-Eu
tenho a certeza que não estou grávida, Fábio. – Disse
calmamente e segura das suas palavras.
-Como
é que tens tanto a certeza? Todos os sintomas apontam para uma gravidez.
-Se
confias em mim, acredita no que te digo. Não estou grávida. – Colocou-se à frente do seu amigo e abriu bastante os olhos quase como se o fizesse crer,
através do olhar, as palavras que dizia.
-Rita,
se estiveres grávida, o Tiago tem de assumir as vossas responsabilidades e o
“vosso erro”. Estão separados mas ele não deixa de ser pai e conheço-o como
conheço, não acredito que ele não o faça. E o teste pode sempre dar negativo.
Mas independentemente do resultado deste teste ficarei a teu lado. – Disse
tocando nas mãos de Rita e erguendo-as entre os seus abdomens. Olhou-a e
reparou no brilho no olhar da sua amiga, o sorriso envergonhado que ela tinha.
-Não
estou grávida, acredita no que te digo. Podem vir milhões de testes e provas de
gravidez que eu sei que não estou. – A jovem estava certa das
suas palavras e confiava nos seus sentimentos, emoções, pensamentos e
pressentimentos como nunca confiara a ninguém. Era-lhes fiel e nenhum teste de
gravidez ia mudar a sua forma de ser e estar com a vida. – Mas se tanto te deixa feliz, eu faço a porcaria do teste! – Disse
tirando das suas mãos o teste de gravidez, rude e apressadamente.
Fábio não teve tempo para responder porque ela agarrou
no teste, e foi em direção á casa de banho. Sentou-se no chão e começou a ler
as instruções daquele teste. Já sabia qual era o resultado mas se aquele teste
ia mudar alguma coisa na vida dela, seria a relação com Fábio. Fê-lo e esperou
durante alguns minutos pelo resultado. Resultado: negativo. Vomitou mais uma
vez e saiu da casa de banho com o teste na mão.
Aproximou-se de Fábio e atirou o teste contra o seu
peito. Conseguiu apanhá-lo e Rita disse:
-Confias mais
nessa porcaria do que em mim e aqui tens a tua resposta.
-É
negativo? –Perguntou
olhando para o exame, sem saber se a sua desconfiança estava certa ou errada.
-Sim.
Sempre soube que não estava grávida e tu não confiaste em mim. É assim que
queres que fiquemos amigos? – Perguntou desiludida com a
atitude de Fábio, pensava que ele confiava nela como ela confiava nele. Como
amigo que dizia ser.
-Desculpa...
– Disse
Fábio sentindo-se humilhado e desiludido com a sua própria atitude. – Tudo apontava para que estivesses grávida.
– A sua amiga também se sentia magoada, sentia que ele não confiava na sua
palavra.
-Sai da minha
casa por favor! – Pediu ela.
-O quê? – Perguntou
admirado.
-Sai! – Disse
tentando demonstrar calma mas do seu olhar não conseguia esconder a raiva e a
mágoa que sentia naquele momento por ele. – Neste momento não consigo olhar para ti. Por favor sai da minha casa. –
Tremia nervosa pelo que estava a fazer mas também por dizer aquilo a Fábio,
gostava dele, confiava nele e era seu amigo, mas naquele instante não conseguia
vê-lo, nem estar próxima dele.
-Estás a tomar
uma decisão precipitada. – Disse calmamente ele.
-Não quero
saber. Cada segundo que aqui estás fico mais nervosa e chateada! Desiludiste-me
e eu preciso de tempo para esquecer e perdoar.
-Desculpa.
– Pediu
novamente Fábio. – Dou-te o tempo que
quiseres. Mas não te esqueças que sou teu amigo e não vou abdicar da nossa
amizade, por causa de um erro que cometi e estou arrependido. – Ele
encaminhou-se para a saída de casa de Rita e estava já a abrir a porta enquanto
perguntou. – Posso pelo menos dar-te um
beijinho de despedida?
Ela correu até ele e deram um abraço apertado e
sentido. Ele beijou-lhe suavemente a testa e ela deu-lhe um beijo na bochecha.
Apesar de magoados, não podiam ficar sem ter o mínimo de miminho um do outro. Fábio
abriu a porta e foi-se embora, não sem antes trocarem mais um olhar e um
sorriso.
(Passado alguns dias)
Os enjoos de Rita foram-se embora tão rápido como
vieram, a desconfiança de Luís, pai dela estavam certos. O seu problema não era
nenhuma gravidez como Fábio pensara, mas sim problemas de estômago. Mas também
problemas de saúde. Rita jogava futebol feminino e abdicou desta modalidade
para poder recomeçar a sua vida do zero, mas a vida já lhe pregara uma partida.
O desporto já lhe provocara lesões físicas. Miopatia é quando as fibras musculares (células que constituem os músculos)não funcionam algumas vezes e
resultam emfraqueza muscular.E desenvolveu uma outra
doença. A gastroparesia. Que é a diminuição da força de contração do músculo do estômago, ou um uma lentificação na passagem de alimentos pelo estômago. E
apesar dos vómitos não serem um dos sintomas habituais da doença, a Rita
acontecera este facto. Quando a miopatia tinha de optar por receber massagens
na zona afetada (barriga), fazer fisioterapia, ou acupunctura. Ela optou por fazer fisioterapia, assim sempre conseguia ficar em boa forma física, porque
não a deixavam praticar desportos durante alguns meses. Quanto à gastroparesia,
receitaram uns medicamentos que ela tinha de tomar até ao final da
fisioterapia.
Já começara a tomar os antibióticos e já tinha ido à primeira fisioterapia e marcado as seguintes sessões. As dores eram mais fracas
e mais curtas e aos poucos já conseguia comer, sempre em pequenas doses. Já
conseguia cozinhar, continuava era a não se sentir á vontade com os cheiros da
comida.
Mas entretanto Fábio não sabia que tinha já tido ido ao
médico e que já começava a melhorar, sentia-se humilhado pelas suas atitudes e
ia pedir desculpa a Rita por ter duvidado da sua palavra. Não sabia como ela
tinha tantas certezas em relação à sua “não-gravidez”, mas a rapariga estava
certa e ele devia ter-lhe dado razão. Não devia tê-la obrigado a fazer o teste
de gravidez, devia ter confiado nas palavras dela, confiava, mas os seus
pressentimentos falaram mais alto e ele acreditou neles, mais do que na própria
amiga.
Já passava da hora de jantar e Fábio ia falar com Rita.
Iria cumprir a promessa que fizera a Luís, cuidar de Rita enquanto amiga e
mesmo que ela não quisesse falar com ele, ia arriscar, não iria desistir
daquela amiga e ia relembrá-la que eram amigos, e continuariam a sê-lo. Já
errara antes e iria errar mais vezes, mas estava arrependido e iria pedir
desculpa, acreditava que iria conseguir que Rita aceitasse o seu pedido de
desculpa. Jantara em casa de Bernardo Silva, seu colega de equipa e estava a
voltar a casa, mas antes ainda passava pela casa da sua vizinha e amiga.
Mas quando chegou ao corredor de sua casa, avistou duas
pessoas e nenhuma delas era de todo desconhecida. Era a sua amiga Rita e o seu
(também) amigo Pedro Rebocho, jogador nos júniores do Benfica.
(É este o rapaz!)
Fábio ficou surpreso. Não sabia que eles se conheciam e
muito menos que ele sabia onde ela morava. Podia ser excentrismo mas pensara
que Rita estava apenas dependente dele e da sua amizade e aquela surpresa era
agridoce. Por um lado era bom saber que ela tinha amigos para além de si,
porque merecia ser feliz, por outro lado sentia-se mal, porque aquele
sentimento de exclusividade, nem que fosse enquanto amigos e saber que ela
podia contar com mais apoios para além do seu, não lhe agradava. Mas o melhor
de Rita era a sua prioridade, mesmo á frente do seu próprio desejo.
A diferença de alturas entre Pedro e Rita não era tão
exagerada como a que existia entre Rita e Fábio. Entre Pedro e Rita existiam 12
centímetros a diferenciá-los, apenas entre o metro e sessenta dela e o metro e
setenta e dois dele, enquanto a diferença de tamanhos entre ela e Fábio era de
vinte e sete centímetros. Era mais fácil Pedro chegar até aos lábios de Rita,
do que Fábio..
