domingo, 12 de janeiro de 2014

Capítulo 14: “As pessoas fazem opções na vida”


Rita ficou surpreendida com as palavras de Pedro, nunca, nem por um segundo pensara que o rapaz gostasse dela há tanto tempo e nutrisse um sentimento tão forte. Gostava de estar junto dele, sentia-se bem a beijá-lo, mas acreditava nas palavras que Fábio lhe dissera. No fundo, o coração dela estava a “usar” Pedro para tentar apagar a mágoa deixada por Tiago e a rapariga não queria. Os sentimentos eram bem claros, para si.

-Gosto demasiado de ti para te magoar, mas também não te vou mentir. Esta relação, faz-me sentir bem, mas não gosto de ti dessa forma, desculpa. És o meu melhor amigo. És incrível, maravilhoso e encantador, mas não és o homem indicado para mim. E não pretendo ter um envolvimento sério com alguém nos próximos tempos, não me quero tornar a apaixonar e mesmo sem querer, depois do que ouvi, acabo por dar razão ao Fábio. Pedro começava a gostar cada vez menos da importância que o rapaz tinha na vida da sua amiga. – Não te vou usar para esquecer o meu ex. Mas o meu coração vai querer que fiques com o lugar dele. E isto não nos vai fazer bem. Vou-me iludir e vou-te iludir. – Durante alguns segundos, Pedro sentiu uma enorme repulsa, náusea e um sentimento de puro ódio por Fábio. Ele estava mesmo a afastar Rita de si. Ela levantou-se e o rapaz colocou-se de frente para ela. Olhando-a olhos nos olhos.

-Só acho triste que dês mais ouvidos a um rapaz que conheces há meia-dúzia de dias do que a mim, que conheces há 7 anos. Disse Pedro revoltado com a situação em que se encontrava. Furioso pelas escolhas da sua amiga e namorada. Ele tem um enorme poder sobre ti e tu nem percebes. Mesmo se sentisses algo por mim, ele já te teria manipulado para não o assumires.  E um dia ele vai usar isso, vai-te comer e deitar fora como fez com todas as outras. E tu simplesmente vais... Cair. Nessa altura vens-me dar razão e vens ter comigo a queixares-te que ele te usou e simplesmente esqueceu-se de ti. E nessa altura vai ser tarde demais. Não vou pode ajudar-te. Era uma pessoa extremamente calma mas com aquelas atitudes da sua amada, estava a perder toda a paciência e pacificidade que eram bastante típicos. É triste, mas as pessoas fazem opções na vida, e tu sem precisares, preferiste o Fábio.

-Preferias que te tivesse mentido e tivesse dito que queria estar ao teu lado? Preferias viver numa ilusão, do que viver na dura realidade. E se o Fábio fizer de mim gato sapato? O problema é meu! Sou eu que sofro! E ele não o faria porque já me provou que é meu amigo secalhar até mais que tu. E esses ciúmes só te fazem mal. Foram esses ciúmes que te fizeram perder-me.

-Então está oficialmente tudo acabado entre nós? Largou um sorriso que de verdadeiro era como o sentimento de ódio entre Rita e Fábio. – É melhor, mas também lamento que seja por este motivo. Acreditava que fossemos durar. – Disse verdadeiramente magoado Pedro. Magoado com as atitudes e palavras de Rita, mas também com a forma como Fábio, de quem se considerava amigo, o tentara magoar (indiretamente) daquela forma.

-Sim, sabendo tudo o que sei agora, não faz sentido continuar. Se tiver que escolher entre um amor e uma amizade, escolho a última, porque é eterna. E neste caso, escolho o Fábio. Rita virou costas e deixou Pedro sozinho. Tinha vontade de chorar, vontade dos tempos em que a vida lhe sorria e parecia estar tudo bem. Mas nos últimos tempos da sua vida, parecia que não podia acontecer algo bom. Tinha vindo de mota para casa do amigo, por isso este seria também o seu refúgio da dura realidade. Sentia-se tristemente sozinha. E, agora estava dependente apenas de um amigo, Fábio. Mas não queria incomodá-lo com os seus problemas. Mas precisava dele. Mais do que nunca.

Colocou o capacete e seguiu caminho, até destino incerto. Estava calor mas com a velocidade a que viajava fazia-a sentir-se com frio. Mas ela parecia não se deixar afetar. Mas numa determinada altura, Rita ia a com a cabeça tão distante do local onde o seu corpo estava, que acabou por ir em direção a um passeio. A roda da frente da mota bateu sobre o passeio e Rita acabou por cair. Por sorte, o seu corpo não deu uma cambalhota sobre si mesmo e acabou por apenas tombar para o lado direito. Mas as dores e o corpo magoado, mantiveram-se. Tirou o capacete e observou todas as mazelas presentes no seu corpo. 

O pé direito estava muito inchado, e doia-lhe bastante, tentou poisá-lo no chão mas não conseguia. Não tinha força para tal. Não levara consigo o telemóvel, por isso pouco poderia fazer. O pulso doia-lhe mas não estava inchado, apenas magoado. O seu braço e a sua perna tinham pequenas feridas e arranhões. Era o primeiro acidente que tivera depois de começar a conduzir. Olhou para a estrada com intenção de ver se algum carro se aproximava ou se alguém passava por ali. Olhou também para a moto, que estava no chão, e muito provavelmente teria de ir para a oficina. Até que estacionou um carro do outro lado da rua, sem Rita conseguir compreender quem o conduzia. Parou e a porta do condutor abriu e pode observar Fábio que rapidamente se colocou junto da amiga  e disse:

-Rita. Sentou-se ao seu lado a tentar observar os seus ferimentos. Que se passou? Perguntou bastante preocupado. Estás bem? – Rita deu-lhe o braço de forma a demonstrar os seus ferimentos. Vamos já para o hospital. – Tentou dar-lhe a mão de forma a ajudar a amiga a levantar-se do chão, mas mal ela tentou poisar o pé no chão, voltou a sentar-se.

-Porra! A rapariga nunca tinha usado palavras menos agradáveis quando estivera junto de Fábio e esta atitude surpreendeu-o, rapidamente compreendeu que a amiga não estava nada bem. - Não estou nada bem. Nada me corre bem. Quando parece que uma coisa está bem, transformar-se logo em cacos! Já começa a fartar! A rapariga pegou numa pedra que estava junto ao pulso esquerdo e atirou uma pedra. – Não me basta estar um caco por dentro, também tenho que estar por fora. Pela primeira vez olhou para Fábio com esperança de receber um olhar carinhoso. Muitas vezes conseguiam comunicar por olhares, sem existir a necessidade de se expressarem por palavras.

