigada! Mas não é preciso!

-Faço questão! É o teu aniversário, a tua maioridade. Vou estar longe mas vou-te compensar ou não me chamo Fábio Cardoso!

-Bem meninos e eu vou indo que senão eu e o irrequieto chegamos atrasados ao trabalho! – Deu dois beijinhos á filha e enquanto dava a Fábio, Rita perguntou:

-Já me esquecia. Como correu a reunião?

-Bem. Era só para lhe contar que estava de esperanças.

-Não sabia. E o que é que ele disse?

-Felicitou-me e disse que já desconfiava. A barriguita já se nota um pouco. – Colocou a mão sobre a mesma. – Mas vou indo senão chego atrasada. Beijinhos. – Virou costas e foi-se embora.

-Podias-me ter ligado para te ir buscar.

-Oh. Mas tu não és o meu motorista de serviço.

-Achas que me importava de te ir buscar?

-Não sei. Podias já ter planos.

-Mesmo se tivesse, cancelava-os para te ir buscar.

-Senão parares com isso, sou obrigada a espetar-te um beijinho!

-E porque não dás?

-Queres um beijinho á esquimó?

-Beijinho á esquimó? – Perguntou sem saber.

-Não sabes o que é um beijinho á esquimó?

-Não.

-Que tolo! Toda a gente sabe o que é um beijinho á esquimó!

-Eu não sei e tu continuas a gostar muito de mim!

-Presunção e água benta cada um toma a que quer! – Respondeu com um ditado popular.

-Não é verdade? – Perguntou olhando-a nos olhos. E Rita para fugir á situação 
deliciada sentou-se.

-Sim, é! Pronto já sabes o que querias, agora deixa-me comer! – Disse mais uma vez fugindo ao assunto.

-Também gosto muito de ti pequenina! – Ela sabia exatamente o que queria dizer mas não queria assumi-lo em voz alta, tinha medo do que poderia sentir, mas também medo de dizê-lo.

Almoçaram em silêncio e sem trocar nenhuma palavra. O ambiente entre eles estava tenso, como se quisessem falar sobre um assunto e não conseguissem. Já perto do fim, quem tomou a iniciativa foi ele.

-Temos mesmo que falar sobre o momento de ontem.– Disse Fábio levantando-se e ficando frente a frente com a amiga.

-Não vou ser cínica e dizer que foi indiferente, fiquei um bocado magoada e desiludida contigo.

-O que é que eu te fiz para te deixar assim?

-Tu acabaste com a Catarina, por minha causa... – Encarou-o olhos nos olhos. -É impossível não me sentir culpada. Tu magoaste alguém por minha causa, podia e devia ter ficado calada. E quanto ao beijo... – Teve medo a dizer estas palavras quanto mais enquanto o olhava diretamente sobre os olhos cor de avelã. – Ou quase. Nós iamo-nos beijar e tu deitas-me um beijo na testa. Senti que me estavas a tratar como tratas o meu irmão.

-Em relação á Catarina, não tens de te sentir culpada. Não me obrigaste a fazer nada, eu limitei-me a fazer porque quis. Não tiveste culpa de nada.

-Tive sim. E não tentes negá-lo.

-Não me obrigaste a fazê-lo. Deste-me a tua opinião e eu escolhi se dava ouvidos ou não. E dei. E mesmo que não me tivesses dito nada, eu teria acabado com ela.

-Eu conheço-te, sei bem como és e sei que não farias.

-Não ia continuar com ela, enquanto existem sentimentos por outra pessoa.
Rita foi apanhada de surpresa com aquela afirmação, tinha medo da carga emocional que podia existir, porque nem ela não sabia ao certo que sentia por ele.

-E fica sabendo que em relação ao beijo. Ou quase. Só não o fiz, porque sabia que te ias arrepender.

-Não achas que já sou suficientemente crescidinha para tomar essa decisão?

-Sim, mas quis evitá-lo.

-Se acontecesse, era porque tinha de acontecer. Devias ter deixado acontecer.

-Tive medo de te perder, depois do beijo.

-Mas fizeste-me sentir uma criança, como se fosse o meu irmão.

