sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Capítulo 09: “Sai da minha casa por favor”


-Eu tenho a certeza que não estou grávida, Fábio. – Disse calmamente e segura das suas palavras.

-Como é que tens tanto a certeza? Todos os sintomas apontam para uma gravidez.

-Se confias em mim, acredita no que te digo. Não estou grávida. – Colocou-se à frente do seu amigo e abriu bastante os olhos quase como se o fizesse crer, através do olhar, as palavras que dizia.

-Rita, se estiveres grávida, o Tiago tem de assumir as vossas responsabilidades e o “vosso erro”. Estão separados mas ele não deixa de ser pai e conheço-o como conheço, não acredito que ele não o faça. E o teste pode sempre dar negativo. Mas independentemente do resultado deste teste ficarei a teu lado. – Disse tocando nas mãos de Rita e erguendo-as entre os seus abdomens. Olhou-a e reparou no brilho no olhar da sua amiga, o sorriso envergonhado que ela tinha.

-Não estou grávida, acredita no que te digo. Podem vir milhões de testes e provas de gravidez que eu sei que não estou. – A jovem estava certa das suas palavras e confiava nos seus sentimentos, emoções, pensamentos e pressentimentos como nunca confiara a ninguém. Era-lhes fiel e nenhum teste de gravidez ia mudar a sua forma de ser e estar com a vida. – Mas se tanto te deixa feliz, eu faço a porcaria do teste! – Disse tirando das suas mãos o teste de gravidez, rude e apressadamente.

Fábio não teve tempo para responder porque ela agarrou no teste, e foi em direção á casa de banho. Sentou-se no chão e começou a ler as instruções daquele teste. Já sabia qual era o resultado mas se aquele teste ia mudar alguma coisa na vida dela, seria a relação com Fábio. Fê-lo e esperou durante alguns minutos pelo resultado. Resultado: negativo. Vomitou mais uma vez e saiu da casa de banho com o teste na mão.
Aproximou-se de Fábio e atirou o teste contra o seu peito. Conseguiu apanhá-lo e Rita disse:

-Confias mais nessa porcaria do que em mim e aqui tens a tua resposta.

-É negativo? Perguntou olhando para o exame, sem saber se a sua desconfiança estava certa ou errada.

-Sim. Sempre soube que não estava grávida e tu não confiaste em mim. É assim que queres que fiquemos amigos? – Perguntou desiludida com a atitude de Fábio, pensava que ele confiava nela como ela confiava nele. Como amigo que dizia ser.

-Desculpa... – Disse Fábio sentindo-se humilhado e desiludido com a sua própria atitude. – Tudo apontava para que estivesses grávida. – A sua amiga também se sentia magoada, sentia que ele não confiava na sua palavra.

-Sai da minha casa por favor! – Pediu ela.

-O quê? – Perguntou admirado.

-Sai! – Disse tentando demonstrar calma mas do seu olhar não conseguia esconder a raiva e a mágoa que sentia naquele momento por ele. – Neste momento não consigo olhar para ti. Por favor sai da minha casa. – Tremia nervosa pelo que estava a fazer mas também por dizer aquilo a Fábio, gostava dele, confiava nele e era seu amigo, mas naquele instante não conseguia vê-lo, nem estar próxima dele.

-Estás a tomar uma decisão precipitada. – Disse calmamente ele.

-Não quero saber. Cada segundo que aqui estás fico mais nervosa e chateada! Desiludiste-me e eu preciso de tempo para esquecer e perdoar.

-Desculpa. – Pediu novamente Fábio. – Dou-te o tempo que quiseres. Mas não te esqueças que sou teu amigo e não vou abdicar da nossa amizade, por causa de um erro que cometi e estou arrependido. – Ele encaminhou-se para a saída de casa de Rita e estava já a abrir a porta enquanto perguntou. – Posso pelo menos dar-te um beijinho de despedida?

Ela correu até ele e deram um abraço apertado e sentido. Ele beijou-lhe suavemente a testa e ela deu-lhe um beijo na bochecha. Apesar de magoados, não podiam ficar sem ter o mínimo de miminho um do outro. Fábio abriu a porta e foi-se embora, não sem antes trocarem mais um olhar e um sorriso.

(Passado alguns dias)

Os enjoos de Rita foram-se embora tão rápido como vieram, a desconfiança de Luís, pai dela estavam certos. O seu problema não era nenhuma gravidez como Fábio pensara, mas sim problemas de estômago. Mas também problemas de saúde. Rita jogava futebol feminino e abdicou desta modalidade para poder recomeçar a sua vida do zero, mas a vida já lhe pregara uma partida. O desporto já lhe provocara lesões físicas. Miopatia é quando as fibras musculares (células que constituem os músculos) não funcionam algumas vezes e resultam em fraqueza muscular. E desenvolveu uma outra doença. A gastroparesia. Que é a diminuição da força de contração do músculo do estômago, ou um uma lentificação na passagem de alimentos pelo estômago. E apesar dos vómitos não serem um dos sintomas habituais da doença, a Rita acontecera este facto. Quando a miopatia tinha de optar por receber massagens na zona afetada (barriga), fazer fisioterapia, ou acupunctura. Ela optou por fazer fisioterapia, assim sempre conseguia ficar em boa forma física, porque não a deixavam praticar desportos durante alguns meses. Quanto à gastroparesia, receitaram uns medicamentos que ela tinha de tomar até ao final da fisioterapia.
Já começara a tomar os antibióticos e já tinha ido à primeira fisioterapia e marcado as seguintes sessões. As dores eram mais fracas e mais curtas e aos poucos já conseguia comer, sempre em pequenas doses. Já conseguia cozinhar, continuava era a não se sentir á vontade com os cheiros da comida.
Mas entretanto Fábio não sabia que tinha já tido ido ao médico e que já começava a melhorar, sentia-se humilhado pelas suas atitudes e ia pedir desculpa a Rita por ter duvidado da sua palavra. Não sabia como ela tinha tantas certezas em relação à sua “não-gravidez”, mas a rapariga estava certa e ele devia ter-lhe dado razão. Não devia tê-la obrigado a fazer o teste de gravidez, devia ter confiado nas palavras dela, confiava, mas os seus pressentimentos falaram mais alto e ele acreditou neles, mais do que na própria amiga.
Já passava da hora de jantar e Fábio ia falar com Rita. Iria cumprir a promessa que fizera a Luís, cuidar de Rita enquanto amiga e mesmo que ela não quisesse falar com ele, ia arriscar, não iria desistir daquela amiga e ia relembrá-la que eram amigos, e continuariam a sê-lo. Já errara antes e iria errar mais vezes, mas estava arrependido e iria pedir desculpa, acreditava que iria conseguir que Rita aceitasse o seu pedido de desculpa. Jantara em casa de Bernardo Silva, seu colega de equipa e estava a voltar a casa, mas antes ainda passava pela casa da sua vizinha e amiga.
Mas quando chegou ao corredor de sua casa, avistou duas pessoas e nenhuma delas era de todo desconhecida. Era a sua amiga Rita e o seu (também) amigo Pedro Rebocho, jogador nos júniores do Benfica.






(É este o rapaz!)



Fábio ficou surpreso. Não sabia que eles se conheciam e muito menos que ele sabia onde ela morava. Podia ser excentrismo mas pensara que Rita estava apenas dependente dele e da sua amizade e aquela surpresa era agridoce. Por um lado era bom saber que ela tinha amigos para além de si, porque merecia ser feliz, por outro lado sentia-se mal, porque aquele sentimento de exclusividade, nem que fosse enquanto amigos e saber que ela podia contar com mais apoios para além do seu, não lhe agradava. Mas o melhor de Rita era a sua prioridade, mesmo á frente do seu próprio desejo.
A diferença de alturas entre Pedro e Rita não era tão exagerada como a que existia entre Rita e Fábio. Entre Pedro e Rita existiam 12 centímetros a diferenciá-los, apenas entre o metro e sessenta dela e o metro e setenta e dois dele, enquanto a diferença de tamanhos entre ela e Fábio era de vinte e sete centímetros. Era mais fácil Pedro chegar até aos lábios de Rita, 
do que Fábio.. 

