sexta-feira, 2 de maio de 2014

Capítulo 19: “Vocês sabem que eu gosto muito da Rita...”


-Nós já percebemos que existe algo entre vocês. – Respondeu calmamente a mãe. – Mas ainda não partilhaste. Talvez por achares que é cedo. Mas queremos que saibas que podes contar connosco. Quanto ao que pediste... Amanhã tens aulas, tenho a consulta em que se sabe se é menino ou menina e além do mais, nós já tínhamos tratado de uma surpresa para ti.

-Mas eu não pedi nada. – Respondeu surpreendida. – E não queria pedir, mas é uma questão mesmo importante. Sei bem de tudo isso que me disseste e foi uma das razões pelas quais demorei a pedir, tive de arranjar coragem para fazê-lo. Mas o Fábio é alguém que gosto mesmo muito e quero supreendê-lo. Quero estar com ele, num dia como o de amanhã. E quanto á surpresa... Que é que andaram a preparar?

-Digamos apenas que o Fábio se antecipou e já tinhamos uma prenda para ti. Ou melhor, uma surpresa. Porque a tua prenda é outra. – O pai e a mãe trocaram um sorriso cúmplice. – Não perguntes, depois da meia noite saberás.

-Está bem. Mas não querem dar só uma pista pequenina?

-É uma coisa que tu gostas!

-Vão-me oferecer os bilhetes para ir ter com o Fábio?

-Isso logo se vê. – Respondeu o pai com cara de poucos amigos. Era um pai cuidadoso com a filha, embora não fosse dos pais que mais o demonstrava.

-Não pode ser logo... Até porque daqui a menos de 24 horas é o jogo.

-Ainda há tempo. – Disse o pai não voltando com a palavra atrás.

A campainha tocou e olharam todos uns para os outros, mas os olhos caíram especialmente sobre Rita que entendeu o porquê de todos aqueles olhares.

-Não combinei nada com o Fábio. – Disse atrapalhada. – Mas deixem-se estar que vou lá. – Levantou-se do chão onde estava sentada á beira do irmão e foi até á porta de casa. Espreitou e as suspeitas da família estavam certas.
Abriu a porta e deram dois beijinhos, bem no canto dos lábios, Fábio desculpou-se que fora acidente mas sabia, no íntimo, que não era verdade.

-Desculpa. – Pediu olhando para a amiga que tinha um sorriso nos lábios.

-Não tens de pedir desculpa. Os acidentes... Acontecem. – Sorriram. – Mas entra. Está tudo na sala. – Fábio entrou em casa da amiga e foi em direção á sala. Cumprimentou todos e pousou a mão sobre a barriga de Maria. Desde que a conhecera que sentia necessidade de se aproximar daquele bebé, afinal era irmão de uma das suas melhores amigas.

-Campeão queres ir para o teu quarto com a mana, mostrar o truque que te ensinei? – Perguntou referindo-se ao truque que ensinara a Pedro de como fazer fintar o adversário no PES2013.

-Pode ser! – Disse animado Pedrito. – Mas não demores!

-Está bem Pedrito! – Despenteou-lhe o cabelo do menino e trocou um olhar com Rita, como forma de despedida pelos minutos que iriam estar longe. E depois de se certificar que havia chegado ao quarto e encostado a porta, é que conseguiu falar com os amigos de Rita.

-Senhor Manuel, dona Maria. – Olhou para ambos. – Quero pedir-vos algo delicado. Sei que podem não gostar, mas peço-vos que compreendam. Amanhã a vossa filha faz anos e eu tenho jogo em Braga á tarde. Por isso não vou conseguir estar presente na surpresa como já vos tinha dito. Por isso peço-vos que me deixem passar uma parte da noite com ela, gostava muito de passar a meia-noite á beira dela. - Pediu envergonhado.

-E querem ficar aqui por casa? Mas nada de portas fechadas ou encostadas, quero certificar-me que nada se passa! – Disse animado Manuel, mas ninguém entendera.

-Oh Manuel! – Respondeu tentando repreender a brincar o marido. -Já te esqueceste da promessa que o rapaz te fez há tempos? – Maria tinha tocado noutro tema de conversa que o jovem aguadense queria tocar.

-Sobre esse assunto. – Respondeu sem sabendo como falar sobre o assunto. Mas respirou fundo e olhou para os pais da amada. Tinha prometido protegê-la como amiga e precisava de permissão para dar um passo á frente na relação que o unia á amiga. – Vocês sabem que eu gosto muito da Rita. – Não conseguia dizer o seu nome sem sorrir e desta vez não foi excepção. – Aliás, mais do que pensei alguma vez gostar de uma rapariga. Desde que ela apareceu que tudo começou a mudar, a ganhar um verdadeiro rumo e uma nova razão de viver. E tenho que vos agradecer por lhe darem vida e por ter tido a sorte de conhecê-la. Não quero que me entendam mal, por isso vou-vos explicar. – Tinha ensaiado por bem mais que uma vez, o que diria aos seus pais, mas tudo o que estava a dizer, estava a sair-lhe tão naturalmente como nunca pensara. – Nos últimos tempos, tenho começado a descobrir o que é o amor, graças a vossa filha, e apenas a ela. É a única. – Fez uma curta pausa. – Que me faz sentir assim, literalmente a viver nas nuvens. Quando acordo de manhã é dela que me lembro, quando me falam em amor é nela que penso. E por mais que uma vez, sonhei com o nosso futuro. Juntos. – Sorriu. – O casamento, a lua de mel, o nascimento dos nossos filhos. E não imaginam o quão bom é saber que nos dias bons e maus, ela vai estar lá a apoiar-me. E quando estou ao pé dela, parece que o tempo passa a voar e desejo sempre ficar mais um bocadinho, mais um bocadinho e sempre que não estou com ela, parece que o tempo não passa.  Torna as coisas más menos más. A vida torna-se mais fácil. A Rita é o meu mundo, a minha metade, a minha força, o meu sorriso e a minha luta maior será sempre deixá-la feliz. Aconteça o que acontecer. E por tudo o que expliquei, posso dizer com certezas, que estou apaixonado pela Ritinha.– Maria chorava emocionada pelas palavras de Fábio mas também pelas hormonas extra que a gravidez trazia. Manuel sorria, de felicidade e orgulho e respondeu ao rapaz:

-E estás á espera de quê? Ou melhor vieste perguntar mesmo o quê? – Perguntou o pai de Rita, deixando Fábio nervoso.

-Eu prometi que iria tomar conta da Rita, enquanto amiga. – Respondeu ainda tremendo com os nervos que sentia.

-Tu prometeste que ias fazer tudo para a deixar feliz e que ias cuidar dela. E tu vais cuidar dela, quer seja enquanto namorado, como enquanto amigo. E tenho a certeza que vais fazê-la feliz, se lhe disseres o que sentes.

-Então dá-me permissão para falar com ela e dizer o que sinto? E se o sentimento for recíproco podermos namorar? – Perguntou a medo.

-Sim, rapaz, vai em frente. Mas se estás a pensar que te vamos facilitar a vida tira o cavalinho da chuva. Vais ter de descobrir por ti próprio.

-Fábio! – Gritou Pedro do quarto.

-Estou a ir campeão! – Agradeceu aos pais de Rita e foi até ao quarto. Pedro tinha vencido mais uma vez naquele jogo e continuava invencível. Divertiram-se mais um bocadinho e depois Pedrito foi-se deitar, e só adormeceu depois de Fábio e Rita lhe lerem a história. Despediram-se também de Manuel e Maria e foram até casa do rapaz pouco passava das 23 horas.

-Pequenina sei que ainda falta um bocadinho para fazeres anos... O que queres fazer até lá? – Perguntou sentando confortavelmente no sofá.

-Queres ver um filme? – Perguntou sentando-se ao colo do amigo.

-Sugestões?

-Não te importas que seja um romance? Já me falaram maravilhas do filme e ainda não o consegui ver.

-Claro que não. Deixa-me só ir buscar o computador. – A levantar-se Rita não pode controlar o olhar e admirar o rabo de Fábio. Era maior do que pensava e dera-lhe vontade de o agarrar e apalpar, mas controlou-se para não o fazer.
Quando voltou sentou-se e pediu a Rita para se sentar também ao colo dele, que sem hesitar, obedeceu. Ligaram o computador e Fábio perguntou:

-Qual é o filme que queres ver, princesa? – Rita sorriu.

-Três Metros Sobre El Cielo. – Respondeu tentando imitar a pronúncia espanhola.

-O teu espanhol até é bom. – Para Fábio, tudo o que ela possuía era bom, até a fraca pronúncia espanhola que ela tinha.

-Goza, goza! – Disse dando-lhe um beijo sobre o pescoço de Fábio, que provocou um calafrio sobre Fábio.
Começaram a ver o filme e rapidamente foram obrigados a trocar de posição, a que estavam era pouco confortável. Deitaram-se sobre o sofá e enquanto Rita ficou mais perto do chão, Fábio ficou mais próximo do encosto. O seu queixo ficou pousado sobre a cabeça da amiga e mesmo assim os seus pés estavam longe dos de Rita, mas tentou escolhê-los para se tocarem. Fizeram uma forma de conchinha e só depois começaram a assistir ao filme. Ao qual assistiram muito antenciosamente.

Numa das cenas do filme, assistiram ao sol a nascer e ela não pode deixar de comentar:

-Nunca tive a sorte de conseguir ver um nascer do sol, muito menos na praia. – Disse mas sem a intenção de pedir ou cobrar nada ao amigo.

-Não peças mais nenhuma vez.

-Tu... Não farias isso.

-Hoje quando o sol nascer, tu vais estar ao meu lado a realizar um dos pedidos da princesa.

-Não eras capaz. – Disse surpreendida.

-Avisei-te para não dizeres duas vezes. Vou realizar uma vontade tua. Um desejo teu é uma ordem. – Deu-lhe um beijo na testa.  

Acabaram por calar-se, porque assistiam a uma das cenas mais bonitas do filme. E quando o filme terminou não pode controlar o desabafo:

-Um dia quero viver um amor como este.

-Pode ser que mais cedo do que penses, possas realizar o teu sonho. – Disse olhando-a olhos nos olhos. E o silêncio tornou-se desconfortável para os dois, sabiam bem o que estava em causa, mas não queriam falar sobre isso. – Mas parabéns pequenina! – Deu um beijinho na bochecha da amiga e mais um na testa. –Espero que tenhas um dia feliz como bem mereces! Tenho é pena de não o poder celebrar a teu lado.