-Desculpa. Não foi essa a minha intenção, quero apenas o teu melhor. Tu sabes disso!  Acredita que é verdade que também queria aquele beijo, não o nego. Só que não éramos só nós... Não era capaz de trair e magoar dessa forma a Catarina.

-Mas passado algumas horas acabaste com ela.

-Sim e não me arrependo. Se pudesse nem tinha começado, só a magoei.

-Podias ter evitado tudo. – Disse desabafando, nunca com a intenção de o culpar, apenas de dizer o que pensava e sentia.

-Tu também podias ter evitado magoar o Pedro.

-Não tinha como.

-Tinhas sim, se tivessem falado sobre o que sentiam, tinhas evitado magoá-lo.

-Nós falamos sobre o que sentíamos. Ele é que não foi totalmente sincero.

-E tu nunca desconfiaste de nada?

-Não. Nunca.

-Nem por um segundo?

-Nem assim. Mas sabes o que precisamos mesmo é de apanhar ar! – Disse interrompendo o rumo daquela conversa, tinha medo de alguns temas que de todo, ela queria conversar.

-E vais com as tuas amigas? – Falava das muletas, das quais Rita precisava de auxílio para caminhar.

-Vou tentar ir sem elas, mas era melhor era ir com um pé elástico para dar algum apoio. Mas não tenho...

-Eu tenho em casa, espera só um pouco que já volto.
Fábio foi até sua casa buscar o pé elástico para auxiliar a amiga a caminhar e embora não tivesse demorado muito, pouquissímos minutos na realidade, ela sentiu as saudades dele atravessarem-lhe o peito.
Quando regressou, ela não teve medo em dar-lhe um beijo na face e a abraçá-lo, ele não negou e retribuiu de uma forma surpreendida mas feliz.

-Enquanto estive em casa, estava a pensar... – Ela não o deixou terminar a frase e interrompeu-o.

-Tu pensas? – Ele sorriu.

-Sim. Em muita coisa, por incrível que pareça sou muito pensativo.  – Confessou claramente falando sobre um tema que ela não queria falar, mas pensava com bastante frequência. -Mas adiante.. Que achas de irmos buscar a Diana e vamos passear os 3?

-Parece-me uma excelente ideia! – Rita deu o telemóvel a Fábio. – Liga para a minha irmã enquanto calço o pé elástico. E já agora obrigada.

-De nada pequena!
Enquanto Fábio conversava com a mãe da sua afilhada, Rita calçava o pé elástico e mais tarde os ténis. Ficou combinado que iriam buscar Diana á creche e mais tarde os pais da menina iriam buscá-la a casa da madrinha.

-Que te parece de passearmos naquele passeio entre a Arrentela e o Seixal á beira-rio?

-Parece-me uma excelente ideia! Não nos afastamos muito de casa e caso a menina não tenha dormido, que é o mais próvável, podemos voltar a casa e pô-la a dormir.

-E tu de teres cuidado por causa do teu pé!

-Sim paizinho! – Disse sorrindo. – Não te importas de irmos de carro buscar a menina?

-Claro que não. Tens é de me dizer onde é.

-Pelo caminho eu explico-te.

Foram buscar a pequena Diana que se demonstrou bastante animada por se encontrar com os padrinhos, mas rabugenta porque não dormira o tempo suficiente. Por isso mesmo, não se poderiam demorar muito tempo no passeio. Quando regressaram da creche, Fábio estacionou o carro e fez questão de ser ele a levar a afilhada ao colo durante o passeio, até de forma a evitar que a madrinha da sua afilhada fizesse demasiado esforço no pé.
O passeio por onde se deslocavam era agradável e sentiam-se felizes, apesar das birras típicas (de sono) da pequenina. Aquele momento tornava-se inesquecível, faziam-na esquecer-se das dores que sentia no pé. Fábio era extremamente carinhoso com Diana, extremamente cuidadoso e babado com a pequena, como seria com os seus filhos? Aliás com os filhos de ambos? Tentou afastar aqueles pensamentos da cabeça mas era tarde demais, já os tinha imaginado mentalmente e não era ideia que afastasse por completo.
Mas o passeio agradável, acabou por ter uma surpresa inesperada. Não, pela negativa, simplesmente porque era completamente impensável. Pedro encontrava-se num banco daquele passeio, junto ao rio, a conversar com uma rapariga.

