domingo, 13 de outubro de 2013

Capítulo 05: (Girls) Can’t Say No



-Vou-te contar algo curioso que pelo menos acontece com a minha vida. – Disse sorrindo Rita. - Quando confio em alguém e sinto-me á vontade para desabafar com essa pessoa, chamo-lhe amigo. Não sei se contigo acontece o mesmo mas comigo é assim que as coisas funcionam. E não vou desabafar com uma pessoa que estava cheio de segundas intenções ainda há uma hora! – Ela respondia animada ao pedido de Fábio. Na verdade queria falar, queria ouvir uma segunda opinião e um conselho de um amigo. Mas tinha receio. Tinha medo que ele não fosse amigo de verdade, que mais uma vez fosse iludida e que a magoassem. Mas precisava urgentemente de um ombro amigo e Fábio estava a oferecer o seu.

-Apesar de nos conhecermos há pouco tempo, já sei algumas coisas sobre ti pequenina. – Talvez fosse um termo carinhoso que Fábio lhe tinha dado para demonstrar a sua amizade, ou fosse apenas o modo de lhe relembrar que era pequena ao seu lado. – E fica sabendo que só chamo amigos quando existe mesmo confiança. Mas sabes ultimamente tenho andado a adorar falar com estranhos, desabafar com eles. É como senão te criticassem. E não te julgassem.

-Os estranhos parece que nos ouvem melhor que os amigos. Quando soube que os meus pais se iam separar, a primeira coisa que fiz foi apanhar um autocarro e falar com estranhos, senti essa necessidade. Podes chamar-me maluca mas foi o que quis fazer. Mas nunca, nem por um segundo, deixar o meu irmão para trás. Ele foi comigo.

-Os teus pais separaram-se há pouco tempo?

-Assinaram os papéis do divórcio na semana passada. E nessa mesma semana acabei o namoro com o Tiago.

-A semana passada foi super complicada para ti! – Fábio estava demasiado surpreendido, ela tinha aguentado tudo aquilo numa semana e fazia a vida como se nada se passasse? Era uma verdadeira mulher de força! - Mas tu és forte! Do que sei de ti, sei que superas tudo e agora tens-me aqui a teu lado! – Ela sorriu. – E pensa em mim como um estranho e não como um amigo pode ser? Sentamo-nos lado a lado e fingimos que estamos num autocarro e que estavamos a conversar. – Rita sentou-se no sofá e deixou que ele se sentasse ao seu lado, as ancas tocavam-se mas nada que incomodasse qualquer um deles. – Preferes que seja eu a meter conversa ou tu?

-Já meteste tu primeiro! – Disse divertida Rita. – Então aqui vai! – Respirou bem fundo e continuou. – Ainda nem dezoito anos tenho e já posso dizer que atravessei uma das piores semanas da minha vida.

-Tu tens dezassete anos? – Perguntou surpreendido Fábio. Desde o primeiro segundo que a vira, dava-lhe no 16 anos, e celebrados recentemente. – Pensava que tinhas por volta de 16 anos!

-Faço 18 aninhos daqui a 3 semanas, a 23 de Setembro! Mas continuando. – Fábio voltou a olhar para a frente, como se olhasse para a estrada que o autocarro percorria. – Os meus pais sempre foram os meus heróis, a minha inspiração. Sempre foram o meu sonho e eu queria quando me casar, ser mãe e ter uma vida romântica tão boa como a deles. E de repente, apanhada desprevenida eles dizem-me que se vão divorciar. Senti como o meu mundo ruir, fiquei sem chão para caminhar. Chorei, senti-me culpada, tive vontade de fugir e ninguém mais me ver, vontade de não comer, de não tomar banho, de chegar a um estado tão profundo de não sentir nada. Mas fui arranjar forças ao meu irmão e á minha sobrinha, eles não me podiam ver assim, não podiam sofrer. Sempre que o Pedro ia para a escola, fechava-me no quarto a chorar, não conseguia comer, e sentia-me sem forças para fazer alguma coisa. Mas quando ele voltava, tinha de fingir que estava tudo bem comigo e animá-lo. Nunca deixei que ninguém me ajudasse, porque sempre quis mostrar que estava tudo bem. Fui passar uns dias a casa da minha avó, em Coimbra com o meu irmão, para ver se me sentia melhor. E consegui, sentir todo aquele ambiente que não é meu, mas sinto como se fosse. Foi como um renascer. A “velha” Rita morreu para renascer uma nova. Decidi voltar um dia antes do previsto para fazer uma surpresa ao Tiago, ao meu namorado, e quem me surpreendeu foi ele. Ele estava deitado sobre a cama e a Adriana por baixo, já estavam em roupa interior e eu vi aquilo. Eu vi-os a fazer amor e não impedi, não consegui ter voz para os impedir e ainda me destruiu mais o coração e pior foi explicar tudo ao Pedro. O meu irmão não entendeu bem o que se passava, mas entendeu que era uma traição. Senti-me vazia, senti-me desfeita, oca, culpada, só chorava. Merecia tudo o que se estava a passar. Merecia chorar e sofrer, secalhar não lhe tinha dado todo o valor que merecia e estava a pagar por isso. Por acreditar que tinha tudo um bom coração como eu. Acabei a minha relação com ele, que ainda se tentou desculpar, mas não havia justificação possível. E deixei de sentir simplesmente, não senti sofrimento, não queria chorar, não queria limpar as lágrimas, queria viver a minha vida como se nada se passasse, na verdade nunca chorei acompanhada, até ainda há pouco. O que fazia para sentir ainda um pouco de sentimento era apenas andar de moto, acelerando e chorando só em frente ao mar, onde as minhas lágrimas me pareciam pequenas e sem significado. Chorava imenso há noite, sozinha. O meu avô não estava a olhar por mim, não me estava a ajudar, ele devia-me ter ajudado. Devia-me ter impedido de sofrer o que sofri. – Rita levantou-se e foi até à janela e olhou para o céu. Fábio seguiu-a e colocou-se do seu lado. Ela continuou a falar.- Avôzinho, tu devias ter olhado por mim, proteger-me, podias ter impedido tudo, podias ter feito com que não sofresse tanto. Tantas lágrimas que derramei que podias ter-me feito ver, que não mereciam. Porque tiveste de separar os meus pais? Porque tinhas de me fazer perder o Tiago? Não estou desiludida contigo avô, sei que fizeste tudo por alguma razão. Mas havia tantas outras maneiras, não me devias ter abandonado tão cedo, preciso tanto de ti, meu homem! – O Fábio abraçou-a e ela voltou-se a perder nos braços dele. Os seus braços e o seu abraço faziam-na sentir novamente e por instantes de volta aos tempos em que o avô era vivo. E a protegia sempre que ela chorava com aquele abraço. A diferença de tamanhos era idêntica e isso fazia Rita sentir uma mistura agridoce de sentimentos. Por um lado era bom sentir os braços do avô, sentir-se protegida, mas não era bom sentir-se assim ao lado de Fábio. Era como um sentimento paternal que não a ligava ao pai mas sim ao avô. – Mas ele olha por mim no céu e ajuda-me! Ele é o meu ídolo, o meu herói, o homem da minha vida, o meu destino, o meu passado, o meu presente, ele é o que sou! E só quero deixá-lo orgulho! – Limpava as lágrimas que lhe corriam pelo rosto á camisola de Fábio, o que a fazia sentir ainda mais... Diferente. Por muito que houvesse aquele sinal de respeito e de amizade, ele era um homem. Ela não o podia negar e sentir o corpo dele tão próximo do seu, podia parecer um gesto de carência, mas era apenas os sentimentos de Rita a falar. Tinha-se habituado a sentir sempre um abraço, quando era mais nova do avô, mais tarde abraçava Pedro, e mais tarde era os braços de Tiago que eram o seu porto de abrigo. Agora, eram os de Fábio, que a faziam sentir bem. Pelo menos por hoje. E Fábio sentia-se bem em ajudar uma amiga, em ajudar quem precisava dele. Estava a cumprir o que prometera a si mesmo, ajudar Rita. A sua vontade era deitá-la na sua cama, cobrir o seu corpo com mantas e deixá-la dormir, beijar-lhe a testa e dar-lhe um beijo de boa noite bem doce na sua bochecha. Pode parecer um sentimento até doentio e estranho, mas era apenas um sentimento de proteção. Fábio não queria cruzar os seus lábios com os dela, talvez quisesse mas pensava que não sentia esse sentimento. Queria apenas fazê-la sentir segura e amada, e nos seus braços ele pensava que ela seria feliz.