-Estás no meu coração, não te preocupes. – E começaram a trocar alguns mimos e carícias, mas sem qualquer malícia, queriam apenas mimar-se e matar saudades (do que ainda não tinham vivido). Mas o tempo passava a voar e Rita começava a sentir sono, e Fábio sentia isso, por isso fez um movimento brusco, o que assustou a amiga, a levantar-se do sofá.

-Vais onde?


-Já volto não te preocupes! – Foi até á cozinha e trouxe um bolo de aniversário, colocou as duas velas com os números 1 e 8 e acendeu-as. – É apenas uma das surpresas que tenho preparadas para ti hoje.


-Não era preciso Fábio! – Disse surpreendida mas feliz pela surpresa do amigo.

-Claro que era! Tu mereces todos os miminhos que te poder dar! – Deu-lhe um beijinho na testa e começou a cantar os parabéns e Rita acompanhou. Depois apagou as velas e mordeu as velas. Pediu um desejo:

“Quero muito, muito ir a Braga amanhã”

Abriu os olhos e olhou para Fábio que sorriu e perguntou:

-Que é que pediste pequena?

-Se te disser depois não se realiza! – Na verdade ela não se importava de lhe 
dizer mas assim se o conseguisse deixaria de ser surpresa.

-Está bem, então guarda para ti que eu quero que todos os teus desejos e ambições se tornem realidade! – Rita ficou mais uma vez envergonhada. – Não te importas de ir buscar uma faca e os pratos enquanto eu vou só ao quarto buscar umas coisas?

-O que é que andas a tramar?

-Algo de muito bom, acredita! – Deu um beijo na cabeça da amiga e foi até ao quarto. Deitou-se no chão e tirou os presentes que estavam escondidos debaixo da cama.
Regressou á sala e Rita já estava á sua espera. Com um prato para cada um com uma fatia de bolo. Tinha uma no colo e outra pousada sobre a pequenina mesa que havia na sala.

-Tens aqui as tuas prendas piolhita! – Esticou a mão para entregar uma prenda á sua amiga que pousou o prato com bolo na mesa.

-Não era preciso! – Levantou-se do sofá e abraçou Fábio com uma força como nunca tinha abraçado antes. Ele hesitou inicialmente, por surpresa mas acabou por aceitar o abraço dela e retribuir com a mesma intensidade, deixando cair as prendas que trazia nas mãos.

-Te quiero preciosa! (Amo-te preciosa) –Sussurrou em espanhol ao ouvido de Rita mas com o intuito que ela não ouvisse.

-Que é que disseste? – Disse separando-se de Fábio e olhando-o olhos nos olhos.

-Nada. – Pegou nas prendas que estavam no chão e entregou-lhe a maior prenda que tinha.

-Não era preciso Fábio, a sério! – Deu-lhe mais um pequeno abraço e um beijinho na bochecha. – Mas obrigada! – Sorriram. –Deves ter gastado um dinheirão em todas as prendas!

-Isso é o menos importante acredita! Mas vá abre lá que estou curioso para ver a tua reação.

Rita acabou por abrir as prendas todas que Fábio lhe ofereceu e não podia ficar mais surpreendida... Ele conhecia-a melhor do que pensava. Sabia que ela gostava de colares, de fones grandes, sabia a sua cor preferida e até que gostava de peluches!





-Todas as prendas têm uma explicação. Os autocolantes é para te divertires até a fazer uma coisa chata, o colar... – Fez uma curta pausa. –É com o símbolo do infinito. Porque aconteça o que acontecer, quero-te a meu lado para o resto da minha vida. Não te quero perder. – Sorriram. –Os fones são grandes e cor de rosa, porque sei que é a tua cor preferida e mal os vi achei que eram a tua cara! Também sei que gostas de peluches, por isso comprei dois. – Foi até ao quarto e mostrou o seu peluche. –Tu tens a Minnie e eu o Mickey. Separados funcionam, mas juntos são ainda melhores, como nós! – Rita corou como nunca havia corado na sua vida–Quanto á ventoinha... Não é uma ventoinha qualquer. Só a podes pôr a funcionar quando eu te disser. Porque tem uma mensagem que só quero que vejas depois.– Rita não tinha o que dizer, não tinha como agradecer todos os momentos, todo o carinho, toda a amizade que Fábio partilhava, tudo o que tinha mudado nela, a forma como a deixava a sorrir, a forma como a tratava e apenas por estar presente na sua vida, deixavam-na feliz e ela sabia que não o queria perder nunca. Deu-lhe mais um abraço forte e acabou por não conseguir largá-lo durante bastante tempo. Tinha vontade de fazer uma série de coisas, mas sabia que não o podia fazer.
Depois de conversarem um pouco e sentirem-se felizes como nunca se sentiram, ao lado um do outro, e de comerem algumas fatias de bolo, Rita acabou por enviar uma mensagem ao pai para o tranquilizar:

“Pai não desapareci e ninguém me raptou descansa! Mas vou descansar um pouquinho em casa do Fábio e depois vamos ver o pôr do sol, ele prometeu-me! 