Quem seria a rapariga?

Será que Rita vai falar com ele? E como ficará Fábio? 

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Capítulo 16: “The madness of today become memories of tomorrow”


Rita não teve uma boa noite de sono com as dores causadas pelo acidente mas mesmo assim teve de acordar cedo, ia enfrentar uma grande mudança na sua vida. Uma nova escola, novas caras, novos amigos, novas relações e uma nova realidade. Sentia-se preparada e com vontade de lutar, mas também estava receosa. Sentia-se insegura, com medo que não conseguir relacionar-se com alguém, de não conseguir fazer novos amigos e sabia que eram importantes. Mas sabia que tinha um á sua beira, Fábio. E depois do que acontecera no dia anterior, não sabia ao certo o que pensar.
Fábio tinha provado ser uma enorme pessoa e um enorme amigo, que estava somente interessado na sua amizade. Mas não podia negar a si mesma que queria aquele beijo, que o desejava. Que nutria sentimentos por ele que não nutria por mais ninguém e que sentia uma necessidade inexplicável de estar com ele, até mesmo sem conversarem, ou estando em silêncio absoluto.
Levantou-se da cama e foi até á casa de banho, tomou um banho refrescante e volto até ao quarto onde escolheu a roupa. Optou por algo simples e confortável, até porque as muletas atrapalhavam.



E para calçar optou por uns ténis cor de rosa simples e confortáveis.
Agarrou nas muletas e foi até á cozinha onde sabia que a família se encontrava reunida. O pai já tinha saído para ir para o trabalho e a mãe preparava-se para sair com Pedrito, tinha de ir mais cedo, porque teria uma reunião e tinham-se esquecido completamente que a rapariga também precisava de transporte. E Rita ainda nem estava pronta para sair de casa. Mas a sua mãe queria esperar pela filha, para a levar até á escola, mas Rita não queria que a mãe se atrasasse mais por sua causa, e conseguiu convencê-la a ir-se embora. De seguida, foi fazer as tarefas que lhe faltaram. Preparava-se para ir a pé até á escola e o mais certo era chegar atrasada, porque faltavam pouco mais de 20 minutos para entrar. Iria causar uma péssima primeira impressão.
Por isso tocou á campainha de Fábio. Esperou algum tempo e quando o amigo abriu a porta, foi surpreendida por ele. Tinha apenas uma toalha a cobrir-lhe a cintura, nada mais. E Rita pode constar que ele era ainda mais atraente do que julgava e imaginava.  O cabelo pingavam e as gotas escorriam pelo corpo, e todas as tatuagens que tinham estavam bem visíveis, inclusivé a do peito.


Não conseguia esconder a admiração. Abriu a boca e Fábio apenas sorriu. Baixou a cabeça e benzeu-se e disse em voz baixa:

-Ai meu Deus! – Nunca tinha observado o corpo de Fábio e não fazia ideia do que a tatuagem no peito diria.

-Tapava o peito mas se o fizer deixo outras partes á mostra! Rita olhou para ele e colocou as mãos á frente dos olhos, mas afastando os dedos, numa tentativa de mostrar que estava envergonhada mas também de admirá-lo.

-Deixa-te estar! Eu depois venho cá! Disse na tentativa de fugir á maior vergonha da sua vida.

-Entra masé tola! Eu vou vestir qualquer coisa para não te deixar tão pouco á vontade. – Disse entrando em casa e Rita seguiu-lhe. – Fecha a porta e finge que a minha casa é a tua. – Afirmou indo em direção ao quarto para vestir alguma roupa menos provocatória para os sentidos dela. Falou do quarto para a sala, onde estava a rapariga. Já tomaste o pequeno almoço?

-Não. E tu?

-Também não. Assim ficas a fazer-me companhia a comer.

-Já tenho o meu pequeno almoço pronto em minha casa.