Foi surpreendido por uma atitude do seu amigo.
Pedro tocou com os seus lábios nos lábios de Rita.
Como irá reagir
Fábio a este momento?
Irá pedir desculpa
a Rita? E como ficará a história de Pedro e Rita?
Fábio ficou surpreendido
pelo estranho pedido de Rita, mas sorriu. Fora inocente o pedido e explicara as
suas razões mas a mente do jovem trocidara-o, queria levá-lo para caminhos que
ela não queria e ele tentava afastar aqueles pensamentos ao máximo. Queria
desfrutar de uma amizade sem segundas intenções. Perguntou:
-Tens a certeza? Não quero outras interpretações nossas
ou mesmo do teu pai. – Respondeu nervoso,
lembrando-se do que dissera ao pai da sua amiga. Sabia que Rita o conhecia, que
reconhecia o seu estilo. Ele não era homem de se apaixonar e de ter relações
sérias e ela sabia melhor que ninguém, já conversaram mais que uma vez sobre esse
assunto. Ele tinha medo do rumo que aqueles mimos pudesse levar, mesmo que
inocentes. Queria que ela permanece-se na sua vida, como amiga.
-Não entendi essa do meu pai, mas adiante. – A jovem não fazia ideia
de que Fábio prometera ao seu pai tomar conta dela, enquanto amigos e nada mais.
– Já somos crescidinhos o suficiente
para distinguirmos a amizade do amor. Além do mais não há segundas intenções.
Pelo menos da minha parte. – Disse frisando bem a sua posição.
-Da minha parte igual. – A amizade entre eles estava mais forte não só a cada
dia que passavam juntos mas como a cada olhar trocado, a cada palavra dita e a
cada atitude, mesmo que involuntária. Começavam a moldar o seu feitio de forma
a conseguirem manter uma amizade e á forma de ser e estar com a vida. Fábio
vi-a como amiga, sem intenção de vir a ser mais uma conquista na sua (longa)
lista, e Rita começara a abrir o coração para Fábio e vi-a nele um amigo, em
quem podia apoiar-se e recuperar de tudo o que lhe acontecera. – Chega-te mais para junto de mim, minha
doentinha. – A rapariga aproximou-se dele e Fábio encostou os ombros à
parede e deixou as costas num ângulo de 75º e com este gesto ficou com os pés
fora da cama e ambos soltaram um sorriso.
-Quem te manda seres enorme? – Perguntou ela sorrindo deparando-se
aquele particular momento.
-Quem te manda seres pequena? – Respondeu ele também de pergunta.
-A mulher é como a sardinha só se quer é pequenina! – Rita deixou-se
deslumbrar durante uns segundos pelo sorriso de Fábio. Não podia negar a si
mesma que ele era bastante atraente e bonito e o sorriso levava-o ao extremo da
sua beleza. – Posso encostar-me ao teu
ombro? – Perguntou depois de afastar aqueles pensamentos que ela não queria
ter, não estava interessada em ter relações sem ser de amizade com qualquer
outro rapaz, nem sérias, nem menos sérias e não com um rapaz que era, de
momento, o seu único amigo.
-Encosta! – Colocou
a palma da mão sobre o fundo das costas de Rita e fez uma ligeira pressão para
ela se aproximar dele e ela obedeceu-lhe. Encostou a cabeça entre o seu peito e
o seu ombro e deixou-se ficar. Era bom sentir-se protegida, sentir que gostavam
dela e a apoiavam. E Fábio, o seu único amigo, apoiava-a e estava ao lado dela
quando precisasse, já dera provas disso. Pela primeira vez Rita sentiu de
perto, o perfume de de Fábio e gostou. Era um bom cheiro, não era exagerado e
era viciante, quanto mais cheirava, mais queria cheirar. Ouvia o seu coração a
palpitar não muito feroz e acalmava-a.
Ele colocou a sua mão na
cabeça de Rita, entre os cabelos e começou a massajá-los. Queria mimá-la e
fazer com que ela não se sentisse sozinha, iria satisfazer o pedido de Rita mas
também a pensar na promessa que fizera a Luís. Desligou a televisão e ela
sussurrou:
-Amo que me mexam no cabelo! – Disse a jovem doente com os olhos
fechados e a sorrir, mas ele apenas consegui-a ver o sorriso da amiga.
-E eu amo mexer nos cabelos dos outros! – Ela sentia-se protegida e
ele sentia que estava a cuidar da amiga, era um gesto de amizade e de carinho. –
Agora fecha os olhos e deixa-me mimar-te
que bem precisas de miminho! – Afirmou inocentemente.
-Mas com juízinho menino. – Sorriram e ele deixou-se ficar deitado e
a fazer leves cócegas na cabeça de Rita e ouvia-a a respiração dela. Durante
alguns minutos, ele continuou a massajar a cabeça de Rita e a sentir os fios de
cabelo dela tocarem na sua pele, a respiração de Rita tornou-se mais pesada e
Fábio olhou para ela, tinha adormecido. Estava a dormir carinhosamente e
pacificamente.
Os lábios dela pareciam
mais carnudos e atraentes enquanto dormia e o desejo dele era de tomá-los como
seus mas deixou o seu desejo acalmar e fez uma leve festinha sobre a bochecha
dela e admirou-a durante segundos. “Como
conseguia ser uma pessoa tão forte depois de tudo o que lhe acontecerá?”, “Porque tentava demonstrar que estava sempre
tudo bem quando sentia o seu mundo a desabar?”, “Porque Rita se tinha afastado
de tudo e de todos, inclusivé mãe, família e amigos?”, “Será que ela o
considerava mesmo seu amigo?”, “Porque Rita o admirava tanto ao ponto de teres
fotos suas no seu quarto?”. Tantos pensamentos invadiram a sua cabeça e ele
queria saber todas as resposta mas acabou também por adormecer. Os corpos de
ambos tombaram sobre as mantas e os pés de Fábio ficaram ainda mais fora da
cama.
-Maria Rita!- Ouviu-se uma voz grave dizendo o nome da jovem. Ambos
acordaram sobressaltados, ela deu um salto assustado e ela sentou-se de
imediato na cama, e segundos depois ele seguiu-lhe o exemplo. Era o pai de Rita
que a tinha chamado e também revelou o primeiro nome da jovem, só o utilizava
quando estava deveras chateado ou desiludido com ela. – Com que então deixo os meninos sozinhos em casa e já me deparo com
situações destas! Ao menos estão vestidos, mal menor! – Tentara ver aquele
momento de forma engraçada mas Fábio sentia-se extremamente envergonhado e
desconfortável com aquela situação. Rita estava embaraçada por ter sido
revelado o seu primeiro nome mas não estava nervosa, sabia que nada entre eles
tinha acontecido e queria explicar tudo o que acontecera ao seu pai.
-Não é nada disso que estás a pensar! – Disse Rita calmamente.
-Filha, achei que arranjavas uma desculpa melhor do que essa! Toda a
gente diz isso Rita! – O jovem rapaz não entendia se estavam a falar
descontraidamente e a brincar ou se estavam a falar como se fosse algo um tema
sério. Ainda não conhecia as expressões faciais e corporais de nenhum para
entender. – Pensava que ias cumprir a
tua promessa Fábio! – Ele pensava que era um segredo entre o jovem e o pai
da amiga e que Rita não tinha de o saber mas com aquelas palavras tinha
revelado aquele segredo, pelo menos para o que o rapaz tinha pensado.
-De que promessa é que estão a falar? – Perguntou sem sabendo que conversa era aquela entre
eles. Fábio se pudesse tinha mudado o tema da conversa mas não conseguiu. E
também não queria que a amiga desconfiasse da sua palavra.
-Prometi que ia apoiar-te e cuidar de ti, Ritinha. Mas apenas enquanto
amiga.
Rita levantou-se da cama e
correu até à casa de banho, onde voltou mais uma vez a vomitar. Quem estava no
quarto com Rita seguiu-a. Começava a ser um hábito os enjoos da jovem. E isso
preocupava Luís... E Fábio. Luís queria levá-la ao médico para saber o que se
passava com ela, e mais tarde medicá-la para melhorar e ia reagir, não ia
deixá-la continuar assim, não lhe fazia bem, antes pelo contrário, um dia
melhorava, outro dia piorava e todos os que a rodeavam estavam preocupados.
