segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Capítulo 04 O Abraço


Ele aproximava-se dela sempre com os olhos fechados mas focado nos seus lábios e Rita olhava para os seus, suficientemente carnudos e sexys, no seu íntimo confessara que até apetecíveis. O seu perfume entranhava-se nas narinas dela, e o seu hálito cheirava bem. A sua mão esquerda estava pousada na anca e a mão direita estava ao lado encostada á parede fria bem ao seu lado, onde estava também encostada. Fechou os olhos, iria aceitar e corresponder aquele beijo. Podia arrepender-se mas seria um arrependimento de algo que outrora lhe soubera bem. Fechou também os olhos e sentia já a respiração dele sobre a sua pele. Agarrou na t-shirt dele, bem perto da gola decotada e fê-lo aproximar-se de si, os lábios estavam a dois milimetros de distância, no máximo. A sua mão esquerda estava já no fundo das suas costas, debaixo da camisola, com vontade de a beijar. E Rita sussurrou:

-Não. – Agarrou-o nele e trocou de posições. Encostou-o á parede e ficou ela de frente para ele. Fábio abriu os olhos e não sabia o que fazer ou como reagir. Ela continuava a agarrar-lhe na t-shirt com as duas mãos e ele agarrava-o com as duas mãos no fundo das costas. Embora as suas palavras dissessem algo, os gestos de Rita diziam o oposto. – Assim nunca me irás conquistar. – Deu-lhe um beijo na bochecha, mas bem perto dos lábios para o provocar. Pousou as mãos ao lado dele e sorriu-lhe enquanto ele abri-a os olhos surpreendido por aquela atitude. – Tudo o que diziam de ti é a mais pura das verdades. Não podes ver um rabo de saias que queres logo algo para te satisfazer. Queres sempre uma rapariga para matares um vazio que está dentro de ti, e sabes o que é esse vazio? Ou muito me engano ou estás magoado porque alguma rapariga te deixou ou simplesmente tens inveja porque toda a gente já te falou, porque sentiu o amor e tu não, mas isso é frustração. E não é com aventuras de uma noite ou pouco mais que vais lá. Queres uma boa noite de sexo tens remédio, ou vais ter ás meninas ou arranjas uma boneca insuflável, senão conheço muitas que são capazes de te fazer favores a troco de nada. Não ponho rótulos ás pessoas, mas elas já fazem os seus próprios rótulos. Se quiseres a minha amizade vais ter de me reconquistar, porque não vou cair em nenhuma das tinhas tentativas de sedução. Até podes ser bonito e charmoso, mas apesar de jamais dizer nunca, sei que não irei namorar contigo ou ter qualquer tipo de relação. – Soltou a gola decotada da camisola que ficou um bocado mais amachocada do que estava outrora e saiu de perto dele. Em direção a sua casa. Mas Fábio agarrou-lhe no braço enquanto ela se virava e disse:

-Lamento que tenhas essa opinião sobre mim. Ouve química entre nós e pensei que podia nascer uma curte, assim tu podias recuperar do que se passou contigo e eu ficaria bem. Não era nada sério, apenas porque nos entendemos. – Pela primeira vez Rita olhou para ele desde que ele começara a falar. - Não beijo as raparigas se elas não quiserem, pensei que também querias. – Respondeu com o tom de voz mostrando arrependimento.

-Desde que me viste tiveste estas segundas intenções e logo que falaste comigo no facebook também, simplesmente pensaste que ia ser mais uma não é verdade? Não é por ser eu, simplesmente é por ser uma rapariga. Assume isto!  - Estavam frente a frente um com o outro, com os olhares enfurecidos no hall de entrada daquele prédio. – Mas enganaste que eu não vou cair nas tuas palavrinhas e nos teus joguinhos mentais que todas as raparigas caiem, conheço todos os jogos de sedução e tudo o que possas dizer. Já passei pelo mesmo e cai, pensei que os players mudavam mas não mudam!

-Nem toda a gente é pessoa para por um par de cornos a uma rapariga e a trocar por uma galdéria qualquer! Porque pelo pouco que percebo de amor, consigo entender que isso só é uma prova que não te amava mesmo!