-E eu não tenho comida cá em casa? Leva o que tens em tua casa para comeres a meio da manhã e tomas aqui o pequeno-almoço comigo.

-Obrigada então fico-te a fazer companhia.

-Está bem. Agora que me lembrei, estás melhor?

-Estou ainda com dores mas é normal. E a noite também não foi boa. Confessou. – Por causa das dores não consegui dormir bem. – Mentiu, um dos fatores que a fizera dormir mal era o próprio.

-E não podes ir dormir mais? Ainda é cedo.

-Tenho aula daqui a – Olhou para o relógio. Quinze minutos. Vim tocar para perguntar se me podes dar boleia.

-Claro que posso. Já estou pronto. – Saiu do quarto com uma t-shirt bastante decotada que deixava um pouco á mostra o seu peito e em particular a tatuagem. – Que é da tua mochila?

-Pois.. Esqueci-me dela.

-Eu vou lá buscá-la. Está onde?

-A mala deve estar em cima da minha cama, senão está no meu quarto. Toma as chaves. – Esticou a mão e deu-lhe as chaves, o que provocou um toque entre a palma das mãos de ambos.

Fábio agarrou nas chaves e foi até casa da amiga enquanto ela tentava levantar-se do sofá de forma a não causar dor no pé magoado e a não exerguer demasiado esforço no pulso magoado. E disse em voz baixa:

-Se tu continuas a ser tão giro, vejo-me obrigada a saltar-te para cima! E não há Catarinas que me impeçam! – Disse sorrindo. Eram amigos e ela sabia bem que era a relação entre eles, mas não podia negar que sentia uma enorme atração por ele.

Passado pouco tempo ele voltou com os pertences da amiga, e transportou-os para não sobrecarregar a amiga. Foram até ao carro e ele só se sentou no lugar do condutor depois de se certificar que a amiga permanecia bem instalada no banco.

-De certeza que não te estou a causar transtorno?

-Não. Eu também estava só a acabar de me arranjar para ir para o treino.

-Ainda ontem tiveram jogo e hoje não têm folga?

-Não. Temos jogo na quarta. Fora e precisamos de treinar.

-Não sabia. Mas boa sorte, sei que não vais precisar que és um exemplo, que és 
enorme e um orgulho para mim. E aqui entre nós, és a coisa mais próxima que tenho de ídolo. Sei que me vais deixar orgulhosa!

-Muito obrigada princesa! Disse com um sorriso genuíno. Nem imaginas o quanto fico feliz  por te ouvir essas palavras. Por saber que gostas do meu trabalho, por me admirares e principalmente por seres tu.

-Fiquei sem palavras! Senão tivesses a conduzir dava-te um xi daqueles enormes!

-Um xi?

-Um xicoração tontinho! Nunca tinhas ouvido?

-Não. Mas é fofo.

-Pois é! E vou ser o primeiro xicoração da tua vida! Sinto-me lisonjeada!

-Sei que será com uma pessoa que merece tudo de melhor!

-Fábio. Disse envergonhada Rita. Só por curiosidade posso perguntar-te o que tens escrito no peito?

-Há pouco não viste?

-Não.

-Quando parar mostro-te. Ainda há pouco a tua reação quando abri a porta foi qualquer coisa de muito bom. Só tu! – Ela deixou-se corar.

-Tens muita piada! Não estava á espera que me abrisses a porta naqueles modos!

-Quais modos?

-Tu sabes.

-Se soubesse achas que teria perguntado?

-Não sei. Alguém entende os homens?

-Ontem a Catarina disse-me isso.

-Ah... Fez bem. Disse a rapariga pouco á vontade com o tema da conversa.

-Ontem acabei com ela.

-Fizeste o quê? Perguntou surpreendida. Não esperava nada aquela atitude da parte do seu amigo.

-Acabei com ela. Estavas certa.

-Mas vocês começaram anteontem

-E acabamos ontem. Foi o melhor.

-Tenho de perguntar. Acabaram por minha causa?

-Queres que te diga a verdade?

-Não esperava outra coisa.

-Em parte foi tua a culpa, sim.

-E porque o fizeste?

