segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Capítulo 16: “The madness of today become memories of tomorrow”


Rita não teve uma boa noite de sono com as dores causadas pelo acidente mas mesmo assim teve de acordar cedo, ia enfrentar uma grande mudança na sua vida. Uma nova escola, novas caras, novos amigos, novas relações e uma nova realidade. Sentia-se preparada e com vontade de lutar, mas também estava receosa. Sentia-se insegura, com medo que não conseguir relacionar-se com alguém, de não conseguir fazer novos amigos e sabia que eram importantes. Mas sabia que tinha um á sua beira, Fábio. E depois do que acontecera no dia anterior, não sabia ao certo o que pensar.
Fábio tinha provado ser uma enorme pessoa e um enorme amigo, que estava somente interessado na sua amizade. Mas não podia negar a si mesma que queria aquele beijo, que o desejava. Que nutria sentimentos por ele que não nutria por mais ninguém e que sentia uma necessidade inexplicável de estar com ele, até mesmo sem conversarem, ou estando em silêncio absoluto.
Levantou-se da cama e foi até á casa de banho, tomou um banho refrescante e volto até ao quarto onde escolheu a roupa. Optou por algo simples e confortável, até porque as muletas atrapalhavam.



E para calçar optou por uns ténis cor de rosa simples e confortáveis.
Agarrou nas muletas e foi até á cozinha onde sabia que a família se encontrava reunida. O pai já tinha saído para ir para o trabalho e a mãe preparava-se para sair com Pedrito, tinha de ir mais cedo, porque teria uma reunião e tinham-se esquecido completamente que a rapariga também precisava de transporte. E Rita ainda nem estava pronta para sair de casa. Mas a sua mãe queria esperar pela filha, para a levar até á escola, mas Rita não queria que a mãe se atrasasse mais por sua causa, e conseguiu convencê-la a ir-se embora. De seguida, foi fazer as tarefas que lhe faltaram. Preparava-se para ir a pé até á escola e o mais certo era chegar atrasada, porque faltavam pouco mais de 20 minutos para entrar. Iria causar uma péssima primeira impressão.
Por isso tocou á campainha de Fábio. Esperou algum tempo e quando o amigo abriu a porta, foi surpreendida por ele. Tinha apenas uma toalha a cobrir-lhe a cintura, nada mais. E Rita pode constar que ele era ainda mais atraente do que julgava e imaginava.  O cabelo pingavam e as gotas escorriam pelo corpo, e todas as tatuagens que tinham estavam bem visíveis, inclusivé a do peito.


Não conseguia esconder a admiração. Abriu a boca e Fábio apenas sorriu. Baixou a cabeça e benzeu-se e disse em voz baixa:

-Ai meu Deus! – Nunca tinha observado o corpo de Fábio e não fazia ideia do que a tatuagem no peito diria.

-Tapava o peito mas se o fizer deixo outras partes á mostra! Rita olhou para ele e colocou as mãos á frente dos olhos, mas afastando os dedos, numa tentativa de mostrar que estava envergonhada mas também de admirá-lo.

-Deixa-te estar! Eu depois venho cá! Disse na tentativa de fugir á maior vergonha da sua vida.

-Entra masé tola! Eu vou vestir qualquer coisa para não te deixar tão pouco á vontade. – Disse entrando em casa e Rita seguiu-lhe. – Fecha a porta e finge que a minha casa é a tua. – Afirmou indo em direção ao quarto para vestir alguma roupa menos provocatória para os sentidos dela. Falou do quarto para a sala, onde estava a rapariga. Já tomaste o pequeno almoço?

-Não. E tu?

-Também não. Assim ficas a fazer-me companhia a comer.

-Já tenho o meu pequeno almoço pronto em minha casa.

-E eu não tenho comida cá em casa? Leva o que tens em tua casa para comeres a meio da manhã e tomas aqui o pequeno-almoço comigo.

-Obrigada então fico-te a fazer companhia.

-Está bem. Agora que me lembrei, estás melhor?

-Estou ainda com dores mas é normal. E a noite também não foi boa. Confessou. – Por causa das dores não consegui dormir bem. – Mentiu, um dos fatores que a fizera dormir mal era o próprio.

-E não podes ir dormir mais? Ainda é cedo.

-Tenho aula daqui a – Olhou para o relógio. Quinze minutos. Vim tocar para perguntar se me podes dar boleia.

-Claro que posso. Já estou pronto. – Saiu do quarto com uma t-shirt bastante decotada que deixava um pouco á mostra o seu peito e em particular a tatuagem. – Que é da tua mochila?

-Pois.. Esqueci-me dela.

-Eu vou lá buscá-la. Está onde?

-A mala deve estar em cima da minha cama, senão está no meu quarto. Toma as chaves. – Esticou a mão e deu-lhe as chaves, o que provocou um toque entre a palma das mãos de ambos.