-Que se passou? Olhou para os arranhões que estavam na testa da amiga. E pode reconhecer que a amiga tinha também uma pequena ferida sobre a sobrancelha.

-Estou farta! Só me apetece desaparecer! Fábio deu um beijo sobre o nariz da amiga e respondeu:

-E achas que eu seria o mesmo sem ti? Sorriram em conjunto. –Desculpa armar-te em teu paizinho, mas vamos falando enquanto vamos a caminho do hospital que não estás nada com bom aspeto.

-E o que fazemos com a mota? Não a vou deitar aqui ao abandono. Mas também não consigo pegar nela e conduzir, nem consigo pousar o meu pé no chão.

-Confia em mim. Sei cuidar de ti! – Disse seguro das suas palavras, até então Rita estava a ensinar Fábio a lidar com situações da vida que ele não esperava, agora era ele que ensinara Rita a confiar num amigo.

-Vou confiar em ti Fábio! O rapaz pegou em Rita com os seus braços e transportou-a até junto do seu carro. Estava a cuidar da amiga como prometera ao pai dela, mas também como se sentia bem a fazê-lo. Era uma verdadeira amiga e queria estimá-la e ajudá-la. Abriu o carro com o seu controlo remoto e abriu a porta com alguma agilidade, tendo a rapariga ao colo. Pousou-a e disse. – Tens ai uma garrafa debaixo do banco do condutor, passa algumas feridas por água que eu vou só pedir ao segurança para guardar a moto. A rapariga respondeu acenando com a cabeça e ele beijou-lhe a testa, sobre alguns arranhões que ela tinha, como se fosse um beijinho que os curasse. Se assim fosse, ele teria beijado todas as feridas do seu corpo para a colocar de plena saúde. – Volto já. Se for preciso grita que eu não demoro.

Agarrou na moto da amiga e endireitou-a. Tirou a chave da ignição e levou-a ao seu lado até á entrada do Caixa Futebol Campus, onde existia sempre um segurança. Pediu para guardar a moto e guardou a chave do veículo no bolso. Correu até ao carro e encontrou a amiga a passar por água as últimas feridas. Foi até ao porta bagagem e tirou de lá um casaco que tinha. – Usa isto para estagnar as tuas feridas. És capaz de ter de desinfetar alguma nos cotovelos. Mas agora vou fechar a porta para irmos o mais rápido possível até ao hospital.

-Mas assim vou sujar o teu casaco.

-Não há nada que depois a máquina não faça! O que mais me preocupa neste momento és tu! – Rita sorriu, agradecida pelas atitudes de amigo de Fábio.

-Obrigada! Ela fechou a porta e o rapaz seguiu caminho até ao centro de saúde mais próximo, que não era muito longe.
Assim que chegaram ao local, Fábio estacionou o carro e levantou-se do seu banco e sentou-se ao lado da amiga.

-Como estás Ritinha? – Ela sorriu.

-Estou bem mas tenho algumas dores. Mas isso é normal. Obrigada.

-Se tu agradeces por mais alguma coisa, eu chateio-me Maria Rita!

-Pareces o meu pai a chamar-me pelos dois nomes, Fábio Rafael!

-Pronto peço desculpa. Não gastes o meu nome que ele já é lindo por natureza!

-Convencido! Por acaso nunca fui grande adepta do nome Fábio. Agora Rafael é um nome mesmo bonito!

-Claro que fui eu que te fiz gostar! Estou a brincar mas olha que até é um bom nome, eu gosto! Mas agora o que me preocupa é a tua segurança e o teu bem-estar. Vou levar-te até ao médico. A preocupação do rapaz era o bem-estar da sua amiga, ter a certeza que ela estaria bem e que ficaria bem. Cada dia gostava mais dela e fazia tudo para cuidar de uma boa amiga.

-Primeiro tenho que conversar contigo sobre outra coisa! Depois já lá vamos. – A rapariga tinha algumas dores e talvez o mais acertado era adiar a conversa, mas era uma pessoa de ideias fixas e impedira-a de fazer o que talvez fosse o mais acertado. Há pouco tive uma atitude de menina mimada, mas acredita que não sou. Preciso de me animar, e de apoio. Preciso de arranjar uma explicação para tudo na minha vida. Gostava que as coisas começassem a ganhar sentido, já merecia.

-Que se passou? Perguntou endireitando-se no banco do carro e fazendo Rita pousar a cabeça sobre a sua perna e observavam-se.

-Foi o Pedro. Mas a culpa é minha, porque já devia estar á espera que as pessoas me desiludissem, mas acredito sempre no melhor. Depois magoou-me. Confessou virando o olhar da face de Fábio.

-Vocês já se conhecem há tantos anos, e tu parecias tão feliz.

-E estava. Mas detesto que as pessoas queiram mandar na minha vida, que me obriguem a escolher entre duas coisas que quero e ele tentou, mas não cedi. Se tiver que escolher, escolho, mas não é para o lado que lhe convêm.

-Não sei porquê mas sinto que estou envolvido nessa história.

-Perspicaz o menino! Sorriram. O Pedro insinuou que te dava mais ouvidos do que a ele. Que mesmo se gostasse dele da mesma forma, não o assumiria porque tu já devias ter usado alguma espécie de superpoder ou assim para não assumir. Que sou apenas um peão nas tuas mãos e tu vai usar-me e deitar fora, como fizeste com as outras. E que eu simplesmente cair. E que depois disso tudo, vou ter com ele  que não vai poder ajudar. E que te preferi a ele. Não acho isto normal juro. Nunca o Tiago me fez escolher entre ele e um amigo e estivemos juntos durante imenso tempo, não vai ser o Pedro nesta relação que nem é bem séria que me vai obrigar a escolher. Por isso acabamos e eu disse que optava por ti. O olhar de Fábio brilhou com as palavras e com a atitude da sua amiga.

-O Pedro quis que escolhesses entre mim e ele? E tu escolheste-me a mim? Perguntou admirado e sem reação possível.

-Ele encostou-me á parede e obrigou-me a escolher entre a tua amizade e o amor dele. E eu escolhi-te a ti, porque amores podemos ter muitos durante a vida, mas amizades contam-se pelas mãos. Disse limpando as lágrimas que teimava escorrer-lhe pela cara. –A minha decisão por raiva no instante, mas o que mais me chateou foi tipo aquele olhar de fúria e de ódio em relação a ti. Foi intimidante.  Ele tinha medo de me perder e isso fê-lo perder-me. Acredita quando digo que a dor física neste momento não é nada comparado a psicológica. Não tenho mesmo jeito para relações, vou para freira, porque nem para curtes tenho talento!