-Rita. – Ela não tirou a cara do peito de Fábio, o perfume dele invandia-a e fazia-a sentir segura e ela não queria sair dali. Queria perder-se, enquanto se sentia bem nos braços de um amigo. – Pequenina. – Não resistiu em olhar para ele e sorrir. Mas sempre com as mãos cravas na camisola e no peito dele. Não conseguia sair de perto do seu porto de abrigo. Não era por ser um abraço do Fábio, até porque ela não o sentia como tal. Rita sentia aqueles braços como se fossem os do seu falecido avô. Naqueles braços, o mundo parecia perfeito e nada a atingia, ou magoava. E as feridas físicas nem deixavam cicatriz no seu corpo. – Tu és uma rapariga surpreendente. Não só surpreendeste todos os que te rodeavam como te surpreendeste a ti mesma. Superaste tudo. Ultrapassaste a pior semana da tua vida e continuas a sorrir. Mesmo quando queres chorar, quando estavas mal a tua preocupação foi o bem-estar dos outros. Fazer parecer que estava tudo bem contigo, quando não estava e conseguiste enganar toda a gente. Tu aguentaste o divórcio dos teus pais, que sempre admiraste com todas as tuas forças, mas sempre com a preocupação no teu irmão. Depois viste o Tiago a fazer o pior que podia ter feito, nós eramos amigos mas nunca esperei isto dele. Desculpa ser tão rude a dizer-te estas palavras, mas se ele te amasse não teria feito isto. Sei que não o deveria dizer porque nunca senti o amor, mas deve ser isso que o amor significa. Já li tanto, pesquisei e ouvi falar que já entendo um pouquinho. Admiro-te Rita, do fundo do coração, tu és um exemplo para toda a gente que te conheçe. Não te estou a crer conquistar, acredita. Desde que soube o que se passou, que senti que precisava de te ajudar e estou a seguir os meus instintos. Claro que me passou pela cabeça conquistar-te, mas neste momento quero conhecer-te melhor e sermos amigos. Quero ajudar-te, sinto que consigo, preciso apenas que me deixes. Quero ser teu amigo, quero que sejas minha amiga, que confies em mim. – Ele estava sentado e ela em pé á sua frente, ele esticou a mão para cruzar com a mão dela, que aceitou e fez os seus dedos cruzarem-se. Ela sentou-se ao colo dele, por autoconvite e Fábio encostou a sua cabeça ao ombro de Rita e ele começou a cantar baixinho, canção que Rita reconheceu de imediato e cantam juntos:

I got this feeling on the summer day when you were gone (Senti algo num dia de verão quando te foste embora)
I crashed my car into the bridge (Bati com o meu carro na ponte)
I watched, I let it burn (Vi e deixei-o arder)
I threw your shit into a bag and pushed it down the stairs (Atirei as tuas coisas de m#rda numa mala e mandei pela escadaria)
I crashed my car into the bridge (Bati com o meu carro na ponte)

I don’t care, I love it, I don’t care (Não quero saber, eu amo isto, não quero saber)

I got this feeling on the summer day when you were gone (Senti algo num dia de verão quando te foste embora)
I crashed my car into the bridge. I watched, I let it burn (Bati com o meu carro na ponte)
I threw your shit into a bag and pushed it down the stairs (Atirei as tuas coisas merd#s numa mala e mandei pela escadaria)
I crashed my car into the bridge (Bati com o meu carro na ponte)

You’re on a different road, I’m in the milky way (Estamos numa estrada diferente, eu estou na Via Láctea)
You want me down on earth, but I am up in space (Tu queres-me na Terra, mas eu estou lá em cima, no espaço)
You’re so damn hard to please, we gotta kill this switch (Tu és tão difícil de agradar, temos de acabar com isto)
You’re from the 70’s, but I’m a 90’s b*tch (Tu és tão anos 70 e eu sou tão anos 90, cabr#o)

I love it (Eu amo isto)
I love it (Eu amo isto)

I got this feeling on the summer day when you were gone (Senti algo num dia de verão quando te foste embora)
I crashed my car into the bridge. I watched, I let it burn (Bati com o meu carro na ponte)
I threw your sh*t into a bag and pushed it down the stairs (Atirei as tuas coisas de merd# numa mala e mandei pela escadaria)
I crashed my car into the bridge (Bati com o meu carro na ponte)

I don’t care, I love it (Eu não quero saber, eu amo isto)
I don’t care, I love it, I love it (Eu não quero saber, eu amo isto, eu amo isto)
I don’t care, I love it. I don’t care (Eu não quero saber, eu amo isto. Não quero saber)

You’re on a different road, I’m in the milky way (Estamos numa estrada diferente, eu estou na Via Láctea)
You want me down on earth, but I am up in space (Tu queres-me na Terra, mas eu estou lá em cima no espaço)
You’re so damn hard to please, we gotta kill this switch (Tu és tão difícil de agradar, temos de acabar com isto)
You’re from the 70’s, but I’m a 90’s b*tch (Tu és tão anos 70 e eu sou tão anos 90, cabr#o)

I don’t care, I love it (Não quero saber, eu amo isto)
I don’t care, I love it, I love it (Não quero saber, eu amo isto, eu amo isto)
I don’t care, I love it (Não quero saber, eu amo isto)
I don’t care, I love it, I love it (Não quero saber, eu amo isto, eu amo isto)
I don’t care (Não quero saber)



-Posso partilhar algo contigo? – Perguntou Rita receosa.