Fábio agarrou nas chaves e foi até casa da amiga enquanto ela tentava levantar-se do sofá de forma a não causar dor no pé magoado e a não exerguer demasiado esforço no pulso magoado. E disse em voz baixa:

-Se tu continuas a ser tão giro, vejo-me obrigada a saltar-te para cima! E não há Catarinas que me impeçam! – Disse sorrindo. Eram amigos e ela sabia bem que era a relação entre eles, mas não podia negar que sentia uma enorme atração por ele.

Passado pouco tempo ele voltou com os pertences da amiga, e transportou-os para não sobrecarregar a amiga. Foram até ao carro e ele só se sentou no lugar do condutor depois de se certificar que a amiga permanecia bem instalada no banco.

-De certeza que não te estou a causar transtorno?

-Não. Eu também estava só a acabar de me arranjar para ir para o treino.

-Ainda ontem tiveram jogo e hoje não têm folga?

-Não. Temos jogo na quarta. Fora e precisamos de treinar.

-Não sabia. Mas boa sorte, sei que não vais precisar que és um exemplo, que és 
enorme e um orgulho para mim. E aqui entre nós, és a coisa mais próxima que tenho de ídolo. Sei que me vais deixar orgulhosa!

-Muito obrigada princesa! Disse com um sorriso genuíno. Nem imaginas o quanto fico feliz  por te ouvir essas palavras. Por saber que gostas do meu trabalho, por me admirares e principalmente por seres tu.

-Fiquei sem palavras! Senão tivesses a conduzir dava-te um xi daqueles enormes!

-Um xi?

-Um xicoração tontinho! Nunca tinhas ouvido?

-Não. Mas é fofo.

-Pois é! E vou ser o primeiro xicoração da tua vida! Sinto-me lisonjeada!

-Sei que será com uma pessoa que merece tudo de melhor!

-Fábio. Disse envergonhada Rita. Só por curiosidade posso perguntar-te o que tens escrito no peito?

-Há pouco não viste?

-Não.

-Quando parar mostro-te. Ainda há pouco a tua reação quando abri a porta foi qualquer coisa de muito bom. Só tu! – Ela deixou-se corar.

-Tens muita piada! Não estava á espera que me abrisses a porta naqueles modos!

-Quais modos?

-Tu sabes.

-Se soubesse achas que teria perguntado?

-Não sei. Alguém entende os homens?

-Ontem a Catarina disse-me isso.

-Ah... Fez bem. Disse a rapariga pouco á vontade com o tema da conversa.

-Ontem acabei com ela.

-Fizeste o quê? Perguntou surpreendida. Não esperava nada aquela atitude da parte do seu amigo.

-Acabei com ela. Estavas certa.

-Mas vocês começaram anteontem

-E acabamos ontem. Foi o melhor.

-Tenho de perguntar. Acabaram por minha causa?

-Queres que te diga a verdade?

-Não esperava outra coisa.

-Em parte foi tua a culpa, sim.

-E porque o fizeste?

-Porque tudo o que disseste estava certo, estava com ela, porque tu estavas com o Pedro. E estava a enganá-la. E sabes que mais? Eu e tu temos essa relação de namoro, mas sem sermos namorados ao mesmo tempo.

-Como assim?

-Confiamos um no outro, temos a necessidade de estarmos juntos constantemente, somos felizes um ao lado do outro como com mais ninguém e gostamos muito um do outro. A principal diferença é que não nos amamos e que não nos beijamos.

-Então tu optaste por mim em vez dela?

-Sim. – Respondeu enquanto estacionava o carro á porta da escola, de forma a deixar a amiga o mais próximo possível da entrada. Vou mostrar-te a tatuagem que tenho no peito. - Disse mudando o tema rapidamente, porque não sabia que palavras mais dizer. Levantou a t-shirt e deixou a descoberto a tatuagem. A rapariga não se conteve e encostou a mão no peito dele e seguiu cada palavra no seu peito enquanto a pronunciava em voz alta.

-The madness of today become memories of tomorrow.

-As loucuras de hoje tornam-se as memórias de amanhã. – Respondeu. E rapidamente tornaram a cruzar os olhares com “faíscas” como havia sido no dia anterior. Indiretamente estavam a querer que um possível beijo que trocassem seria uma loucura, ocorrida no dia, e tornar-se-ia uma memória no futuro.

-E melhor ir embora. Disse Rita tentando fugir ao que se iria passar. Pegou nas muletas e na mala com a intenção de sair do carro.

-Podes-me dar o teu número? Depois quero saber como correu o teu dia de aulas. – Pegou notelemóvel do amigo e colocou o seu número. Deu-lhe um beijo na face e disse:

-Manda mensagem para gravar o teu número se faz favor. Agora vou indo que ainda vou chegar atrasada. Mas obrigada pela boleia.

-Espera. Eu abro-te a porta.

-Deixa-te estar.

-Não sejas teimosa. – Fábio saiu do carro e contornou a parte da frente do mesmo e abriu a porta para a amiga sair.

-Obrigada. – Despediram-se com dois beijos e Rita foi em direção á escola nova. Chegaria em cima da hora do inicio da aula, mas ia com um sorriso na cara, Fábio deixava-a feliz e as suas atitudes demonstravam um enorme valor.