-Porque tudo o que disseste estava certo, estava com ela, porque tu estavas com o Pedro. E estava a enganá-la. E sabes que mais? Eu e tu temos essa relação de namoro, mas sem sermos namorados ao mesmo tempo.

-Como assim?

-Confiamos um no outro, temos a necessidade de estarmos juntos constantemente, somos felizes um ao lado do outro como com mais ninguém e gostamos muito um do outro. A principal diferença é que não nos amamos e que não nos beijamos.

-Então tu optaste por mim em vez dela?

-Sim. – Respondeu enquanto estacionava o carro á porta da escola, de forma a deixar a amiga o mais próximo possível da entrada. Vou mostrar-te a tatuagem que tenho no peito. - Disse mudando o tema rapidamente, porque não sabia que palavras mais dizer. Levantou a t-shirt e deixou a descoberto a tatuagem. A rapariga não se conteve e encostou a mão no peito dele e seguiu cada palavra no seu peito enquanto a pronunciava em voz alta.

-The madness of today become memories of tomorrow.

-As loucuras de hoje tornam-se as memórias de amanhã. – Respondeu. E rapidamente tornaram a cruzar os olhares com “faíscas” como havia sido no dia anterior. Indiretamente estavam a querer que um possível beijo que trocassem seria uma loucura, ocorrida no dia, e tornar-se-ia uma memória no futuro.

-E melhor ir embora. Disse Rita tentando fugir ao que se iria passar. Pegou nas muletas e na mala com a intenção de sair do carro.

-Podes-me dar o teu número? Depois quero saber como correu o teu dia de aulas. – Pegou notelemóvel do amigo e colocou o seu número. Deu-lhe um beijo na face e disse:

-Manda mensagem para gravar o teu número se faz favor. Agora vou indo que ainda vou chegar atrasada. Mas obrigada pela boleia.

-Espera. Eu abro-te a porta.

-Deixa-te estar.

-Não sejas teimosa. – Fábio saiu do carro e contornou a parte da frente do mesmo e abriu a porta para a amiga sair.

-Obrigada. – Despediram-se com dois beijos e Rita foi em direção á escola nova. Chegaria em cima da hora do inicio da aula, mas ia com um sorriso na cara, Fábio deixava-a feliz e as suas atitudes demonstravam um enorme valor.

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Fábio depois de acabar o treino e de tomar banho, lembrou-se que faltava menos de uma semana para o aniversário da amiga e era um aniversário importante. Comemorava a maioridade. Era próximo da hora de almoço e decidiu ir até casa da amiga, na esperança de encontrar os pais dela. Queria saber se estavam a preparar alguma festa ou alguma comemoração em especial. Tinha pensado em preparar uma festa surpresa. Apesar de muito provavelmente não estar presente, não o impediria de o organizar.

Estacionou o carro e tocou á porta da família Madeira. Sabia que Maria tinha por hábito almoçar em casa e esperava encontrá-la.
Esperou durante algum tempo e quem lhe abriu a porta, foi Maria que o convidou para almoçar, pediu desculpa pelo incómodo. Tinha medo de não dar espaço suficiente, mas acabou por aceitou o convite.

Enquanto almoçavam, Fábio contou a sua ideia para o aniversário da amiga e Maria gostava muito das ideias que ele dava e da boa vontade que demonstrava. Iriam organizar uma festa surpresa para o aniversário de Rita e começaram a trocar algumas ideias. Mas sem qualquer aviso, Rita entra em casa e pergunta:

-Posso saber o que é que o chato e a grávida fazem juntas? – Perguntou sorridente. E na verdade ficaram bastante surpreendidos por ver Rita, por sorte, não tinha ouvido nada, mas mesmo assim teriam de arranjar uma desculpa digna para almoçarem juntos.
Que irão dizer a Rita?

Será que ela vai descobrir a festa surpresa? E como irá reagir?

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Capítulo 15 “Eu tomo conta de ti e tu de mim”


Rita abriu a porta e levantou-se. Pousou o pé direito no chão e não conseguia fazer pressão, por isso colocou o pé esquerdo e deixou-se coxear, para afastar-se do amigo. Tentara ser forte e demonstrar que estava tudo bem mas aquelas palavras que ouvira, pareciam ter sido como uma facada aplicada no seu coração e quando ela menos esperava. O rapaz saiu do carro e bastou alguns passos para chegar até perto da amiga.