Foi surpreendido por uma atitude do seu amigo.

Pedro tocou com os seus lábios nos lábios de Rita.



Como irá reagir Fábio a este momento?
Irá pedir desculpa a Rita? E como ficará a história de Pedro e Rita?

domingo, 10 de novembro de 2013

Capítulo 08: “Tens aqui um teste de gravidez”


Fábio ficou surpreendido pelo estranho pedido de Rita, mas sorriu. Fora inocente o pedido e explicara as suas razões mas a mente do jovem trocidara-o, queria levá-lo para caminhos que ela não queria e ele tentava afastar aqueles pensamentos ao máximo. Queria desfrutar de uma amizade sem segundas intenções. Perguntou:

-Tens a certeza? Não quero outras interpretações nossas ou mesmo do teu pai. – Respondeu nervoso, lembrando-se do que dissera ao pai da sua amiga. Sabia que Rita o conhecia, que reconhecia o seu estilo. Ele não era homem de se apaixonar e de ter relações sérias e ela sabia melhor que ninguém, já conversaram mais que uma vez sobre esse assunto. Ele tinha medo do rumo que aqueles mimos pudesse levar, mesmo que inocentes. Queria que ela permanece-se na sua vida, como amiga.

-Não entendi essa do meu pai, mas adiante. – A jovem não fazia ideia de que Fábio prometera ao seu pai tomar conta dela, enquanto amigos e nada mais. – Já somos crescidinhos o suficiente para distinguirmos a amizade do amor. Além do mais não há segundas intenções. Pelo menos da minha parte. – Disse frisando bem a sua posição.

-Da minha parte igual. – A amizade entre eles estava mais forte não só a cada dia que passavam juntos mas como a cada olhar trocado, a cada palavra dita e a cada atitude, mesmo que involuntária. Começavam a moldar o seu feitio de forma a conseguirem manter uma amizade e á forma de ser e estar com a vida. Fábio vi-a como amiga, sem intenção de vir a ser mais uma conquista na sua (longa) lista, e Rita começara a abrir o coração para Fábio e vi-a nele um amigo, em quem podia apoiar-se e recuperar de tudo o que lhe acontecera. – Chega-te mais para junto de mim, minha doentinha. – A rapariga aproximou-se dele e Fábio encostou os ombros à parede e deixou as costas num ângulo de 75º e com este gesto ficou com os pés fora da cama e ambos soltaram um sorriso.

-Quem te manda seres enorme? – Perguntou ela sorrindo deparando-se aquele particular momento.

-Quem te manda seres pequena? – Respondeu ele também de pergunta.

-A mulher é como a sardinha só se quer é pequenina! – Rita deixou-se deslumbrar durante uns segundos pelo sorriso de Fábio. Não podia negar a si mesma que ele era bastante atraente e bonito e o sorriso levava-o ao extremo da sua beleza. – Posso encostar-me ao teu ombro? – Perguntou depois de afastar aqueles pensamentos que ela não queria ter, não estava interessada em ter relações sem ser de amizade com qualquer outro rapaz, nem sérias, nem menos sérias e não com um rapaz que era, de momento, o seu único amigo.

-Encosta! – Colocou a palma da mão sobre o fundo das costas de Rita e fez uma ligeira pressão para ela se aproximar dele e ela obedeceu-lhe. Encostou a cabeça entre o seu peito e o seu ombro e deixou-se ficar. Era bom sentir-se protegida, sentir que gostavam dela e a apoiavam. E Fábio, o seu único amigo, apoiava-a e estava ao lado dela quando precisasse, já dera provas disso. Pela primeira vez Rita sentiu de perto, o perfume de de Fábio e gostou. Era um bom cheiro, não era exagerado e era viciante, quanto mais cheirava, mais queria cheirar. Ouvia o seu coração a palpitar não muito feroz e acalmava-a.
Ele colocou a sua mão na cabeça de Rita, entre os cabelos e começou a massajá-los. Queria mimá-la e fazer com que ela não se sentisse sozinha, iria satisfazer o pedido de Rita mas também a pensar na promessa que fizera a Luís. Desligou a televisão e ela sussurrou:

-Amo que me mexam no cabelo! – Disse a jovem doente com os olhos fechados e a sorrir, mas ele apenas consegui-a ver o sorriso da amiga.

-E eu amo mexer nos cabelos dos outros! – Ela sentia-se protegida e ele sentia que estava a cuidar da amiga, era um gesto de amizade e de carinho. – Agora fecha os olhos e deixa-me mimar-te que bem precisas de miminho! – Afirmou inocentemente.

-Mas com juízinho menino. – Sorriram e ele deixou-se ficar deitado e a fazer leves cócegas na cabeça de Rita e ouvia-a a respiração dela. Durante alguns minutos, ele continuou a massajar a cabeça de Rita e a sentir os fios de cabelo dela tocarem na sua pele, a respiração de Rita tornou-se mais pesada e Fábio olhou para ela, tinha adormecido. Estava a dormir carinhosamente e pacificamente.
Os lábios dela pareciam mais carnudos e atraentes enquanto dormia e o desejo dele era de tomá-los como seus mas deixou o seu desejo acalmar e fez uma leve festinha sobre a bochecha dela e admirou-a durante segundos. “Como conseguia ser uma pessoa tão forte depois de tudo o que lhe acontecerá?”, “Porque tentava demonstrar que estava sempre tudo bem quando sentia o seu mundo a desabar?”, “Porque Rita se tinha afastado de tudo e de todos, inclusivé mãe, família e amigos?”, “Será que ela o considerava mesmo seu amigo?”, “Porque Rita o admirava tanto ao ponto de teres fotos suas no seu quarto?”. Tantos pensamentos invadiram a sua cabeça e ele queria saber todas as resposta mas acabou também por adormecer. Os corpos de ambos tombaram sobre as mantas e os pés de Fábio ficaram ainda mais fora da cama.

-Maria Rita!- Ouviu-se uma voz grave dizendo o nome da jovem. Ambos acordaram sobressaltados, ela deu um salto assustado e ela sentou-se de imediato na cama, e segundos depois ele seguiu-lhe o exemplo. Era o pai de Rita que a tinha chamado e também revelou o primeiro nome da jovem, só o utilizava quando estava deveras chateado ou desiludido com ela. – Com que então deixo os meninos sozinhos em casa e já me deparo com situações destas! Ao menos estão vestidos, mal menor! – Tentara ver aquele momento de forma engraçada mas Fábio sentia-se extremamente envergonhado e desconfortável com aquela situação. Rita estava embaraçada por ter sido revelado o seu primeiro nome mas não estava nervosa, sabia que nada entre eles tinha acontecido e queria explicar tudo o que acontecera ao seu pai.

-Não é nada disso que estás a pensar! – Disse Rita calmamente.

-Filha, achei que arranjavas uma desculpa melhor do que essa! Toda a gente diz isso Rita! – O jovem rapaz não entendia se estavam a falar descontraidamente e a brincar ou se estavam a falar como se fosse algo um tema sério. Ainda não conhecia as expressões faciais e corporais de nenhum para entender. – Pensava que ias cumprir a tua promessa Fábio! – Ele pensava que era um segredo entre o jovem e o pai da amiga e que Rita não tinha de o saber mas com aquelas palavras tinha revelado aquele segredo, pelo menos para o que o rapaz tinha pensado.

-De que promessa é que estão a falar? – Perguntou sem sabendo que conversa era aquela entre eles. Fábio se pudesse tinha mudado o tema da conversa mas não conseguiu. E também não queria que a amiga desconfiasse da sua palavra.