#############

Fábio depois de acabar o treino e de tomar banho, lembrou-se que faltava menos de uma semana para o aniversário da amiga e era um aniversário importante. Comemorava a maioridade. Era próximo da hora de almoço e decidiu ir até casa da amiga, na esperança de encontrar os pais dela. Queria saber se estavam a preparar alguma festa ou alguma comemoração em especial. Tinha pensado em preparar uma festa surpresa. Apesar de muito provavelmente não estar presente, não o impediria de o organizar.

Estacionou o carro e tocou á porta da família Madeira. Sabia que Maria tinha por hábito almoçar em casa e esperava encontrá-la.
Esperou durante algum tempo e quem lhe abriu a porta, foi Maria que o convidou para almoçar, pediu desculpa pelo incómodo. Tinha medo de não dar espaço suficiente, mas acabou por aceitou o convite.

Enquanto almoçavam, Fábio contou a sua ideia para o aniversário da amiga e Maria gostava muito das ideias que ele dava e da boa vontade que demonstrava. Iriam organizar uma festa surpresa para o aniversário de Rita e começaram a trocar algumas ideias. Mas sem qualquer aviso, Rita entra em casa e pergunta:

-Posso saber o que é que o chato e a grávida fazem juntas? – Perguntou sorridente. E na verdade ficaram bastante surpreendidos por ver Rita, por sorte, não tinha ouvido nada, mas mesmo assim teriam de arranjar uma desculpa digna para almoçarem juntos.
Que irão dizer a Rita?

Será que ela vai descobrir a festa surpresa? E como irá reagir?

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Capítulo 15 “Eu tomo conta de ti e tu de mim”


Rita abriu a porta e levantou-se. Pousou o pé direito no chão e não conseguia fazer pressão, por isso colocou o pé esquerdo e deixou-se coxear, para afastar-se do amigo. Tentara ser forte e demonstrar que estava tudo bem mas aquelas palavras que ouvira, pareciam ter sido como uma facada aplicada no seu coração e quando ela menos esperava. O rapaz saiu do carro e bastou alguns passos para chegar até perto da amiga.


-Onde vais? Perguntou continuando atrás dela, sem nunca a ultrapassar ou impedir de continuar a “saltitar”.

-Vou para casa ou para um sítio qualquer. Eu cá me desenrasco.

-E achas que a essa velocidade chegas lá hoje?

-Não quero saber! O que importa é chegar! Fábio agarrou no braço esquerdo de Rita e colocou-se á sua frente.

-Mas tu importaste de me explicar o porquê desta tua atitude repentina? Perguntou sem compreender o gesto da amiga.

-Pensava que eras mais inteligente que isso Fábio. Ainda não compreendeste o que fizeste? O rapaz não estava a compreender as atitudes da amiga mas queria saber.

-Volta para aquele carro para falarmos, que estares aqui com o teu pé assim, só faz mal.

-Não vou contigo para lado nenhum. Vai ter com a tua amiguinha e deixa-me em paz! Não estava nada á espera daquela atitude e por isso Fábio largou o braço dela que começou a  afastar-se dele. Mas, bastaram alguns segundos para chegar a uma breve conclusão. Deu dois grandes passos e alcançou-a.

-Tu estás com ciúmes? Perguntou sorrindo, olhando-a olhos nos olhos.

-Claro é isso mesmo! Tu até és a última bolacha do pacote!

-Tu estás com ciúmes. Sorriu. Mas não significa que só por estar numa relação que vou deixar de ser teu amigo.

-Não alcanças mesmo. Contornou o amigo aos saltinhos. Mas ele não se deixava vencer. Ultrapassou-a e colocou-se á sua frente.

-Então explica-me como se fosse muito idiota senão te importas! A jovem natural de Lisboa, colocou a mão sobre o braço dele de forma a conseguir aguentar-se em pé.

-Afastei-me de uma amigo que conheço há 7 anos, porque optei por ti em vez dele. Pensei que estávamos concentrados um no outro, apenas isso. Que estava a mudar a tua forma de pensar. Que te estava a demonstrar que as curtes não levam a lado nenhum e que um amor dá-te mais felicidade que todas essas relações juntas. E tu, pura e simplesmente, dás a entender com palavras que sabes e entendeste e fazes o oposto. E sinceramente, chateia-me que não tenhas entendido isso. Disse calmamente tentando explicar tudo o que sentia.

-E o que achas que senti quando te vi aos beijos com o Pedro? Não é ciúmes, apenas não te consigo ver com outra pessoa, tenho medo que te voltem a magoar e a desiludir. E em muitos momentos, sou eu que tenho medo de te magoar, mesmo que sem querer. Não duvides que aprendi muito contigo, mas também me magoou a tua relação com o Pedro. Parecia que, tal como disseste, dizias uma coisa, e fazias outra. E o principal motivo para estar com a Catarina é o facto de tu estares com o Pedro. Mas fiz questão de deixar tudo bem claro. Ela gosta mesmo de mim e eu não a quero magoar.