-Onde vais? Perguntou continuando atrás dela, sem nunca a ultrapassar ou impedir de continuar a “saltitar”.

-Vou para casa ou para um sítio qualquer. Eu cá me desenrasco.

-E achas que a essa velocidade chegas lá hoje?

-Não quero saber! O que importa é chegar! Fábio agarrou no braço esquerdo de Rita e colocou-se á sua frente.

-Mas tu importaste de me explicar o porquê desta tua atitude repentina? Perguntou sem compreender o gesto da amiga.

-Pensava que eras mais inteligente que isso Fábio. Ainda não compreendeste o que fizeste? O rapaz não estava a compreender as atitudes da amiga mas queria saber.

-Volta para aquele carro para falarmos, que estares aqui com o teu pé assim, só faz mal.

-Não vou contigo para lado nenhum. Vai ter com a tua amiguinha e deixa-me em paz! Não estava nada á espera daquela atitude e por isso Fábio largou o braço dela que começou a  afastar-se dele. Mas, bastaram alguns segundos para chegar a uma breve conclusão. Deu dois grandes passos e alcançou-a.

-Tu estás com ciúmes? Perguntou sorrindo, olhando-a olhos nos olhos.

-Claro é isso mesmo! Tu até és a última bolacha do pacote!

-Tu estás com ciúmes. Sorriu. Mas não significa que só por estar numa relação que vou deixar de ser teu amigo.

-Não alcanças mesmo. Contornou o amigo aos saltinhos. Mas ele não se deixava vencer. Ultrapassou-a e colocou-se á sua frente.

-Então explica-me como se fosse muito idiota senão te importas! A jovem natural de Lisboa, colocou a mão sobre o braço dele de forma a conseguir aguentar-se em pé.

-Afastei-me de uma amigo que conheço há 7 anos, porque optei por ti em vez dele. Pensei que estávamos concentrados um no outro, apenas isso. Que estava a mudar a tua forma de pensar. Que te estava a demonstrar que as curtes não levam a lado nenhum e que um amor dá-te mais felicidade que todas essas relações juntas. E tu, pura e simplesmente, dás a entender com palavras que sabes e entendeste e fazes o oposto. E sinceramente, chateia-me que não tenhas entendido isso. Disse calmamente tentando explicar tudo o que sentia.

-E o que achas que senti quando te vi aos beijos com o Pedro? Não é ciúmes, apenas não te consigo ver com outra pessoa, tenho medo que te voltem a magoar e a desiludir. E em muitos momentos, sou eu que tenho medo de te magoar, mesmo que sem querer. Não duvides que aprendi muito contigo, mas também me magoou a tua relação com o Pedro. Parecia que, tal como disseste, dizias uma coisa, e fazias outra. E o principal motivo para estar com a Catarina é o facto de tu estares com o Pedro. Mas fiz questão de deixar tudo bem claro. Ela gosta mesmo de mim e eu não a quero magoar.

-Tu também tiveste ciúmes quando me viste com o Pedro. – Disse sorrindo. -E se queres a verdade, também não gostei de saber que estavas com a Catarina. Porque não suportamos a ideia de partilhar a atenção com outro pessoa. Estamos aqui um para o outro. E nós somos felizes juntos, enquanto amigos. Os olhos de ambos brilhavam como duas estrelas. Duas estrelas que pareciam ligadas por faíscas, mas também por algo mais. Tu és maior e vacinado, sabes o que fazes, mas não vou esconder aquilo que penso. Não te peço para acabares, mas acho que senão gostas dessa rapariga, vais ser infeliz só para a fazeres feliz e no final, só a vais magoar mais. Os olhares entre ambos eram constantes e brilhavam, davam a entender que precisavam daquilo para sobreviver, não se conseguiam separar, mesmo se tentassem. E simplesmente não conseguiam pensar em nada mais. Parecia que eles eram o centro do universo. Ninguém queria falar, mas sentiam que tinham de o fazer. Mas o quê?