-Prometi que ia apoiar-te e cuidar de ti, Ritinha. Mas apenas enquanto amiga.
Rita levantou-se da cama e correu até à casa de banho, onde voltou mais uma vez a vomitar. Quem estava no quarto com Rita seguiu-a. Começava a ser um hábito os enjoos da jovem. E isso preocupava Luís... E Fábio. Luís queria levá-la ao médico para saber o que se passava com ela, e mais tarde medicá-la para melhorar e ia reagir, não ia deixá-la continuar assim, não lhe fazia bem, antes pelo contrário, um dia melhorava, outro dia piorava e todos os que a rodeavam estavam preocupados. Fábio continuava com o seu pensamento bem firme. Rita estava grávida e iria convencê-la a fazer um exame de gravidez.
Luís acompanhou a filha até á casa de banho e Fábio ficou á porta, deveras preocupado. Quando tomou uma decisão importante, saiu de casa e foi até á farmácia mais próxima. Comprou um teste de gravidez e voltou para casa da amiga. Se as suas suspeitas se confirmassem não haveria solução para o problema de Rita, apenas esperar pelo final dos nove meses ou esperar que os enjoos da gravidez passassem com o decorrer dos meses e com o crescer da barriga. Estava separada do pai do seu filho e de certeza que o bebé era tudo menos pensado, ele não sabia se Rita poria sequer a hipótese de abortar ou dá-lo para adoção. Fábio iria apoiá-la fosse em que decisão fosse, era seu amigo e iria apoiá-la e se ela estivesse mesmo grávida e Tiago não quisesse assumir o bebé, talvez ele ajudasse Rita, não enquanto pai, mas quase como um segundo pai. E mesmo que ela não tivesse grávida ia apoiá-la. Voltou para casa da amiga e tocou à campainha, quem a abriu foi a jovem. Cumprimentou-a e disse:

-O teu pai? – Perguntou ele.

-Insistiu comigo que estes enjoos não são normais e foi marcar uma consulta no médico para ver o que tenho. E depois vai buscar o Pedrito. E tu que pressa foi aquela que saíste e não disseste nada?

-Estou desconfiado que não é um problema de saúde que tens, mas sim algo que pode não te agradar nada.

-Não estou a apanhar o teu raciocínio. – Não estava a compreender as palavras de Fábio e queria acompanhar os seus pensamentos e não iria desistir até o saber.


-Todos os teus sintomas apontam para uma gravidez! – Ela ficou sem reação possível, ficou simplesmente boquiaberta. – Andas sempre enjoada, vomitas algumas das vezes, e os suores frios, tudo aponta para uma gravidez. – Fez uma breve pausa. – Tens aqui um teste de gravidez, se faz favor, vais fazê-lo. – Ordenou Fábio. 



Será que Rita vai fazer o teste de gravidez?
Será que está grávida? E como afetará a relação destes dois?

domingo, 3 de novembro de 2013

Capítulo 07: “Podes-me dar um miminho por favor?”



-Boa tarde Fábio. – Disse o senhor de meia idade.

-Boa tarde senhor... – Não sabia qual era o seu nome, nem qualquer tipo de informações sobre ele. Apenas que estava na mesma casa em que vivia Rita, mas esta informação não lhe dava certezas de quem era aquele homem. Apenas sabia que não era o irmão de Rita. – Desculpe incomodá-lo mas tive de vir tocar à sua porta por uma questão de força maior.

-Entra rapaz! – Deixou espaço para Fábio entrar para dentro de casa de Rita. Era algo tão íntimo e pessoal, era invadir o espaço pessoal de alguém, em especial o novo lar daquela família que vivia ali tão recentemente. Ele entrou envergonhado e devagar. O senhor não se deixou intimidar e continuou a caminhar e Fábio seguiu-lhe. Entraram numa divisão, a sala de estar daquela família. Mais ou menos com o mesmo comprimento da sua, mas era bastante visível a mudança recente.

-Desculpa lá, esqueci-me completamente de me apresentar! – Esticou a mão a Fábio que rapidamente lhe retribuiu o gesto e deram um “passou-bem”. – Chamo-me Luís e sou pai da Rita, da Diana e do Pedro. E tu sei que és o Fábio Cardoso. – Sentaram-se no sofá e a falta de conforto de Fábio era bastante clara, ele estava envergonhado com toda aquela situação.

-Sim. Exatamente! – Respondeu Fábio com as pernas abertas e com as mãos pousadas sobre o meio das mesmas e coçando as mãos, não sabia o que dizer. Não queria parecer rude ou mal educado mas também queria perguntar pela sua amiga.

-Rapaz não me trates por você que só tenho 40 anos, não me faças sentir ainda mais velho que já estou! Ainda me faltam 25 anos para a reforma! – Disse animado. – Trata-me por tu e por Luís, não há cá rodeios ou medos.

-Pois. – A situação não era em nada a desejada por Fábio e deixava tudo bem claro. – Vou tentar tratá-lo com respeito e não fazê-lo sentir mais velho! – Pela primeira vez desde que se tinha cruzado com aquele senhor que conseguiu sorrir e foi um sorriso retribuído.

-Já me falaram muito de ti.

-A sério? Posso perguntar porquê? – Ficou admirado. Será que tinha sido Rita a falar com o seu pai? Ou teria sido outra pessoa?

-Podes e deves! – Luís era um homem que fazia tudo para deixar Fábio menos envergonhado do que estava e o divertimento era uma palavra-chave. – Como a Rita sou viciado no Benfica e sigo tudo! Acompanho a tua carreira desde que chegaste ao Benfica e devo dizer que se lutares terás um enorme futuro pela frente, mas não é com aquele treinador do Benfica que vais ter oportunidades infelizmente! E não é com o cepo do Jardel que vais aprender, aliás tu é que lhe vais ensinar o que faz um patrão da defesa! – Confessou Luís. E Fábio teria de responder ás suas palavras. Nem que fosse para agradecer o apoio.

-Muito obrigada pelo apoio! – Disse com um sorriso nos lábios a transbordar orgulho no que acabara de ouvir. -É bom saber que dão valor ao meu trabalho, não só no jogo, mas como o trabalho diário dos treino. Esforço-me por não desiludir os meus fãs, por demonstrar aos benfiquistas e a todos que a formação do Benfica tem qualidade e que tem é de nos ser dadas oportunidades. Porque iremos provar o nosso valor e eu acredito que com esforço e um pouco de sorte irá chegar à minha oportunidade na equipa A. Sinceramente enquanto jogador não tenho razões de queixa nem do Jorge Jesus nem do Jardel. O mister tem seguido a carreira de cada jogador da minha equipa e aos poucos vai apostando em nós. Enquanto benfiquista acho que apesar de já ter dado muito ao clube, a equipa já não está com ele, mas também não podemos pedir-lhe para sair nesta altura do campeonato! Era entregar o título aos adversário e só faria mal ao clube. E quanto ao Jardel, é um bom central, com experiência e idade, não tenho nada a apontar-lhe. – Estavam a discutir futebol e a trocar opiniões. Fábio nunca desistia da sua opinião mas talvez na conversa com Luís, dê-se por fim o braço a torcer.

-Sabes filho. A minha filha tinha razão, pelas tuas palavras entendi que tens as tuas ideias fixas e que és lutador. Só te posso desejar as maiores felicidades e de preferência junto à minha filha. Ela não te quer dizer mas aqui entre nós, ela simpatizou contigo. – O sorriso ingénuo e puro de Fábio voltou a surgir nos seus lábios, era um sorriso de felicidade e orgulho. Tinha falado com o pai sobre ele e tinha gostado dele.

-Também gosto muito da sua filha! Foi uma pessoa que me cativou desde que começamos a falar! – Confessou.

-Mas tem cuidado rapaz, ela saiu de uma relação longa recentemente, e eu e a mãe dela separamo-nos e tudo à pouco tempo. Não te precipites em relação a ela por favor. Neste momento precisa de um amigo. – Estavam a ter uma conversa entre dois homens adultos. Falavam de Rita não como um objeto, mas enquanto pessoa sensível mas que demonstrava ser forte, que tinha passado por muito durante a sua vida e nunca desistira de lutar.

-Ela já me deixou bem claro que só quer uma amizade e eu farei tudo para a apoiar, para ser seu amigo. Por estar do seu lado e de apoiá-la, sem segundas intenções esteja descansado. – Eram aquelas as palavras que Luís queria ouvir. Não queria a sua “menina” novamente magoada por causa de um “estupor” sem sentimentos que só a queria magoar, queria garantir-se que a filha estava a recompor-se de duas infelicidades e iria ser feliz, como merecia.