-Claro! – Disse Fábio. – Afinal para que servem os desconhecidos dos autocarros? – Perguntou enquanto trocavam um sorriso cúmplices os dois, seria um segredo só deles, algo que os unia. Uma brincadeira apenas deles. Nunca tinham partilhado aquela informação com alguém e tinham-na partilhado também com outra pessoa que não era amiga. O mais próximo que se poderia chamar era desconhecido, essa sim era a palavra que os descrevia, ou talvez não.

-Tonto! – Disse animada. – Prometes que não te chateias?

-É algo assim tão chocante?

-Um bocadinho! – Na realidade Rita tinha apenas medo de lhe dizer o que pensava e mais tarde o perder. Aos poucos estavam-se a tornar amigos, mas apenas um passo de cada vez.

-Agora é que me vais contar que fiquei curioso!

-Não digas que não te avisei! Onde tens o pc?
Fábio explicara-lhe onde tinha o seu computador e trouxe-o até à sala onde estavam, fez questão de lho ligar. Sentaram-se lado a lado e Rita sempre atenta para ver e mexer no computador de Fábio, talvez ali guardasse a lista das suas ex-namoradas, ou fotografias, ela queria apenas saber se ele curtava laços com elas e não passavam de números ou se tinham tido algum significado para ele, e através do computador talvez soubesse, mas não iria fazer nada para matar a sua curiosidade, mas não iria fazer isso, seria invadir a sua privacidade. Fábio estava curioso por saber o que Rita lhe iria dizer. Não iria ficar chateado com ela, por razão alguma. Ela ligou a internet e procurou uma música. Ele ficou surpreendido, como se poderia chatear com ela por causa de alguma música?! De certo não era uma declaração de amor, o que o esperava?

Wasn't looking for trouble, but it came looking for me (Não estava á procura de problemas, mas eles vieram ter comigo)
I tried to say no but I can't fight it she was looking lovely (Tentei dizer que não mas não consigo lutar se ela até parece amorosa)
She kinda reminds me of a girl I know (Ela faz-me lembrar uma rapariga que conheço)
This pretty young thing that I got waiting for me back at home (Essa coisa linda que ficou à minha espera lá em casa)

She's got my engines turning this happens every time (Ela põe o meu motor a funcionar e acontece cada vez que )
I see a pretty girl and I wanna make her mine (Vejo uma rapariga linda e quero fazê-la minha)
They send my rocket to the sky I want them (Enviam o meu foguete para o céu, eu quero isso)
But should I go for them, I'm like Houston (Mas devo ir com eles, sou como Houston)
I think we got a problem (Acho que temos um problema)
Problem problem problem, girls girls girls girls (Problema, problema, problema, raparigas, raparigas, raparigas, raparigas)

Girls girls girls I just can't say no (Raparigas, raparigas, raparigas, não consigo dizer que não)
Never see them coming I just watch them go (Nunca as vejo a chegar, só as vejo a partir)
Girls girls girls I just can't say no (Raparigas, raparigas, raparigas, não consigo dizer que não) 
Never see them coming I just wa-wa-wa-wa-watch them go (Nunca as vejo a chegar, só as vejo a partir)
Take control, making me sweat girl run that show (Toma controlo, faz com que a doce rapariga mande nesta festa)
It's them girls girls girls I just can't say no (É estas raparigas, raparigas, raparigas, não consigo dizer que não)
Houston I think we got a problem (Houston, penso que temos um problema)

Some girls are naughty some girls are sweet (Algumas raparigas são malcomportadas, outras são doces)
One thing they got in common (Uma coisa que têm em comum)
They all got a hold on me (Todas têm influência em mim)
Meet them at the party meet them in the street (Conheço-as na festa, conheço-as na rua)
Getting me in so much trouble but that's alright with me (Ponho-me em tantos problemas, mas está tudo bem comigo)

They got my engines turning this happens every time (Põe o meu motor a funcionar, e acontece cada vez)
I see a pretty girl and I wanna make her mine (Que vejo uma rapariga bonita e quero fazê-la minha)
They send my rocket to the sky I want them (Enviam o meu foguete para a lua e eu quero isso)
But should I go for them, I'm like Houston (Mas eu devo ir com eles, sou como Houston)
I think we got a problem (Penso que temos um problema)
Problem problem problem, girls, girls, girls, girls (Problema, problema, problema, raparigas, raparigas, raparigas, raparigas)

Girls girls girls I just can't say no (Raparigas, raparigas, raparigas, apenas não consigo dizer que não)
Never see them coming I just watch them go (Nunca as vejo a chegar, só as vejo a partir)
Girls girls girls I just can't say no (Raparigas, raparigas, raparigas, apenas não consigo dizer que não)
Never see them coming I just wa-wa-wa-wa-watch them go (Nunca as vejo a chegar, só as vejo a partir)
Take control, making me sweat girl run that show (Toma controlo, faz com que a doce rapariga mande nesta festa)
It's them girls girls girls I just can't say no (É aquelas raparigas, raparigas, raparigas. Não consigo dizer que não)
Houston I think we got a problem (Houston, penso que temos um problema)

Ohhhhhhh I think we got a problem (Ohhhhhh, Penso que temos um problema)
Looking like a model making me stare (Parecem modelos, fazem-me olhar)
All them pretty girls are standing right there (Todas as raparigas bonitas estão ali)
Doing that thing it's just not fair (Faz com que não seja justo)
How come all the pretty girls are up in here (Como é que todas as raparigas bonitas estão por aqui?)
Looking like a model making me stare (Parecem modelos, fazem-me olhar)
All them pretty girls are standing right there (Todas as raparigas bonitas estão ali)
Doing that thing it's just not fair (Faz com que não seja justo)
How come all the pretty girls are up in here? (Como conseguiram que todas as raparigas bonitas aqui tivessem?)

Girls girls girls I just can't say no (Raparigas, raparigas, raparigas, não consigo dizer que não)
Never see them coming I just watch them go (Nunca as vejo chegar, só as vejo a partir)
Girls girls girls I just can't say no (Raparigas, raparigas, raparigas, não consigo dizer que não)
Never see them coming I just wa-wa-wa-wa-watch them go (Nunca as vejo a chegar só as vejo a partir)
Take control, making me sweat girl run that show (Toma controlo, faz com que a rapariga doce mande nesta festa)
It's them girls girls girls I just can't say no (São estas raparigas, raparigas, raparigas, não consigo dizer que não)
Houston I think we got a problem (Houston, penso que temos um problema)

Problem problem problem (Problema, problema, problema)


-Sempre que ouvia esta música, lembrava-me de ti! Achava que a música te descrevia na perfeição, ou melhor a tua relação com as raparigas e as tuas “curtes” como lhe chamas. – Rita não poderia ter sido mais direta e franca.