-Tu também tiveste ciúmes quando me viste com o Pedro. – Disse sorrindo. -E se queres a verdade, também não gostei de saber que estavas com a Catarina. Porque não suportamos a ideia de partilhar a atenção com outro pessoa. Estamos aqui um para o outro. E nós somos felizes juntos, enquanto amigos. Os olhos de ambos brilhavam como duas estrelas. Duas estrelas que pareciam ligadas por faíscas, mas também por algo mais. Tu és maior e vacinado, sabes o que fazes, mas não vou esconder aquilo que penso. Não te peço para acabares, mas acho que senão gostas dessa rapariga, vais ser infeliz só para a fazeres feliz e no final, só a vais magoar mais. Os olhares entre ambos eram constantes e brilhavam, davam a entender que precisavam daquilo para sobreviver, não se conseguiam separar, mesmo se tentassem. E simplesmente não conseguiam pensar em nada mais. Parecia que eles eram o centro do universo. Ninguém queria falar, mas sentiam que tinham de o fazer. Mas o quê?

A distância entre ambos era de alguns centímetros mas pareciam quilómetros, pelo menos sentiam como tal. Rita tocara no braço de Fábio e sentia os músculos do braço dele que se atreveu-se a esticar os braços e deixá-los sobre o fundo das costas dela, que não negou. Sorriu envergonhada enquanto os olhares continuavam cravados um no outro. Rita ergueu as mãos e pousou-as sobre os ombros do amigo enquanto os olhares continuavam cravados um no outro, mas, desta vez mais próximos. Os corpos tocavam-se. A diferença de alturas era significativa, Rita tinha de erguer a cabeça para poder observar a face de Fábio e ele tinha de baixar a cabeça para poder observá-la. Podiam não conhecer todos os traços do outro, mas os olhares conheciam como se desde outra vida, se conhecessem. O perfume de Fábio começava a entranhar-se nela e o seu toque deixara-a arrepiada, gostava tanto que a deixava arrepiada. Aquele sentimento que nutriam um pelo outro ainda não era um amor, mas também não era uma amizade. Aproximaram-se ainda mais um do outro fazendo com que o seu peito embate-se no peito dele. E para Fábio por muito que gostasse do corpo da mulher, com ela, era diferente. Sentia apenas a necessidade de tomar conta dela, e de serem felizes um ao lado do outro.

Ela sabia o que antecipara aquele momento, já o tinha passado anteriormente.  E ele também sabia. Ambos sabiam qual era o caminho que aquele momento podia originar. E apenas conseguiam concentrar-se nos olhares um do outro.
Não afastaram o olhar um do outro, nem por um milésimo de segundo. Rita abriu a boca, deixando o seu hálito chegar até aos lábios de Fábio. Que imitou o gesto da amiga, e as faces continuavam a aproximar-se e os centímetros tornavam-se milímetros. Ela sabia qual era o passo seguinte e fechou os olhos, e ele também sabia bem o rumo daquele momento, mas estava presentes dois pensamentos que não o deixavam prosseguir. Era a promessa que tinha feito a Luís, pai da sua amiga e também a sua relação, que apesar de não ser séria, não deixara de ser um compromisso e ele não a iria trair. Por isso quando Rita esperava que ele tomasse os seus beijos, Fábio beijou-lhe a testa. A jovem sorriu e respondeu quase em sussurro:

-Desculpa. Disse depois de baixar a cabeça e o rapaz apenas lhe sussurrou:

-Deixa-me cuidar de ti pequenita. Disse pegando nela ao colo e levando-a até ao centro de saúde. Pousou-a numa cadeira e foi ao encontro de uma administrativa e inscreveu-a para ser atendida pelo médico. Voltou para junto da amiga. E colocou-a sobre o seu colo.

-Não tenho aqui dinheiro para pagar a consulta. Podes pedir para mandar para casa que eu depois pago se faz favor?

-Eu pago e não há discussão possível. Não quero o dinheiro. Deu-lhe um beijo na testa e Fábio demonstrava cada vez mais que queria conquistar a amizade de Rita e não conquistá-la como namorada, até mesmo quando ela já pensara em dar um passo numa possível relação amorosa com ele. Ou pelo menos trocado um beijo com ele.

-Obrigada e mais uma vez desculpa.

-Desculpa pelo quê? Ainda não entendi. Explica-me. Sabes que consigo ser muito distraído quando quero. Disse enquanto a rapariga continuava sem conseguir olhá-los olhos nos olhos talvez por vergonha ou medo de algo que não conseguia explicar.

-Não me digas que não percebeste o que ia acontecer. – Continuava sem olhar para ele.

-Percebi e aqui tens uma prova do que sinto por ti Rita, porque podia simplesmente ter-me deixado levar e não o fiz.

-E eu agradeço-te porque quero que me protejas como meu amigo e eu farei sempre o mesmo para te proteger! Olhou para ele. Posso dar-te um abraço?

-Claro! Fábio não se deixou antecipar e ele próprio, deu um abraço á amiga e ficaram assim até chamarem a rapariga para ir ao médico e Fábio levou-a ao colo até ao consultório e pousou-a sobre a maca e deixou-se ficar ao seu lado.