-Não te admito ouviste?! – Disse revoltada Rita, já visivelmente magoada com as palavras que Fábio lhe dissera e com os pensamentos que lhe assombravam a mente. Não tinha sido as palavras que ele dissera, mas sim a verdade que ela negava a si mesma e que a assombrava por lhe terem dito e ela saber que era verdade. -Que mural tens tu para falar seja do que for? – Não iria ficar sem resposta, podia-lhe magoar responder da mesma moeda, mas faria-o.
Fábio era bom amigo, sabia bem ouvir os outros e mesmo quando não compreendia o que sentiam, tentava ajudá-los. Desta vez ele não sabia o ódio que Rita sentia, o sofrimento po causa de uma traição e o fim de uma relação amorosa, nunca tinha sentido o mesmo, mas sabia o que era um desgosto e sabia como podia apoiá-la. Agarrou-a e deu-lhe um abraço forte e ela encolheu-se nos seus braços, ele era alto e forte e era um abraço daqueles que ela precisava. De um abraço de amizade, de carinho, algo que lhe faltava, não era um amigo mas estava a ter um gesto de amizade. A diferença entre ambos era notória, e de uma certa forma bonita, Rita tinha 1 metro e 60 centímetros e Fábio 1 metro e 87 centímetros, o que fazia uma diferença de 27 centímetros, o que fazia ela perder-se nos braços dele e sentir-se bem. Ela perdera não só o namorado, como o melhor amigo. Ele apertou-a fortemente nos seus braços, sabia que ela precisava de carinho e ela apertou-o também. Ficaram em silêncio durante um bocado e ele sussurrou:

-Desculpa pelo que disse. Não queria magoar-te, fui rude e frio, lamento. – Ela nada respondeu, continuou a chorar nos braços dele e só parou quando se sentiu melhor. Fábio não era seu amigo, pelo menos por enquanto mas estava a ajudá-la e ela precisava de ter um amigo a seu lado, um verdadeiro amigo que a apoiasse e ele estava do lado dela, ele sentia-se bem em ajudá-la, tinha apenas a doce intenção de ser amigo dela, de a ajudar. – Anda para minha casa, comes alguma coisa, mudas de roupa e se quiseres tomas banho. Não podemos ficar aqui. – Fábio tocou na bochecha de Rita onde uma lágrima cai-a e ela arrepiou-se, mas não era pelo toque dele. Limpou-lhe a lágrima que cai-a pela sua bochecha esquerda. Era pelo gesto de amizade, pela atitude dele, depois de ter cometido um erro com aquele quase beijo tentava-se redimir provando que se deixou levar por um pensamento, mas que tentava compensar. Iriam tentar ser amigos, iriam conseguir.

-Não te quero maçar. A sério eu vou para a minha casa e já passa. – Limpou a lágrima que estava presa na bochecha direita com a manga da camisola.

-Não digas disparates. Hoje só te vou largar quando te provar que estava enganado quando quase te beijei, e que estás enganada a meu respeito. Que quero a tua amizade e que só te quero ver bem. – Apertou-a fortemente nos seus braços. E ela voltou a chorar. Fábio pegou nela ao colo e levou-a até sua casa. Abriu a porta e notou que ela tinha adormecido, possivelmente cansada e desiludida consigo mesma e com a vida que lhe pregara partidas tão grandes. Fábio não sabia que os pais dela se tinham separado recentemente, não sabia que Tiago era também o seu melhor amigo, apenas sabia do final de relação entre si e o seu ex-amigo. Deitou-a sobre o sofá e foi buscar uma manta para cobrir-lhe o corpo. Abriu a porta de casa devagarinho e foi tocar a casa de Rita, o pai abrira-lhe a porta e explicara que ela estava em casa dele, tinha adormecido, e que não a queria acordar, possivelmente jantaria e dormiria lá. Quando acordasse voltaria para casa, prometera Fábio.


Ele preparou o jantar, apesar de cozinhar não ser o seu forte e preferir tirar fotografias ou jogar futebol, era um dever que tinha de cumprir e nesta situação iria preparar algo para Rita e para si próprio comerem, ela precisava de recompor energias, ele precisava apenas de matar a fome. Mas Fábio olhava Rita admirado, pela forma como ela até a dormir era querida. E parecia feliz, estranhamente feliz. Não resistiu em tirar-lhe uma fotografia e guardar para si próprio.