Será que Fábio irá ficar chateado com Rita?

Como irá reagir? Será que é o fim da amizade que os começava a unir?

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Capítulo 04 O Abraço


Ele aproximava-se dela sempre com os olhos fechados mas focado nos seus lábios e Rita olhava para os seus, suficientemente carnudos e sexys, no seu íntimo confessara que até apetecíveis. O seu perfume entranhava-se nas narinas dela, e o seu hálito cheirava bem. A sua mão esquerda estava pousada na anca e a mão direita estava ao lado encostada á parede fria bem ao seu lado, onde estava também encostada. Fechou os olhos, iria aceitar e corresponder aquele beijo. Podia arrepender-se mas seria um arrependimento de algo que outrora lhe soubera bem. Fechou também os olhos e sentia já a respiração dele sobre a sua pele. Agarrou na t-shirt dele, bem perto da gola decotada e fê-lo aproximar-se de si, os lábios estavam a dois milimetros de distância, no máximo. A sua mão esquerda estava já no fundo das suas costas, debaixo da camisola, com vontade de a beijar. E Rita sussurrou:

-Não. – Agarrou-o nele e trocou de posições. Encostou-o á parede e ficou ela de frente para ele. Fábio abriu os olhos e não sabia o que fazer ou como reagir. Ela continuava a agarrar-lhe na t-shirt com as duas mãos e ele agarrava-o com as duas mãos no fundo das costas. Embora as suas palavras dissessem algo, os gestos de Rita diziam o oposto. – Assim nunca me irás conquistar. – Deu-lhe um beijo na bochecha, mas bem perto dos lábios para o provocar. Pousou as mãos ao lado dele e sorriu-lhe enquanto ele abri-a os olhos surpreendido por aquela atitude. – Tudo o que diziam de ti é a mais pura das verdades. Não podes ver um rabo de saias que queres logo algo para te satisfazer. Queres sempre uma rapariga para matares um vazio que está dentro de ti, e sabes o que é esse vazio? Ou muito me engano ou estás magoado porque alguma rapariga te deixou ou simplesmente tens inveja porque toda a gente já te falou, porque sentiu o amor e tu não, mas isso é frustração. E não é com aventuras de uma noite ou pouco mais que vais lá. Queres uma boa noite de sexo tens remédio, ou vais ter ás meninas ou arranjas uma boneca insuflável, senão conheço muitas que são capazes de te fazer favores a troco de nada. Não ponho rótulos ás pessoas, mas elas já fazem os seus próprios rótulos. Se quiseres a minha amizade vais ter de me reconquistar, porque não vou cair em nenhuma das tinhas tentativas de sedução. Até podes ser bonito e charmoso, mas apesar de jamais dizer nunca, sei que não irei namorar contigo ou ter qualquer tipo de relação. – Soltou a gola decotada da camisola que ficou um bocado mais amachocada do que estava outrora e saiu de perto dele. Em direção a sua casa. Mas Fábio agarrou-lhe no braço enquanto ela se virava e disse:

-Lamento que tenhas essa opinião sobre mim. Ouve química entre nós e pensei que podia nascer uma curte, assim tu podias recuperar do que se passou contigo e eu ficaria bem. Não era nada sério, apenas porque nos entendemos. – Pela primeira vez Rita olhou para ele desde que ele começara a falar. - Não beijo as raparigas se elas não quiserem, pensei que também querias. – Respondeu com o tom de voz mostrando arrependimento.

-Desde que me viste tiveste estas segundas intenções e logo que falaste comigo no facebook também, simplesmente pensaste que ia ser mais uma não é verdade? Não é por ser eu, simplesmente é por ser uma rapariga. Assume isto!  - Estavam frente a frente um com o outro, com os olhares enfurecidos no hall de entrada daquele prédio. – Mas enganaste que eu não vou cair nas tuas palavrinhas e nos teus joguinhos mentais que todas as raparigas caiem, conheço todos os jogos de sedução e tudo o que possas dizer. Já passei pelo mesmo e cai, pensei que os players mudavam mas não mudam!

-Nem toda a gente é pessoa para por um par de cornos a uma rapariga e a trocar por uma galdéria qualquer! Porque pelo pouco que percebo de amor, consigo entender que isso só é uma prova que não te amava mesmo!

-Não te admito ouviste?! – Disse revoltada Rita, já visivelmente magoada com as palavras que Fábio lhe dissera e com os pensamentos que lhe assombravam a mente. Não tinha sido as palavras que ele dissera, mas sim a verdade que ela negava a si mesma e que a assombrava por lhe terem dito e ela saber que era verdade. -Que mural tens tu para falar seja do que for? – Não iria ficar sem resposta, podia-lhe magoar responder da mesma moeda, mas faria-o.
Fábio era bom amigo, sabia bem ouvir os outros e mesmo quando não compreendia o que sentiam, tentava ajudá-los. Desta vez ele não sabia o ódio que Rita sentia, o sofrimento po causa de uma traição e o fim de uma relação amorosa, nunca tinha sentido o mesmo, mas sabia o que era um desgosto e sabia como podia apoiá-la. Agarrou-a e deu-lhe um abraço forte e ela encolheu-se nos seus braços, ele era alto e forte e era um abraço daqueles que ela precisava. De um abraço de amizade, de carinho, algo que lhe faltava, não era um amigo mas estava a ter um gesto de amizade. A diferença entre ambos era notória, e de uma certa forma bonita, Rita tinha 1 metro e 60 centímetros e Fábio 1 metro e 87 centímetros, o que fazia uma diferença de 27 centímetros, o que fazia ela perder-se nos braços dele e sentir-se bem. Ela perdera não só o namorado, como o melhor amigo. Ele apertou-a fortemente nos seus braços, sabia que ela precisava de carinho e ela apertou-o também. Ficaram em silêncio durante um bocado e ele sussurrou:

-Desculpa pelo que disse. Não queria magoar-te, fui rude e frio, lamento. – Ela nada respondeu, continuou a chorar nos braços dele e só parou quando se sentiu melhor. Fábio não era seu amigo, pelo menos por enquanto mas estava a ajudá-la e ela precisava de ter um amigo a seu lado, um verdadeiro amigo que a apoiasse e ele estava do lado dela, ele sentia-se bem em ajudá-la, tinha apenas a doce intenção de ser amigo dela, de a ajudar. – Anda para minha casa, comes alguma coisa, mudas de roupa e se quiseres tomas banho. Não podemos ficar aqui. – Fábio tocou na bochecha de Rita onde uma lágrima cai-a e ela arrepiou-se, mas não era pelo toque dele. Limpou-lhe a lágrima que cai-a pela sua bochecha esquerda. Era pelo gesto de amizade, pela atitude dele, depois de ter cometido um erro com aquele quase beijo tentava-se redimir provando que se deixou levar por um pensamento, mas que tentava compensar. Iriam tentar ser amigos, iriam conseguir.