-Então e o que é que a sua namorada tem? Perguntou o médico a Fábio. Rita deixou-se corar e não respondeu.

-Ela estava a andar de mota e não sei como, bateu contra o passeio. Mas, apesar de tudo, teve sorte, conseguiu cair para o lado, em vez de cair para a frente. Não tem força no pé e por isso não consegue andar, e o pulso também lhe dói um bocado e tem alguns arranhões no corpo.

-Então menina Maria o que andou a fazer? Perguntou o médico e logo Fábio sorriu. Sabia que Maria era o primeiro nome da amiga mas sempre se habitou a chamar Rita.

-Não me chame Maria senão se importar. Rita.

-Está certo menina. Então tente lá pousar o pé no chão e andar só um bocadinho. – Rita sentou-se na maca e aproveitou a presença de Fábio para pousar a mão sobre o seu braço, servindo-a como apoio. Em primeiro lugar colocou o pé esquerdo no chão e de seguida e vagarosamente colocou o pé direito no chão. Apertou com bastante força o braço de Fábio e deu um pequeno passo. Seguido de outro pequeno e depois de outro, eram curtos mas eram grandes passos para ela, que não conseguia caminhar desde o o acidente que tivera.

-Parabéns pequenina! Disse Fábio. – Sabe doutor são os primeiros passos desde que teve o acidente.

-Agora tente lá andar sem se segurar ao seu namorado. – Rita olhou para Fábio como se aquele olhar do amigo lhe desse a força que ela precisava para o fazer.
O rapaz afastou-se da jovem e encostou-se á maca e Rita devagarinho conseguiu caminhar até junto do seu amigo e do médico. E ele não poderia estar mais orgulhoso, já tinha vencido as suas próprias dores. Depois de mais alguns exames, o médico acabou por informar a rapariga que tinha um pé torcido e que o melhor que tinha a fazer era andar de muletas nos próximos dias e repousar o pé. Mas no máximo teria de andar quatro dias com apoio das muletas.

Regressaram para as suas casas mas antes, Fábio conversou com a família da sua amiga e explicou o acidente e que tinha cuidado dela, Luís e Maria agradeceram por todo o apoio e amizade que ele demonstrara para com a sua filha. Ele despediu-se da rapariga com dois beijinhos e tentavam demonstrar que o mais importante era a amizade que os unia, mas na verdade aquele momento entre eles não lhe saíra da cabeça. Rita não queria confessar aos pais que a sua relação amorosa chegou ao fim, por isso decidiu jantar sozinha e ir deitar-se. Precisava de descansar e talvez depois de uma noite bem dormida conseguisse chegar a alguma conclusão sobre a sua vida e também, afastar da sua cabeça o momento que tivera com Fábio.

Mas Fábio, pelo contrário, decidiu que o mais acertado era pensar menos no futuro e apostar mais no presente. Em vez de regressar para casa, decidiu telefonar para a sua namorada e combinaram encontrar-se, pouco depois. Mas Fábio já não a conseguiu beijar, não lhe conseguiu tocar sequer enquanto namorada. E não se sentia tão bem ao pé de Catarina, como se sentira junto a Rita. Decidiu terminar a relação mas não lhe conseguiu ser totalmente sincero, porque sabia que a iria magoar. Explicou-lhe apenas que estava a pôr um termo á relação para evitar que ela sofresse mais futuramente. Esta era uma das razões pela qual a fizera, mas a principal chamava-se Rita.

Encontrou-se mais tarde com um amigo, João Teixeira, também seu companheiro de equipa e contou-lhe toda a história, desde o momento em que conhecera Rita. E o amigo acabou por dar-lhe alguns conselhos e dizer algo que o surpreendeu e não conseguiu mais, abandonar o pensamento de Fábio. Regressou para casa, e deixou-se adormecer. Mas sempre com aquele conselho e aquelas palavras bem presentes na cabeça.

Que terá dito João?


E como ficará a história do beijo entre Rita e Fábio? Será que está a nascer algum outro sentimentos entre eles?

domingo, 12 de janeiro de 2014

Capítulo 14: “As pessoas fazem opções na vida”


Rita ficou surpreendida com as palavras de Pedro, nunca, nem por um segundo pensara que o rapaz gostasse dela há tanto tempo e nutrisse um sentimento tão forte. Gostava de estar junto dele, sentia-se bem a beijá-lo, mas acreditava nas palavras que Fábio lhe dissera. No fundo, o coração dela estava a “usar” Pedro para tentar apagar a mágoa deixada por Tiago e a rapariga não queria. Os sentimentos eram bem claros, para si.