-Até entendo, em certo ponto a atitude dele. – Rita ficou surpreendida pelas palavras de Fábio mas deixou-o continuar a falar. - Sabe que sou dado a relações pouco sérias e ele tem medo que te use para isso, mas já te disse e já te provei, que contigo, estou interessado apenas numa bonita amizade. E prometi ao teu pai que tomava conta de ti, dei a minha palavra. E ele também tem ciúmes de estarmos tanto tempo juntos, mas nem tenta entender, se confiasse em nós, teria deixado as coisas como estavam. Mas compreendo o que fizeste, tenho de agradecer e sinto que a nossa amizade é mais importante para ti, do que pensava. É tão importante como para mim, e isso é bom. E não vais nada para freira que era um desperdício enfiares-te num convento, és demasiado bonita para ires para lá! As freiras têm de ser todas feias! E simplesmente não resultou porque ainda não encontraste alguém que te mereça, e vai ser difícil porque mereces o melhor. Rita ficou extremamente grata pelas palavras de Fábio. E cada vez estava mais certa da sua escolha. Olhou para ele e os olhos apenas sorriram, transbordando orgulho mútuo.

“Wasn't looking for trouble, but it came looking for me (Não estava á procura de trabalho, mas eles vieram ter comigo)
I tried to say no but I can't fight it she was looking lovely (Tentei dizer que não mas não consigo lutar contra aquele olhar amoroso)
She kind reminds me of a girl I know (Ela faz-me lembrar uma rapariga)
This pretty young thing that I got waiting for me back at home” (Esta coisinha jovem bonita que está á minha espera quando voltar para casa)

O telemóvel de Fábio tocara e acabara por interromper o momento. Quando se conheceram, fora Rita que lhe apresentara aquela música como descrição possível para ele e agora tinha-a como toque do telemóvel. Tirou-o do bolso e mirou o ecrã, sentiu-se intimidado.

-Podes atender. Disse ela.

-Não é importante.

-É a tua mãe?

-Não.

-A Tânia?

-Também não.

-Alguma amiga?

-Mais ou menos.

-Já entendi que é uma das tuas “amiguinhas”. – Fez aspas com os dedos.

-Não. É mesmo a minha namorada, começamos ontem e tínhamos combinado estar juntos, quando te vi, mas entretanto esqueci-me completamente... Rita abrira os olhos surpreendida com o que acabara de ouvir. Parecia que lhe tinham espetado mais uma facada no coração pelas costas. Ela tinha optado por terminar uma relação para puder ser amiga dele e ele já tinha namorada? Rita pensara que já começara a mudar Fábio para não ficar preso a relações como aquelas, mas o rapaz começara uma recentemente, praticamente ao mesmo tempo que começara a de Pedro e Rita.

Será coincidência o inicio de relações em simultâneo?

Como irá reagir Rita? E como ficará a relação de ambos?

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Capítulo 13: “Comecei a gostar de ti”


-Rita passou-se alguma coisa grave? Perguntou Fábio a medo.

-Sim. Tenho de te contar algumas coisas, mas é melhor falar eu primeiro que senão perco a coragem. Não te importas?

-Não. Estás á vontade.

-Então vamos para o meu quarto para ficarmos mais á vontade. A rapariga levou o rapaz até ao quarto e sentaram-se sobre a cama e ela começou a falar. Em primeiro lugar, quero que saibas que fiquei magoada com a tua, digamos ordem, sim que aquilo não foi sugestão para fazer o teste. Eu sabia que não estava grávida e tu tinhas que confiar em mim. Talvez um dia te explique, mas hoje ainda é cedo. Não estou grávida e os instintos do meu pai estavam certos. Eu tenho uma doença chamada miopatia que é quando as fibras musculares não funcionam e resultam em fraqueza muscular. E graças a esta doença desenvolveu uma outra doença chamada gastroparesia que é a diminuição da força de contração do músculo do estômago, ou seja, uma lentificação na passagem de alimentos pelo estômago. E apesar dos vómitos não serem um dos sintomas habituais, comigo aconteceu. E a cura das minhas doenças são fazer fisioterapia, onde já fiz a primeira sessão e tenho de tomar uns medicamentos até ao final da fisioterapia. Estou proibida de fazer desporto durante uns tempos. E já não estou tão mal como estava, mas ainda estou em recuperação. Explicou tranquilamente a rapariga mas sabia que a conversa ainda iria no inicio. Queria contar-lhe da sua relação com o Pedro, mas não sabia se era acertado dizer-lhe ou não. Mas... Rita fez silêncio porque não sabia como abordar o tema. Tinha receio que o seu amigo não aprovasse a relação com Pedro, que a julgasse e que a abandonasse, tinha de confiar no amigo mas não sabia como lhe dizer.

-Tu e o Pedro ontem beijaram-se. Disse Fábio calmamente. Não precisas de ter medo de falar comigo sobre assunto nenhum. Beijou-lhe a testa calmamente.

-Eu e ele estamos juntos. Disse bastante rápido, deixando até a própria confusa com as suas palavras. Mas Fábio começava a conhecê-la a cada dia mais e entendeu de imediato o que ela queria dizer, mas não sabia como.

-Vocês namoram?

-Não. Respondeu simplesmente Rita. Nós somos namorados mas não namoramos, apenas curtimos. Mas ainda é algo novo para mim. Estamos felizes ao lado um do outro. Mas como é que sabias?

-Eu vi o vosso beijo. E não quis falar sobre isso.

-Não te agrada a ideia de estar com ele? Perguntou admirada Rita, não esperava que ele tivesse visto o beijo, mas surpreendera-a ainda mais o simples fato do seu amigo não querer falar sobre o beijo. Deixou-a ainda mais desconfortável.

-Sinceramente não. Sei que não o vais usar para esquecer o Tiago, que tens o coração demasiado grande para o fazeres, e que não eras capaz mesmo se quisesses. Mas o teu coração vai querer que o Pedro ocupe um lugar que não é dele. E não te vai fazer bem, nem a ele. Não és de curtes, és de namoros e vais entrar nessa relação mentalizada que é um namoro e vais sair magoada. E quero apenas o teu melhor Rita. Tu queres ser feliz e pensas que é do lado do Pedro que o vais ser, mas tens de esquecer o Tiago para seres feliz. – Ela ficou admirada com aquelas palavras, ele começava a conhecê-la tão bem e dizia-lhe o que ela necessitava de ouvir, de forma bastante clara e direta e isso arrepiava-a. Sentia que estavam unidos desde outra vida. Sentia quando falava com ele que vivia um dejá vu, que já se conheciam de outra vida e agora limitavam-se a revivê-la.