-Vou confiar em ti rapaz! – Deram um aperto de mão, simbólico  Apenas simbolizando a promessa que fizeram entre ambos. – Podia levar-te ao quarto da Ritinha mas ela tem andado enjoada há dois dias e está a dormir.
Entretanto apareceu um rapaz com 6 aninhos naquela divisão. Seria aquele o irmão de Rita?

-Olá! – Esticou a mão a Fábio que foi retribuído. – Chamo-me Pedro Madeira e tu?

-Fábio Cardoso. – O menino tinha algumas semelhanças com Rita, os olhos esverdeados e alguns caracóis mais irrequietos, o sorriso característico e uma simpatia enorme.

-Pápá não é do Fábio que a mana tem as fotos no quarto? – Surpreendido talvez fosse uma palavra fraca para descrever a reação de Fábio. Admirado, essa era talvez a palavra correta.

-Pedrito, isso não era suposto o Fábio saber. – Respondeu o pai ao filho.

-Desculpa pai! – Disse o menino envergonhado. – Fábio, a mana não tem fotos tuas no quarto! – Tentou resolver a situação em que se metera mas não havia solução. Fábio apenas sorriu.

-Enquanto a Rita não acorda, podemos fazer um torneio de PS3 que vos parece? – Perguntou Luís animado. E Fábio ficou admirado, jogar na PS3 com o irmão de Rita e o pai? Seria estranho.

-Secalhar é melhor ir embora e volto mais tarde. Não quero incomodar.

-Meu menino, não digas disparates! Se te estamos a convidar é porque queremos que fiques cá e assim podes esperar para veres da Rita e dares-lhe um beijo, com juízo. – Ele entendera bem aquelas palavras, não queria nenhum romance entre eles, apenas uma bonita amizade.

-Sendo assim então aproveito! Obrigada. – Respondeu o jovem. Luís sentou-se ao lado de Fábio e Pedro foi ligar a consola e escolher o jogo.

- PES14 ou FIFA14? – Perguntou o irmão de Rita.

-Pedro acho que já és demasiado crescido para saber qual é o melhor. Mas vamos deixar a visita escolher. – Pedro e Luís olharam em simultâneo para Fábio em busca de uma resposta.

-O FIFA14 tem mais qualidade que o PES14. Mas vocês é que decidem!

-Está escolhido! – Pedro colocou o CD dentro da consola e ligou-a. Sentou-se no sofá entre os “homens” e pegou num comando e deu outro ao pai.

Fizeram um torneio entre os três e o vencedor foi surpreendente. No primeiro jogo, Luís conseguiu ter a derrota mais pesada do seu historial, 3-0. E Pedro conseguiu uma vitória deliciosa contra o seu próprio progenitor. Fábio preparava-se para uma tarefa difícil, mas confiante que iria vencer. Não foi humilhado, antes pelo contrário. Jogou melhor que Pedro mas falhava na finalização e pagou caro por isto, Pedro marcou um golo decisivo aos 74 minutos. Pedro com apenas 6 anos vencera Luís com 40 e Fábio com 19. Quando terminaram o jogo estava perto da hora de jantar e de Rita nem sinais. Estava ainda a dormir possivelmente.

-Rapaz, já tens planos para jantar?

-Não. Ia preparar algo para comer porquê? – Seria um convite para jantar?

-É que cá em casa só a Rita sabe cozinhar e a Bimby ainda está dentro de alguns caixotes que ainda não arrumamos. Por isso podíamos juntar o útil ao agradável e jantavas aqui, enquanto eras tu o cozinheiro.

-A última vez que a sua filha provou os meus cozinhados vomitou e ficou doente, por isso não me parece boa ideia para si e para o seu filho. – Fora desde aquela refeição que Rita começara a ficar enjoada e nauseada e Fábio sentia-se culpado por isso mesmo.

-Ela anda enjoada há alguns dias. Não é normal os enjoos e as náuseas  nela. Só come porque a obrigo e muitas das vezes vomita.

-Ela tem algum problema de saúde?

-Não sei. Já lhe disse para ir ao médico mas não quer. Teimosa! Sai mesmo ao pai! – Fábio e Luís soltaram um sorriso, estavam bem dispostos e ele já se sentia mais à vontade perto do pai da sua amiga, já não se sentia tão... Intimidado.

-O Pedro fica aqui a dizer-te onde estão as coisas que precisas e a pôr a mesa e eu vou ver da Rita. Não te importas?

-Não, esteja à vontade. Afinal a casa é sua!

Fábio começara a cozinhar com ajuda de Pedro, mas apenas para lhe indicar onde estavam os condimentos que necessitava, preparava algo rápido para o jantar, mas que lhes enchesse o estômago e também que Rita pudesse comer sem vomitar depois e ajudara também o pequeno a pôr a mesa. Luís voltou e dissera que Rita se juntava a eles depois de tomar um banho rápido. E os pensamentos de Fábio deixaram-se logo contagiar enquanto ouvia a água correr na casa de banho e o esquentador que se encontrava na cozinha funcionara. Imaginara Rita a tomar banho. Será que o seu corpo era tão belo como a sua personalidade? Será que demorava a tomar banho? Será que cantava? Não se podia desconcentrar por aqueles pensamentos, prometera a Luís que seria só amigo de Rita. E iria cumprir.
Acabou de cozinhar e colocou na mesa o resultado final. Esperou pouco tempo por Rita que apareceu na cozinha surpreendente como sempre. Vinha de pijama curto, devido à estação em que se encontrava mas com um casaco e umas meias compridas a tapar parte da sua pele. Vinha com o cabelo apanhado com um único elástico na parte de trás da cabeça e apesar de vir com uma cor diferente da que a vira sempre, estava bonita. Fábio correu até ela, abraçou-a e deu-lhe um beijinho na testa. Tinha saudades dela e pelo gesto de Rita, ela também tinha saudades dela. Trocaram dois dedos de conversa e foram jantar, e ao contrário do que era costume nos últimos dias,  Rita comeu pouco, mas não enjoou, nem vomitou. Só depois de Fábio se ir embora voltou para a casa de banho e vomitou, durante a noite inteira e o dia seguinte tornara-a um pouco melhor, mas não o suficiente. Enjoos, náuseas, agonios e tonturas, eram estes os principais adversários de Rita. Tinha uma enorme vontade de comer, mas os cheiros impediam e mesmo quando conseguia, acabava por vomitar tudo.

E Fábio nunca abandonou Rita. Esteve sempre do lado dela, dormiu ao lado de Rita, numa cama improvisada por si mesmo no chão ao lado da sua cama, e apenas deixava a sua beira quando tinha de ir treinar. Os amigos e colegas de equipa estranharam a sua ausência e ele apenas respondia que era uma amiga que estava doente, o que deu uma série de provocações e brincadeiras por parte dos colegas. Todos diziam que era aquela rapariga que o faria mudar, que ele já o estava a mudar e que nunca uma jovem dera tanto trabalho a conquistar como ela. Mas ele não dava importância, era uma amiga e precisava de cuidar dela.
No dia seguinte a Fábio ter conhecido o pai e irmão de Rita, depois de almoço, almoçaram e deitaram-se sobre a cama, tinha sido uma noite horrível, em que vomitara como nunca antes. E Fábio esteve ao seu lado. E mesmo assim o rapaz fora treinar apesar de não ter dormido nada e apenas foi, porque ela fez “chantagem” com ele. Quando não se sentia de bem para com a sua saúde, sentia... Solidão. Fábio estava sentado ao seu lado dela na cama e deveriam estar a ver televisão, pelo menos era isso que ele pensava. Rita confessou:

-Fábio, podes-me dar um miminho por favor? Quando estou assim quero todo o carinho e mais algum e estou a sentir-me só.

Será que Fábio irá fazer a vontade a Rita?

Será que vai cumprir a promessa que fez a Luís? Será que os enjoos se devem a alguma gravidez? 