-Não te quero maçar. A sério eu vou para a minha casa e já passa. – Limpou a lágrima que estava presa na bochecha direita com a manga da camisola.

-Não digas disparates. Hoje só te vou largar quando te provar que estava enganado quando quase te beijei, e que estás enganada a meu respeito. Que quero a tua amizade e que só te quero ver bem. – Apertou-a fortemente nos seus braços. E ela voltou a chorar. Fábio pegou nela ao colo e levou-a até sua casa. Abriu a porta e notou que ela tinha adormecido, possivelmente cansada e desiludida consigo mesma e com a vida que lhe pregara partidas tão grandes. Fábio não sabia que os pais dela se tinham separado recentemente, não sabia que Tiago era também o seu melhor amigo, apenas sabia do final de relação entre si e o seu ex-amigo. Deitou-a sobre o sofá e foi buscar uma manta para cobrir-lhe o corpo. Abriu a porta de casa devagarinho e foi tocar a casa de Rita, o pai abrira-lhe a porta e explicara que ela estava em casa dele, tinha adormecido, e que não a queria acordar, possivelmente jantaria e dormiria lá. Quando acordasse voltaria para casa, prometera Fábio.


Ele preparou o jantar, apesar de cozinhar não ser o seu forte e preferir tirar fotografias ou jogar futebol, era um dever que tinha de cumprir e nesta situação iria preparar algo para Rita e para si próprio comerem, ela precisava de recompor energias, ele precisava apenas de matar a fome. Mas Fábio olhava Rita admirado, pela forma como ela até a dormir era querida. E parecia feliz, estranhamente feliz. Não resistiu em tirar-lhe uma fotografia e guardar para si próprio.


Rita despertou e Fábio levou até si um tabuleiro com o jantar e sentou no chão, bem perto dela também com um tabuleiro para jantar. Ela queria sentar-se no sofá para ele sentar-se também no sofá e jantar, mas ele não quis. Jantaram e ele levou os tabuleiros para a cozinha, ela queria ajudá-lo, mas ele não permitiu. Voltou para junto dela e ela permanecia deitada, ele sentou-se no chão ao seu lado frente a frente com ela e disse.

-Tu precisas de um amigo e eu vou sê-lo. Podes desabafar comigo. – Disse calmamente e com a voz rouca, que o caracterizava.

Será que Rita vai esquecer o “quase beijo” e desabafar com ele?
Será o inicio de uma história de amizade? E como ficaram depois de tudo?  

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Capítulo 3: O Beijo


















Rita não podia crer no que os seus olhos observavam. Ela era vizinha... Dele? Demasiada coincidência, poucas probabilidades e um país com 10 milhões de pessoas e por curiosidade, ele morava no mesmo prédio que ela. Fábio Cardoso, o nome diz alguma coisa? Pois, a Rita dizia. O rapaz mais mulherengo e com mais história que ouvira em toda a vida! Esticou a mão em direção á sua, para lhe dar um “passou-bem” e disse:

-Olá! – Sorriu. E Rita confessava a si mesma que tê-lo a menos de dois metros de si, o tornava ainda mais bonito. E... Sexy! Bem era esta a palavra, chegava a esta conclusão Rita. – O meu nome é Fábio Cardoso e sou teu vizinho da frente. – Não conseguia reagir. Estava surpreendida. – Tu és a Rita Madeira não és? – Corou. Como é que ele sabia o seu nome?

-Sim. Dizem que sim. – Respondeu Rita sorrindo. – Conheces-me? – Se havia algo que ela gostava era deixar tudo claro. Não o conhecia pessoalmente e não era “conhecida” por isso não havia motivos para ele a conhecer. Tinham já falado mas podia ser apenas por ele ter segundas intenções consigo, que não eram de todo retribuidas. Não queria ser apenas “uma” rapariga na conta pessoal de ninguém. –Quer dizes ainda há pouco falamos mas podias já te ter esquecido. – Disse sinceramente. -Ou teres segundas intenções não retribuidas. – Disse baixinho entre-dentes.

-Sim, como te disse já me falaram de ti, por seres a única rapariga a seguir e a assistires aos jogos da minha equipa que pertence à claque. E era amigo do Tiago. –Tinha namorado com o Tiago dezoito meses e não sabia que eles eram amigos, o que a apanhou completamente desprevenida  -E quanto a segundas intenções está descansada que não as tenho. – Nestas palavras, Rita não acreditou.

-Já não és amigo do Tiago?  

-Depois do que ele te fez não consegui voltar a falar com ele como antes. E a Adriana é minha ex-namorada, por isso conheço-a muito bem.

-Uma de muitas não é verdade? – Perguntou para si mesma em voz alta.

-Quem muito fala pouco acerta e muitas das histórias que ouves  minhas não correspondem à verdade.

-Então estás-me a querer dizer que não engravidaste uma rapariga e a fizeste abortar só porque não querias ser pai apesar dela ser contra o aborto? – Perguntara sem receios.

-É totalmente falso. É verdade que ela desconfiou que estava grávida e eu falei em aborto, mas apenas porque não tinhamos condições para tê-lo, nem sequer sabia que ela era contra o aborto. Mas ela nem sequer estava grávida, foi um atraso. E essa rapariga era a Adriana.

-A atual do Tiago? – Respondeu acenando positivamente com a cabeça.

Ela não é nada daquilo que parece. – Concluiu em forma de desabafo Fábio.

-Tu também não! – Disse interiormente. – És bem mais sexy a esta distância! – Se havia algo que não era, era cega e aquele rapaz, apesar de ser mulherengo era bastante atraente.

-Cada um aprende com os seus erros. – Vindo de casa do Fábio veio uma rapariga. Sozinho aquele rapaz nunca poderia estar não é verdade? Posicionou-se ao lado do Fábio, deu-lhe uma palmada na cabeça e cumprimentou Rita com dois beijinhos, um em cada bochecha.

-Olá! Chamo-me Tânia e sou a melhor amiga deste tolo. – Eles trocaram um olhar cúmplice. – E tu deduzo que és a vizinha da frente que o Fábio vinha oferecer pizza mas entretanto deve-se ter esquecido. – Disse bem-disposta e sempre com um sorriso na face.

-Sim. Sou a Rita Madeira e não, o Fábio não me falou em pizzas mas confesso que a ideia me agrada! Claro senão for muito incómodo!

-Claro que não! Então vou só buscá-las e já volto. – Virou costas e foi embora. Mas para Rita tinha sido estranho os sorrisos que eles deram e os olhares que fizeram depois de dizer o seu nome, será que estavam a gozar consigo?

-E então amanhã quais são os teus planos? – Perguntou ele.

-Tenho de acabar de arrumar a minha casa, pelo menos o que falta, vou levar o meu irmão á escola, ir descobrir aqui as redondezas e ir á minha escola nova que acho que é aqui perto. Resumindo: um dia muito atarefado!