-Mas eu sinto-me feliz do lado dele, Fábio. Disse tentando contrariar Fábio, sem dar a sua parte fraca, quando no seu íntimo sabia que ele tinha razão.

-Também cometi esse erro quando comecei a namorar com a Tânia. Sentia-me feliz ao lado dela então decidimos seguir em frente com a relação e ela sofreu muito, porque criou expectativas e não resultou. Estou a dar-te um conselho mas tu é que sabes. Tu sabes melhor que eu, o que sentes por ele e o que ele sente por ti.

-Eu sei o que sinto por ele e não sei explicar, mas disse-lhe. E o Pedro explicou-me que é atração. Mas não sei se me habituo a esta ideia da curte, estou habituada a relações sérias. Aliás a apenas uma relação séria, a única que tive até hoje. Mas não sei o que o Pedro sente por mim, sinceramente. Já pensei várias vezes sobre o assunto e ainda não cheguei a uma conclusão. Não sei mesmo. Confidenciou Rita, chegando ao seu ínfimo interior, ao seu pensamento e confidência secreta. Queria crer que Pedro apenas via nela uma amiga e recentemente namorada, que não existia nenhum sentimento sem ser a atração, mas havia certos pormenores que a faziam crer que existia mais sentimentos envolventes.

-Mas vocês não falaram sobre o que sentiam um pelo outro?

-Sim. Mas eu sinto que ele não foi completamente sincero como eu fui.

-Achas que ele te mentiu é isso? Perguntou sem entender bem o que a rapariga queria dizer com aquelas palavras.

-Não me mentiu. Mas também não foi completamente sincero. Tipo gosto imenso dele, sinto-me bem ao pé dele e ele diz que sente o mesmo, mas ele beijou-me do nada. E parece que quando fala, tenta controlar-se ao máximo para não dizer tudo. Claro que posso estar a fazer confusão, mas não sei Fábio. E tentei falar com a minha irmã sobre isto mas ela também não me soube dar resposta.

-Que é que a tua irmã te disse?

-Não foi nada sobre o Pedro em concreto. Mas mais sobre... Nós. – Disse a medo.

-Nós? Perguntou Fábio sorrindo. Mas a tua irmã acha que há um nós?

-Sim. Ela diz que nós vamos acabar juntos, namorados. E que já gostamos um do outro mas não assumimos. Até me disse que o facto de só ter deixado que tu fosses o único a aproximar-te de mim o prova. Disse Rita genuinamente sem intenção de assumir um sentimento que não sentia. Não pensara nunca em juntar-se com Fábio, a esse nível. Somente quando ele a tentara beijar, pensara durante curtos segundos como seria se estivessem juntos. Ela começara a rir-se e Fábio acompanhara-a mas não deixou de perguntar:

-E é verdade?

-Fábio, se confio em ti, é porque senti que eras meu amigo. E os meus pressentimentos estavam certos, não te esqueças que agora temos a responsabilidade maior de sermos padrinhos da Diana.

-Sou um padrinho babado! Disse o recém-padrinho feliz e com os olhos a brilhar por falar da afilhada. –E vais dizer ao Pedro que eu e tu somos os padrinhos?

-Vou-lhe contar sim. Mas não sei como vai reagir.

-Contamos-lhe os dois juntos. Que te parece?

-Preciso fazê-lo sozinha, caso não te importes. – Pediu Rita, preferia fazê-lo sozinha e sabia que a relação entre eles já tivera momentos melhores dos que agora vivia.

-Tudo bem. Eu entendo e acho que é melhor, mas se for preciso estou aqui. Sou chato mas é por uma boa causa. E para teu bem.

-Sim, eu sei paizinho! Respondeu animada. Mas diz-me tu sabes o que o Pedro sente por mim, ou estás tão a apanhar bonés quanto eu?

-Desconfio de alguma coisa mas não tenho a certeza, e ele nunca falou comigo e mesmo se falasse compreendidas que não te podia dizer.

-Eu pergunto-lhe. Ele não teria coragem para me mentir, tenho a certeza. Concluiu sinceramente a rapariga.
Pedrito entra de rompante no quarto, com um sorriso na face. Rita sabia que o pequeno trazia alguma ideia bastante cravada na mente. Já conhecia as suas feições mais traquinas. O pequeno gostara de Fábio e gostava de receber visitas em casa, por isso também queria ter alguns momentos de atenção. Apesar do seu recém-amigo ter dedicado grande parte da sua tarde ao mais novo.

-Mana, a mãe está a chamar-te. Fábio queres ir jogar comigo e com o pai? Perguntou sorridente o mais novo.

-Sabes o que a mãe quer?

-Não. Só disse que queria falar contigo. Vens Fábio? Respondeu Pedrito dando a resposta mais vaga á irmã, centrando todas as atenções no padrinho da sua sobrinha.

-Claro campeão! Levantou-se da cama e foi em direção ao menino, colocou o braço em volta dos seus ombros e colocou a mão no ombro do menino. Estavam já a sair do quarto, enquanto ela os acompanhava e disse:

-Eu vou convosco. A minha mãe e o meu irmão mais novo estão á minha espera. Disse animada. Rita tinha um talento nato para cuidar de crianças e pessoas mais novas que ela, dizia que os mais novos eram os mais genuínos, porque diziam tudo o que pensavam, por vezes até sem medir a intensidade ou pura e simplesmente, por ingenuidade. E a ideia de ter um irmão mais novo que Pedro agradara-lhe, afinal quase que tinha idade para ser mãe dele.
Fábio e Pedro foram até á sala onde estava também Luís. E Rita foi até ao quarto onde estava deitada a mãe sobre os lençóis e com a mão pousada sobre a rapariga que a jovem se dirigiu.

-Chamaste mãe?

-Sim filha. Senta aqui ao pé da mãe senão te importas. Disse Maria pousando a mão sobre a sua direita, pedindo quase sem falar que se sentasse á sua beira.

-O mano é irrequieto mãe? – A jovem pousou a mão sobre a barriga da mãe de forma a tentar sentir o bebé.

-Ainda é cedo para saber filha. Quero falar contigo sobre uma coisa. Hesitou. Sobre o Fábio.