Rita despertou e Fábio levou até si um tabuleiro com o jantar e sentou no chão, bem perto dela também com um tabuleiro para jantar. Ela queria sentar-se no sofá para ele sentar-se também no sofá e jantar, mas ele não quis. Jantaram e ele levou os tabuleiros para a cozinha, ela queria ajudá-lo, mas ele não permitiu. Voltou para junto dela e ela permanecia deitada, ele sentou-se no chão ao seu lado frente a frente com ela e disse.

-Tu precisas de um amigo e eu vou sê-lo. Podes desabafar comigo. – Disse calmamente e com a voz rouca, que o caracterizava.

Será que Rita vai esquecer o “quase beijo” e desabafar com ele?
Será o inicio de uma história de amizade? E como ficaram depois de tudo?  

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Capítulo 3: O Beijo


















Rita não podia crer no que os seus olhos observavam. Ela era vizinha... Dele? Demasiada coincidência, poucas probabilidades e um país com 10 milhões de pessoas e por curiosidade, ele morava no mesmo prédio que ela. Fábio Cardoso, o nome diz alguma coisa? Pois, a Rita dizia. O rapaz mais mulherengo e com mais história que ouvira em toda a vida! Esticou a mão em direção á sua, para lhe dar um “passou-bem” e disse:

-Olá! – Sorriu. E Rita confessava a si mesma que tê-lo a menos de dois metros de si, o tornava ainda mais bonito. E... Sexy! Bem era esta a palavra, chegava a esta conclusão Rita. – O meu nome é Fábio Cardoso e sou teu vizinho da frente. – Não conseguia reagir. Estava surpreendida. – Tu és a Rita Madeira não és? – Corou. Como é que ele sabia o seu nome?

-Sim. Dizem que sim. – Respondeu Rita sorrindo. – Conheces-me? – Se havia algo que ela gostava era deixar tudo claro. Não o conhecia pessoalmente e não era “conhecida” por isso não havia motivos para ele a conhecer. Tinham já falado mas podia ser apenas por ele ter segundas intenções consigo, que não eram de todo retribuidas. Não queria ser apenas “uma” rapariga na conta pessoal de ninguém. –Quer dizes ainda há pouco falamos mas podias já te ter esquecido. – Disse sinceramente. -Ou teres segundas intenções não retribuidas. – Disse baixinho entre-dentes.

-Sim, como te disse já me falaram de ti, por seres a única rapariga a seguir e a assistires aos jogos da minha equipa que pertence à claque. E era amigo do Tiago. –Tinha namorado com o Tiago dezoito meses e não sabia que eles eram amigos, o que a apanhou completamente desprevenida  -E quanto a segundas intenções está descansada que não as tenho. – Nestas palavras, Rita não acreditou.

-Já não és amigo do Tiago?  

-Depois do que ele te fez não consegui voltar a falar com ele como antes. E a Adriana é minha ex-namorada, por isso conheço-a muito bem.

-Uma de muitas não é verdade? – Perguntou para si mesma em voz alta.

-Quem muito fala pouco acerta e muitas das histórias que ouves  minhas não correspondem à verdade.

-Então estás-me a querer dizer que não engravidaste uma rapariga e a fizeste abortar só porque não querias ser pai apesar dela ser contra o aborto? – Perguntara sem receios.

-É totalmente falso. É verdade que ela desconfiou que estava grávida e eu falei em aborto, mas apenas porque não tinhamos condições para tê-lo, nem sequer sabia que ela era contra o aborto. Mas ela nem sequer estava grávida, foi um atraso. E essa rapariga era a Adriana.

-A atual do Tiago? – Respondeu acenando positivamente com a cabeça.

Ela não é nada daquilo que parece. – Concluiu em forma de desabafo Fábio.

-Tu também não! – Disse interiormente. – És bem mais sexy a esta distância! – Se havia algo que não era, era cega e aquele rapaz, apesar de ser mulherengo era bastante atraente.

-Cada um aprende com os seus erros. – Vindo de casa do Fábio veio uma rapariga. Sozinho aquele rapaz nunca poderia estar não é verdade? Posicionou-se ao lado do Fábio, deu-lhe uma palmada na cabeça e cumprimentou Rita com dois beijinhos, um em cada bochecha.

-Olá! Chamo-me Tânia e sou a melhor amiga deste tolo. – Eles trocaram um olhar cúmplice. – E tu deduzo que és a vizinha da frente que o Fábio vinha oferecer pizza mas entretanto deve-se ter esquecido. – Disse bem-disposta e sempre com um sorriso na face.