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Capítulo 06: “É verdade que já muitas passaram pela minha vida!”


Fábio escutou atentamente a música e a letra que a compunha. Não conhecia a música, mas o artista era o seu preferido, desde que começara a ouvi-la que ganhou uma especial atenção. Não sabia o que Rita pensava dele, mas quanto a romances ela já lhe tinha dito de forma bastante clara e direta, mas nunca pensara que ela tinha uma música que o descrevia. Que se lembrava dele cada vez que a ouvi-a. Será que era apenas a imagem que ela tinha dele ou era o que os outros pensavam dele? Não sabia, mas queria saber. Olhou para ela, que esperava ansiosamente uma resposta, ou uma reação. Estava surpreendido com aquela música e aquela letra, estava surpreendido com tudo. Sorriu inicialmente e depois começou a rir-se, começou por ser um riso de nervosismo, para se tornar num riso alegre e descontraído. Rita pensava que ele tinha um sentimento de obsessão por raparigas, todo o tipo de raparigas? Realmente ele gostava de raparigas, gostava de sentir-se bem e fazê-las sentir bem, mas não as usava, criando esperanças e inventando mentiras para as enganar, deixava tudo bem claro desde o princípio. Já tinha namorado durante um mês com a sua atual melhor amiga, tiveram uma “curte” e sentiam-se especialmente bem um com o outro e começaram a namorar. A relação foi curta porque ele não gostava tanto dela como ela gostava dele. E ele não se queria “prender” a uma relação, não sabia como alimentar e cuidar daquela relação por isso terminaram o que os unia. Mas Fábio não se tinha verdadeiramente apaixonado, ao contrário de Tânia. Daquela relação restou apenas amizade.
Riu-se tanto que ficou com dores de barriga de tanto se rir, mas sempre acompanhado de Rita. Ela ria-se porque o riso dele fazia-a divertir-se e animar-se mas não compreendia porque é que ele se estava a rir tanto. Será que estava a “gozar” com ela? Era este o maior medo que ela vivia. Quando Fábio se conseguiu recompor do riso, endireitou a roupa e olhou Rita nos olhos. Estavam sentados lado a lado, e a diferença de alturas ainda era bastante, 27 centímetros de diferença que existiam mas sentados era um pouco menor. Ela olhava ligeiramente para cima e ele olhava ligeiramente para baixo. Aquele silêncio foi apenas interrompido pelas palavras de Fábio:

-Tu achas mesmo que sou viciado em mulheres? – Engoliu em seco. A opinião de Rita era importante mas também era importante saber a opinião geral das pessoas a seu respeito.

-Era mesmo isso que querias perguntar? Ou seria melhor perguntares porque razão é que me lembrava de ti a ouvir uma música? – Perguntou a jovem sem saber se devia sorrir ou ficar seriamente. Fábio ouviu a resposta em forma de interrogação dela e respondeu.

-Sim Rita. Era exatamente isto que queria perguntar. Tu achas mesmo que não consigo ver uma rapariga à frente e quero logo estar com ela? Que estou assim tão desesperado?

Rita ficou surpreendida, achava exatamente isso de Fábio, que era um rapaz que queria todas as raparigas “nas suas mãos”, mas não lhe poderia dizer de forma tão direta. Queria mas sabia que o iria magoar, por isso teria de o dizer de outra forma, de modo a não o magoar. Mas não sabia como o fazer. E Fábio queria uma resposta.

-Não... Sim... Não sei. – Perguntou nervosa e sem saber o que responder a Fábio. Queria não responder a Fábio mas não sabia o que dizer. Não o queria magoar.

-Rita. É essa a imagem que tens de mim? – Perguntou Fábio aproximando a sua face dela e com o olhar cravado nas suas expressões.

-Sim. – Respondeu baixando a face, por vergonha, por receio do que as suas palavras pudessem fazer, palavras que tinham mais impacto que uma facada espetada pelas costas. Ela não o queria magoar mas também não lhe iria mentir. Tinha medo de o magoar e preferiu não o olhar olhos nos olhos com medo de ver a desilusão no seu olhar.
Ele colocou o dedo indicador sobre o queixo dela e fê-la olhá-lo olhos nos olhos. Cruzaram os olhares e ele respondeu:

-Ouve as minhas palavras com atenção, quero deixar tudo bem claro contigo. Confias em mim Rita? – Perguntou Fábio e ela ficou num beco sem saída, se ela era direta e franca nas palavras que dizia, ele ainda conseguia ser mais.

-Sabes que não consigo dizer isso 24 horas depois de conhecer uma pessoa, não sou uma pessoa fácil de se convencer mas os meus instintos e o meu coração dizem que devo confiar em ti e já me deste provas disso mesmo. – Respondeu Rita sentando-se no colo dele.

-Então vou-te ser o mais frontal e dizer-te toda a verdade. – Pôs as mãos à volta da cintura de Rita e olharam-se. Não precisavam de mencionar palavras porque os olhos já o faziam, parecia que se conheciam há anos e no entanto conheciam-se há menos de 24 horas. – É verdade que já muitas raparigas passaram pela minha vida e delas secalhar só uma é que ficou. – Durante segundos Rita perguntara a si mesma quem seria. E de seguida, por telepatia talvez, ele respondeu. – Essa rapariga é a Tânia, a minha melhor amiga. Nós namoramos durante um mês porque estávamos felizes enquanto curtíamos um ao lado do outro, sentiamo-nos bem e decidimos começar a namorar. Mas não senti o que era mesmo esse sentimento de amar e ouve uma série de outros problemas que não permitiram que a relação continuasse. Ela amava-me, e eu não senti nada do que ela sentia por mim. Foi estranho. E quanto ás curtes confia no que te digo. Tenho 19 anos não me vou enfiar numa relação séria. Claro que apaixonar-me deve ser uma ser uma sensação brutal, algo novo mas tão bom mas  não quero sofrer, ter desgostos, sair magoado, criar expectativas que são totalmente falsas. Vou aproveitar a vida que o amor vai aparecer, até lá tenho aventuras que me fazem feliz e não são sérias. Mas deixo bastante claro desde o inicio de quais são os meus objetivos para a relação. Não gosto quando me fazem sofrer, não entendo porque faria os outros sofrer, não merecem, mas sei que mesmo sem querer faço sofrer ou com palavras ou com atitudes. – Respondeu e ela ficou admirada com as palavras dele. Não teria necessidade de lhe mentir, Rita já tinha deixado bem clara que por muito que ele tivesse segundas intenções não seriam de todo retribuídas  Por isso não havia necessidade de lhe mentir e apesar de se conhecerem somente há um dia já se davam como melhores amigos. Deu-lhe um beijo na testa e de seguida sentiu um estranho enjoo. Correu até á casa de banho onde vomitou, expulsando todo o seu jantar e Fábio correu atrás dela. Rita estava sentada no chão com um braço preso na sanita e embora já tivesse vomitado um forte enjoo atravessava o seu estômago e a sua barriga. Não era normal sentir aqueles enjoos, e muito menos de repente, sem razão aparente. Mas não tinha uma explicação lógica.

-Estás bem? – Perguntou ele entrando na casa de banho e deparando-se com Rita no chão. – Não vais ficar no chão frio, vou buscar-te uma almofada ou uma cadeira e vais sentar-te caso queiras ficar aí. Mas entretanto vais passar a tua carinha por água enquanto eu vou à cozinha buscar-te um copo de água para tirar esse sabor horrível que tens na boca.

-Eu estou bem! – Respondeu Rita fazendo com que o seu tom de voz demonstrasse frieza e um pouco de rudeza. – Não preciso da tua ajuda para nada, desenrasco-me bem sozinha! – Fábio sentou-se em frente a ela no chão e respondeu:

-Acabaste de vomitar sem razão aparente e os meus cozinhados não são assim tão maus! Mas olha que foi uma boa maneira de dizeres que cozinho mal! – Respondeu a rir-se. E ela deixou-se contagiar pelo seu riso.

-És muito engraçadinho tu! Vê lá se queres uma banana pela piadinha macaquinho!