-Gosto demasiado de ti para te magoar, mas também não te vou mentir. Esta relação, faz-me sentir bem, mas não gosto de ti dessa forma, desculpa. És o meu melhor amigo. És incrível, maravilhoso e encantador, mas não és o homem indicado para mim. E não pretendo ter um envolvimento sério com alguém nos próximos tempos, não me quero tornar a apaixonar e mesmo sem querer, depois do que ouvi, acabo por dar razão ao Fábio. Pedro começava a gostar cada vez menos da importância que o rapaz tinha na vida da sua amiga. – Não te vou usar para esquecer o meu ex. Mas o meu coração vai querer que fiques com o lugar dele. E isto não nos vai fazer bem. Vou-me iludir e vou-te iludir. – Durante alguns segundos, Pedro sentiu uma enorme repulsa, náusea e um sentimento de puro ódio por Fábio. Ele estava mesmo a afastar Rita de si. Ela levantou-se e o rapaz colocou-se de frente para ela. Olhando-a olhos nos olhos.

-Só acho triste que dês mais ouvidos a um rapaz que conheces há meia-dúzia de dias do que a mim, que conheces há 7 anos. Disse Pedro revoltado com a situação em que se encontrava. Furioso pelas escolhas da sua amiga e namorada. Ele tem um enorme poder sobre ti e tu nem percebes. Mesmo se sentisses algo por mim, ele já te teria manipulado para não o assumires.  E um dia ele vai usar isso, vai-te comer e deitar fora como fez com todas as outras. E tu simplesmente vais... Cair. Nessa altura vens-me dar razão e vens ter comigo a queixares-te que ele te usou e simplesmente esqueceu-se de ti. E nessa altura vai ser tarde demais. Não vou pode ajudar-te. Era uma pessoa extremamente calma mas com aquelas atitudes da sua amada, estava a perder toda a paciência e pacificidade que eram bastante típicos. É triste, mas as pessoas fazem opções na vida, e tu sem precisares, preferiste o Fábio.

-Preferias que te tivesse mentido e tivesse dito que queria estar ao teu lado? Preferias viver numa ilusão, do que viver na dura realidade. E se o Fábio fizer de mim gato sapato? O problema é meu! Sou eu que sofro! E ele não o faria porque já me provou que é meu amigo secalhar até mais que tu. E esses ciúmes só te fazem mal. Foram esses ciúmes que te fizeram perder-me.

-Então está oficialmente tudo acabado entre nós? Largou um sorriso que de verdadeiro era como o sentimento de ódio entre Rita e Fábio. – É melhor, mas também lamento que seja por este motivo. Acreditava que fossemos durar. – Disse verdadeiramente magoado Pedro. Magoado com as atitudes e palavras de Rita, mas também com a forma como Fábio, de quem se considerava amigo, o tentara magoar (indiretamente) daquela forma.

-Sim, sabendo tudo o que sei agora, não faz sentido continuar. Se tiver que escolher entre um amor e uma amizade, escolho a última, porque é eterna. E neste caso, escolho o Fábio. Rita virou costas e deixou Pedro sozinho. Tinha vontade de chorar, vontade dos tempos em que a vida lhe sorria e parecia estar tudo bem. Mas nos últimos tempos da sua vida, parecia que não podia acontecer algo bom. Tinha vindo de mota para casa do amigo, por isso este seria também o seu refúgio da dura realidade. Sentia-se tristemente sozinha. E, agora estava dependente apenas de um amigo, Fábio. Mas não queria incomodá-lo com os seus problemas. Mas precisava dele. Mais do que nunca.

Colocou o capacete e seguiu caminho, até destino incerto. Estava calor mas com a velocidade a que viajava fazia-a sentir-se com frio. Mas ela parecia não se deixar afetar. Mas numa determinada altura, Rita ia a com a cabeça tão distante do local onde o seu corpo estava, que acabou por ir em direção a um passeio. A roda da frente da mota bateu sobre o passeio e Rita acabou por cair. Por sorte, o seu corpo não deu uma cambalhota sobre si mesmo e acabou por apenas tombar para o lado direito. Mas as dores e o corpo magoado, mantiveram-se. Tirou o capacete e observou todas as mazelas presentes no seu corpo. 

O pé direito estava muito inchado, e doia-lhe bastante, tentou poisá-lo no chão mas não conseguia. Não tinha força para tal. Não levara consigo o telemóvel, por isso pouco poderia fazer. O pulso doia-lhe mas não estava inchado, apenas magoado. O seu braço e a sua perna tinham pequenas feridas e arranhões. Era o primeiro acidente que tivera depois de começar a conduzir. Olhou para a estrada com intenção de ver se algum carro se aproximava ou se alguém passava por ali. Olhou também para a moto, que estava no chão, e muito provavelmente teria de ir para a oficina. Até que estacionou um carro do outro lado da rua, sem Rita conseguir compreender quem o conduzia. Parou e a porta do condutor abriu e pode observar Fábio que rapidamente se colocou junto da amiga  e disse:

-Rita. Sentou-se ao seu lado a tentar observar os seus ferimentos. Que se passou? Perguntou bastante preocupado. Estás bem? – Rita deu-lhe o braço de forma a demonstrar os seus ferimentos. Vamos já para o hospital. – Tentou dar-lhe a mão de forma a ajudar a amiga a levantar-se do chão, mas mal ela tentou poisar o pé no chão, voltou a sentar-se.