-Sim. Sou a Rita Madeira e não, o Fábio não me falou em pizzas mas confesso que a ideia me agrada! Claro senão for muito incómodo!

-Claro que não! Então vou só buscá-las e já volto. – Virou costas e foi embora. Mas para Rita tinha sido estranho os sorrisos que eles deram e os olhares que fizeram depois de dizer o seu nome, será que estavam a gozar consigo?

-E então amanhã quais são os teus planos? – Perguntou ele.

-Tenho de acabar de arrumar a minha casa, pelo menos o que falta, vou levar o meu irmão á escola, ir descobrir aqui as redondezas e ir á minha escola nova que acho que é aqui perto. Resumindo: um dia muito atarefado!

-Se quiseres posso dar-te uma ajudinha. Na parte das arrumações secalhar é melhor não que sou um desastre mas de resto acho que posso dar uma mãozinha. Mas terá de ser tudo da parte da tarde que só saiu mais ou menos para a hora do almoço do treino.

-Não quero dar trabalho e deves ter mais que fazer.

-Se tivesse achas que me oferecia? – Perguntou cruzando os olhares com os dela. Tinha uns olhos lindos que a faziam arrepiar e era bonito, aliás gato como a minha melhor amiga sempre lhe corrigia, quando falavam de rapazes bonitos! – Depois do almoço venho aqui tocar-te a casa. Está combinado?

-Sim, pode ser! – Dito isto apareceu Tânia com as pizzas, agradeceu e despedi-me deles, enquanto Rita e Fábio fechávamos as portas uma em frente da outra, ele mandara-lhe um beijinho com a boca e com as mãos. Rita soube logo que ele tinha segundas intenções e que não era apenas um gesto de amizade. Mas enganava-se redondamente, pelo menos por enquanto.
Levou as pizzas até á cozinha onde ela e o meu pai comeram, e guardou o que sobrava para o almoço do dia seguinte. Agora tinha de se habituar, teria de fazer almoço para si e o meu pai levarem ora para a escola ora para o trabalho. Mas no dia seguinte, seria a única excepção  Fui tomar banho e deitei-me, sabendo que tinha de acordar cedo para ir pôr o seu irmão à escola, depois viria até casa arrumar o que faltava e esperava pelo Fábio, enquanto preparava o almoço e o jantar. Foi tomar banho e deitar-se logo depois.
Acordou na manhã seguinte e foi preparar o pequeno-almoço para o seu pai e irmão, bebia sempre um copo de leite e só a meio da manhã é que conseguia comer algo, não era por falta de vontade, simplesmente não conseguia. O estômago não o permitia. O irmão e o pai tomaram banho e vestiram-se. Enquanto tomavam o pequeno-almoço foi tomar banho e vestir-se. Quando chegou à cozinha o pai já tinha ido embora, seria o primeiro dia de trabalho e queria ir cedo para o local. Rita levara o meu irmão para a escola, ainda era uma viagem a pé por volta de 15 minutos, mas não se importava de andar. Rita nunca levara o seu irmão na sua mota, apesar do pai autorizar, ela não queria. E sempre que ia andar e voltava a correr, era excelente para si fazer alguma corrida para manter a forma física.
Acabou as arrumações que faltavam em casa e mudou de roupa, fora preparar as refeições. Só lhe faltava almoçar, mas tocaram à campainha e era o Fábio. Rita abriu e perguntou se  á tinha almoçado, ele respondeu que sim, por isso pedi-lhe para esperar enquanto comia. Rita tinha medo que ele tivesse segundas intenções consigo, mas acreditando na palavra dele decidi dar-lhe uma oportunidade, confiava sempre nas pessoas até prova em contrário. O Tiago ligara-lhe para o telemóvel mas não atendera, nem lhe iria retribuir a chamada. Não queria falar com ele, pelo menos até o esquecer. Almoçou e sempre que o Fábio a olhava, sentia-se envergonhada.
Arrumou a cozinha e conversaram animadamente, tinham-se dado bem e havia alguma “química” não era no sentido amoroso, mas tínhamos realmente simpatizado um com o outro. Discutiram sobre se levava Rita a moto, que apelidara de Ashley ou Fábio o seu carro, que ela apelidara de Tobias, ele acabou por a convencer dizendo que senão fossemos de carro fazia “queixinhas ao meu papá  e embora a brincar acabou por ceder. Como não tinha carta de condução de carros tinha de ser ele a levar o carro e a conduzir.
Em primeiro lugar, mostrou-lhe quais eram os sítios mais conhecidos das proximidades, onde moravam alguns amigos dele (também jogadores do Benfica) e a escola onde ele andou, que por acaso é a mesma que Rita iria frequentar até acabar o secundário, que se tudo corresse bem seria em Junho. Apesar de não querer, ele apresentou-lhe alguns dos seus ex-colegas e agora atuais de Rita, queria conhecer por si mesma, mas ficou agradecida a ele pela atenção que lhe prestara. Conseguiu ver a turma onde fora posta e o horário que me tinha, era bastante bom, o que satisfizera tanto Rita como Fábio! Teria 3 tardes livres e entrava sempre cedo, e as horas de almoço eram suficientes para vir a casa e chegar a tempo ás aulas, de moto claro.
Regressaram para casa e o Fábio convidou-a para ir lanchar a casa dele, Rita ficou reticente. Quando chegaram à entrada do prédio, ele empurrou-a para se encostar a parede, com pouca força mas deixou-a sem reação. Aproximou-se dela, encurtando a distância que havia. Focou o seu olhar nos lábios dela e separou ligeiramente o lábio inferior do superior, fechou quase totalmente os olhos e os seus lábios vinha, em direção aos de Rita. A sua mão esquerda estava no queixo da sua nova amiga e a direita estava na cintura dela. Ele ia beijá-la, e não sabia se reagia ou não. Rita não sabia se queria ou não aquele beijo. Dele.