-Estás a chamar-me macaquinho? Sabes o que é que os macaquinhos fazem? Cócegas! – Agarrou Rita e começou a fazer-lhe cócegas e ela só conseguiu responder segundos depois.

-Pára senão vomito para cima de ti! – Pediu Rita. E Fábio parou de lhe fazer cócegas e ela limpou as lágrimas de tanto se rir que deitava pelo olhos. – Espera aí que o meu telemóvel está a tocar. – Retirou do bolso das suas calças o seu telemóvel mas ainda tiveram tempo para ouvir o toque do telemóvel durante uns segundos.

Turn around, open your eyes (Dá a volta, abre os olhos)
Look at me now (Olha para mim agora)
Turn around, girl I've got you (Dá a volta, tenho-te a ti)
We won't fall down, yeah (E não vamos cair, sim)
We can see, forever from up here, yeah (Podemos ver a eternidade daqui, sim)
So long as we're together (Tão longo como continuarmos juntos para sempre)
Have no fear, no fear (Não tenhas medo, sem medo)



-É o meu pai, tenho de atender! – Carregou no botão verde do seu telemóvel e atendeu a chamada do pai. – Sim pai?

(...)

-Desculpa senti-me mal e perdemos a noção do tempo mas vou já para casa. Beijinho até já e desculpa. – Levantaram-se os dois do chão da casa de banho com ajuda em simultâneo do outro. E Rita ia falar mas ele antecipou-se:

-Podes-me dar o teu número?

-Quando aprenderes a cozinhar eu dou-te e mesmo assim tens de beber muito leitinho entretanto! – Disse divertida.

-A minha mãe disse-me que até sabia cozinhar bem por isso estás só a ser mázinha.

-Pronto é verdade! Cozinhas bem mas se vomitei foi por alguma razão.

-Pode ser uma gravidez. – Disse rindo-se Fábio, dissera-se inocentemente e apenas com a intenção de animá-la.

-Deus me livre e me guarde! – Respondeu entrando na brincadeira de Fábio. – Amanhã eu venho cá tocar-te à noite, não precisas do meu número mas agora vou indo. – Não lhe deu tempo para responder, deu-lhe um beijo na bochecha e foi-se embora sem haver tempo de resposta para ele reagir ou dizer alguma palavra.

Passaram-se dois dias e Rita não fora tocar a casa de Fábio, o que o deixara preocupado. Tinha saudades de falar e estar com ela mas também estava ansioso por saber em que estado se encontrava a saúde de Rita. Será que fora apenas um enjoo natural que acontecera uma vez ou continuara? Não tinha o número dela e também não lhe deixaria uma mensagem através do facebook, isso tornava-se pouco... Pessoal. Queria averiguar pelos seus olhos de como estava Rita e expulsar um receio. Talvez fosse algo que ele tivesse dito ou feito, mas por muito que tentasse chegar a uma conclusão não sabia. Por isso no final de tarde daquela quarta-feira foi tocar a casa de Rita, queria saber como ela estava, queria vê-la.
Tocou á campainha e um minuto depois um senhor com perto de quarenta anos abriu-lhe a porta, Fábio previu que fosse o pai de Rita. Mas sentiu-se envergonhado, estava á espera que fosse ela, mas iria dizer algo, queria saber de Rita, queria vê-la, falar com ela. Estar com ela.

Como será a conversa entre Fábio e o pai de Rita?

E o que terá Rita? Será uma gravidez?

domingo, 13 de outubro de 2013

Capítulo 05: (Girls) Can’t Say No



-Vou-te contar algo curioso que pelo menos acontece com a minha vida. – Disse sorrindo Rita. - Quando confio em alguém e sinto-me á vontade para desabafar com essa pessoa, chamo-lhe amigo. Não sei se contigo acontece o mesmo mas comigo é assim que as coisas funcionam. E não vou desabafar com uma pessoa que estava cheio de segundas intenções ainda há uma hora! – Ela respondia animada ao pedido de Fábio. Na verdade queria falar, queria ouvir uma segunda opinião e um conselho de um amigo. Mas tinha receio. Tinha medo que ele não fosse amigo de verdade, que mais uma vez fosse iludida e que a magoassem. Mas precisava urgentemente de um ombro amigo e Fábio estava a oferecer o seu.

-Apesar de nos conhecermos há pouco tempo, já sei algumas coisas sobre ti pequenina. – Talvez fosse um termo carinhoso que Fábio lhe tinha dado para demonstrar a sua amizade, ou fosse apenas o modo de lhe relembrar que era pequena ao seu lado. – E fica sabendo que só chamo amigos quando existe mesmo confiança. Mas sabes ultimamente tenho andado a adorar falar com estranhos, desabafar com eles. É como senão te criticassem. E não te julgassem.

-Os estranhos parece que nos ouvem melhor que os amigos. Quando soube que os meus pais se iam separar, a primeira coisa que fiz foi apanhar um autocarro e falar com estranhos, senti essa necessidade. Podes chamar-me maluca mas foi o que quis fazer. Mas nunca, nem por um segundo, deixar o meu irmão para trás. Ele foi comigo.

-Os teus pais separaram-se há pouco tempo?

-Assinaram os papéis do divórcio na semana passada. E nessa mesma semana acabei o namoro com o Tiago.

-A semana passada foi super complicada para ti! – Fábio estava demasiado surpreendido, ela tinha aguentado tudo aquilo numa semana e fazia a vida como se nada se passasse? Era uma verdadeira mulher de força! - Mas tu és forte! Do que sei de ti, sei que superas tudo e agora tens-me aqui a teu lado! – Ela sorriu. – E pensa em mim como um estranho e não como um amigo pode ser? Sentamo-nos lado a lado e fingimos que estamos num autocarro e que estavamos a conversar. – Rita sentou-se no sofá e deixou que ele se sentasse ao seu lado, as ancas tocavam-se mas nada que incomodasse qualquer um deles. – Preferes que seja eu a meter conversa ou tu?

-Já meteste tu primeiro! – Disse divertida Rita. – Então aqui vai! – Respirou bem fundo e continuou. – Ainda nem dezoito anos tenho e já posso dizer que atravessei uma das piores semanas da minha vida.

-Tu tens dezassete anos? – Perguntou surpreendido Fábio. Desde o primeiro segundo que a vira, dava-lhe no 16 anos, e celebrados recentemente. – Pensava que tinhas por volta de 16 anos!