-Porra! A rapariga nunca tinha usado palavras menos agradáveis quando estivera junto de Fábio e esta atitude surpreendeu-o, rapidamente compreendeu que a amiga não estava nada bem. - Não estou nada bem. Nada me corre bem. Quando parece que uma coisa está bem, transformar-se logo em cacos! Já começa a fartar! A rapariga pegou numa pedra que estava junto ao pulso esquerdo e atirou uma pedra. – Não me basta estar um caco por dentro, também tenho que estar por fora. Pela primeira vez olhou para Fábio com esperança de receber um olhar carinhoso. Muitas vezes conseguiam comunicar por olhares, sem existir a necessidade de se expressarem por palavras.

-Que se passou? Olhou para os arranhões que estavam na testa da amiga. E pode reconhecer que a amiga tinha também uma pequena ferida sobre a sobrancelha.

-Estou farta! Só me apetece desaparecer! Fábio deu um beijo sobre o nariz da amiga e respondeu:

-E achas que eu seria o mesmo sem ti? Sorriram em conjunto. –Desculpa armar-te em teu paizinho, mas vamos falando enquanto vamos a caminho do hospital que não estás nada com bom aspeto.

-E o que fazemos com a mota? Não a vou deitar aqui ao abandono. Mas também não consigo pegar nela e conduzir, nem consigo pousar o meu pé no chão.

-Confia em mim. Sei cuidar de ti! – Disse seguro das suas palavras, até então Rita estava a ensinar Fábio a lidar com situações da vida que ele não esperava, agora era ele que ensinara Rita a confiar num amigo.

-Vou confiar em ti Fábio! O rapaz pegou em Rita com os seus braços e transportou-a até junto do seu carro. Estava a cuidar da amiga como prometera ao pai dela, mas também como se sentia bem a fazê-lo. Era uma verdadeira amiga e queria estimá-la e ajudá-la. Abriu o carro com o seu controlo remoto e abriu a porta com alguma agilidade, tendo a rapariga ao colo. Pousou-a e disse. – Tens ai uma garrafa debaixo do banco do condutor, passa algumas feridas por água que eu vou só pedir ao segurança para guardar a moto. A rapariga respondeu acenando com a cabeça e ele beijou-lhe a testa, sobre alguns arranhões que ela tinha, como se fosse um beijinho que os curasse. Se assim fosse, ele teria beijado todas as feridas do seu corpo para a colocar de plena saúde. – Volto já. Se for preciso grita que eu não demoro.

Agarrou na moto da amiga e endireitou-a. Tirou a chave da ignição e levou-a ao seu lado até á entrada do Caixa Futebol Campus, onde existia sempre um segurança. Pediu para guardar a moto e guardou a chave do veículo no bolso. Correu até ao carro e encontrou a amiga a passar por água as últimas feridas. Foi até ao porta bagagem e tirou de lá um casaco que tinha. – Usa isto para estagnar as tuas feridas. És capaz de ter de desinfetar alguma nos cotovelos. Mas agora vou fechar a porta para irmos o mais rápido possível até ao hospital.

-Mas assim vou sujar o teu casaco.

-Não há nada que depois a máquina não faça! O que mais me preocupa neste momento és tu! – Rita sorriu, agradecida pelas atitudes de amigo de Fábio.

-Obrigada! Ela fechou a porta e o rapaz seguiu caminho até ao centro de saúde mais próximo, que não era muito longe.
Assim que chegaram ao local, Fábio estacionou o carro e levantou-se do seu banco e sentou-se ao lado da amiga.

-Como estás Ritinha? – Ela sorriu.

-Estou bem mas tenho algumas dores. Mas isso é normal. Obrigada.

-Se tu agradeces por mais alguma coisa, eu chateio-me Maria Rita!

-Pareces o meu pai a chamar-me pelos dois nomes, Fábio Rafael!

-Pronto peço desculpa. Não gastes o meu nome que ele já é lindo por natureza!

-Convencido! Por acaso nunca fui grande adepta do nome Fábio. Agora Rafael é um nome mesmo bonito!

-Claro que fui eu que te fiz gostar! Estou a brincar mas olha que até é um bom nome, eu gosto! Mas agora o que me preocupa é a tua segurança e o teu bem-estar. Vou levar-te até ao médico. A preocupação do rapaz era o bem-estar da sua amiga, ter a certeza que ela estaria bem e que ficaria bem. Cada dia gostava mais dela e fazia tudo para cuidar de uma boa amiga.

-Primeiro tenho que conversar contigo sobre outra coisa! Depois já lá vamos. – A rapariga tinha algumas dores e talvez o mais acertado era adiar a conversa, mas era uma pessoa de ideias fixas e impedira-a de fazer o que talvez fosse o mais acertado. Há pouco tive uma atitude de menina mimada, mas acredita que não sou. Preciso de me animar, e de apoio. Preciso de arranjar uma explicação para tudo na minha vida. Gostava que as coisas começassem a ganhar sentido, já merecia.

-Que se passou? Perguntou endireitando-se no banco do carro e fazendo Rita pousar a cabeça sobre a sua perna e observavam-se.