Será que Rita quer o beijo de Fábio? Ou não?

Será que vai reagir? 

sábado, 28 de setembro de 2013

Capítulo 2: Vizinha!


“Olá! Tudo bem? Por acaso não és aquela rapariga que acompanha a claque dos No Name que acompanha a minha equipa para todo o lado?”

Fora aquela a mensagem que Fábio enviara a Rita através daquela rede social. Tinham-lhe contado que Tiago, aquele rapaz que ele considerava um amigo tinha trocado uma relação de ano e meio por uma aventura. Tiago fora em tempos, namorado da sua melhor amiga Tânia e magoara-a muito, por isso Fábio sentia quase como “obrigado” a ajudar Rita a ultrapassar aquele momento e ele já também já tinha tido uma relação com Adriana, curta como sempre, mas ele conhecia-a suficientemente bem para dizer que ela não lhe seria fiel durante muito tempo. E que muito menos o faria feliz como ele esperava. Apesar do estilo de mulherengo de Fábio, ele deixava sempre bem claro ás raparigas que não era uma relação séria. Que ele não se apaixonava, podia ter sido feliz e ter-se sentido bem mas não queria relações sérias, não se ia apaixonar e não acreditava no amor. Quando lhe contaram que Tiago “trocara” de namorada, Fábio não conseguiu continuar a falar como fazia com ele. Não conhecia Rita, mas conhecia Adriana e isso era razão suficiente para a sua mudança de atitude, conhecia Tiago que destruira o coração de Tânia, que o amou e a fez crer que o amor era correspondido e iriam ser felizes, juntos, e no dia seguinte acabou a relação que os unia. Queria tentar ajudar Rita, queria tentar animá-la, mas ele nunca se apaixonara antes, mas estava disposto a tentar. Ao contrário de todas as outras vezes que falara com raparigas, á exceção da sua melhor amiga, não tinha... Segundas intenções. Não sabia se ela iria responder, mas sabia que assim que mandasse aquela mensagem ficaria de uma certa forma mais tranquilo, sentia necessidade de ajudar aquela rapariga que estava desiluida e magoada. Ele sabia que já deixara algumas em situação idêntica, sabia que já magoara e desiludira, raparigas com que tivera relações sem compromissos como fazia questão de frisar, mas não era por mal. Nunca fora sua intenção desiludir ninguém, mas acidentalmente fizera-o. E lamentava-se por isso. Passado alguns minutos, ela respondeu:

“Olá. Sim está tudo e contigo? Sim sou eu mesma!! Que eu saiba sou também a única rapariga da claque acompanha a equipa B. Mas porquê?”