Fábio continuava com o seu pensamento bem firme. Rita estava grávida e iria
convencê-la a fazer um exame de gravidez.
Luís acompanhou a filha
até á casa de banho e Fábio ficou á porta, deveras preocupado. Quando tomou uma
decisão importante, saiu de casa e foi até á farmácia mais próxima. Comprou um
teste de gravidez e voltou para casa da amiga. Se as suas suspeitas se
confirmassem não haveria solução para o problema de Rita, apenas esperar pelo
final dos nove meses ou esperar que os enjoos da gravidez passassem com o
decorrer dos meses e com o crescer da barriga. Estava separada do pai do seu
filho e de certeza que o bebé era tudo menos pensado, ele não sabia se Rita
poria sequer a hipótese de abortar ou dá-lo para adoção. Fábio iria apoiá-la
fosse em que decisão fosse, era seu amigo e iria apoiá-la e se ela estivesse
mesmo grávida e Tiago não quisesse assumir o bebé, talvez ele ajudasse Rita,
não enquanto pai, mas quase como um segundo pai. E mesmo que ela não tivesse
grávida ia apoiá-la. Voltou para casa da amiga e tocou à campainha, quem a
abriu foi a jovem. Cumprimentou-a e disse:
-O teu pai? – Perguntou ele.
-Insistiu comigo que estes enjoos não são normais e foi marcar uma
consulta no médico para ver o que tenho. E depois vai buscar o Pedrito. E tu
que pressa foi aquela que saíste e não disseste nada?
-Estou desconfiado que não é um problema de saúde que
tens, mas sim algo que pode não te agradar nada.
-Não estou a apanhar o teu raciocínio. – Não estava a compreender as palavras de Fábio e queria
acompanhar os seus pensamentos e não iria desistir até o saber.
-Todos os teus sintomas apontam para uma gravidez! – Ela ficou sem reação possível, ficou simplesmente
boquiaberta. – Andas sempre enjoada,
vomitas algumas das vezes, e os suores frios, tudo aponta para uma gravidez. – Fez
uma breve pausa. – Tens aqui um teste de
gravidez, se faz favor, vais fazê-lo. – Ordenou Fábio.
Será
que Rita vai fazer o teste de gravidez?
Será
que está grávida? E como afetará a relação destes dois?
-Boa tarde senhor... – Não sabia qual era o seu nome, nem qualquer
tipo de informações sobre ele. Apenas que estava na mesma casa em que vivia
Rita, mas esta informação não lhe dava certezas de quem era aquele homem.
Apenas sabia que não era o irmão de Rita. – Desculpe incomodá-lo mas tive de vir tocar à sua porta por uma questão
de força maior.
-Entra rapaz! – Deixou
espaço para Fábio entrar para dentro de casa de Rita. Era algo tão íntimo e
pessoal, era invadir o espaço pessoal de alguém, em especial o novo lar daquela
família que vivia ali tão recentemente. Ele entrou envergonhado e devagar. O
senhor não se deixou intimidar e continuou a caminhar e Fábio seguiu-lhe.
Entraram numa divisão, a sala de estar daquela família. Mais ou menos com o
mesmo comprimento da sua, mas era bastante visível a mudança recente.
-Desculpa lá, esqueci-me completamente de me apresentar! – Esticou a
mão a Fábio que rapidamente lhe retribuiu o gesto e deram um “passou-bem”. – Chamo-me Luís e sou pai da Rita, da Diana e
do Pedro. E tu sei que és o Fábio Cardoso. – Sentaram-se no sofá e a falta
de conforto de Fábio era bastante clara, ele estava envergonhado com toda
aquela situação.
-Sim. Exatamente! – Respondeu Fábio com as pernas abertas e com as
mãos pousadas sobre o meio das mesmas e coçando as mãos, não sabia o que dizer.
Não queria parecer rude ou mal educado mas também queria perguntar pela sua
amiga.
-Rapaz não me trates por você que só tenho 40 anos, não me faças sentir
ainda mais velho que já estou! Ainda me faltam 25 anos para a reforma! – Disse
animado. – Trata-me por tu e por Luís,
não há cá rodeios ou medos.
-Pois. – A
situação não era em nada a desejada por Fábio e deixava tudo bem claro. – Vou tentar tratá-lo com respeito e não
fazê-lo sentir mais velho! – Pela primeira vez desde que se tinha cruzado
com aquele senhor que conseguiu sorrir e foi um sorriso retribuído.
-Já me falaram muito de ti.
-A sério? Posso perguntar porquê? – Ficou admirado. Será que tinha sido Rita a falar com o
seu pai? Ou teria sido outra pessoa?
-Podes e deves! – Luís era um homem que fazia tudo para deixar Fábio
menos envergonhado do que estava e o divertimento era uma palavra-chave. – Como a Rita sou viciado no Benfica e sigo
tudo! Acompanho a tua carreira desde que chegaste ao Benfica e devo dizer que
se lutares terás um enorme futuro pela frente, mas não é com aquele treinador
do Benfica que vais ter oportunidades infelizmente! E não é com o cepo do
Jardel que vais aprender, aliás tu é que lhe vais ensinar o que faz um patrão
da defesa! – Confessou Luís. E Fábio teria de responder ás suas palavras.
Nem que fosse para agradecer o apoio.
-Muito obrigada pelo apoio! – Disse com um sorriso nos lábios a
transbordar orgulho no que acabara de ouvir. -É bom saber que dão valor ao meu trabalho, não só no jogo, mas como o
trabalho diário dos treino. Esforço-me por não desiludir os meus fãs, por
demonstrar aos benfiquistas e a todos que a formação do Benfica tem qualidade e
que tem é de nos ser dadas oportunidades. Porque iremos provar o nosso valor e
eu acredito que com esforço e um pouco de sorte irá chegar à minha oportunidade
na equipa A. Sinceramente enquanto jogador não tenho razões de queixa nem do
Jorge Jesus nem do Jardel. O mister tem seguido a carreira de cada jogador da
minha equipa e aos poucos vai apostando em nós. Enquanto benfiquista acho que
apesar de já ter dado muito ao clube, a equipa já não está com ele, mas também
não podemos pedir-lhe para sair nesta altura do campeonato! Era entregar o
título aos adversário e só faria mal ao clube. E quanto ao Jardel, é um bom
central, com experiência e idade, não tenho nada a apontar-lhe. – Estavam a
discutir futebol e a trocar opiniões. Fábio nunca desistia da sua opinião mas
talvez na conversa com Luís, dê-se por fim o braço a torcer.
-Sabes filho. A minha filha tinha razão, pelas tuas palavras entendi que
tens as tuas ideias fixas e que és lutador. Só te posso desejar as maiores
felicidades e de preferência junto à minha filha. Ela não te quer dizer mas
aqui entre nós, ela simpatizou contigo. – O sorriso ingénuo e puro de Fábio
voltou a surgir nos seus lábios, era um sorriso de felicidade e orgulho. Tinha
falado com o pai sobre ele e tinha gostado dele.
-Também gosto muito da sua filha! Foi uma pessoa que me
cativou desde que começamos a falar! – Confessou.
-Mas tem cuidado rapaz, ela saiu de uma relação longa recentemente, e eu
e a mãe dela separamo-nos e tudo à pouco tempo. Não te precipites em relação a
ela por favor. Neste momento precisa de um amigo. – Estavam a ter uma
conversa entre dois homens adultos. Falavam de Rita não como um objeto, mas
enquanto pessoa sensível mas que demonstrava ser forte, que tinha passado por
muito durante a sua vida e nunca desistira de lutar.
-Ela já me deixou bem claro que só quer uma amizade e eu farei tudo para
a apoiar, para ser seu amigo. Por estar do seu lado e de apoiá-la, sem segundas
intenções esteja descansado. – Eram aquelas as palavras que Luís queria
ouvir. Não queria a sua “menina” novamente magoada por causa de um “estupor”
sem sentimentos que só a queria magoar, queria garantir-se que a filha estava a
recompor-se de duas infelicidades e iria ser feliz, como merecia.