-Foi o Pedro. Mas a culpa é minha, porque já devia estar á espera que as pessoas me desiludissem, mas acredito sempre no melhor. Depois magoou-me. Confessou virando o olhar da face de Fábio.

-Vocês já se conhecem há tantos anos, e tu parecias tão feliz.

-E estava. Mas detesto que as pessoas queiram mandar na minha vida, que me obriguem a escolher entre duas coisas que quero e ele tentou, mas não cedi. Se tiver que escolher, escolho, mas não é para o lado que lhe convêm.

-Não sei porquê mas sinto que estou envolvido nessa história.

-Perspicaz o menino! Sorriram. O Pedro insinuou que te dava mais ouvidos do que a ele. Que mesmo se gostasse dele da mesma forma, não o assumiria porque tu já devias ter usado alguma espécie de superpoder ou assim para não assumir. Que sou apenas um peão nas tuas mãos e tu vai usar-me e deitar fora, como fizeste com as outras. E que eu simplesmente cair. E que depois disso tudo, vou ter com ele  que não vai poder ajudar. E que te preferi a ele. Não acho isto normal juro. Nunca o Tiago me fez escolher entre ele e um amigo e estivemos juntos durante imenso tempo, não vai ser o Pedro nesta relação que nem é bem séria que me vai obrigar a escolher. Por isso acabamos e eu disse que optava por ti. O olhar de Fábio brilhou com as palavras e com a atitude da sua amiga.

-O Pedro quis que escolhesses entre mim e ele? E tu escolheste-me a mim? Perguntou admirado e sem reação possível.

-Ele encostou-me á parede e obrigou-me a escolher entre a tua amizade e o amor dele. E eu escolhi-te a ti, porque amores podemos ter muitos durante a vida, mas amizades contam-se pelas mãos. Disse limpando as lágrimas que teimava escorrer-lhe pela cara. –A minha decisão por raiva no instante, mas o que mais me chateou foi tipo aquele olhar de fúria e de ódio em relação a ti. Foi intimidante.  Ele tinha medo de me perder e isso fê-lo perder-me. Acredita quando digo que a dor física neste momento não é nada comparado a psicológica. Não tenho mesmo jeito para relações, vou para freira, porque nem para curtes tenho talento!

-Até entendo, em certo ponto a atitude dele. – Rita ficou surpreendida pelas palavras de Fábio mas deixou-o continuar a falar. - Sabe que sou dado a relações pouco sérias e ele tem medo que te use para isso, mas já te disse e já te provei, que contigo, estou interessado apenas numa bonita amizade. E prometi ao teu pai que tomava conta de ti, dei a minha palavra. E ele também tem ciúmes de estarmos tanto tempo juntos, mas nem tenta entender, se confiasse em nós, teria deixado as coisas como estavam. Mas compreendo o que fizeste, tenho de agradecer e sinto que a nossa amizade é mais importante para ti, do que pensava. É tão importante como para mim, e isso é bom. E não vais nada para freira que era um desperdício enfiares-te num convento, és demasiado bonita para ires para lá! As freiras têm de ser todas feias! E simplesmente não resultou porque ainda não encontraste alguém que te mereça, e vai ser difícil porque mereces o melhor. Rita ficou extremamente grata pelas palavras de Fábio. E cada vez estava mais certa da sua escolha. Olhou para ele e os olhos apenas sorriram, transbordando orgulho mútuo.

“Wasn't looking for trouble, but it came looking for me (Não estava á procura de trabalho, mas eles vieram ter comigo)
I tried to say no but I can't fight it she was looking lovely (Tentei dizer que não mas não consigo lutar contra aquele olhar amoroso)
She kind reminds me of a girl I know (Ela faz-me lembrar uma rapariga)
This pretty young thing that I got waiting for me back at home” (Esta coisinha jovem bonita que está á minha espera quando voltar para casa)

O telemóvel de Fábio tocara e acabara por interromper o momento. Quando se conheceram, fora Rita que lhe apresentara aquela música como descrição possível para ele e agora tinha-a como toque do telemóvel. Tirou-o do bolso e mirou o ecrã, sentiu-se intimidado.

-Podes atender. Disse ela.

-Não é importante.

-É a tua mãe?

-Não.

-A Tânia?

-Também não.

-Alguma amiga?

-Mais ou menos.

-Já entendi que é uma das tuas “amiguinhas”. – Fez aspas com os dedos.

-Não. É mesmo a minha namorada, começamos ontem e tínhamos combinado estar juntos, quando te vi, mas entretanto esqueci-me completamente... Rita abrira os olhos surpreendida com o que acabara de ouvir. Parecia que lhe tinham espetado mais uma facada no coração pelas costas. Ela tinha optado por terminar uma relação para puder ser amiga dele e ele já tinha namorada? Rita pensara que já começara a mudar Fábio para não ficar preso a relações como aquelas, mas o rapaz começara uma recentemente, praticamente ao mesmo tempo que começara a de Pedro e Rita.

Será coincidência o inicio de relações em simultâneo?

Como irá reagir Rita? E como ficará a relação de ambos?