Fábio recebera mensagens de outras raparigas, de amigos, mas naquela noite só tinha olhos para qualquer resposta de Rita. Não tinha intenções de ter uma relação com ela, nem de se tornarem amigos. Queria apenas melhorar o seu dia, fazer vê-la que nem tudo estava perdido e mesmo que o amasse, sentimento desconhecido por Fábio, havia sempre solução e que tudo na vida acontecera por algum motivo e o motivo era provar-lhe que Tiago não gostava assim tanto dela como parecia. Ela podia não querer falar com ele, tinha razões para tal. Não eram amigos, não se conheciam mas ele sentia que tinha de fazer algo por ela, que era sua obrigação, mas não era algo mau. Fábio sentia-se responsável por Rita, talvez fosse porque Tiago já outrora tivesse sido seu amigo ou por Adriana ser um ex relacionamento seu, ou até mesmo por Tiago já ter namorado com Tânia e Fábio queria ajudar Rita a não sofrer tanto como ela sofreu e demorou a recuperar, ou talvez não, ele não fazia a menor ideia mas queria fazê-lo. Precisava disso para dormir descansado naquela noite. Ela respondeu! Não sabia explicar mas a história dela afetara-lhe de uma forma estranha que nunca ou quase nunca o tinha afetado. Respirou fundo depois de ler a resposta, sentia-se nervoso e ansioso. Sentia que precisava de ser amigo dela, que sabia ajudá-la a resolver aquele e outros problemas, curiosidade em conhecê-la, desta vez sem intenção de nada sem ser amigos, quando soube da história ficou com o pressentimento que ela era uma pessoa sozinha e ele a ajudaria. Digitou:
“Tenho amigos na claque e falaram-me muito de ti. E soube o que se passou, eu era amigo do Tiago mas depois do que ele fez não consigo olhar para ele da mesma forma. Apesar de não sermos amigos, podes contar comigo para desabafar, para chorar ou até mesmo para falar”.
O seu telemóvel tocou. Era a sua melhor amiga. Embora ele quisesse mesmo saber qual era a resposta de Rita, tinha de atender aquela chamada. Tinha combinado que ela dormiria em sua casa e esquecera-se. Não queria culpar Rita mas ela tinha estado na sua cabeça durante todo o dia. Estava a afetá-lo de uma forma particular, como nunca fora afetado antes. Os motivos eram desconhecidos, embora houvesse uma pequena suspeita, o sentimento de responsabilidade, as suas histórias já se tinham cruzado por mais que uma vez e ele queria aproximar-se dela. Passara a tarde inteira em casa, sem falar com ninguém, em frente ao computador á espera que Rita entrasse naquela rede social. Não queria que ela entrasse e visse a mensagem queria enviar-lhe enquanto ela lá estivesse e depois podia responder. Levantou-se e foi atender o telemóvel.

-Que me queres? – Perguntou rudemente Fábio depois de atender a chamada. Na realidade queria poder contar tudo a Tânia, sua melhor amiga, mas só podia contar depois de acontecer.

-Tão simpático que o meu melhor amigo está hoje! – Criticou-o. – Mandei mensagens, chatiei-te no facebook, e tu nada. Esqueceste-te que tinhamos combinado que ia dormir a tua casa? Estou á porta da tua casa á séculos. – Explicou a rapariga.

-Não, não esqueci. Quando acabar isto vou já abrir. Agora tenho de desligar beijinhos. – Nem lhe deu tempo de responder, desligou a chamada e voltou para o sofá onde tinha o seu computador portátil.