Obrigada pela confiança e por tudo. Beijinhos”

Passado alguns minutos, o pai respondeu:

“Quero-te em casa ás 7h30 e tem cuidado! Beijinhos”

Um pouco depois o telemóvel de Fábio apitou mensagem:

“É a altura perfeita para falares com ela Fábio! Manuel”

Como é que tinha descoberto o seu número? Limitou-se a sorrir e agradecer aos deuses pelo pai da sua amada gostar de si e por ser além de compreensivo, um companheiro num momento em que precisava. Sorriu mas sem tentar demonstrar a Rita e guardou o telemóvel.

-Vamos lá ver a que horas é o pôr do sol! – Respondeu pousando o computador no seu colo. Depois de procurar durante algum tempo acabou de descobrir que o pôr do sol era ás 6h30, mas como no dia a seguir tinha jogo, mais valia descansar um pouco. Até porque, Rita também precisava de descansar tinha aulas no dia seguinte, logo pela manhã, mas não queria dizê-lo

-Príncipe. – Fábio olhou para Rita surpreendido pela forma carinhoso como o tinha tratado. –Escusas de ficar convencido, tu és um príncipe e precisavas de sabê-lo mas não é para te andares a gabar que te chamei sim? – Fábio sorriu. –Amanhã tens jogo e precisas de descansar. Por isso que achas de adiarmos o pôr do sol na praia? Fica para outro dia.

-Não sou do tipo de pessoas que precisa de dormir muito para ter energia no dia suficiente. Basta dormir 3/4horinhas e estou pronto. Agora tu é que podes crer adiar.

-Não. Sei que tenho necessidade de dormir, mas amanhã tenho toda a tarde para fazê-lo, era só por ti.

-Por mim fico bem. Mas podemos dormir um pouco e pomos o despertador.

-Está combinado. É melhor pôr para que horas?

-Para as 5:45, assim ainda dormimos... –Olhou para o relógio do computador e respondeu. –Quatro horas e meia.

-Parece-me uma boa ideia. E durmo eu aqui e tu na tua cama?

-Dormimos os dois na minha cama. – Afirmou atrevido.

-Por mim pode ser. – Respondeu não ficando nada atrás do atrevimento dele. –Sei que está calor, mas quero dormir próxima de ti, nunca dormi ao pé de alguém que me desse esta sensação de confiança.

-Nunca dormiste com o Tiago?

-Só sestas da parte da tarde, de noite nunca.

Colocaram o despertador para a hora combinada e foram deitar-se sobre a cama dele, mas Rita nunca conseguia dormir completamente destapada, por isso pousou uma manta sobre a sua cintura e de Fábio, deitaram-se em conchinha e dormiram.

O despertador tocou á hora prevista e acabou por ser rápido até acordarem e saírem de casa. Mas não sem antes levarem uma toalha, para o caso de algum eventualidade, visto que iam para a praia. Foram até ao carro e sem Rita dizer nada, Fábio conduziu até á praia, estava deserta e era agradável estarem ali sozinhos, havia alguma claridade mas ainda não era de dia.

-Que te parece de irmos tomar um banho?

-Que tu és louca!

-Estás a duvidar de mim? – Perguntou fingindo-se admirada por Fábio.

-Não, era incapaz!

-Então anda tomar banho fraquinho! – Rita deu a mão a Fábio e empurrou-o até á beira do mar, pousou a mão sobre as ondas pequeninas á beira-mar. –Queres ver como está boa? – E surpreendendo o próprio atirou-lhe com um pouco de água para cima do amigo, que começou a correr atrás de Rita, que tentou fugir mas não conseguiu. Pegou-lhe ao colo e levou-a até dentro de água.

Quando lá chegaram ficaram numa zona onde apenas ele conseguia pousar os pés no chão, a água ao contrário do que inicialmente esperavam estava quente, por isso teve de agarrar-se ao corpo dele e tentar admirar a bonita paisagem ou tentar admirá-lo a ele, era uma questão que colocava a si mesma. Era difícil não reparar no físico dele, mas não queria que ele descobrisse por isso, apertou fortemente com medo de se afogar, mas com confiança nele e puderam juntos admirar aquela paisagem que tinha tanto de bonita como de única, assim como o momento que viviam juntos.


Será que Fábio se irá declarar?
Será que os pais a vão deixar ir a Braga? Como será o seu dia de aniversário? 

sábado, 5 de abril de 2014

Capítulo 18: “Não. Já estou apaixonado”


-Fábio. – Disse Rita tocando no braço do amigo. – O Pedro está ali, acompanhado.

-Vai falar com ele. Eu fico aqui com a Diana.

-Não. Ele está com aquela rapariga e eu estou com vocês.

-Devias ir falar com ele e esclarecer tudo, senão não vais ficar bem.

-Desde que te tenha a ti e à minha família, fico bem.

-Obrigada. – Fábio deu um beijinho na testa da amiga. -  Tens a certeza que não queres ir falar com ele? Eu não me importo nada.

-Tenho. Vou adiar esta conversa mais uns tempos.

Rita virou as costas a Pedro e à sua companhia e começaram a caminhar em direção a casa.

-Rita. – Aquela voz parecia familiar. E começava a aproximar-se cada vez mais deles. – Espera. – Pararam no local onde estavam e olharam para trás. Era Pedro. – Precisamos de falar, Rita.