-Vou confiar em ti rapaz! – Deram um aperto de mão, simbólico
Apenas simbolizando a promessa que fizeram entre ambos. – Podia levar-te ao quarto da Ritinha mas ela tem andado enjoada há dois
dias e está a dormir.
Entretanto apareceu um
rapaz com 6 aninhos naquela divisão. Seria aquele o irmão de Rita?
-Olá! – Esticou a mão a Fábio que foi retribuído. – Chamo-me Pedro Madeira e tu?
-Fábio Cardoso. – O
menino tinha algumas semelhanças com Rita, os olhos esverdeados e alguns
caracóis mais irrequietos, o sorriso característico e uma simpatia enorme.
-Pápá não é do Fábio que a mana tem as fotos no quarto? – Surpreendido
talvez fosse uma palavra fraca para descrever a reação de Fábio. Admirado, essa
era talvez a palavra correta.
-Pedrito, isso não era suposto o Fábio saber. – Respondeu o pai ao
filho.
-Desculpa pai! – Disse o menino envergonhado. – Fábio, a mana não tem fotos tuas no quarto! – Tentou resolver a
situação em que se metera mas não havia solução. Fábio apenas sorriu.
-Enquanto a Rita não acorda, podemos fazer um torneio de PS3 que vos
parece? – Perguntou Luís animado. E Fábio ficou admirado, jogar na PS3 com
o irmão de Rita e o pai? Seria estranho.
-Secalhar é melhor ir embora e volto mais tarde. Não quero incomodar.
-Meu menino, não digas disparates! Se te estamos a
convidar é porque queremos que fiques cá e assim podes esperar para veres da
Rita e dares-lhe um beijo, com juízo. – Ele
entendera bem aquelas palavras, não queria nenhum romance entre eles, apenas
uma bonita amizade.
-Sendo assim então aproveito! Obrigada. – Respondeu o jovem. Luís sentou-se ao lado de Fábio e
Pedro foi ligar a consola e escolher o jogo.
- PES14 ou FIFA14? – Perguntou o irmão de Rita.
-Pedro acho que já és demasiado crescido para saber
qual é o melhor. Mas vamos deixar a visita escolher. – Pedro e Luís olharam em simultâneo para Fábio em busca
de uma resposta.
-O FIFA14 tem mais qualidade que o PES14. Mas vocês é
que decidem!
-Está escolhido! – Pedro
colocou o CD dentro da consola e ligou-a. Sentou-se no sofá entre os “homens” e
pegou num comando e deu outro ao pai.
Fizeram um torneio entre
os três e o vencedor foi surpreendente. No primeiro jogo, Luís conseguiu ter a
derrota mais pesada do seu historial, 3-0. E Pedro conseguiu uma vitória
deliciosa contra o seu próprio progenitor. Fábio preparava-se para uma tarefa
difícil, mas confiante que iria vencer. Não foi humilhado, antes pelo
contrário. Jogou melhor que Pedro mas falhava na finalização e pagou caro por
isto, Pedro marcou um golo decisivo aos 74 minutos. Pedro com apenas 6 anos
vencera Luís com 40 e Fábio com 19. Quando terminaram o jogo estava perto da hora
de jantar e de Rita nem sinais. Estava ainda a dormir possivelmente.
-Rapaz, já tens planos para jantar?
-Não. Ia preparar algo para comer porquê? – Seria um convite para jantar?
-É que cá em casa só a Rita sabe cozinhar e a Bimby ainda está dentro de
alguns caixotes que ainda não arrumamos. Por isso podíamos juntar o útil ao
agradável e jantavas aqui, enquanto eras tu o cozinheiro.
-A última vez que a sua filha provou os meus cozinhados
vomitou e ficou doente, por isso não me parece boa ideia para si e para o seu
filho. – Fora desde aquela refeição
que Rita começara a ficar enjoada e nauseada e Fábio sentia-se culpado por isso
mesmo.
-Ela anda
enjoada há alguns dias. Não é normal os enjoos e as náuseas nela. Só come
porque a obrigo e muitas das vezes vomita.
-Ela tem algum problema de saúde?
-Não sei. Já lhe disse para ir ao médico mas não quer.
Teimosa! Sai mesmo ao pai! – Fábio
e Luís soltaram um sorriso, estavam bem dispostos e ele já se sentia mais à vontade
perto do pai da sua amiga, já não se sentia tão... Intimidado.
-O Pedro fica aqui a dizer-te onde estão as coisas que precisas e a pôr
a mesa e eu vou ver da Rita. Não te importas?
-Não, esteja à vontade. Afinal a casa é sua!
Fábio começara a cozinhar
com ajuda de Pedro, mas apenas para lhe indicar onde estavam os condimentos que
necessitava, preparava algo rápido para o jantar, mas que lhes enchesse o estômago e também que Rita pudesse comer sem vomitar depois e ajudara também o
pequeno a pôr a mesa. Luís voltou e dissera que Rita se juntava a eles depois
de tomar um banho rápido. E os pensamentos de Fábio deixaram-se logo contagiar
enquanto ouvia a água correr na casa de banho e o esquentador que se encontrava
na cozinha funcionara. Imaginara Rita a tomar banho. Será que o seu corpo era
tão belo como a sua personalidade? Será que demorava a tomar banho? Será que
cantava? Não se podia desconcentrar por aqueles pensamentos, prometera a Luís
que seria só amigo de Rita. E iria cumprir.
Acabou de cozinhar e
colocou na mesa o resultado final. Esperou pouco tempo por Rita que apareceu na
cozinha surpreendente como sempre. Vinha de pijama curto, devido à estação em
que se encontrava mas com um casaco e umas meias compridas a tapar parte da sua
pele. Vinha com o cabelo apanhado com um único elástico na parte de trás da
cabeça e apesar de vir com uma cor diferente da que a vira sempre, estava
bonita. Fábio correu até ela, abraçou-a e deu-lhe um beijinho na testa. Tinha
saudades dela e pelo gesto de Rita, ela também tinha saudades dela. Trocaram
dois dedos de conversa e foram jantar, e ao contrário do que era costume nos
últimos dias, Rita comeu pouco, mas não
enjoou, nem vomitou. Só depois de Fábio se ir embora voltou para a casa de
banho e vomitou, durante a noite inteira e o dia seguinte tornara-a um pouco
melhor, mas não o suficiente. Enjoos, náuseas, agonios e tonturas, eram estes
os principais adversários de Rita. Tinha uma enorme vontade de comer, mas os
cheiros impediam e mesmo quando conseguia, acabava por vomitar tudo.
E Fábio nunca abandonou
Rita. Esteve sempre do lado dela, dormiu ao lado de Rita, numa cama improvisada
por si mesmo no chão ao lado da sua cama, e apenas deixava a sua beira quando
tinha de ir treinar. Os amigos e colegas de equipa estranharam a sua ausência e
ele apenas respondia que era uma amiga que estava doente, o que deu uma série
de provocações e brincadeiras por parte dos colegas. Todos diziam que era
aquela rapariga que o faria mudar, que ele já o estava a mudar e que nunca uma
jovem dera tanto trabalho a conquistar como ela. Mas ele não dava importância,
era uma amiga e precisava de cuidar dela.
No dia seguinte a Fábio
ter conhecido o pai e irmão de Rita, depois de almoço, almoçaram e deitaram-se
sobre a cama, tinha sido uma noite horrível, em que vomitara como nunca antes.
E Fábio esteve ao seu lado. E mesmo assim o rapaz fora treinar apesar de não
ter dormido nada e apenas foi, porque ela fez “chantagem” com ele. Quando não
se sentia de bem para com a sua saúde, sentia... Solidão. Fábio estava sentado
ao seu lado dela na cama e deveriam estar a ver televisão, pelo menos era isso
que ele pensava. Rita confessou:
-Fábio, podes-me dar um miminho por favor? Quando estou assim quero todo
o carinho e mais algum e estou a sentir-me só.
Será
que Fábio irá fazer a vontade a Rita?
Será
que vai cumprir a promessa que fez a Luís? Será que os enjoos se devem a alguma
gravidez?