Sentou-se e colocou o computador no seu colo e foi novamente para as mensagens. Havia de outros amigos, da sua melhor amiga, mas ele não as iria ver, pelo menos não hoje. Rita saira e não lhe respondera, nem tinha visto a mensagem. O que o desiludiu e sentiu-se um pouco culpado por a ter abandonado sem avisar. Desligou o computador e foi abrir a porta de sua casa. Distraído sempre a pensar em como aquele sentimento estranho mas tão forte como sempre lhe descreveram, chamado amor, se alguém amasse realmente outra pessoa não a trairia, era a opinião dele, apesar de nunca ter sentido aquele sentimento e não saber até onde ele o poderia levar. Abriu a porta e cumprimentou a sua melhor amiga, depois conversaram bastante, Fábio contara-lhe o que se andava a passar na sua cabeça, o quanto a história daquele final de relação do “triângulo amoroso” de ex-namorado dela e da sua ex-namorada e da simples Rita, mas suficientemente forte na cabeça (e quem sabe coração) dele o afetara,  como nunca tinha acontecido. Ela ficou surpreendida e enquanto pensava numa resposta, dissera-lhe que os novos vizinhos tinham-se mudado para o prédio dele, mais concretamente para a casa que havia em frente da de Fábio. Quando conseguiu chegar a uma conclusão disse que nunca tinha conhecido aquele lado de Fábio, nunca algo assim o tinha afetado e ela não sabia explicar, sabia que ele tinha bom coração e era amigo do seu amigo, mas de onde teria vindo a vontade de se aproximar para uma amizade por um fim de relação, sem segundas intenções? Ele era amigo do seu amigo, mas porquê aproximar-se de alguém a quem não devia nada só para falarem sobre algo que ele não entendia e não podia ajudar?! Era uma pergunta sem resposta mas decidiram mudar de assunto. Pouco faltava para as 20h, horas em que iam jantar, mas primeiro Fábio ia apresentar-se e conhecer os novos vizinhos e oferecer-lhes o jantar, com a mudança e a movimentação do dia, estariam exaustos e nem se tinham lembrado de tal refeição. A sua melhor amiga ficou em casa á espera das pizzas que chegariam a qualquer instante e ele foi tocar aos seus vizinhos.
Apesar do aspeto desleixado, com roupa prática de fato treino e com claro cansaço do dia, ele ficou admirado, pela beleza da sua nova vizinha mas também pela sua expressão, pela sua face, que não lhe era nada estranha. Parecia ser mais jovem que ele, mas tinha um brilho especial. Ele só tinha falado com ela uma vez, não a conhecia mas sabia o seu nome e ficou admirado por aquela mulher meio menina. Devia ter dezasseis anos, aparentava ainda ser menor, mas tinha um olhar que o fixava desde o inicio. Fábio tinha visto diversas raparigas bonitas que o cativaram e aquela não era exceção, mas esta era sua nova vizinha e ele gostava disso. Queria criar uma amizade com ela, de alguma forma ajudá-la...

Quem será a nova vizinhança de Fábio?

Será que ficaram amigos? Será que Rita irá responder
à mensagem dele?

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Capítulo 1: Inesquecível


Na vida de Rita parecia nada fazer sentido. A última semana tinha sido desastrosa. A sua relação de ano e meio em que tinha depositado fé, esperança e confiança acabara por causa de uma traição. O divórcio dos seus pais que sempre foram o seu exemplo e sempre foram o casal perfeito e a idealização do seu sonho de família. E a perca do seu emprego afetaram a jovem de 17 anos. Tudo parecia ruir o mundo tal como o conhecera. Tinha de ser forte. Não por si, mas pelo irmão Pedro de 6 anos, de quem era o ídolo. Tinha de o fazer crer que tudo estava bem, embora ela não acreditasse nas palavras que dizia. Gostava sempre de sorrir, gostava de demonstrar que estava bem, mesmo que a vontade fosse chorar.

Refugiava-se na praia e chorava, porque só ali as suas lágrimas pareciam pequenas. E o mar embora não lhe respondesse, ela sentia que a ouvia e não se sentia sozinha na praia, confessando tudo o que sentia. A moto que conduzia tinha sido oferecida no seu último aniversário pelos pais, dava-lhe uma sensação de adrenalina e vida, sempre que a conduzia. O vento bater-lhe na cara dava-lhe uma noção de controlo mas também de emoção. A velocidade que embora não fosse exagerada, embora fosse elevada fazia sentir que o seu coração palpitava como sempre fora habituada a ouvi-lo. Davam-lhe sentimentos que ela pensava nunca mais sentir. Sabe Deus os pensamentos que atravessam que nem uma flecha aquela cabeça e a dor que palpitava a cada segundo no seu peito. Porque é que a vida lhe era tão injusta? Tinha amado e entregue o seu coração e tinha ficado despedaçado.