-Falamos noutra altura, tu estás acompanhado e eu também.

-Por favor. – Pediu Pedro.

-Fábio senta-te com a nossa afilhada ali no banco que eu já vou ter com vocês. – Ele acenou com a cabeça e fez o que a amiga pediu.
Começaram a caminhar junto ao rio mas sem se afastarem muito,Pedro também pediu à sua amiga, para aguardar por ele e ela fez o que o amigo lhe pedira.

-Acho melhor adiarmos esta conversa. Tu tens a tua amiga à tua espera, eu tenho o Fábio e a Diana.

-Se adiarmos sabes, que tão cedo não voltamos a falar.

-Está bem, mas não nos podemos afastar muito. Não posso esforçar o pé.

-Que te aconteceu?

-Tive um acidente de moto ontem, depois de deixar a tua casa.

-O que se passou? Estás bem? – Perguntou verdadeiramente preocupado com a amiga.

-Torci o pé e fiquei com alguns arranhões, mas isto passa. Foi só o susto. Pior ficou a mota.

-E tudo isto depois da nossa discussão. – Sentaram-se num banco um ao lado do outro, mas Rita esticou o pé magoado e deixou o outro sobre o banco.

-Tu não tiveste culpa. Ninguém teve culpa, quem está na estrada está sempre sujeito.

-Obrigada por me fazeres sentir bem. Depois de tudo.

-É para isso que servem os amigos! Estão juntos nos bons e maus momentos! Sei que ontem não tive a melhor atitude e tenho que te pedir desculpa. Não foi minha intenção magoar-te mas acabei por fazê-lo. Nunca me passou pela cabeça que tu gostasses de mim... Dessa forma.

-Não tinhas como saber, nunca te dei motivos para desconfiar.

-Mas podia ter desconfiado de qualquer coisa, por mais pequena que fosse. 

-Eu fui muito cuidadoso. Tive a minha oportunidade e perdi-a, por ciúmes parvos e estúpidos.

-Não, eu podia ter evitado tudo isto e não o fiz.

-Se eu te tivesse dito que gostava de ti, nada seria assim.

-Muito seria diferente, sabemos disso. Mas acho que nenhum tem de se sentir mais culpado que o outro no meio desta história.

-Mas tudo continua presente no futuro, com culpa ou sem ela.

-Sim. E já fizemos o que tínhamos que fazer, pedimos desculpa e sabemos bem que somos amigos. Porque razão iríamos estragar uma amizade por causa de um erro?

Pedro abraçou Rita que também o apertou nos seus braços.

-Obrigado! – Disse Pedro sussurrando ao ouvido da amiga.

-De nada meu pequeno grande! – Fábio observava todo aquele momento á distância e sentia ciúmes. Ciúmes de não ser ele no lugar de Pedro. Queria poder sussurrar-lhe palavras de carinho e dizer o quanto gostava dela.
Afastaram-se e puderam observar que Fábio estava próximo, ou melhor, estava mesmo à beira deles. Que fez tudo para controlar os seus impulsos, mas foram mais forte e aproximou-se dos amigos. Estava a começar a sentir ciúmes de Pedro, sabia bem o que ele sentia por ela, e que o sentimento não era recíproco,  mas queria sentir que era o único homem da vida de Rita.

-Fábio que fazes aqui? – Perguntou a rapariga.
Ele não poderia contar a verdade, por isso tinha de inventar uma justificação viável para a sua presença. Pedro levantou-se e colocou-se ao lado de Fábio e pode admirar Diana durante alguns segundos, tocou com o dedo indicador na bochecha da menina e disse:

-A menina está quase a dormir. É melhor levá-la para casa.

-Sim. A menina ainda não está habituada ao teu colo, é melhor eu tentá-la adormecer, mas vê se aprendes uma lição! Afinal também é tua afilhada! – Colocou os braços debaixo dos de Fábio que pousou suavemente a menina no colo da madrinha, virou costas e começou a andar e a cantar para a pequena. Fábio queria acompanhá-las mas Pedro falou:

-Ela está-te a mudar, puto. – Foi completamente apanhado desprevenido com aquelas palavras carregadas de razão.

-A Rita já me mudou, se sou o homem que sou, a ela o devo. – Apontou para a amiga e sorriu.

-E tu estás-te a apaixonar. – Disse Pedro sorrindo mas sem nunca olhar para Fábio, apenas admiravam Rita.

-Não. Já estou apaixonado. – Confessou pela primeira vez em voz alta e sabia bem dizê-lo. Mas fizera-o com alguém completamente inesperado.

-Ela também gosta muito de ti. – Apesar de magoar a Pedro encarar esta dura realidade, sabia que era verdade e queria apenas a felicidade de Rita e sabia-o que era junto a Fábio que seria e era feliz. – Promete-me apenas que vais fazê-la feliz e não a vais magoar como eu fiz.

-Vou fazer tudo para fazer dela a mulher mais feliz do mundo. Mas... Não te magoa dizeres isso, dessa forma e com essa naturalidade?

-Não imaginas o esforço que estou a fazer para tentar mostrar que está tudo bem.

-Te garanto que vou fazer tudo para fazer dela a mulher mais feliz do mundo, mas ainda é tudo um mundo novo para mim. Sei que gosto dela como nunca gostei de outra rapariga, mas ainda não sei se a amo, entendes? – Pedro sorriu.