-Faço 18 aninhos daqui a 3 semanas, a 23 de Setembro! Mas continuando. – Fábio voltou a olhar para a frente, como se olhasse para a estrada que o autocarro percorria. – Os meus pais sempre foram os meus heróis, a minha inspiração. Sempre foram o meu sonho e eu queria quando me casar, ser mãe e ter uma vida romântica tão boa como a deles. E de repente, apanhada desprevenida eles dizem-me que se vão divorciar. Senti como o meu mundo ruir, fiquei sem chão para caminhar. Chorei, senti-me culpada, tive vontade de fugir e ninguém mais me ver, vontade de não comer, de não tomar banho, de chegar a um estado tão profundo de não sentir nada. Mas fui arranjar forças ao meu irmão e á minha sobrinha, eles não me podiam ver assim, não podiam sofrer. Sempre que o Pedro ia para a escola, fechava-me no quarto a chorar, não conseguia comer, e sentia-me sem forças para fazer alguma coisa. Mas quando ele voltava, tinha de fingir que estava tudo bem comigo e animá-lo. Nunca deixei que ninguém me ajudasse, porque sempre quis mostrar que estava tudo bem. Fui passar uns dias a casa da minha avó, em Coimbra com o meu irmão, para ver se me sentia melhor. E consegui, sentir todo aquele ambiente que não é meu, mas sinto como se fosse. Foi como um renascer. A “velha” Rita morreu para renascer uma nova. Decidi voltar um dia antes do previsto para fazer uma surpresa ao Tiago, ao meu namorado, e quem me surpreendeu foi ele. Ele estava deitado sobre a cama e a Adriana por baixo, já estavam em roupa interior e eu vi aquilo. Eu vi-os a fazer amor e não impedi, não consegui ter voz para os impedir e ainda me destruiu mais o coração e pior foi explicar tudo ao Pedro. O meu irmão não entendeu bem o que se passava, mas entendeu que era uma traição. Senti-me vazia, senti-me desfeita, oca, culpada, só chorava. Merecia tudo o que se estava a passar. Merecia chorar e sofrer, secalhar não lhe tinha dado todo o valor que merecia e estava a pagar por isso. Por acreditar que tinha tudo um bom coração como eu. Acabei a minha relação com ele, que ainda se tentou desculpar, mas não havia justificação possível. E deixei de sentir simplesmente, não senti sofrimento, não queria chorar, não queria limpar as lágrimas, queria viver a minha vida como se nada se passasse, na verdade nunca chorei acompanhada, até ainda há pouco. O que fazia para sentir ainda um pouco de sentimento era apenas andar de moto, acelerando e chorando só em frente ao mar, onde as minhas lágrimas me pareciam pequenas e sem significado. Chorava imenso há noite, sozinha. O meu avô não estava a olhar por mim, não me estava a ajudar, ele devia-me ter ajudado. Devia-me ter impedido de sofrer o que sofri. – Rita levantou-se e foi até à janela e olhou para o céu. Fábio seguiu-a e colocou-se do seu lado. Ela continuou a falar.- Avôzinho, tu devias ter olhado por mim, proteger-me, podias ter impedido tudo, podias ter feito com que não sofresse tanto. Tantas lágrimas que derramei que podias ter-me feito ver, que não mereciam. Porque tiveste de separar os meus pais? Porque tinhas de me fazer perder o Tiago? Não estou desiludida contigo avô, sei que fizeste tudo por alguma razão. Mas havia tantas outras maneiras, não me devias ter abandonado tão cedo, preciso tanto de ti, meu homem! – O Fábio abraçou-a e ela voltou-se a perder nos braços dele. Os seus braços e o seu abraço faziam-na sentir novamente e por instantes de volta aos tempos em que o avô era vivo. E a protegia sempre que ela chorava com aquele abraço. A diferença de tamanhos era idêntica e isso fazia Rita sentir uma mistura agridoce de sentimentos. Por um lado era bom sentir os braços do avô, sentir-se protegida, mas não era bom sentir-se assim ao lado de Fábio. Era como um sentimento paternal que não a ligava ao pai mas sim ao avô. – Mas ele olha por mim no céu e ajuda-me! Ele é o meu ídolo, o meu herói, o homem da minha vida, o meu destino, o meu passado, o meu presente, ele é o que sou! E só quero deixá-lo orgulho! – Limpava as lágrimas que lhe corriam pelo rosto á camisola de Fábio, o que a fazia sentir ainda mais... Diferente. Por muito que houvesse aquele sinal de respeito e de amizade, ele era um homem. Ela não o podia negar e sentir o corpo dele tão próximo do seu, podia parecer um gesto de carência, mas era apenas os sentimentos de Rita a falar. Tinha-se habituado a sentir sempre um abraço, quando era mais nova do avô, mais tarde abraçava Pedro, e mais tarde era os braços de Tiago que eram o seu porto de abrigo. Agora, eram os de Fábio, que a faziam sentir bem. Pelo menos por hoje. E Fábio sentia-se bem em ajudar uma amiga, em ajudar quem precisava dele. Estava a cumprir o que prometera a si mesmo, ajudar Rita. A sua vontade era deitá-la na sua cama, cobrir o seu corpo com mantas e deixá-la dormir, beijar-lhe a testa e dar-lhe um beijo de boa noite bem doce na sua bochecha. Pode parecer um sentimento até doentio e estranho, mas era apenas um sentimento de proteção. Fábio não queria cruzar os seus lábios com os dela, talvez quisesse mas pensava que não sentia esse sentimento. Queria apenas fazê-la sentir segura e amada, e nos seus braços ele pensava que ela seria feliz.

-Rita. – Ela não tirou a cara do peito de Fábio, o perfume dele invandia-a e fazia-a sentir segura e ela não queria sair dali. Queria perder-se, enquanto se sentia bem nos braços de um amigo. – Pequenina. – Não resistiu em olhar para ele e sorrir. Mas sempre com as mãos cravas na camisola e no peito dele. Não conseguia sair de perto do seu porto de abrigo. Não era por ser um abraço do Fábio, até porque ela não o sentia como tal. Rita sentia aqueles braços como se fossem os do seu falecido avô. Naqueles braços, o mundo parecia perfeito e nada a atingia, ou magoava. E as feridas físicas nem deixavam cicatriz no seu corpo. – Tu és uma rapariga surpreendente. Não só surpreendeste todos os que te rodeavam como te surpreendeste a ti mesma. Superaste tudo. Ultrapassaste a pior semana da tua vida e continuas a sorrir. Mesmo quando queres chorar, quando estavas mal a tua preocupação foi o bem-estar dos outros. Fazer parecer que estava tudo bem contigo, quando não estava e conseguiste enganar toda a gente. Tu aguentaste o divórcio dos teus pais, que sempre admiraste com todas as tuas forças, mas sempre com a preocupação no teu irmão. Depois viste o Tiago a fazer o pior que podia ter feito, nós eramos amigos mas nunca esperei isto dele. Desculpa ser tão rude a dizer-te estas palavras, mas se ele te amasse não teria feito isto. Sei que não o deveria dizer porque nunca senti o amor, mas deve ser isso que o amor significa. Já li tanto, pesquisei e ouvi falar que já entendo um pouquinho. Admiro-te Rita, do fundo do coração, tu és um exemplo para toda a gente que te conheçe. Não te estou a crer conquistar, acredita. Desde que soube o que se passou, que senti que precisava de te ajudar e estou a seguir os meus instintos. Claro que me passou pela cabeça conquistar-te, mas neste momento quero conhecer-te melhor e sermos amigos. Quero ajudar-te, sinto que consigo, preciso apenas que me deixes. Quero ser teu amigo, quero que sejas minha amiga, que confies em mim. – Ele estava sentado e ela em pé á sua frente, ele esticou a mão para cruzar com a mão dela, que aceitou e fez os seus dedos cruzarem-se. Ela sentou-se ao colo dele, por autoconvite e Fábio encostou a sua cabeça ao ombro de Rita e ele começou a cantar baixinho, canção que Rita reconheceu de imediato e cantam juntos:

I got this feeling on the summer day when you were gone (Senti algo num dia de verão quando te foste embora)
I crashed my car into the bridge (Bati com o meu carro na ponte)
I watched, I let it burn (Vi e deixei-o arder)
I threw your shit into a bag and pushed it down the stairs (Atirei as tuas coisas de m#rda numa mala e mandei pela escadaria)
I crashed my car into the bridge (Bati com o meu carro na ponte)

I don’t care, I love it, I don’t care (Não quero saber, eu amo isto, não quero saber)

I got this feeling on the summer day when you were gone (Senti algo num dia de verão quando te foste embora)
I crashed my car into the bridge. I watched, I let it burn (Bati com o meu carro na ponte)
I threw your shit into a bag and pushed it down the stairs (Atirei as tuas coisas merd#s numa mala e mandei pela escadaria)
I crashed my car into the bridge (Bati com o meu carro na ponte)

You’re on a different road, I’m in the milky way (Estamos numa estrada diferente, eu estou na Via Láctea)
You want me down on earth, but I am up in space (Tu queres-me na Terra, mas eu estou lá em cima, no espaço)
You’re so damn hard to please, we gotta kill this switch (Tu és tão difícil de agradar, temos de acabar com isto)
You’re from the 70’s, but I’m a 90’s b*tch (Tu és tão anos 70 e eu sou tão anos 90, cabr#o)

I love it (Eu amo isto)
I love it (Eu amo isto)

I got this feeling on the summer day when you were gone (Senti algo num dia de verão quando te foste embora)
I crashed my car into the bridge. I watched, I let it burn (Bati com o meu carro na ponte)
I threw your sh*t into a bag and pushed it down the stairs (Atirei as tuas coisas de merd# numa mala e mandei pela escadaria)
I crashed my car into the bridge (Bati com o meu carro na ponte)

I don’t care, I love it (Eu não quero saber, eu amo isto)
I don’t care, I love it, I love it (Eu não quero saber, eu amo isto, eu amo isto)
I don’t care, I love it. I don’t care (Eu não quero saber, eu amo isto. Não quero saber)

You’re on a different road, I’m in the milky way (Estamos numa estrada diferente, eu estou na Via Láctea)
You want me down on earth, but I am up in space (Tu queres-me na Terra, mas eu estou lá em cima no espaço)
You’re so damn hard to please, we gotta kill this switch (Tu és tão difícil de agradar, temos de acabar com isto)
You’re from the 70’s, but I’m a 90’s b*tch (Tu és tão anos 70 e eu sou tão anos 90, cabr#o)

I don’t care, I love it (Não quero saber, eu amo isto)
I don’t care, I love it, I love it (Não quero saber, eu amo isto, eu amo isto)
I don’t care, I love it (Não quero saber, eu amo isto)
I don’t care, I love it, I love it (Não quero saber, eu amo isto, eu amo isto)
I don’t care (Não quero saber)



-Posso partilhar algo contigo? – Perguntou Rita receosa.