Fábio escutou atentamente a música e a letra que a
compunha. Não conhecia a música, mas o artista era o seu preferido, desde que
começara a ouvi-la que ganhou uma especial atenção. Não sabia o que Rita
pensava dele, mas quanto a romances ela já lhe tinha dito de forma bastante
clara e direta, mas nunca pensara que ela tinha uma música que o descrevia. Que
se lembrava dele cada vez que a ouvi-a. Será que era apenas a imagem que ela
tinha dele ou era o que os outros pensavam dele? Não sabia, mas queria saber.
Olhou para ela, que esperava ansiosamente uma resposta, ou uma reação. Estava
surpreendido com aquela música e aquela letra, estava surpreendido com tudo.
Sorriu inicialmente e depois começou a rir-se, começou por ser um riso de
nervosismo, para se tornar num riso alegre e descontraído. Rita pensava que ele
tinha um sentimento de obsessão por raparigas, todo o tipo de raparigas?
Realmente ele gostava de raparigas, gostava de sentir-se bem e fazê-las sentir
bem, mas não as usava, criando esperanças e inventando mentiras para as
enganar, deixava tudo bem claro desde o princípio. Já tinha namorado durante um
mês com a sua atual melhor amiga, tiveram uma “curte” e sentiam-se
especialmente bem um com o outro e começaram a namorar. A relação foi curta
porque ele não gostava tanto dela como ela gostava dele. E ele não se queria
“prender” a uma relação, não sabia como alimentar e cuidar daquela relação por
isso terminaram o que os unia. Mas Fábio não se tinha verdadeiramente
apaixonado, ao contrário de Tânia. Daquela relação restou apenas amizade.
Riu-se tanto que ficou com dores de barriga de tanto se
rir, mas sempre acompanhado de Rita. Ela ria-se porque o riso dele fazia-a
divertir-se e animar-se mas não compreendia porque é que ele se estava a rir
tanto. Será que estava a “gozar” com ela? Era este o maior medo que ela vivia.
Quando Fábio se conseguiu recompor do riso, endireitou a roupa e olhou Rita nos
olhos. Estavam sentados lado a lado, e a diferença de alturas ainda era
bastante, 27 centímetros de diferença que existiam mas sentados era um pouco
menor. Ela olhava ligeiramente para cima e ele olhava ligeiramente para baixo.
Aquele silêncio foi apenas interrompido pelas palavras de Fábio:
-Tu
achas mesmo que sou viciado em mulheres? – Engoliu em seco. A
opinião de Rita era importante mas também era importante saber a opinião geral
das pessoas a seu respeito.
-Era mesmo isso
que querias perguntar? Ou seria melhor perguntares porque razão é que me
lembrava de ti a ouvir uma música? – Perguntou a jovem sem saber se devia
sorrir ou ficar seriamente. Fábio ouviu a resposta em forma de interrogação
dela e respondeu.
-Sim Rita. Era
exatamente isto que queria perguntar. Tu achas mesmo que não consigo ver uma
rapariga à frente e quero logo estar com ela? Que estou assim tão desesperado?
Rita ficou surpreendida, achava exatamente isso de
Fábio, que era um rapaz que queria todas as raparigas “nas suas mãos”, mas não
lhe poderia dizer de forma tão direta. Queria mas sabia que o iria magoar, por
isso teria de o dizer de outra forma, de modo a não o magoar. Mas não sabia
como o fazer. E Fábio queria uma resposta.
-Não... Sim...
Não sei. – Perguntou nervosa e sem saber o que responder a Fábio. Queria
não responder a Fábio mas não sabia o que dizer. Não o queria magoar.
-Rita.
É essa a imagem que tens de mim? – Perguntou Fábio
aproximando a sua face dela e com o olhar cravado nas suas expressões.
-Sim. – Respondeu
baixando a face, por vergonha, por receio do que as suas palavras pudessem
fazer, palavras que tinham mais impacto que uma facada espetada pelas costas.
Ela não o queria magoar mas também não lhe iria mentir. Tinha medo de o magoar
e preferiu não o olhar olhos nos olhos com medo de ver a desilusão no seu
olhar.
Ele colocou o dedo indicador sobre o queixo dela e
fê-la olhá-lo olhos nos olhos. Cruzaram os olhares e ele respondeu:
-Ouve
as minhas palavras com atenção, quero deixar tudo bem claro contigo. Confias em
mim Rita? – Perguntou Fábio e ela ficou num beco sem
saída, se ela era direta e franca nas palavras que dizia, ele ainda conseguia
ser mais.
-Sabes
que não consigo dizer isso 24 horas depois de conhecer uma pessoa, não sou uma
pessoa fácil de se convencer mas os meus instintos e o meu coração dizem que
devo confiar em ti e já me deste provas disso mesmo. –
Respondeu Rita sentando-se no colo dele.
-Então vou-te
ser o mais frontal e dizer-te toda a verdade. – Pôs as mãos à volta da
cintura de Rita e olharam-se. Não precisavam de mencionar palavras porque os
olhos já o faziam, parecia que se conheciam há anos e no entanto conheciam-se
há menos de 24 horas. – É verdade que já
muitas raparigas passaram pela minha vida e delas secalhar só uma é que ficou.
– Durante segundos Rita perguntara a si mesma quem seria. E de seguida, por
telepatia talvez, ele respondeu. – Essa
rapariga é a Tânia, a minha melhor amiga. Nós namoramos durante um mês porque estávamos felizes enquanto curtíamos um ao lado do outro, sentiamo-nos bem e
decidimos começar a namorar. Mas não senti o que era mesmo esse sentimento de
amar e ouve uma série de outros problemas que não permitiram que a relação
continuasse. Ela amava-me, e eu não senti nada do que ela sentia por mim. Foi
estranho. E quanto ás curtes confia no que te digo. Tenho 19 anos não me vou
enfiar numa relação séria. Claro que apaixonar-me deve ser uma ser uma sensação
brutal, algo novo mas tão bom mas não
quero sofrer, ter desgostos, sair magoado, criar expectativas que são
totalmente falsas. Vou aproveitar a vida que o amor vai aparecer, até lá tenho
aventuras que me fazem feliz e não são sérias. Mas deixo bastante claro desde o
inicio de quais são os meus objetivos para a relação. Não gosto quando me fazem
sofrer, não entendo porque faria os outros sofrer, não merecem, mas sei que
mesmo sem querer faço sofrer ou com palavras ou com atitudes. – Respondeu e
ela ficou admirada com as palavras dele. Não teria necessidade de lhe mentir,
Rita já tinha deixado bem clara que por muito que ele tivesse segundas
intenções não seriam de todo retribuídas Por isso não havia necessidade de lhe
mentir e apesar de se conhecerem somente há um dia já se davam como melhores
amigos. Deu-lhe um beijo na testa e de seguida sentiu um estranho enjoo. Correu
até á casa de banho onde vomitou, expulsando todo o seu jantar e Fábio correu
atrás dela. Rita estava sentada no chão com um braço preso na sanita e embora
já tivesse vomitado um forte enjoo atravessava o seu estômago e a sua barriga.
Não era normal sentir aqueles enjoos, e muito menos de repente, sem razão
aparente. Mas não tinha uma explicação lógica.
-Estás
bem? – Perguntou ele entrando na casa de banho e deparando-se
com Rita no chão. – Não vais ficar no
chão frio, vou buscar-te uma almofada ou uma cadeira e vais sentar-te caso
queiras ficar aí. Mas entretanto vais passar a tua carinha por água enquanto eu
vou à cozinha buscar-te um copo de água para tirar esse sabor horrível que tens
na boca.
-Eu
estou bem! – Respondeu Rita fazendo com que o seu tom de
voz demonstrasse frieza e um pouco de rudeza. – Não preciso da tua ajuda para nada, desenrasco-me bem sozinha! – Fábio
sentou-se em frente a ela no chão e respondeu:
-Acabaste
de vomitar sem razão aparente e os meus cozinhados não são assim tão maus! Mas
olha que foi uma boa maneira de dizeres que cozinho mal! – Respondeu
a rir-se. E ela deixou-se contagiar pelo seu riso.
-És muito
engraçadinho tu! Vê lá se queres uma banana pela piadinha macaquinho!