-Está na sala com o mano e com o pai. Mas o que tem?
Maria disse tudo o que pensara de Fábio, tudo o que sentia em relação a ele e o que achava da amizade entre eles, e do que podia ser o futuro deles. E Rita ficou admirada, a mãe era a pessoa que melhor a conhecia no mundo e dissera-lhe aquelas palavras. A jovem acabara também por assumir a relação que tinha com Pedro, o que surpreendeu totalmente a mãe. Que apesar de ter ficado reticente, acabou por felicitar a filha e desejar-lhe tudo de melhor, conhecia o rapaz e sabia que era boa pessoa e pelo que conhecia dele, sabia que era incapaz de fazer o que Tiago fizera a Rita.
Com o cansaço típico do inicio da gravidez e os enjoos também típicos, Rita deixou a mãe descansar e foi ela própria preparar o jantar. Mas antes de se encaminhar para a cozinha, passou pela sala e perguntou:

-Fábio jantas connosco?

-Não quero dar trabalho.

-Não digas disparates rapaz. Comentou o pai de Rita. Como está a mãe, filha?

-Está enjoada, como é normal. E também cansadita, deixei-a descansar na cama.

-E queres ajuda para alguma coisa? Questionou Fábio.

-Deixa-te estar.  Continua aí na brincadeira com o meu irmão.

-Eu ajudo-te nem que seja a pôr a mesa.

-Chato! Rita disse animada. Então quando for preciso eu chamo-te.

-Senão chamares eu chateio-me. Disse brincando.

-Também gosto muito de ti Fábio! Respondeu indo em direção á cozinha.
Rita preparou um prato que gostava de fazer e saudável, sabia que o seu amigo era desportista e era importante ter uma alimentação equilibrada. E assim a mãe até podia comer e não enjoar tão facilmente. Decidiu colocar no forno, alguns panados e alguns douradinhos, enquanto preparava arroz de cenoura. Rita chamou Fábio para a ajudar a colocar a mesa, o rapaz apareceu e ela queria ajudá-lo a pôr a mesa, mas ele recusou. Preferiu fazer sozinho e como já sabia onde estavam o que era preciso para pôr a mesa, teve a vida facilitada. O jantar estava pronto quando a mesa ficou pronta. Chamaram a restante família para tomar a refeição. E acabaram por tomá-la juntos animadamente.
Depois de comerem, e de arrumarem a cozinha, Fábio foi deitar Pedrito na cama, enquanto Maria e Luís aproveitaram para matar saudades e Rita acabou também por ir para o seu quarto e conversar através do telemóvel com Pedro. Fábio depois de adormecer o amigo, foi até ao quarto da amiga e acabou apenas por lhe dar um beijo na testa, sem dizer uma palavra e foi-se embora.

####

Rita tocou á porta da casa de Pedro e quem lhe abriu foi Raphael Guzzo, o amigo e companheiro de casa do seu namorado.

-Olá Raphael! Disse Rita cumprimentando-o com dois beijos nas bochechas.

-Olá Rita. Não foi para estares comigo que vieste de certeza. Mas entra. - Desviou-se da entrada da porta e deu permissão para a rapariga entrar em casa e ela assim fez. Como estás?

-Estou bem obrigada! E tu?

-Estou no ir que não quero ouvir coisas que não devo. Rita ficou envergonhada com a afirmação de Raphael. Ele estaria a insinuar que eles se podiam envolver a nível mais físico do que ela alguma vez pensara.

-Não sejas tolo. Eu e o Pedro só estamos juntos desde ontem. – Respondeu.

-Por isso mesmo! Os dois em casa, a namorar, só pode dar uma coisa. E acho que é informação a mais para meu gosto! Pedro, tens aqui uma surpresa para ti! Gritou para o seu amigo ouvir. Fui! Não deu tempo para nenhum responder. Agarrou na mala e foi-se embora daquela casa, sem sequer voltar a ver o amigo ou a namorada do amigo.

-Que surpresa? Pedro chegou á sala e reparou em Rita. Aproximou-se e deu-lhe um beijo rápido nos lábios. Foi a melhor surpresa que aquele tótó me podia dar! Colocou as suas mãos no fundo das costas da namorada que rapidamente lhe sorriu.

-Não foi ele que te quis surpreender, fui eu que decidi aparecer por aqui. E sabes o que ele insinuou?

-Vindo daquele panhonha nada me choca!

-Vocês amam-se! Disse sorrindo e colocando as mãos nos ombros de Pedro. Ele disse que se ia embora para não ouvir nada que não devia. Achas isto normal? Perguntou admirada. Até parece que duas pessoas sozinhas em casa tem de dar obrigatoriamente isso.

-Pois. Disse incomodado Pedro com toda aquela situação.

-Já vi que este assunto não te deixa muito á vontade.. Que se passa?

-É complicado. Assumiu Pedro.

-Se não quiseres falar estás á vontade. Mas quero que saibas que podes contar comigo.

-Eu sei, obrigada. E o mesmo te digo. Quero dizer-te e aqui vai. Respirou fundo. Mas é importante que o saibas antes da nossa relação avançar mais, eu nunca o fiz.

-Nunca fizeste o quê? Perguntou admirada.

-Amor. Eu sou virgem, Rita. Ela ficou admirada, Pedro já tinha 18 anos e já tivera relações anteriores, nunca lhe tinha passado pela cabeça que ele nunca o tivesse feito. E preciso de te dizer outra coisa, sobre nós.

-Queres acabar? Perguntou ela a medo e com um fundo de tristeza na voz.

-Não, longe de mim pensar nisso. Disse animando-a de imediato. Não fui completamente sincero quando disse o que sentia por ti.

-Desconfiei. E queria falar contigo sobre isso.

-Mas não é fácil dizer-te o que sinto.

-Se não quiseres falar estás á vontade.

-Quero que saibas. Já é muito tempo a esconder-te isto. E a relação só pode ter pernas para andar depois de dizer-te.

-Ai Pedro tu só me assustas. O rapaz sentou-se no sofá e ela sentou-se no seu colo. Desembucha lá.

-Comecei a gostar de ti, pouco antes de começares a namorar com o Tiago. E ia assumir-te, mas tu e ele começaram e eu não quis estragar a nossa amizade. E até hoje, ainda não tinha assumido a ninguém o que sentia. Mas compreendo que tu não sintas nada por mim, mas no fundo espero que sintas. E que esta nossa relação tenha pernas para andar e que sejamos felizes para o resto da nossa vida. E sinceramente tenho medo que a tua amizade com o Fábio evolua e vocês fiquem juntos, e eu tenho medo que ele te usa e te deite fora, que tu fiques magoada, mais uma vez. Só te quero proteger e ajudar. Só quero que sejas feliz. E quero ser feliz do teu lado.  

Qual será a reação de Rita?