-Claro! – Disse Fábio. – Afinal para que servem os desconhecidos dos autocarros? – Perguntou enquanto trocavam um sorriso cúmplices os dois, seria um segredo só deles, algo que os unia. Uma brincadeira apenas deles. Nunca tinham partilhado aquela informação com alguém e tinham-na partilhado também com outra pessoa que não era amiga. O mais próximo que se poderia chamar era desconhecido, essa sim era a palavra que os descrevia, ou talvez não.

-Tonto! – Disse animada. – Prometes que não te chateias?

-É algo assim tão chocante?

-Um bocadinho! – Na realidade Rita tinha apenas medo de lhe dizer o que pensava e mais tarde o perder. Aos poucos estavam-se a tornar amigos, mas apenas um passo de cada vez.

-Agora é que me vais contar que fiquei curioso!

-Não digas que não te avisei! Onde tens o pc?
Fábio explicara-lhe onde tinha o seu computador e trouxe-o até à sala onde estavam, fez questão de lho ligar. Sentaram-se lado a lado e Rita sempre atenta para ver e mexer no computador de Fábio, talvez ali guardasse a lista das suas ex-namoradas, ou fotografias, ela queria apenas saber se ele curtava laços com elas e não passavam de números ou se tinham tido algum significado para ele, e através do computador talvez soubesse, mas não iria fazer nada para matar a sua curiosidade, mas não iria fazer isso, seria invadir a sua privacidade. Fábio estava curioso por saber o que Rita lhe iria dizer. Não iria ficar chateado com ela, por razão alguma. Ela ligou a internet e procurou uma música. Ele ficou surpreendido, como se poderia chatear com ela por causa de alguma música?! De certo não era uma declaração de amor, o que o esperava?

Wasn't looking for trouble, but it came looking for me (Não estava á procura de problemas, mas eles vieram ter comigo)
I tried to say no but I can't fight it she was looking lovely (Tentei dizer que não mas não consigo lutar se ela até parece amorosa)
She kinda reminds me of a girl I know (Ela faz-me lembrar uma rapariga que conheço)
This pretty young thing that I got waiting for me back at home (Essa coisa linda que ficou à minha espera lá em casa)

She's got my engines turning this happens every time (Ela põe o meu motor a funcionar e acontece cada vez que )
I see a pretty girl and I wanna make her mine (Vejo uma rapariga linda e quero fazê-la minha)
They send my rocket to the sky I want them (Enviam o meu foguete para o céu, eu quero isso)
But should I go for them, I'm like Houston (Mas devo ir com eles, sou como Houston)
I think we got a problem (Acho que temos um problema)
Problem problem problem, girls girls girls girls (Problema, problema, problema, raparigas, raparigas, raparigas, raparigas)

Girls girls girls I just can't say no (Raparigas, raparigas, raparigas, não consigo dizer que não)
Never see them coming I just watch them go (Nunca as vejo a chegar, só as vejo a partir)
Girls girls girls I just can't say no (Raparigas, raparigas, raparigas, não consigo dizer que não) 
Never see them coming I just wa-wa-wa-wa-watch them go (Nunca as vejo a chegar, só as vejo a partir)
Take control, making me sweat girl run that show (Toma controlo, faz com que a doce rapariga mande nesta festa)
It's them girls girls girls I just can't say no (É estas raparigas, raparigas, raparigas, não consigo dizer que não)
Houston I think we got a problem (Houston, penso que temos um problema)

Some girls are naughty some girls are sweet (Algumas raparigas são malcomportadas, outras são doces)
One thing they got in common (Uma coisa que têm em comum)
They all got a hold on me (Todas têm influência em mim)
Meet them at the party meet them in the street (Conheço-as na festa, conheço-as na rua)
Getting me in so much trouble but that's alright with me (Ponho-me em tantos problemas, mas está tudo bem comigo)

They got my engines turning this happens every time (Põe o meu motor a funcionar, e acontece cada vez)
I see a pretty girl and I wanna make her mine (Que vejo uma rapariga bonita e quero fazê-la minha)
They send my rocket to the sky I want them (Enviam o meu foguete para a lua e eu quero isso)
But should I go for them, I'm like Houston (Mas eu devo ir com eles, sou como Houston)
I think we got a problem (Penso que temos um problema)
Problem problem problem, girls, girls, girls, girls (Problema, problema, problema, raparigas, raparigas, raparigas, raparigas)

Girls girls girls I just can't say no (Raparigas, raparigas, raparigas, apenas não consigo dizer que não)
Never see them coming I just watch them go (Nunca as vejo a chegar, só as vejo a partir)
Girls girls girls I just can't say no (Raparigas, raparigas, raparigas, apenas não consigo dizer que não)
Never see them coming I just wa-wa-wa-wa-watch them go (Nunca as vejo a chegar, só as vejo a partir)
Take control, making me sweat girl run that show (Toma controlo, faz com que a doce rapariga mande nesta festa)
It's them girls girls girls I just can't say no (É aquelas raparigas, raparigas, raparigas. Não consigo dizer que não)
Houston I think we got a problem (Houston, penso que temos um problema)

Ohhhhhhh I think we got a problem (Ohhhhhh, Penso que temos um problema)
Looking like a model making me stare (Parecem modelos, fazem-me olhar)
All them pretty girls are standing right there (Todas as raparigas bonitas estão ali)
Doing that thing it's just not fair (Faz com que não seja justo)
How come all the pretty girls are up in here (Como é que todas as raparigas bonitas estão por aqui?)
Looking like a model making me stare (Parecem modelos, fazem-me olhar)
All them pretty girls are standing right there (Todas as raparigas bonitas estão ali)
Doing that thing it's just not fair (Faz com que não seja justo)
How come all the pretty girls are up in here? (Como conseguiram que todas as raparigas bonitas aqui tivessem?)

Girls girls girls I just can't say no (Raparigas, raparigas, raparigas, não consigo dizer que não)
Never see them coming I just watch them go (Nunca as vejo chegar, só as vejo a partir)
Girls girls girls I just can't say no (Raparigas, raparigas, raparigas, não consigo dizer que não)
Never see them coming I just wa-wa-wa-wa-watch them go (Nunca as vejo a chegar só as vejo a partir)
Take control, making me sweat girl run that show (Toma controlo, faz com que a rapariga doce mande nesta festa)
It's them girls girls girls I just can't say no (São estas raparigas, raparigas, raparigas, não consigo dizer que não)
Houston I think we got a problem (Houston, penso que temos um problema)

Problem problem problem (Problema, problema, problema)


-Sempre que ouvia esta música, lembrava-me de ti! Achava que a música te descrevia na perfeição, ou melhor a tua relação com as raparigas e as tuas “curtes” como lhe chamas. – Rita não poderia ter sido mais direta e franca.

Será que Fábio irá ficar chateado com Rita?

Como irá reagir? Será que é o fim da amizade que os começava a unir?