A distância entre ambos era de alguns centímetros mas pareciam quilómetros, pelo menos sentiam como tal. Rita tocara no braço de Fábio e sentia os músculos do braço dele que se atreveu-se a esticar os braços e deixá-los sobre o fundo das costas dela, que não negou. Sorriu envergonhada enquanto os olhares continuavam cravados um no outro. Rita ergueu as mãos e pousou-as sobre os ombros do amigo enquanto os olhares continuavam cravados um no outro, mas, desta vez mais próximos. Os corpos tocavam-se. A diferença de alturas era significativa, Rita tinha de erguer a cabeça para poder observar a face de Fábio e ele tinha de baixar a cabeça para poder observá-la. Podiam não conhecer todos os traços do outro, mas os olhares conheciam como se desde outra vida, se conhecessem. O perfume de Fábio começava a entranhar-se nela e o seu toque deixara-a arrepiada, gostava tanto que a deixava arrepiada. Aquele sentimento que nutriam um pelo outro ainda não era um amor, mas também não era uma amizade. Aproximaram-se ainda mais um do outro fazendo com que o seu peito embate-se no peito dele. E para Fábio por muito que gostasse do corpo da mulher, com ela, era diferente. Sentia apenas a necessidade de tomar conta dela, e de serem felizes um ao lado do outro.

Ela sabia o que antecipara aquele momento, já o tinha passado anteriormente.  E ele também sabia. Ambos sabiam qual era o caminho que aquele momento podia originar. E apenas conseguiam concentrar-se nos olhares um do outro.
Não afastaram o olhar um do outro, nem por um milésimo de segundo. Rita abriu a boca, deixando o seu hálito chegar até aos lábios de Fábio. Que imitou o gesto da amiga, e as faces continuavam a aproximar-se e os centímetros tornavam-se milímetros. Ela sabia qual era o passo seguinte e fechou os olhos, e ele também sabia bem o rumo daquele momento, mas estava presentes dois pensamentos que não o deixavam prosseguir. Era a promessa que tinha feito a Luís, pai da sua amiga e também a sua relação, que apesar de não ser séria, não deixara de ser um compromisso e ele não a iria trair. Por isso quando Rita esperava que ele tomasse os seus beijos, Fábio beijou-lhe a testa. A jovem sorriu e respondeu quase em sussurro:

-Desculpa. Disse depois de baixar a cabeça e o rapaz apenas lhe sussurrou:

-Deixa-me cuidar de ti pequenita. Disse pegando nela ao colo e levando-a até ao centro de saúde. Pousou-a numa cadeira e foi ao encontro de uma administrativa e inscreveu-a para ser atendida pelo médico. Voltou para junto da amiga. E colocou-a sobre o seu colo.

-Não tenho aqui dinheiro para pagar a consulta. Podes pedir para mandar para casa que eu depois pago se faz favor?

-Eu pago e não há discussão possível. Não quero o dinheiro. Deu-lhe um beijo na testa e Fábio demonstrava cada vez mais que queria conquistar a amizade de Rita e não conquistá-la como namorada, até mesmo quando ela já pensara em dar um passo numa possível relação amorosa com ele. Ou pelo menos trocado um beijo com ele.

-Obrigada e mais uma vez desculpa.

-Desculpa pelo quê? Ainda não entendi. Explica-me. Sabes que consigo ser muito distraído quando quero. Disse enquanto a rapariga continuava sem conseguir olhá-los olhos nos olhos talvez por vergonha ou medo de algo que não conseguia explicar.

-Não me digas que não percebeste o que ia acontecer. – Continuava sem olhar para ele.

-Percebi e aqui tens uma prova do que sinto por ti Rita, porque podia simplesmente ter-me deixado levar e não o fiz.

-E eu agradeço-te porque quero que me protejas como meu amigo e eu farei sempre o mesmo para te proteger! Olhou para ele. Posso dar-te um abraço?

-Claro! Fábio não se deixou antecipar e ele próprio, deu um abraço á amiga e ficaram assim até chamarem a rapariga para ir ao médico e Fábio levou-a ao colo até ao consultório e pousou-a sobre a maca e deixou-se ficar ao seu lado.