-Se quiseres posso dar-te uma ajudinha. Na parte das arrumações secalhar é melhor não que sou um desastre mas de resto acho que posso dar uma mãozinha. Mas terá de ser tudo da parte da tarde que só saiu mais ou menos para a hora do almoço do treino.

-Não quero dar trabalho e deves ter mais que fazer.

-Se tivesse achas que me oferecia? – Perguntou cruzando os olhares com os dela. Tinha uns olhos lindos que a faziam arrepiar e era bonito, aliás gato como a minha melhor amiga sempre lhe corrigia, quando falavam de rapazes bonitos! – Depois do almoço venho aqui tocar-te a casa. Está combinado?

-Sim, pode ser! – Dito isto apareceu Tânia com as pizzas, agradeceu e despedi-me deles, enquanto Rita e Fábio fechávamos as portas uma em frente da outra, ele mandara-lhe um beijinho com a boca e com as mãos. Rita soube logo que ele tinha segundas intenções e que não era apenas um gesto de amizade. Mas enganava-se redondamente, pelo menos por enquanto.
Levou as pizzas até á cozinha onde ela e o meu pai comeram, e guardou o que sobrava para o almoço do dia seguinte. Agora tinha de se habituar, teria de fazer almoço para si e o meu pai levarem ora para a escola ora para o trabalho. Mas no dia seguinte, seria a única excepção  Fui tomar banho e deitei-me, sabendo que tinha de acordar cedo para ir pôr o seu irmão à escola, depois viria até casa arrumar o que faltava e esperava pelo Fábio, enquanto preparava o almoço e o jantar. Foi tomar banho e deitar-se logo depois.
Acordou na manhã seguinte e foi preparar o pequeno-almoço para o seu pai e irmão, bebia sempre um copo de leite e só a meio da manhã é que conseguia comer algo, não era por falta de vontade, simplesmente não conseguia. O estômago não o permitia. O irmão e o pai tomaram banho e vestiram-se. Enquanto tomavam o pequeno-almoço foi tomar banho e vestir-se. Quando chegou à cozinha o pai já tinha ido embora, seria o primeiro dia de trabalho e queria ir cedo para o local. Rita levara o meu irmão para a escola, ainda era uma viagem a pé por volta de 15 minutos, mas não se importava de andar. Rita nunca levara o seu irmão na sua mota, apesar do pai autorizar, ela não queria. E sempre que ia andar e voltava a correr, era excelente para si fazer alguma corrida para manter a forma física.
Acabou as arrumações que faltavam em casa e mudou de roupa, fora preparar as refeições. Só lhe faltava almoçar, mas tocaram à campainha e era o Fábio. Rita abriu e perguntou se  á tinha almoçado, ele respondeu que sim, por isso pedi-lhe para esperar enquanto comia. Rita tinha medo que ele tivesse segundas intenções consigo, mas acreditando na palavra dele decidi dar-lhe uma oportunidade, confiava sempre nas pessoas até prova em contrário. O Tiago ligara-lhe para o telemóvel mas não atendera, nem lhe iria retribuir a chamada. Não queria falar com ele, pelo menos até o esquecer. Almoçou e sempre que o Fábio a olhava, sentia-se envergonhada.
Arrumou a cozinha e conversaram animadamente, tinham-se dado bem e havia alguma “química” não era no sentido amoroso, mas tínhamos realmente simpatizado um com o outro. Discutiram sobre se levava Rita a moto, que apelidara de Ashley ou Fábio o seu carro, que ela apelidara de Tobias, ele acabou por a convencer dizendo que senão fossemos de carro fazia “queixinhas ao meu papá  e embora a brincar acabou por ceder. Como não tinha carta de condução de carros tinha de ser ele a levar o carro e a conduzir.
Em primeiro lugar, mostrou-lhe quais eram os sítios mais conhecidos das proximidades, onde moravam alguns amigos dele (também jogadores do Benfica) e a escola onde ele andou, que por acaso é a mesma que Rita iria frequentar até acabar o secundário, que se tudo corresse bem seria em Junho. Apesar de não querer, ele apresentou-lhe alguns dos seus ex-colegas e agora atuais de Rita, queria conhecer por si mesma, mas ficou agradecida a ele pela atenção que lhe prestara. Conseguiu ver a turma onde fora posta e o horário que me tinha, era bastante bom, o que satisfizera tanto Rita como Fábio! Teria 3 tardes livres e entrava sempre cedo, e as horas de almoço eram suficientes para vir a casa e chegar a tempo ás aulas, de moto claro.
Regressaram para casa e o Fábio convidou-a para ir lanchar a casa dele, Rita ficou reticente. Quando chegaram à entrada do prédio, ele empurrou-a para se encostar a parede, com pouca força mas deixou-a sem reação. Aproximou-se dela, encurtando a distância que havia. Focou o seu olhar nos lábios dela e separou ligeiramente o lábio inferior do superior, fechou quase totalmente os olhos e os seus lábios vinha, em direção aos de Rita. A sua mão esquerda estava no queixo da sua nova amiga e a direita estava na cintura dela. Ele ia beijá-la, e não sabia se reagia ou não. Rita não sabia se queria ou não aquele beijo. Dele.

Será que Rita quer o beijo de Fábio? Ou não?

Será que vai reagir? 

sábado, 28 de setembro de 2013

Capítulo 2: Vizinha!


“Olá! Tudo bem? Por acaso não és aquela rapariga que acompanha a claque dos No Name que acompanha a minha equipa para todo o lado?”

Fora aquela a mensagem que Fábio enviara a Rita através daquela rede social. Tinham-lhe contado que Tiago, aquele rapaz que ele considerava um amigo tinha trocado uma relação de ano e meio por uma aventura. Tiago fora em tempos, namorado da sua melhor amiga Tânia e magoara-a muito, por isso Fábio sentia quase como “obrigado” a ajudar Rita a ultrapassar aquele momento e ele já também já tinha tido uma relação com Adriana, curta como sempre, mas ele conhecia-a suficientemente bem para dizer que ela não lhe seria fiel durante muito tempo. E que muito menos o faria feliz como ele esperava. Apesar do estilo de mulherengo de Fábio, ele deixava sempre bem claro ás raparigas que não era uma relação séria. Que ele não se apaixonava, podia ter sido feliz e ter-se sentido bem mas não queria relações sérias, não se ia apaixonar e não acreditava no amor. Quando lhe contaram que Tiago “trocara” de namorada, Fábio não conseguiu continuar a falar como fazia com ele. Não conhecia Rita, mas conhecia Adriana e isso era razão suficiente para a sua mudança de atitude, conhecia Tiago que destruira o coração de Tânia, que o amou e a fez crer que o amor era correspondido e iriam ser felizes, juntos, e no dia seguinte acabou a relação que os unia. Queria tentar ajudar Rita, queria tentar animá-la, mas ele nunca se apaixonara antes, mas estava disposto a tentar. Ao contrário de todas as outras vezes que falara com raparigas, á exceção da sua melhor amiga, não tinha... Segundas intenções. Não sabia se ela iria responder, mas sabia que assim que mandasse aquela mensagem ficaria de uma certa forma mais tranquilo, sentia necessidade de ajudar aquela rapariga que estava desiluida e magoada. Ele sabia que já deixara algumas em situação idêntica, sabia que já magoara e desiludira, raparigas com que tivera relações sem compromissos como fazia questão de frisar, mas não era por mal. Nunca fora sua intenção desiludir ninguém, mas acidentalmente fizera-o. E lamentava-se por isso. Passado alguns minutos, ela respondeu:

“Olá. Sim está tudo e contigo? Sim sou eu mesma!! Que eu saiba sou também a única rapariga da claque acompanha a equipa B. Mas porquê?”