-Estás
a chamar-me macaquinho? Sabes o que é que os macaquinhos fazem? Cócegas! – Agarrou
Rita e começou a fazer-lhe cócegas e ela só conseguiu responder segundos
depois.
-Pára senão
vomito para cima de ti! – Pediu Rita. E Fábio parou de lhe fazer cócegas e
ela limpou as lágrimas de tanto se rir que deitava pelo olhos. – Espera aí que o meu telemóvel está a tocar.
– Retirou do bolso das suas calças o seu telemóvel mas ainda tiveram tempo
para ouvir o toque do telemóvel durante uns segundos.
Turn around, open your eyes
(Dá a volta, abre os olhos)
Look at me now (Olha para mim agora)
Turn around, girl I've got you (Dá a volta, tenho-te a ti)
We won't fall down, yeah (E não vamos cair, sim)
We can see, forever from up here, yeah (Podemos ver a eternidade daqui, sim)
So long as we're together (Tão longo como continuarmos juntos para sempre)
Have no fear, no fear (Não tenhas medo, sem medo)
-É
o meu pai, tenho de atender! – Carregou no botão verde do
seu telemóvel e atendeu a chamada do pai. – Sim pai?
(...)
-Desculpa
senti-me mal e perdemos a noção do tempo mas vou já para casa. Beijinho até já
e desculpa. – Levantaram-se os dois do chão da casa de
banho com ajuda em simultâneo do outro. E Rita ia falar mas ele antecipou-se:
-Podes-me dar o
teu número?
-Quando
aprenderes a cozinhar eu dou-te e mesmo assim tens de beber muito leitinho
entretanto! – Disse divertida.
-A minha mãe
disse-me que até sabia cozinhar bem por isso estás só a ser mázinha.
-Pronto
é verdade! Cozinhas bem mas se vomitei foi por alguma razão.
-Pode
ser uma gravidez. – Disse rindo-se Fábio, dissera-se
inocentemente e apenas com a intenção de animá-la.
-Deus me livre e
me guarde! – Respondeu entrando na brincadeira de Fábio. – Amanhã eu venho cá tocar-te à noite, não
precisas do meu número mas agora vou indo. – Não lhe deu tempo para
responder, deu-lhe um beijo na bochecha e foi-se embora sem haver tempo de
resposta para ele reagir ou dizer alguma palavra.
Passaram-se dois dias e Rita não fora tocar a casa de
Fábio, o que o deixara preocupado. Tinha saudades de falar e estar com ela mas
também estava ansioso por saber em que estado se encontrava a saúde de Rita.
Será que fora apenas um enjoo natural que acontecera uma vez ou continuara? Não
tinha o número dela e também não lhe deixaria uma mensagem através do facebook,
isso tornava-se pouco... Pessoal. Queria averiguar pelos seus olhos de como
estava Rita e expulsar um receio. Talvez fosse algo que ele tivesse dito ou
feito, mas por muito que tentasse chegar a uma conclusão não sabia. Por isso no
final de tarde daquela quarta-feira foi tocar a casa de Rita, queria saber como
ela estava, queria vê-la.
Tocou á campainha e um minuto depois um senhor com
perto de quarenta anos abriu-lhe a porta, Fábio previu que fosse o pai de Rita.
Mas sentiu-se envergonhado, estava á espera que fosse ela, mas iria dizer algo,
queria saber de Rita, queria vê-la, falar com ela. Estar com ela.
-Vou-te
contar algo curioso que pelo menos acontece com a minha vida. – Disse
sorrindo Rita. - Quando confio em alguém
e sinto-me á vontade para desabafar com essa pessoa, chamo-lhe amigo. Não sei
se contigo acontece o mesmo mas comigo é assim que as coisas funcionam. E não
vou desabafar com uma pessoa que estava cheio de segundas intenções ainda há
uma hora! – Ela respondia animada ao pedido de Fábio. Na verdade queria
falar, queria ouvir uma segunda opinião e um conselho de um amigo. Mas tinha
receio. Tinha medo que ele não fosse amigo de verdade, que mais uma vez fosse
iludida e que a magoassem. Mas precisava urgentemente de um ombro amigo e Fábio
estava a oferecer o seu.
-Apesar de nos
conhecermos há pouco tempo, já sei algumas coisas sobre ti pequenina. – Talvez
fosse um termo carinhoso que Fábio lhe tinha dado para demonstrar a sua
amizade, ou fosse apenas o modo de lhe relembrar que era pequena ao seu lado. –
E fica sabendo que só chamo amigos
quando existe mesmo confiança. Mas sabes ultimamente tenho andado a adorar
falar com estranhos, desabafar com eles. É como senão te criticassem. E não te
julgassem.
-Os
estranhos parece que nos ouvem melhor que os amigos. Quando soube que os meus
pais se iam separar, a primeira coisa que fiz foi apanhar um autocarro e falar
com estranhos, senti essa necessidade. Podes chamar-me maluca mas foi o que
quis fazer. Mas nunca, nem por um segundo, deixar o meu irmão para trás. Ele
foi comigo.
-Os
teus pais separaram-se há pouco tempo?
-Assinaram
os papéis do divórcio na semana passada. E nessa mesma semana acabei o namoro
com o Tiago.
-A
semana passada foi super complicada para ti! – Fábio
estava demasiado surpreendido, ela tinha aguentado tudo aquilo numa semana e
fazia a vida como se nada se passasse? Era uma verdadeira mulher de força! - Mas tu és forte! Do que sei de ti, sei que
superas tudo e agora tens-me aqui a teu lado! – Ela sorriu. – E pensa em mim como um estranho e não como
um amigo pode ser? Sentamo-nos lado a lado e fingimos que estamos num autocarro
e que estavamos a conversar. – Rita sentou-se no sofá e deixou que ele se
sentasse ao seu lado, as ancas tocavam-se mas nada que incomodasse qualquer um
deles. – Preferes que seja eu a meter
conversa ou tu?
-Já
meteste tu primeiro! – Disse divertida Rita. – Então aqui vai! – Respirou bem fundo e
continuou. – Ainda nem dezoito anos
tenho e já posso dizer que atravessei uma das piores semanas da minha vida.
-Tu
tens dezassete anos? – Perguntou surpreendido Fábio. Desde o
primeiro segundo que a vira, dava-lhe no 16 anos, e celebrados recentemente. – Pensava que tinhas por volta de 16 anos!
-Faço
18 aninhos daqui a 3 semanas, a 23 de Setembro! Mas continuando. – Fábio
voltou a olhar para a frente, como se olhasse para a estrada que o autocarro
percorria. – Os meus pais sempre foram
os meus heróis, a minha inspiração. Sempre foram o meu sonho e eu queria quando
me casar, ser mãe e ter uma vida romântica tão boa como a deles. E de repente,
apanhada desprevenida eles dizem-me que se vão divorciar. Senti como o meu
mundo ruir, fiquei sem chão para caminhar. Chorei, senti-me culpada, tive
vontade de fugir e ninguém mais me ver, vontade de não comer, de não tomar
banho, de chegar a um estado tão profundo de não sentir nada. Mas fui arranjar
forças ao meu irmão e á minha sobrinha, eles não me podiam ver assim, não
podiam sofrer. Sempre que o Pedro ia para a escola, fechava-me no quarto a
chorar, não conseguia comer, e sentia-me sem forças para fazer alguma coisa.
Mas quando ele voltava, tinha de fingir que estava tudo bem comigo e animá-lo.
Nunca deixei que ninguém me ajudasse, porque sempre quis mostrar que estava
tudo bem. Fui passar uns dias a casa da minha avó, em Coimbra com o meu irmão,
para ver se me sentia melhor. E consegui, sentir todo aquele ambiente que não é
meu, mas sinto como se fosse. Foi como um renascer. A “velha” Rita morreu para
renascer uma nova. Decidi voltar um dia antes do previsto para fazer uma
surpresa ao Tiago, ao meu namorado, e quem me surpreendeu foi ele. Ele estava
deitado sobre a cama e a Adriana por baixo, já estavam em roupa interior e eu
vi aquilo. Eu vi-os a fazer amor e não impedi, não consegui ter voz para os
impedir e ainda me destruiu mais o coração e pior foi explicar tudo ao Pedro. O
meu irmão não entendeu bem o que se passava, mas entendeu que era uma traição.