Como ficará a relação deles depois deste momento? E o que fará Pedro em relação a Fábio?

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Capítulo 12: “Posso pedir-te um favor... Namorado?”


-Parabéns mãe! – Disse Ana indo em direção á sua mãe e dando-lhe um forte abraço e beijinho. Fui apanhada completamente desprevenida mas fico muito feliz por ti! E pelo bebé! Colocou a mão sobre a barriga da mãe.

-Obrigada pápá! Pedro correu em direção ao pai e sentou-se no seu colo, deixando o pai surpreendido. Fizera aquilo com uma pressa e com uma prontidão que deixara todos na sala surpresos. Pedi para dizeres ao Pai-Natal um mano e tu pediste! Obrigada Pai Natal! Disse dando mais um abraço ao pai. Prometo que partilho todos os meus brinquedos! E que o deixo dormir no quarto da mana quando o Fábio não dormir lá! Rita ficou tremendamente envergonhada e sem reação possível. Apenas tinham dormido juntos algumas noites e enquanto ela dormia na cama, o rapaz dormia no chão de forma a estar ao seu lado enquanto estava mal-disposta.

-Pedrito anda cá ao meu colo! Disse Fábio batendo com a palma das mãos nas suas pernas de forma a convidá-lo para se sentar no seu colo. O pequeno de apenas 6 anos obedeceu e sentou-se ao colo do amigo. Sabes que pregaste um susto a toda a gente não sabes? Pedro olhou para o seu amigo sem entender aquelas palavras.

-Porquê? Tu dormiste ao pé da mana, como o pai e a mãmã faziam!

-Não Pedro. Olha lembra-te bem. Quando foste ter com a mana não havia uma almofada e umas mantas no chão? Pedrito acenou com a cabeça, afirmando positivamente. E achas que se dormisse ao pé da mana, havia uma almofada no chão? – Perguntou enquanto aconchegava o (ainda) irmão mais novo da sua amiga.

-Podias ter caído da cama! Disse o pequeno, sempre com resposta na ponta na língua.

-Se tivesse caído a almofada não estava no chão e as mantas também não, Pedrito. Só as pessoas quando gostam mesmo muito muito uma da outra é que dormem juntas. Tentou explicar Fábio.

-E tu não gostas da minha mana?

-Pedro, sai do colo do Fábio e para de incomodá-lo. Disse Maria, a mãe de Rita. Anda para o meu colo. Pediu a mãe.

-Não se preocupe dona Maria. Ele não incomoda nada e assim sempre posso falar com ele não é campeão? Perguntou dando um abraço a Pedrito. Gesto que cativou a futura mãmã e o adoçou o coração de Rita.

-É verdade! Eu venci-te a ti e ao pai na PS3! Disse vitorioso.

-Amanhã quero a desforra! Porque depois quando acabarmos a conversa, vais-te deitar pode ser?

-Mas não tenho sono Fábio! Desabafou o menino.

-E se eu te for ler uma história até adormeceres? Inquiriu Fábio.

-Sim! Disse entusiasmado o menino.

-Eu gosto muito da tua mana mas nós somos só amigos, e só quem gosta muito muito da outra pessoa, como o teu pai e a tua mãmã é que dormem juntos.

-E tu e a mana são só amigos não é? O rapaz acenou positivamente com a cabeça e sorriu. Queria poder dizer que Rita já namorava, mas não sabia se ela queria que a família soubesse, por isso deixou-se ficar em silêncio.

-Então agora para a caminha pequeno! Disse Fábio levantando-se e Pedrito seguiu-o em direção ao seu quarto. O pequeno deitou-se na cama e o maior procurou na estante que havia no quarto por um livro. Acabou por escolher um pequeno livro do Noddy. Sentou-se perto da cama do pequeno e ligou a pequena luz que estava sobre a mesinha de cabeceira ao lado da cama do recente amigo. 

Começou a ler o livro e o pequeno deitou-se debaixo das mantas e deixou-se endireitar sobre os lençóis. O mais velho acabou por ler o livro e quando acabou, olhou para Pedrito. Dormia tranquilamente e pacificamente, mas decidiu endireitar um pouco as mantas de forma a deixar o mais novo mais quente. Deu-lhe um beijo sobre a testa, como fazia com Rita e deixou-se encaminhar até á sala, para se despedir da família dos seus amigos e ir pernoitar para sua casa. Mas sabia que os pensamentos iriam ficar cravados naquele beijo de Rita e Pedro, do qual nem conseguiu falar com ela.

Foi até á sala onde se despediu de toda a família de Rita e voltou para sua casa. Sentia-se cansado e um tanto desiludido, Pedro era seu amigo e ele sabia que era envergonhado e a única razão que explicara aquele beijo, era que o rapaz sentisse algum tipo de sentimentos. Quanto a Rita pensara que ela era fiel a relações sérias e só teria um tipo de relacionamento amoroso, um namoro, e Fábio pelo contrário, era o oposto. Preferia aproveitar a vida e não se prender a uma relação séria.

Despiu a roupa que trazia no corpo e deitou-se apenas em boxers, não tardou até adormecer a pensar em como dizia á sua amiga que tinha visto o beijo e como se sentiria com ciúmes quando a vira de olhos fechados tocando com os seus lábios nos de Pedro. E como o admirara, o fato de Rita ter pedido a Pedro para o beijar.

Rita acorda de manhã, ainda radiante com a ideia de ter um irmão e com a reconciliação dos pais, mas não se conseguia esquecer do beijo que ela e Pedro deram. Precisava de falar com ele, mas também sabia que precisava de falar com Fábio, mas sabia qual dos rapazes era a sua prioridade para o presente. A sua mãe pernoitara na sua mais recente casa e de manhã, antes de ir trabalhar levou o pequeno Pedrito para a escola. O que dava liberdade a Rita para sair de casa e estar com amigos durante o dia, sem se preocupar com outras responsabilidades. Pouco passavam das 11h quando despertou. Olhou para o telemóvel e tinha uma mensagem. O remetente era Pedro.