Fábio recebera mensagens de outras raparigas, de amigos, mas naquela noite só tinha olhos para qualquer resposta de Rita. Não tinha intenções de ter uma relação com ela, nem de se tornarem amigos. Queria apenas melhorar o seu dia, fazer vê-la que nem tudo estava perdido e mesmo que o amasse, sentimento desconhecido por Fábio, havia sempre solução e que tudo na vida acontecera por algum motivo e o motivo era provar-lhe que Tiago não gostava assim tanto dela como parecia. Ela podia não querer falar com ele, tinha razões para tal. Não eram amigos, não se conheciam mas ele sentia que tinha de fazer algo por ela, que era sua obrigação, mas não era algo mau. Fábio sentia-se responsável por Rita, talvez fosse porque Tiago já outrora tivesse sido seu amigo ou por Adriana ser um ex relacionamento seu, ou até mesmo por Tiago já ter namorado com Tânia e Fábio queria ajudar Rita a não sofrer tanto como ela sofreu e demorou a recuperar, ou talvez não, ele não fazia a menor ideia mas queria fazê-lo. Precisava disso para dormir descansado naquela noite. Ela respondeu! Não sabia explicar mas a história dela afetara-lhe de uma forma estranha que nunca ou quase nunca o tinha afetado. Respirou fundo depois de ler a resposta, sentia-se nervoso e ansioso. Sentia que precisava de ser amigo dela, que sabia ajudá-la a resolver aquele e outros problemas, curiosidade em conhecê-la, desta vez sem intenção de nada sem ser amigos, quando soube da história ficou com o pressentimento que ela era uma pessoa sozinha e ele a ajudaria. Digitou:
“Tenho amigos na claque e falaram-me muito de ti. E soube o que se passou, eu era amigo do Tiago mas depois do que ele fez não consigo olhar para ele da mesma forma. Apesar de não sermos amigos, podes contar comigo para desabafar, para chorar ou até mesmo para falar”.
O seu telemóvel tocou. Era a sua melhor amiga. Embora ele quisesse mesmo saber qual era a resposta de Rita, tinha de atender aquela chamada. Tinha combinado que ela dormiria em sua casa e esquecera-se. Não queria culpar Rita mas ela tinha estado na sua cabeça durante todo o dia. Estava a afetá-lo de uma forma particular, como nunca fora afetado antes. Os motivos eram desconhecidos, embora houvesse uma pequena suspeita, o sentimento de responsabilidade, as suas histórias já se tinham cruzado por mais que uma vez e ele queria aproximar-se dela. Passara a tarde inteira em casa, sem falar com ninguém, em frente ao computador á espera que Rita entrasse naquela rede social. Não queria que ela entrasse e visse a mensagem queria enviar-lhe enquanto ela lá estivesse e depois podia responder. Levantou-se e foi atender o telemóvel.

-Que me queres? – Perguntou rudemente Fábio depois de atender a chamada. Na realidade queria poder contar tudo a Tânia, sua melhor amiga, mas só podia contar depois de acontecer.

-Tão simpático que o meu melhor amigo está hoje! – Criticou-o. – Mandei mensagens, chatiei-te no facebook, e tu nada. Esqueceste-te que tinhamos combinado que ia dormir a tua casa? Estou á porta da tua casa á séculos. – Explicou a rapariga.

-Não, não esqueci. Quando acabar isto vou já abrir. Agora tenho de desligar beijinhos. – Nem lhe deu tempo de responder, desligou a chamada e voltou para o sofá onde tinha o seu computador portátil.

Sentou-se e colocou o computador no seu colo e foi novamente para as mensagens. Havia de outros amigos, da sua melhor amiga, mas ele não as iria ver, pelo menos não hoje. Rita saira e não lhe respondera, nem tinha visto a mensagem. O que o desiludiu e sentiu-se um pouco culpado por a ter abandonado sem avisar. Desligou o computador e foi abrir a porta de sua casa. Distraído sempre a pensar em como aquele sentimento estranho mas tão forte como sempre lhe descreveram, chamado amor, se alguém amasse realmente outra pessoa não a trairia, era a opinião dele, apesar de nunca ter sentido aquele sentimento e não saber até onde ele o poderia levar. Abriu a porta e cumprimentou a sua melhor amiga, depois conversaram bastante, Fábio contara-lhe o que se andava a passar na sua cabeça, o quanto a história daquele final de relação do “triângulo amoroso” de ex-namorado dela e da sua ex-namorada e da simples Rita, mas suficientemente forte na cabeça (e quem sabe coração) dele o afetara,  como nunca tinha acontecido. Ela ficou surpreendida e enquanto pensava numa resposta, dissera-lhe que os novos vizinhos tinham-se mudado para o prédio dele, mais concretamente para a casa que havia em frente da de Fábio. Quando conseguiu chegar a uma conclusão disse que nunca tinha conhecido aquele lado de Fábio, nunca algo assim o tinha afetado e ela não sabia explicar, sabia que ele tinha bom coração e era amigo do seu amigo, mas de onde teria vindo a vontade de se aproximar para uma amizade por um fim de relação, sem segundas intenções? Ele era amigo do seu amigo, mas porquê aproximar-se de alguém a quem não devia nada só para falarem sobre algo que ele não entendia e não podia ajudar?! Era uma pergunta sem resposta mas decidiram mudar de assunto. Pouco faltava para as 20h, horas em que iam jantar, mas primeiro Fábio ia apresentar-se e conhecer os novos vizinhos e oferecer-lhes o jantar, com a mudança e a movimentação do dia, estariam exaustos e nem se tinham lembrado de tal refeição. A sua melhor amiga ficou em casa á espera das pizzas que chegariam a qualquer instante e ele foi tocar aos seus vizinhos.
Apesar do aspeto desleixado, com roupa prática de fato treino e com claro cansaço do dia, ele ficou admirado, pela beleza da sua nova vizinha mas também pela sua expressão, pela sua face, que não lhe era nada estranha. Parecia ser mais jovem que ele, mas tinha um brilho especial. Ele só tinha falado com ela uma vez, não a conhecia mas sabia o seu nome e ficou admirado por aquela mulher meio menina. Devia ter dezasseis anos, aparentava ainda ser menor, mas tinha um olhar que o fixava desde o inicio. Fábio tinha visto diversas raparigas bonitas que o cativaram e aquela não era exceção, mas esta era sua nova vizinha e ele gostava disso. Queria criar uma amizade com ela, de alguma forma ajudá-la...