Senti-me vazia, senti-me desfeita, oca, culpada, só chorava. Merecia tudo o que
se estava a passar. Merecia chorar e sofrer, secalhar não lhe tinha dado todo o
valor que merecia e estava a pagar por isso. Por acreditar que tinha tudo um
bom coração como eu. Acabei a minha relação com ele, que ainda se tentou
desculpar, mas não havia justificação possível. E deixei de sentir
simplesmente, não senti sofrimento, não queria chorar, não queria limpar as
lágrimas, queria viver a minha vida como se nada se passasse, na verdade nunca
chorei acompanhada, até ainda há pouco. O que fazia para sentir ainda um pouco
de sentimento era apenas andar de moto, acelerando e chorando só em frente ao
mar, onde as minhas lágrimas me pareciam pequenas e sem significado. Chorava
imenso há noite, sozinha. O meu avô não estava a olhar por mim, não me estava a
ajudar, ele devia-me ter ajudado. Devia-me ter impedido de sofrer o que sofri.
– Rita levantou-se e foi até à janela e olhou para o céu. Fábio seguiu-a e
colocou-se do seu lado. Ela continuou a falar.- Avôzinho, tu devias ter olhado por mim, proteger-me, podias ter
impedido tudo, podias ter feito com que não sofresse tanto. Tantas lágrimas que
derramei que podias ter-me feito ver, que não mereciam. Porque tiveste de
separar os meus pais? Porque tinhas de me fazer perder o Tiago? Não estou
desiludida contigo avô, sei que fizeste tudo por alguma razão. Mas havia tantas
outras maneiras, não me devias ter abandonado tão cedo, preciso tanto de ti,
meu homem! – O Fábio abraçou-a e ela voltou-se a perder nos braços dele. Os
seus braços e o seu abraço faziam-na sentir novamente e por instantes de volta
aos tempos em que o avô era vivo. E a protegia sempre que ela chorava com
aquele abraço. A diferença de tamanhos era idêntica e isso fazia Rita sentir
uma mistura agridoce de sentimentos. Por um lado era bom sentir os braços do
avô, sentir-se protegida, mas não era bom sentir-se assim ao lado de Fábio. Era
como um sentimento paternal que não a ligava ao pai mas sim ao avô. – Mas ele olha por mim no céu e ajuda-me! Ele
é o meu ídolo, o meu herói, o homem da minha vida, o meu destino, o meu
passado, o meu presente, ele é o que sou! E só quero deixá-lo orgulho! – Limpava
as lágrimas que lhe corriam pelo rosto á camisola de Fábio, o que a fazia
sentir ainda mais... Diferente. Por muito que houvesse aquele sinal de respeito
e de amizade, ele era um homem. Ela não o podia negar e sentir o corpo dele tão
próximo do seu, podia parecer um gesto de carência, mas era apenas os
sentimentos de Rita a falar. Tinha-se habituado a sentir sempre um abraço,
quando era mais nova do avô, mais tarde abraçava Pedro, e mais tarde era os
braços de Tiago que eram o seu porto de abrigo. Agora, eram os de Fábio, que a
faziam sentir bem. Pelo menos por hoje. E Fábio sentia-se bem em ajudar uma
amiga, em ajudar quem precisava dele. Estava a cumprir o que prometera a si
mesmo, ajudar Rita. A sua vontade era deitá-la na sua cama, cobrir o seu corpo
com mantas e deixá-la dormir, beijar-lhe a testa e dar-lhe um beijo de boa
noite bem doce na sua bochecha. Pode parecer um sentimento até doentio e
estranho, mas era apenas um sentimento de proteção. Fábio não queria cruzar os
seus lábios com os dela, talvez quisesse mas pensava que não sentia esse
sentimento. Queria apenas fazê-la sentir segura e amada, e nos seus braços ele
pensava que ela seria feliz.
-Rita. – Ela
não tirou a cara do peito de Fábio, o perfume dele invandia-a e fazia-a sentir
segura e ela não queria sair dali. Queria perder-se, enquanto se sentia bem nos
braços de um amigo. – Pequenina. – Não
resistiu em olhar para ele e sorrir. Mas sempre com as mãos cravas na camisola
e no peito dele. Não conseguia sair de perto do seu porto de abrigo. Não era
por ser um abraço do Fábio, até porque ela não o sentia como tal. Rita sentia
aqueles braços como se fossem os do seu falecido avô. Naqueles braços, o mundo
parecia perfeito e nada a atingia, ou magoava. E as feridas físicas nem
deixavam cicatriz no seu corpo. – Tu és
uma rapariga surpreendente. Não só surpreendeste todos os que te rodeavam como
te surpreendeste a ti mesma. Superaste tudo. Ultrapassaste a pior semana da tua
vida e continuas a sorrir. Mesmo quando queres chorar, quando estavas mal a tua
preocupação foi o bem-estar dos outros. Fazer parecer que estava tudo bem
contigo, quando não estava e conseguiste enganar toda a gente. Tu aguentaste o
divórcio dos teus pais, que sempre admiraste com todas as tuas forças, mas
sempre com a preocupação no teu irmão. Depois viste o Tiago a fazer o pior que
podia ter feito, nós eramos amigos mas nunca esperei isto dele. Desculpa ser
tão rude a dizer-te estas palavras, mas se ele te amasse não teria feito isto.
Sei que não o deveria dizer porque nunca senti o amor, mas deve ser isso que o
amor significa. Já li tanto, pesquisei e ouvi falar que já entendo um pouquinho.
Admiro-te Rita, do fundo do coração, tu és um exemplo para toda a gente que te
conheçe. Não te estou a crer conquistar, acredita. Desde que soube o que se
passou, que senti que precisava de te ajudar e estou a seguir os meus
instintos. Claro que me passou pela cabeça conquistar-te, mas neste momento
quero conhecer-te melhor e sermos amigos. Quero ajudar-te, sinto que consigo,
preciso apenas que me deixes. Quero ser teu amigo, quero que sejas minha amiga,
que confies em mim. – Ele estava sentado e ela em pé á sua frente, ele
esticou a mão para cruzar com a mão dela, que aceitou e fez os seus dedos
cruzarem-se. Ela sentou-se ao colo dele, por autoconvite e Fábio encostou a sua
cabeça ao ombro de Rita e ele começou a cantar baixinho, canção que Rita
reconheceu de imediato e cantam juntos:
I got this feeling on the
summer day when you were gone (Senti algo num dia de verão
quando te foste embora)
I crashed my car into the
bridge (Bati com o meu carro na
ponte)
I watched, I let it burn (Vi e deixei-o arder)
I threw your shit into a
bag and pushed it down the stairs (Atirei as tuas coisas de m#rda numa mala e mandei pela escadaria)
I crashed my car into the
bridge (Bati com o meu carro na
ponte)
I don’t care, I
love it, I don’t care (Não quero saber, eu amo isto, não quero saber)
I got this feeling on the
summer day when you were gone (Senti algo num dia de verão quando te foste embora)
I crashed my car into the bridge. I watched, I let it
burn (Bati com o meu carro na ponte)
I threw your shit into a bag and pushed it down the
stairs (Atirei as tuas coisas merd#s numa
mala e mandei pela escadaria)
I crashed my car into the
bridge (Bati com o meu carro na
ponte)
You’re on a different road,
I’m in the milky way (Estamos
numa estrada diferente, eu estou na Via Láctea)
You want me down on earth,
but I am up in space (Tu
queres-me na Terra, mas eu estou lá em cima, no espaço)
You’re so damn hard to
please, we gotta kill this switch (Tu és tão difícil de agradar, temos de acabar com
isto)
You’re from the 70’s, but
I’m a 90’s b*tch (Tu és
tão anos 70 e eu sou tão anos 90, cabr#o)
I love it (Eu amo isto)
I love it (Eu amo isto)
I got this feeling on the
summer day when you were gone (Senti algo num dia de verão quando te foste embora)
I crashed my car into the bridge. I watched, I let it
burn (Bati com o meu carro na ponte)
I threw your sh*t into a bag and pushed it down the
stairs (Atirei as tuas coisas de merd#
numa mala e mandei pela escadaria)
I crashed my car into the
bridge (Bati com o meu carro na
ponte)
I don’t care, I love it (Eu não quero saber, eu amo isto)
I don’t care, I love it, I
love it (Eu não
quero saber, eu amo isto, eu amo isto)
I don’t care, I love it. I don’t care (Eu não quero saber, eu amo isto. Não quero saber)
You’re on a different road,
I’m in the milky way (Estamos
numa estrada diferente, eu estou na Via Láctea)
You want me down on earth,
but I am up in space (Tu
queres-me na Terra, mas eu estou lá em cima no espaço)
You’re so damn hard to
please, we gotta kill this switch (Tu és tão difícil de agradar, temos de acabar com
isto)
You’re from the 70’s, but
I’m a 90’s b*tch (Tu és
tão anos 70 e eu sou tão anos 90, cabr#o)
I don’t care, I love it (Não quero saber, eu amo isto)
I don’t care, I love it, I
love it (Não
quero saber, eu amo isto, eu amo isto)
I don’t care, I love it (Não quero saber, eu amo isto)
I don’t care, I love it, I
love it (Não
quero saber, eu amo isto, eu amo isto)
-Claro! – Disse
Fábio. – Afinal para que servem os
desconhecidos dos autocarros? – Perguntou enquanto trocavam um sorriso
cúmplices os dois, seria um segredo só deles, algo que os unia. Uma brincadeira
apenas deles. Nunca tinham partilhado aquela informação com alguém e tinham-na
partilhado também com outra pessoa que não era amiga. O mais próximo que se
poderia chamar era desconhecido, essa sim era a palavra que os descrevia, ou
talvez não.