-Então e o que é que a sua namorada tem? Perguntou o médico a Fábio. Rita deixou-se corar e não respondeu.

-Ela estava a andar de mota e não sei como, bateu contra o passeio. Mas, apesar de tudo, teve sorte, conseguiu cair para o lado, em vez de cair para a frente. Não tem força no pé e por isso não consegue andar, e o pulso também lhe dói um bocado e tem alguns arranhões no corpo.

-Então menina Maria o que andou a fazer? Perguntou o médico e logo Fábio sorriu. Sabia que Maria era o primeiro nome da amiga mas sempre se habitou a chamar Rita.

-Não me chame Maria senão se importar. Rita.

-Está certo menina. Então tente lá pousar o pé no chão e andar só um bocadinho. – Rita sentou-se na maca e aproveitou a presença de Fábio para pousar a mão sobre o seu braço, servindo-a como apoio. Em primeiro lugar colocou o pé esquerdo no chão e de seguida e vagarosamente colocou o pé direito no chão. Apertou com bastante força o braço de Fábio e deu um pequeno passo. Seguido de outro pequeno e depois de outro, eram curtos mas eram grandes passos para ela, que não conseguia caminhar desde o o acidente que tivera.

-Parabéns pequenina! Disse Fábio. – Sabe doutor são os primeiros passos desde que teve o acidente.

-Agora tente lá andar sem se segurar ao seu namorado. – Rita olhou para Fábio como se aquele olhar do amigo lhe desse a força que ela precisava para o fazer.
O rapaz afastou-se da jovem e encostou-se á maca e Rita devagarinho conseguiu caminhar até junto do seu amigo e do médico. E ele não poderia estar mais orgulhoso, já tinha vencido as suas próprias dores. Depois de mais alguns exames, o médico acabou por informar a rapariga que tinha um pé torcido e que o melhor que tinha a fazer era andar de muletas nos próximos dias e repousar o pé. Mas no máximo teria de andar quatro dias com apoio das muletas.

Regressaram para as suas casas mas antes, Fábio conversou com a família da sua amiga e explicou o acidente e que tinha cuidado dela, Luís e Maria agradeceram por todo o apoio e amizade que ele demonstrara para com a sua filha. Ele despediu-se da rapariga com dois beijinhos e tentavam demonstrar que o mais importante era a amizade que os unia, mas na verdade aquele momento entre eles não lhe saíra da cabeça. Rita não queria confessar aos pais que a sua relação amorosa chegou ao fim, por isso decidiu jantar sozinha e ir deitar-se. Precisava de descansar e talvez depois de uma noite bem dormida conseguisse chegar a alguma conclusão sobre a sua vida e também, afastar da sua cabeça o momento que tivera com Fábio.

Mas Fábio, pelo contrário, decidiu que o mais acertado era pensar menos no futuro e apostar mais no presente. Em vez de regressar para casa, decidiu telefonar para a sua namorada e combinaram encontrar-se, pouco depois. Mas Fábio já não a conseguiu beijar, não lhe conseguiu tocar sequer enquanto namorada. E não se sentia tão bem ao pé de Catarina, como se sentira junto a Rita. Decidiu terminar a relação mas não lhe conseguiu ser totalmente sincero, porque sabia que a iria magoar. Explicou-lhe apenas que estava a pôr um termo á relação para evitar que ela sofresse mais futuramente. Esta era uma das razões pela qual a fizera, mas a principal chamava-se Rita.

Encontrou-se mais tarde com um amigo, João Teixeira, também seu companheiro de equipa e contou-lhe toda a história, desde o momento em que conhecera Rita. E o amigo acabou por dar-lhe alguns conselhos e dizer algo que o surpreendeu e não conseguiu mais, abandonar o pensamento de Fábio. Regressou para casa, e deixou-se adormecer. Mas sempre com aquele conselho e aquelas palavras bem presentes na cabeça.

Que terá dito João?


E como ficará a história do beijo entre Rita e Fábio? Será que está a nascer algum outro sentimentos entre eles?