Quem será a nova vizinhança de Fábio?

Será que ficaram amigos? Será que Rita irá responder
à mensagem dele?

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Capítulo 1: Inesquecível


Na vida de Rita parecia nada fazer sentido. A última semana tinha sido desastrosa. A sua relação de ano e meio em que tinha depositado fé, esperança e confiança acabara por causa de uma traição. O divórcio dos seus pais que sempre foram o seu exemplo e sempre foram o casal perfeito e a idealização do seu sonho de família. E a perca do seu emprego afetaram a jovem de 17 anos. Tudo parecia ruir o mundo tal como o conhecera. Tinha de ser forte. Não por si, mas pelo irmão Pedro de 6 anos, de quem era o ídolo. Tinha de o fazer crer que tudo estava bem, embora ela não acreditasse nas palavras que dizia. Gostava sempre de sorrir, gostava de demonstrar que estava bem, mesmo que a vontade fosse chorar.

Refugiava-se na praia e chorava, porque só ali as suas lágrimas pareciam pequenas. E o mar embora não lhe respondesse, ela sentia que a ouvia e não se sentia sozinha na praia, confessando tudo o que sentia. A moto que conduzia tinha sido oferecida no seu último aniversário pelos pais, dava-lhe uma sensação de adrenalina e vida, sempre que a conduzia. O vento bater-lhe na cara dava-lhe uma noção de controlo mas também de emoção. A velocidade que embora não fosse exagerada, embora fosse elevada fazia sentir que o seu coração palpitava como sempre fora habituada a ouvi-lo. Davam-lhe sentimentos que ela pensava nunca mais sentir. Sabe Deus os pensamentos que atravessam que nem uma flecha aquela cabeça e a dor que palpitava a cada segundo no seu peito. Porque é que a vida lhe era tão injusta? Tinha amado e entregue o seu coração e tinha ficado despedaçado.

Tiago era o seu melhor amigo e namorado, confiava-lhe a vida se fosse preciso. E ele traira-a, exatamente na véspera de comemorarem dezoito meses de namoro. Ela descobrira e sentia-se humilhada, desprezada, traída. Ela apenas conseguia chorar, sentia-se completamente sozinha no mundo, mas assim que conversou com ele noticara-lhe que por muito que ele a tentasse reconquistar, não conseguiria. A confiança que antes depositara nele morrera e a amizade apenas conseguia ser reconquistada com o tempo. Ela sabia que apesar de ainda o amar e possivelmente ama-lo-ia para sempre, não conseguiria voltar a ser feliz ao lado dele. Como é que ele tinha sido capaz? Ela tinha-o mudado, tinha-o feito crer no amor e dera tudo o que tinha à relação. Ele não dava valor aos que o amavam, desprezava para esquecer os que ele amava, Rita fez com que ele acreditasse no amor, que conseguisse partilhar o que sentira. Tinha sido o seu primeiro namorado, tinham vividos momentos únicos ao lado um do outro, partilharam experiências especiais. Rita nunca desistira de Tiago, mesmo quando lhe diziam que ele não a amava, e a estava a usar, ela acreditava que ele era tão puro de coração e alma como ela. Ele fizera-lhe promessas, juras, contara-lhe segredos íntimos, tinham vivido experiências únicas. Ela chorava não pelo fim da relação, mas sim porque ele traira os seus sentimentos, enganara-a. Ela tentou perdoar, mas não conseguiu. Não era fácil perdoar quem amara com todo o coração e desapontara como tamanho dissabor da vida. Ela tentava recuperar aos poucos, mas achava que estava destinada a ficar sozinha.

Os seus pais, Maria e Luís, sempre foram os seus ídolos, partilhavam uma bonita história de amor. Ela tinha 16 anos e ele 19 quando se conheceram e rapidamente se apaixonaram. A relação começou por ser segredo mas rapidamente fora tornada pública, ela engravidara. O pai de Maria queria separá-los embora fosse contra a vontade dos dois. Queria pô-lo atrás das grades por violação, por uma série de leis e normas que nem ela sabia. E Maria sabia que se ele tentasse conseguiria, afinal o pai era chefe de polícia e conhecia todos os juízes dos arredores de onde viviam. Ela queria abortar, mas ele era contra. Por isso decidiram fugir. Era uma história com um pouco mais de dois meses, não sabia se iria resultar mas iam tentar. Na madrugada de 1 de Julho, fugiram de madrugada das suas casas e fizeram-se a caminho até Lisboa. Viviam numa aldeia nos arredores de Coimbra e chegaram até Lisboa através de boleia que aceitavam de estranhos ou com o pouco dinheiro que levavam.

Conseguiram arranjar empregos, passaram dificuldades e embora estivessem sozinhos, o amor triunfou. Sete meses depois nasceu a sua irmã, Ana Conceição, mas todos a conhecem por Ana. Três anos depois nasceu Rita. Só nessa altura o avô de Rita entendeu o erro que cometera, os pais das jovens meninas aceitaram o pedido de desculpas e ele veio viver para Lisboa, para os ajudar. Rita e o avô eram muito próximos. Era o avô João. Eram como irmãos, como cúmplices, eram unhas e carne. E ele morreu poucos meses depois do nascimento de Rita, Pedro. Apesar dele já ter falecido há 6 anos, continua a afetá-la muito. Era o seu ídolo. E queria dar o nome dele ao seu filho. Em 17 anos de existência só assistiu uma discussão dos meus pais, e foi tão grave que deu origem ao divórcio deles, mas nunca, Rita pensara que acabasse assim. Foram feitas acusações graves e quando sentiu que a discussão era grave, pegou no meu irmão e foi para casa da irmã, apesar de já ser noite. Ela já tinha 21 anos, vivia com o marido Rúben e tinham um filho, a pequena Diana com 9 meses. Era sua sobrinha, mas Ana queria que Rita fosse madrinha.

Rita para se animar, decidiu ir dormir a casa da irmã, era na Margem Sul e assim estava próxima do mar, da praia, estava próxima de tudo o que gostava. O dia tinha sido longo, fora com a irmã, o cunhado, a sobrinha e o irmão, mas mesmo assim decidiu fazer uma visita ao computador e ver as novidades, nem que fosse só para observar o quanto feliz estava o seu ex-namorado Tiago, com a nova namorada, Adriana. Eles agora estavam juntos e felizes e ela continuava a sofrer. Mas queria sempre ver que ele estava bem e feliz, ao contrário de si. Rita era capaz de pôr a felicidade dele acima da sua. Mas recebeu uma mensagem no facebook, nunca tinha falado com aquele rapaz, mas conhecia-o.

Quem seria o rapaz?
Será que Rita vai responder? E o que vai querer ele?