-Acordas a pensar nela e adormeces também a pensar nela, sonhas com ela, falas imenso sobre ela, já para não falar no sorriso de orelha a orelha, sem razão aparente. Queres estar sempre ao pé dela. E tens constantemente saudades, mesmo quando estão afastados há escassos minutos. Mas tens medo que ela descubra, porque tens medo de perdê-la. Mas não consegues deixar de pensar como será quando a beijares e como será o vosso futuro, se tiveres juntos. E para não falar que tens ciúmes. – Sorriram. – Sim, porque eu percebi que não te aproximaste de nós, por causa da menina.
Fábio ponderou sobre aquelas palavras e sem dúvida tudo o que dizia era verdade.

-E as borboletas no estômago? – Perguntou ingenuinamente. E Pedro não conseguiu conter a gargalhada.

-Nem todos os apaixonados sentem as borboletas no estômago. Isso é uma coisa bonita para os filmes e para as músicas. Mas quero que saibas, que apesar de tudo, podes contar comigo. Mas em primeiro lugar, desculpa, pelas minhas atitudes. Ás vezes os apaixonados fazem coisas que normalmente não faziam.

-Obrigada! – Fábio deu um abraço a Pedro. Mas rapidamente se separaram. – Prometo que vou fazer tudo para fazê-la feliz.

-Posso saber o que é que as duas Amélias estão a fazer? E quem é que vais fazer feliz, Fábio? – Perguntou surpreendendo os amigos.

-A Diana. – Disse por instinto Fábio. E Rita ficou desapontada com o que ouvira e não o conseguiu esconder. – Estava a dizer ao Pedro que vamos ser padrinhos da Diana e que vou fazer tudo para ela ser feliz.

-E que experiência tem o Pedro para te fazer prometer isso?

-Uma irmã mais nova e montes de primos mais novos.

-Já cá não está quem falou! – Disse animada. – Fábio é mesmo melhor irmos andando que a menina precisa de descansar mais um bocadinho e depois está na hora do lanche.

-Está bem. Obrigada, cabeção. – Disse dando um “passou-bem” a Pedro.

-De nada, puto.

-Adeus, Pedro. – Despediram-se com dois beijinhos. – Por falar nisso a tua amiga disse que tinha de ir embora, qualquer coisa com uma urgência ou assim, não me lembro bem.

-Ela não era minha amiga. Conhecemo-nos hoje, aqui e estávamos a falar, estamos a viver situações semelhantes.


-Pode ser que algum dia a voltes a encontrar por aqui! – Deram dois beijinhos e Rita e Fábio começaram a caminhar até casa. Colocaram a menina sobre o carrinho que haviam trazido e instintivamente, por impulso de ambos, cruzaram as mãos.


Quando chegaram ao prédio, tomaram a decisão de irem até casa dela, afinal ele não estava preparado para receber a visita de uma bebé. Quando chegaram a casa, a madrinha deitou a menina sobre a sua cama que já dormia e foi até á sala onde estava o padrinho. Fábio estava sentado no sofá, mas quando deu pela entrada da amiga, levantou-se. Rita não ficou indiferente e foi ter com o amigo. Aproximaram-se. Ficaram apenas a alguns centímetros um do outro, mas os olhares eram muito intensos. Quem tomou iniciativa foi Rita que colocou as mãos sobre o pescoço do rapaz, e ele nada indiferente, colocou a mão sobre as ancas dela. Estavam cada vez mais próximos, os lábios iam-se unir como tanto desejavam, como tanto haviam pensado. Mas algo os interrompeu. O choro de Diana, provavelmente com fome, impediu-os de ir avante. Não podiam negar o choro da menina, por isso foram obrigados a adiar o beijo, mais uma vez.

“Há terceira não é mesmo de vez”

Pensou Rita para si mesma, já era a terceira vez que se tentavam beijar e algo os impedia. Mas preferia não acreditar que era o destino, ela sabia que iria acontecer, mais cedo ou mais tarde.

(Passado alguns dias)

Enquanto Fábio andava ocupado a preparar uma festa de aniversário surpresa a Rita, sem que ela pudesse desconfiar. A jovem andava ocupada entre conhecer a nova escola, fazer novos amigos e conviver com a nova realidade mas também em tentar descobrir ao certo o que sentia por Fábio, tentava chegar a alguma conclusão e só conseguia chegar até uma: não podia ficar um dia longe dele. Em especial, o seu dia de aniversário.
Era 22 de Janeiro, véspera do seu aniversário e estava a família Madeira reunida na sala, era o momento de partilhar o que queria para o dia seguinte. Tinha a certeza, amava a família mas tinha que o ter junto a si, não era um capricho, mas sim uma necessidade.

-Só vos peço como prenda de aniversário deixarem-me ir a Braga amanhã. Sei que tenho aulas mas não aguento simplesmente, não estar longe do Fábio e muito menos no dia de amanhã. – Disse Rita partilhando (quase) tudo o que sentia. Os pais conheciam Fábio e gostavam imenso dele, já tinham percebido que havia algo mais que uma amizade. Continuavam a encontrar-se frequentemente, mas a forma de ser de ambos mudara. A forma de estar para com a vida, a alegria com que viviam e pequenos detalhes em ambos mudavam e não conseguiam escondê-lo. A jovem lisboeta sabia que podia confiar nos pais, que eram os seus melhores amigos, mas ainda não se sentia à vontade para falar sobre o que sentia.