Tiago era o seu melhor amigo e namorado, confiava-lhe a vida se fosse preciso. E ele traira-a, exatamente na véspera de comemorarem dezoito meses de namoro. Ela descobrira e sentia-se humilhada, desprezada, traída. Ela apenas conseguia chorar, sentia-se completamente sozinha no mundo, mas assim que conversou com ele noticara-lhe que por muito que ele a tentasse reconquistar, não conseguiria. A confiança que antes depositara nele morrera e a amizade apenas conseguia ser reconquistada com o tempo. Ela sabia que apesar de ainda o amar e possivelmente ama-lo-ia para sempre, não conseguiria voltar a ser feliz ao lado dele. Como é que ele tinha sido capaz? Ela tinha-o mudado, tinha-o feito crer no amor e dera tudo o que tinha à relação. Ele não dava valor aos que o amavam, desprezava para esquecer os que ele amava, Rita fez com que ele acreditasse no amor, que conseguisse partilhar o que sentira. Tinha sido o seu primeiro namorado, tinham vividos momentos únicos ao lado um do outro, partilharam experiências especiais. Rita nunca desistira de Tiago, mesmo quando lhe diziam que ele não a amava, e a estava a usar, ela acreditava que ele era tão puro de coração e alma como ela. Ele fizera-lhe promessas, juras, contara-lhe segredos íntimos, tinham vivido experiências únicas. Ela chorava não pelo fim da relação, mas sim porque ele traira os seus sentimentos, enganara-a. Ela tentou perdoar, mas não conseguiu. Não era fácil perdoar quem amara com todo o coração e desapontara como tamanho dissabor da vida. Ela tentava recuperar aos poucos, mas achava que estava destinada a ficar sozinha.

Os seus pais, Maria e Luís, sempre foram os seus ídolos, partilhavam uma bonita história de amor. Ela tinha 16 anos e ele 19 quando se conheceram e rapidamente se apaixonaram. A relação começou por ser segredo mas rapidamente fora tornada pública, ela engravidara. O pai de Maria queria separá-los embora fosse contra a vontade dos dois. Queria pô-lo atrás das grades por violação, por uma série de leis e normas que nem ela sabia. E Maria sabia que se ele tentasse conseguiria, afinal o pai era chefe de polícia e conhecia todos os juízes dos arredores de onde viviam. Ela queria abortar, mas ele era contra. Por isso decidiram fugir. Era uma história com um pouco mais de dois meses, não sabia se iria resultar mas iam tentar. Na madrugada de 1 de Julho, fugiram de madrugada das suas casas e fizeram-se a caminho até Lisboa. Viviam numa aldeia nos arredores de Coimbra e chegaram até Lisboa através de boleia que aceitavam de estranhos ou com o pouco dinheiro que levavam.

Conseguiram arranjar empregos, passaram dificuldades e embora estivessem sozinhos, o amor triunfou. Sete meses depois nasceu a sua irmã, Ana Conceição, mas todos a conhecem por Ana. Três anos depois nasceu Rita. Só nessa altura o avô de Rita entendeu o erro que cometera, os pais das jovens meninas aceitaram o pedido de desculpas e ele veio viver para Lisboa, para os ajudar. Rita e o avô eram muito próximos. Era o avô João. Eram como irmãos, como cúmplices, eram unhas e carne. E ele morreu poucos meses depois do nascimento de Rita, Pedro. Apesar dele já ter falecido há 6 anos, continua a afetá-la muito. Era o seu ídolo. E queria dar o nome dele ao seu filho. Em 17 anos de existência só assistiu uma discussão dos meus pais, e foi tão grave que deu origem ao divórcio deles, mas nunca, Rita pensara que acabasse assim. Foram feitas acusações graves e quando sentiu que a discussão era grave, pegou no meu irmão e foi para casa da irmã, apesar de já ser noite. Ela já tinha 21 anos, vivia com o marido Rúben e tinham um filho, a pequena Diana com 9 meses. Era sua sobrinha, mas Ana queria que Rita fosse madrinha.

Rita para se animar, decidiu ir dormir a casa da irmã, era na Margem Sul e assim estava próxima do mar, da praia, estava próxima de tudo o que gostava. O dia tinha sido longo, fora com a irmã, o cunhado, a sobrinha e o irmão, mas mesmo assim decidiu fazer uma visita ao computador e ver as novidades, nem que fosse só para observar o quanto feliz estava o seu ex-namorado Tiago, com a nova namorada, Adriana. Eles agora estavam juntos e felizes e ela continuava a sofrer. Mas queria sempre ver que ele estava bem e feliz, ao contrário de si. Rita era capaz de pôr a felicidade dele acima da sua. Mas recebeu uma mensagem no facebook, nunca tinha falado com aquele rapaz, mas conhecia-o.

Quem seria o rapaz?
Será que Rita vai responder? E o que vai querer ele?