“Bom dia princesa! Ás 13h passo por tua casa e vamos almoçar ao Rio Sul que te parece? Pago eu e não se discute! Beijinhos J

Rita não imaginara o que era o Rio Sul, seria um restaurante? Pouco conhecia da zona onde agora vivia e poucos eram os amigos que tinha naquela zona. Que eram apenas os únicos amigos que tinha nesta altura. Apenas Pedro e Fábio. O primeiro já conhecia há 6 anos e quanto ao segundo conhecia-o há somente dias mas já o considerava seu amigo. Respondeu:

“Bom dia pequeno grande! Fico então há tua espera.. Era suposto saber o que é o Rio Sul? :$ Deste lado não conheço praticamente nada. Quanto ao pagar é mais complicado.. Logo se vê! Beijinhos e até já J

Deixou o telemóvel no quarto e espreguiçou-se a caminho da casa de banho, despiu-se e foi tomar um banho relaxante. Ligou o rádio e deixou a água correr até encher a banheira. Deitou-se e acabou por adormecer.
Quando acordou a água estava fria, bastante até. Saiu da banheira e cobriu o seu corpo com uma toalha, deixou que a água desaparecesse toda da banheira. Olhou para o relógio e faltava apenas 20 minutos para Pedro chegar a sua casa. Por isso decidiu tomar um banho rápido e quando acabou olhou para o relógio que tinha no pulso. O telemóvel tocou e correu até ele, era Pedro.

-Sim? Disse a recuperar o fôlego da corrida que tinha dado para chegar até ao telemóvel.

-Rita? Perguntou o rapaz do outro lado da chamada. Acabaste de correr ou quê?

-Não! Sai agora mesmo do banho e tive de correr para chegar a tempo de atender!

-Tiveste a dormir até agora? Perguntou admirado Pedro.

-Acordei há algum tempo já. Mas adormeci na banheira. Desabafou Rita envergonhada.

-Oh Rita só tu! Disse animado o rapaz. Então quer dizer que ainda tenho de esperar meia hora para estares pronta como a maior parte das raparigas não é verdade?

-Que engraçadinho! Respondeu divertida a rapariga. Mas talvez 20 minutos e estou pronta.

-Então estou no carro á tua espera princesa! Disse docemente Pedro.

-Tonto não vais ficar no carro há espera. Sobe e esperas aqui por mim.

-Não te importas?

-Claro que não! Foi até perto da porta de entrada de sua casa e abriu a porta da entrada do prédio. Já abri a porta da entrada.

-Já entrei no prédio! É em que andar mesmo?

-Primeiro direito. Estou á tua espera.

-Dá-me cinco minutos. Rita não teria tempo de se vestir por isso ficou apenas em toalha de banho. Desligaram a chamada e três minutos depois apareceu Pedro á porta de casa dela. Cumprimentaram-se com dois beijos bem no cantinho dos lábios e logo de seguida, abriu os olhos surpreendido quando a viu. Não esperava ter uma receção tão especial.

-Desculpa estar assim... Pediu Rita. Mas ainda não me consegui vestir.

-É melhor voltar para o carro. Disse voltando as costas em direção á saída do prédio.

-Pedro não sejas tonto. Fica um bocadinho na sala á minha espera e já vou ter contigo. Dá-me 10 minutos e estou ao pé de ti prontinha para sairmos! Entraram em casa dela e ela encaminhou-o até á sala. Desculpa a desarrumação já sabes que as mudanças dá nisto.

-Estás á vontade! Se fores como a maior parte das raparigas ainda tenho tempo de dormir uma sesta.

-Mas eu não sou como a maior parte das raparigas que conheces, eu sou a Rita Madeira, sim? Disse orgulhosa sorrindo. Pedro sabia muito bem que ela não era uma rapariga qualquer, sabia que ela era especial e tinha um sentimento muito especial por ela, que não tinha por mais nenhuma rapariga. E guardava-o há demasiado tempo.


A jovem foi até ao seu quarto e não queria vestir uma roupa simples e pouco arrojada do dia-a-dia, preferia algo elegante mas não formal. Apenas algo que a fizesse sentir bem. A escolha não demorou a chegar, até porque ainda não tinha arrumado a roupa toda que possuía no armário. Quanto aos sapatos, sempre adorou o fato de ser pequenina de altura, apenas usava sapatos altos para cerimónias formais (e nem era em todas!)


Foi até á casa de banho, lavou os dentes e voltou para a sala, vinte minutos depois de Pedro ter chegado a sua casa.

-Adormeceste? Perguntou ela a entrar na sala onde deixara o rapaz.

-Não mas quase! Disse o rapaz levantando-se do sofá. Não deste tempo para isso. Foste mais rápida do que pensei. Sorriu enquanto a admirava. Rita era uma rapariga bastante bonita e sabia vestir roupa que a deixava ainda mais bonita e o rapaz admirava-se com ela por cada pormenor seu. –Estás muito bonita! Confessou.

-Obrigada! Disse envergonhada. Vamos? O rapaz acenou positivamente e despediram-se da casa dela e foram até ao carro que pertencia ao rapaz. Apesar de terem nascido no mesmo ano, Rita ainda não tinha dezoito anos e Pedro apenas lhe faltavam 4 meses para celebrar o seu 19º aniversário. Conversaram enquanto Pedro conduzia até ao local onde iriam almoçar. Era um centro comercial e lá teriam mais variedade de escolha para o que pretendiam comer. O rapaz estacionou o carro no parque de estacionamento e encaminharam-se para o interior do centro comercial. Mas enquanto caminhavam, num impulso de ambos, cruzaram os dedos num só.


Pedro levou-a até á zona de restauração, sem trocarem uma palavra. Ele não era uma pessoa de grandes conversas e Rita embora pelo contrário, não pretendia falar. Queria apenas sentir-se bem com aquele gesto.
Chegaram até á zona de restauração e ela fê-lo sentar num banco, a distância entre ambos não era grande, apenas a suficiente para cruzarem os seus dedos como se de duas partes separadas fossem e precisassem de estar unidas para terem um significado.

-Rita, tu sabes que precisamos de falar.

-Sim. Eu sei. Respondeu tranquilamente ao contrário de Pedro que se encontrava bastante nervoso.

-O que é que ontem significou para ti? Perguntou a medo.

-Não te vou mentir ou magoar, ainda gosto do Tiago. Aquelas palavras embora verdadeiras feriram os sentimentos de Pedro. – Mas estou a fazer tudo para o afastar do meu coração e da minha vida. E sei que tenho de aceitar o que ele me fez para o esquecer. Era muito mais fácil dizer-te que quero que ocupes o lugar dele mas não te quero magoar. Não sei o que significou aquele beijo para mim. - Franqueza nunca faltara nas palavras da jovem. – Sei que me senti bem, que me sinto feliz ao teu lado, mas sei que não é amor. Mas é estranho, não sei explicar.  Nunca antes a rapariga tinha sentido todos aqueles sentimentos em simultâneo.

-Sei que já te perguntei isto antes.. Mas podes ter mudado de ideias. Arrependes-te do beijo? – Disse a medo.