Qual será a resposta dos pais?
Será que vão entender o que Rita pede? Quem ficará surpreendido no final?

sexta-feira, 7 de março de 2014

Capítulo 17: “Não vou puder estar contigo no teu dia de anos”



-Estávamos a almoçar podemos? – Respondeu com uma pergunta Maria.

-Claro que sim! Mas é estranho ver um amigo e a minha mãe a almoçarem, sem mim.

-Cruzamo-nos na entrada do prédio, e como ainda ia cozinhar, a tua mãe convidou-me para almoçarmos. Não te importas?

-Claro que não. Eu é que não estava á espera! – Respondeu sorrindo. -Já és quase o 6ºelemento desta família!

-Obrigada pequena! Não te esqueças da nossa afilhada!

-E da tua irmã e genro! – Concluiu a mãe.

-Pronto então és o 9º elemento desta família! Por falar nisso... Mãe já sabes quando tens a próxima consulta?

-De hoje a uma semana.

-No meu dia de anos?

-Sim. Como sei que queres muito ver o teu irmão, nada melhor que no teu dia de anos para fazê-lo!

-Obrigada mãe! – Deu-lhe um abraço forte e um beijo na bochecha.

-Infelizmente não vou estar cá nesse dia. – Afirmou Fábio bastante desanimado.

-Não? – Perguntou Rita triste só de pensar que iria ficar um dia sem o ver.

-O jogo foi antecipado para segunda, em Guimarães. Vai ser complicado estar cá.

-Eu acredito. Mas era importante ter-te comigo.

-Desculpa. Mas sabes que se for convocado tenho mesmo de ir.

-Eu sei. Não depende de ti.

-Mas prometo que te compenso! – Prometeu Fábio.

-Obrigada! Mas não é preciso!

-Faço questão! É o teu aniversário, a tua maioridade. Vou estar longe mas vou-te compensar ou não me chamo Fábio Cardoso!

-Bem meninos e eu vou indo que senão eu e o irrequieto chegamos atrasados ao trabalho! – Deu dois beijinhos á filha e enquanto dava a Fábio, Rita perguntou:

-Já me esquecia. Como correu a reunião?

-Bem. Era só para lhe contar que estava de esperanças.

-Não sabia. E o que é que ele disse?

-Felicitou-me e disse que já desconfiava. A barriguita já se nota um pouco. – Colocou a mão sobre a mesma. – Mas vou indo senão chego atrasada. Beijinhos. – Virou costas e foi-se embora.

-Podias-me ter ligado para te ir buscar.

-Oh. Mas tu não és o meu motorista de serviço.

-Achas que me importava de te ir buscar?

-Não sei. Podias já ter planos.

-Mesmo se tivesse, cancelava-os para te ir buscar.

-Senão parares com isso, sou obrigada a espetar-te um beijinho!

-E porque não dás?

-Queres um beijinho á esquimó?

-Beijinho á esquimó? – Perguntou sem saber.

-Não sabes o que é um beijinho á esquimó?

-Não.

-Que tolo! Toda a gente sabe o que é um beijinho á esquimó!

-Eu não sei e tu continuas a gostar muito de mim!

-Presunção e água benta cada um toma a que quer! – Respondeu com um ditado popular.

-Não é verdade? – Perguntou olhando-a nos olhos. E Rita para fugir á situação 
deliciada sentou-se.

-Sim, é! Pronto já sabes o que querias, agora deixa-me comer! – Disse mais uma vez fugindo ao assunto.

-Também gosto muito de ti pequenina! – Ela sabia exatamente o que queria dizer mas não queria assumi-lo em voz alta, tinha medo do que poderia sentir, mas também medo de dizê-lo.

Almoçaram em silêncio e sem trocar nenhuma palavra. O ambiente entre eles estava tenso, como se quisessem falar sobre um assunto e não conseguissem. Já perto do fim, quem tomou a iniciativa foi ele.

-Temos mesmo que falar sobre o momento de ontem.– Disse Fábio levantando-se e ficando frente a frente com a amiga.

-Não vou ser cínica e dizer que foi indiferente, fiquei um bocado magoada e desiludida contigo.

-O que é que eu te fiz para te deixar assim?

-Tu acabaste com a Catarina, por minha causa... – Encarou-o olhos nos olhos. -É impossível não me sentir culpada. Tu magoaste alguém por minha causa, podia e devia ter ficado calada. E quanto ao beijo... – Teve medo a dizer estas palavras quanto mais enquanto o olhava diretamente sobre os olhos cor de avelã. – Ou quase. Nós iamo-nos beijar e tu deitas-me um beijo na testa. Senti que me estavas a tratar como tratas o meu irmão.

-Em relação á Catarina, não tens de te sentir culpada. Não me obrigaste a fazer nada, eu limitei-me a fazer porque quis. Não tiveste culpa de nada.

-Tive sim. E não tentes negá-lo.

-Não me obrigaste a fazê-lo. Deste-me a tua opinião e eu escolhi se dava ouvidos ou não. E dei. E mesmo que não me tivesses dito nada, eu teria acabado com ela.