-Tonto! – Disse
animada. – Prometes que não te chateias?
-É
algo assim tão chocante?
-Um
bocadinho! – Na realidade Rita tinha apenas medo de lhe
dizer o que pensava e mais tarde o perder. Aos poucos estavam-se a tornar
amigos, mas apenas um passo de cada vez.
-Agora é que me
vais contar que fiquei curioso!
-Não
digas que não te avisei! Onde tens o pc?
Fábio explicara-lhe onde tinha o seu computador e
trouxe-o até à sala onde estavam, fez questão de lho ligar. Sentaram-se lado a
lado e Rita sempre atenta para ver e mexer no computador de Fábio, talvez ali
guardasse a lista das suas ex-namoradas, ou fotografias, ela queria apenas
saber se ele curtava laços com elas e não passavam de números ou se tinham tido
algum significado para ele, e através do computador talvez soubesse, mas não
iria fazer nada para matar a sua curiosidade, mas não iria fazer isso, seria
invadir a sua privacidade. Fábio estava curioso por saber o que Rita lhe iria
dizer. Não iria ficar chateado com ela, por razão alguma. Ela ligou a internet
e procurou uma música. Ele ficou surpreendido, como se poderia chatear com ela
por causa de alguma música?! De certo não era uma declaração de amor, o que o
esperava?
Wasn't looking for trouble,
but it came looking for me (Não
estava á procura de problemas, mas eles vieram ter comigo)
I tried to say no but I
can't fight it she was looking lovely (Tentei dizer que não mas não consigo lutar se ela até
parece amorosa)
She kinda reminds me of a
girl I know (Ela
faz-me lembrar uma rapariga que conheço)
This pretty young thing
that I got waiting for me back at home (Essa coisa linda que ficou à minha espera lá em casa)
She's got my engines
turning this happens every time(Ela põe o meu motor a funcionar e acontece cada vez que )
I see a pretty girl and I
wanna make her mine (Vejo uma
rapariga linda e quero fazê-la minha)
They send my rocket to the
sky I want them (Enviam o
meu foguete para o céu, eu quero isso)
But should I go for them, I'm like Houston (Mas
devo ir com eles, sou como Houston)
I think we got a problem (Acho que temos um problema)
Problem problem problem,
girls girls girls girls (Problema, problema, problema, raparigas,
raparigas, raparigas, raparigas)
Girls girls girls I just
can't say no (Raparigas,
raparigas, raparigas, não consigo dizer que não)
Never see them coming I
just watch them go (Nunca as
vejo a chegar, só as vejo a partir)
Girls girls girls I just
can't say no (Raparigas,
raparigas, raparigas, não consigo dizer que não)
Never see them coming I
just wa-wa-wa-wa-watch them go (Nunca as
vejo a chegar, só as vejo a partir)
Take control, making me
sweat girl run that show (Toma
controlo, faz com que a doce rapariga mande nesta festa)
It's them girls girls girls
I just can't say no (É estas
raparigas, raparigas, raparigas, não consigo dizer que não)
Houston I think we got a
problem (Houston,
penso que temos um problema)
Some girls are naughty some
girls are sweet (Algumas
raparigas são malcomportadas, outras são doces)
One thing they got in common (Uma
coisa que têm em comum)
They all got a hold on me (Todas
têm influência em mim)
Meet them at the party meet them in the street (Conheço-as
na festa, conheço-as na rua)
Getting me in so much trouble but that's alright with
me (Ponho-me em tantos problemas, mas está tudo bem
comigo)
They got my engines turning this happens every time (Põe
o meu motor a funcionar, e acontece cada vez)
I see a pretty girl and I
wanna make her mine (Que vejo
uma rapariga bonita e quero fazê-la minha)
They send my rocket to the
sky I want them (Enviam o
meu foguete para a lua e eu quero isso)
But should I go for them,
I'm like Houston (Mas eu
devo ir com eles, sou como Houston)
I think we got a problem (Penso que temos um problema)
Problem problem problem,
girls, girls, girls, girls (Problema,
problema, problema, raparigas, raparigas, raparigas, raparigas)
Girls girls girls I just
can't say no (Raparigas,
raparigas, raparigas, apenas não consigo dizer que não)
Never see them coming I
just watch them go (Nunca as
vejo a chegar, só as vejo a partir)
Girls girls girls I just
can't say no (Raparigas,
raparigas, raparigas, apenas não consigo dizer que não)
Never see them coming I
just wa-wa-wa-wa-watch them go (Nunca as
vejo a chegar, só as vejo a partir)
Take control, making me
sweat girl run that show (Toma
controlo, faz com que a doce rapariga mande nesta festa)
It's them girls girls girls
I just can't say no (É
aquelas raparigas, raparigas, raparigas. Não consigo dizer que não)
Houston I think we got a
problem (Houston,
penso que temos um problema)
Ohhhhhhh I think we got a
problem (Ohhhhhh,
Penso que temos um problema)
Looking like a model making me stare (Parecem
modelos, fazem-me olhar)
All them pretty girls are standing right there (Todas
as raparigas bonitas estão ali)
Doing that thing it's just not fair (Faz
com que não seja justo)
How come all the pretty girls are up in here (Como
é que todas as raparigas bonitas estão por aqui?)
Looking like a model making me stare (Parecem
modelos, fazem-me olhar)
All them pretty girls are standing right there (Todas
as raparigas bonitas estão ali)
Doing that thing it's just not fair (Faz
com que não seja justo)
How come all the pretty girls are up in here? (Como conseguiram que todas as raparigas bonitas
aqui tivessem?)
Girls girls girls I just can't
say no (Raparigas, raparigas,
raparigas, não consigo dizer que não)
Never see them coming I
just watch them go (Nunca as
vejo chegar, só as vejo a partir)
Girls girls girls I just
can't say no (Raparigas,
raparigas, raparigas, não consigo dizer que não)
Never see them coming I
just wa-wa-wa-wa-watch them go (Nunca as
vejo a chegar só as vejo a partir)
Take control, making me
sweat girl run that show (Toma
controlo, faz com que a rapariga doce mande nesta festa)
It's them girls girls girls
I just can't say no (São
estas raparigas, raparigas, raparigas, não consigo dizer que não)
Houston I think we got a
problem (Houston,
penso que temos um problema)
Problem problem problem (Problema, problema, problema)
-Sempre que
ouvia esta música, lembrava-me de ti! Achava que a música te descrevia na
perfeição, ou melhor a tua relação com as raparigas e as tuas “curtes” como lhe
chamas. – Rita não poderia ter sido mais direta e franca.
Será que Fábio irá
ficar chateado com Rita?
Como irá reagir?
Será que é o fim da amizade que os começava a unir?