-Não volto com a minha palavra atrás. Sou insegura mas acima de tudo sou fiel aos meus sentimentos. E  continuo a dizer que não me arrependo e se pudesse repetia-o.

-E porque não o fazes? Perguntou espontaneamente o rapaz.

-Não te vou roubar um beijo sem saber se tu o queres. Assumiu a jovem.
Pedro levantou-se daquele banco e pegou na mão de Rita. Fê-la erguer-se e poisou os seus braços no fundo das costas da rapariga, a jovem colocou as mão sobre os seus ombros e deixou-se beijar pelos doces lábios de Pedro.


Só separaram os lábios quando o ar escasseava. Mas não tiveram tempo de conversar depois do beijo porque o estômago dela queixara-se e ela sabia que não podia esforçá-lo, ainda se encontrava em recuperação da(s) sua(s) doença(s).

-Secalhar é melhor irmos comer antes da conversa!

-É mesmo! Já sabes que eu com fome fico de mau humor! Relembrou ela. E tinha razão, muitas vezes ela não se queixava de fome ou dissera que a tinha mas o seu feitio e o seu humor mudavam com fome, e todos á sua volta notavam a diferença.

Como não queriam quebrar as rotinas saudáveis da sua alimentação, optaram por comer uma salada simples, mas para sobremesa decidiram comer um gelado, apesar de estarem no mês de Setembro, o calor não se deixava ir embora. 
Enquanto Pedro fizera questão de pagar a refeição principal, Rita não se deixou vencer pela teimosia dele e conseguiu pagar o gelado de ambos.
Depois de comerem um gelado de baunilha, por parte de Pedro e de chocolate, por parte de Rita, ele fez questão de a levar para um local surpresa. Foram até ao carro e ele apenas confessara-lhe que era um local que ele gostava e queria apresentá-lo. Levou-a para um pequeno jardim, não muito longe do centro comercial onde almoçaram e depois de estacionar o carro, andaram durante poucos minutos. Pedro sentou-se no chão e pediu para ela se sentar também mas a rapariga foi ousada e deixou-se sentar ao colo dele.



E ele ficou feliz pelo gesto dela. Sentiu que ela também gostava dele, mas era cedo para assumi-lo, tinha medo de a perder se o assumisse. Colocou a mão sobre a perna dela e outra sobre o fundo das costas. Ela pousou uma mão junto ao cotovelo dele e outra sobre o ombro. Deixaram-se permanecer em silêncio durante alguns minutos. Apenas ouviam os pássaros cantar e a natureza a chamar e era agradável. Mas depois de admirar tudo, ela acabou por dizer:

-Deixamos uma conversa a meio pequeno grande. Disse olhando-o nos olhos.

-Eu sei. Mas não é fácil.

-Muito menos é para mim. Mas o que é que tu sentes por mim? Pedro sentiu que tinha de lhe dizer a verdade mas não lhe queria dizer que a amava, talvez com o tempo ela o descobrisse, sem ele necessitar de se expressar.

-Tu és uma rapariga muito especial. E gosto muito de ti. Nunca lhe mentira mas também nunca dissera a verdade por inteiro. Sinto-me feliz ao teu lado, não o nego. Mas tu é que decides o que queres para o nosso futuro. A tua felicidade está primeiro.

-Tu... Alguma vez sentiste isto por alguém? Como o que eu sinto?

-Sim. O que tu sentes é uma atração.

-Mas quem sente isso não é só as porcas e os playboys? – Perguntou a medo.

-Não! Sorriu. Tu e eu estamos a sentir e não somos nada disso.

-Mas não é amor.

-Não. Disse pouco-convencido.

-E o que é que as pessoas fazem quando sentem isto?

-Pareces o teu irmão a fazer tantas perguntas! Sorriram. Normalmente têm curtes.

-Já tiveste alguma curte? Perguntou Rita. Na verdade desde que Pedro se apaixonara por ela nunca tinha tido algum relacionamento fosse sério ou menos sério, sentia que estava a “usar” alguém enquanto amava outra pessoa.

-Sim. Mas também já tive namoradas.

-Nunca tive uma curte. E nunca tive muito interesse confesso. Como é que isso funciona?

-Depende. Mas no nosso caso, se fosse, eram duas pessoas que não sentem amor, mas que se sentem atraídas, felizes e bem um ao pé do outro, não é um relacionamento bem sério, mas estariam juntas enquanto namorados, comprometendo-se a estarem juntos, sem se envolverem com outros. Sem tempo de fim, terminávamos quando um de nós quisesse. Mas claro há curtes que dão em namoro. Explicou calmamente.

-Não sou pessoa de curtes. Prefiro relacionamentos sérios.

-Eu sei. E o que pretendes que aconteça entre nós?

-Podemos experimentar essa curte. Mas espero que não estrague a nossa amizade, quero que continuemos amigos.

-Claro que não. Vamos continuar sempre amigos.

-E chamamo-nos de namorados ou como é que é? Questionou Rita.

-Nas curtes há quem chame, há quem não chame.

-Mas eu quero chamar! Disse Rita. Posso pedir-te um favor... Hesitou. – Namorado? Pedro sentiu-se orgulhoso e feliz.

-Sim!

-Podemos selar este momento com um beijo?

Pedro beijou-a e a partir daquele momento seriam oficialmente namorados, e teriam uma relação de “curte”. E estavam felizes um ao pé do outro, tanto que ficaram juntos até ao final da tarde, altura em que a mãe de Rita lhe telefonou para a rapariga ir até casa. A despedida custou entre ambos, não queriam separar-se mas estavam obrigados a tal. A rapariga entrou em casa com um sorriso na cara, estava feliz e radiante ao lado de Pedro, apesar de algumas inseguranças que sentia.
Cumprimentou a sua mãe que estava deitada sobre a cama do quarto dela e foi até á sala. Quando lá entrou, depois de cumprimentar a sua família, pai e irmão, cumprimentou Fábio, que de imediato se levantou e levou-a até ao corredor, sem ela oferecer resistência e disse:

-A tua mãe pediu-me para ir buscar o Pedrito á escola por volta da hora do lanche, porque tu não podias. Mas eu não resisti e mal acabei o almoço fui ter com ele. E desde então que estou com ele. E sinceramente gosto muito dele, mas neste momento eu preciso de falar contigo sobre tudo o que se passou. Devo-te um pedido de desculpa. Disse admirando os olhos cor de avelã de Rita.

-E eu também preciso de falar contigo. Respondeu ela.

Será que Rita vai contar a Fábio do seu relacionamento com Pedro?
E será que ela vai aceitar o pedido de desculpas dele? Como correrá a conversa?