-Eu conheço-te, sei bem como és e sei que não farias.

-Não ia continuar com ela, enquanto existem sentimentos por outra pessoa.
Rita foi apanhada de surpresa com aquela afirmação, tinha medo da carga emocional que podia existir, porque nem ela não sabia ao certo que sentia por ele.

-E fica sabendo que em relação ao beijo. Ou quase. Só não o fiz, porque sabia que te ias arrepender.

-Não achas que já sou suficientemente crescidinha para tomar essa decisão?

-Sim, mas quis evitá-lo.

-Se acontecesse, era porque tinha de acontecer. Devias ter deixado acontecer.

-Tive medo de te perder, depois do beijo.

-Mas fizeste-me sentir uma criança, como se fosse o meu irmão.

-Desculpa. Não foi essa a minha intenção, quero apenas o teu melhor. Tu sabes disso!  Acredita que é verdade que também queria aquele beijo, não o nego. Só que não éramos só nós... Não era capaz de trair e magoar dessa forma a Catarina.

-Mas passado algumas horas acabaste com ela.

-Sim e não me arrependo. Se pudesse nem tinha começado, só a magoei.

-Podias ter evitado tudo. – Disse desabafando, nunca com a intenção de o culpar, apenas de dizer o que pensava e sentia.

-Tu também podias ter evitado magoar o Pedro.

-Não tinha como.

-Tinhas sim, se tivessem falado sobre o que sentiam, tinhas evitado magoá-lo.

-Nós falamos sobre o que sentíamos. Ele é que não foi totalmente sincero.

-E tu nunca desconfiaste de nada?

-Não. Nunca.

-Nem por um segundo?

-Nem assim. Mas sabes o que precisamos mesmo é de apanhar ar! – Disse interrompendo o rumo daquela conversa, tinha medo de alguns temas que de todo, ela queria conversar.

-E vais com as tuas amigas? – Falava das muletas, das quais Rita precisava de auxílio para caminhar.

-Vou tentar ir sem elas, mas era melhor era ir com um pé elástico para dar algum apoio. Mas não tenho...

-Eu tenho em casa, espera só um pouco que já volto.
Fábio foi até sua casa buscar o pé elástico para auxiliar a amiga a caminhar e embora não tivesse demorado muito, pouquissímos minutos na realidade, ela sentiu as saudades dele atravessarem-lhe o peito.
Quando regressou, ela não teve medo em dar-lhe um beijo na face e a abraçá-lo, ele não negou e retribuiu de uma forma surpreendida mas feliz.

-Enquanto estive em casa, estava a pensar... – Ela não o deixou terminar a frase e interrompeu-o.

-Tu pensas? – Ele sorriu.

-Sim. Em muita coisa, por incrível que pareça sou muito pensativo.  – Confessou claramente falando sobre um tema que ela não queria falar, mas pensava com bastante frequência. -Mas adiante.. Que achas de irmos buscar a Diana e vamos passear os 3?

-Parece-me uma excelente ideia! – Rita deu o telemóvel a Fábio. – Liga para a minha irmã enquanto calço o pé elástico. E já agora obrigada.

-De nada pequena!
Enquanto Fábio conversava com a mãe da sua afilhada, Rita calçava o pé elástico e mais tarde os ténis. Ficou combinado que iriam buscar Diana á creche e mais tarde os pais da menina iriam buscá-la a casa da madrinha.

-Que te parece de passearmos naquele passeio entre a Arrentela e o Seixal á beira-rio?

-Parece-me uma excelente ideia! Não nos afastamos muito de casa e caso a menina não tenha dormido, que é o mais próvável, podemos voltar a casa e pô-la a dormir.

-E tu de teres cuidado por causa do teu pé!

-Sim paizinho! – Disse sorrindo. – Não te importas de irmos de carro buscar a menina?

-Claro que não. Tens é de me dizer onde é.

-Pelo caminho eu explico-te.

Foram buscar a pequena Diana que se demonstrou bastante animada por se encontrar com os padrinhos, mas rabugenta porque não dormira o tempo suficiente. Por isso mesmo, não se poderiam demorar muito tempo no passeio. Quando regressaram da creche, Fábio estacionou o carro e fez questão de ser ele a levar a afilhada ao colo durante o passeio, até de forma a evitar que a madrinha da sua afilhada fizesse demasiado esforço no pé.
O passeio por onde se deslocavam era agradável e sentiam-se felizes, apesar das birras típicas (de sono) da pequenina. Aquele momento tornava-se inesquecível, faziam-na esquecer-se das dores que sentia no pé. Fábio era extremamente carinhoso com Diana, extremamente cuidadoso e babado com a pequena, como seria com os seus filhos? Aliás com os filhos de ambos? Tentou afastar aqueles pensamentos da cabeça mas era tarde demais, já os tinha imaginado mentalmente e não era ideia que afastasse por completo.
Mas o passeio agradável, acabou por ter uma surpresa inesperada. Não, pela negativa, simplesmente porque era completamente impensável. Pedro encontrava-se num banco daquele passeio, junto ao rio, a conversar com uma rapariga.

Quem seria a rapariga?

Será que Rita vai falar com ele? E como ficará Fábio?